Lista de Poemas
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rfurini
NÃO TE DEMORA PARA VOLTAR!!
Eu espero...mas não por muito tempo!
Não te demora para voltar,
Eu te gosto ainda...mas não sei por quanto tempo!
Não te demora para voltar,
Teus beijos me fazem falta...mas outros beijos surgirão!
Não te demora para voltar,
Teu sexo combina com o meu,
Mas outro poderá combinar também!
Não te demora para voltar,
Teu rosto é doce em minhas lembranças...mas lembranças
Se apagam com o tempo!!
Roseli Furini
Setembro /2020
um_-_homem_-_que_-_chora
Sem Título
Dependendo do momento
falamos de Matemática
ou, talvez, de Filosofia
mas, qual a diferença?
Tem dias que queremos só ouvir Rock
e ficar em silêncio.
em outros queremos ouvir Beethoven
e falar de Poesia.
Somos assim
somos humanos...
Me pergunto (às vezes):
"Qual o verdadeiro sentido da vida?"
será amar...
ou, simplesmente, viver.
Sobreviver.
Qual a conclusão, podemos chegar?
Não sabemos...
Esse é o pensamento de um homem que chora.
Jorge Santos (namastibet)
Esquecer é ser esquecido

Esquecer é ser esquecido e saudade a substância do vidro,
Um adormecer em forma de dom, em que consciência
E apego são bastardos naturais de uma mesma escara,
Nascidos no ventre uma de outra como tumores, abscessos
Malignos, ambos com igual instinto, cada um nega
Parentesco e origem, coisa triste o’dormecer da vontade,
Confesso a indiferença, sobrevivo nulo perante crenças
Fuinhas, confundo a porta dos fundos com a plateia,
Sendo eu próprio escalador de vácuos e espectador
Assumido de mim mesmo, que o digam os acenos
Sem conteúdos, as palmas de despedidas, mas eu atuo
Como um deus seminu de brilho, não suporto fingidas cenas,
Sou opinativo do tutano à nuca por não ter certezas
Concluídas nem nunca um modo de ver tão simples
Quanto o espectro da candura, sou por direito absoluto
Monarca como fardo, e um tísico embora o meu espirito
Seja dono do mundo por não haver outro, tirando este
O qual amo mais que tudo, esquecer é ser esquecido,
Nasci liberto de domínio e é assim que serei, desprezo
Tiranos altivos como proas de navios decretando quem
Morre e quem fica perene, embora cacos de lembranças.
Tudo é poesia, até o que se esquece, acontece-me às vezes
Esquecer aquilo que não quero e concluo ser alergia
Ao que suponho querer e não me faz falta nem quero,
Esqueço em homenagem a mim próprio e ao absurdo
Ensejo que é ser suposto facto e não ciente realidade,
Qual ritual duvido de coração e alma. Agora é pra sempre,
Fui descuidado na seleção do que se esquece, esqueci
Ainda ontem a utilidade como se fosse uma derrota
E a saudade do que hei-de ser eu não, a ilusão do sonho
Ou o trinfo da morte concreta, o crepúsculo não se
Mede, nem é uma ciência, do meu coração às vezes
Duvido, mente-me acerca de um régio destino e eu
Indigno do que creio ter, um raro instinto de poente,
Saudade é gente que o esforço não apagou e a maioria
Vive em mim, ser esquecido é esquecer, escolha-visco.
Admito tecer por dentro uma teia com fios de vidas
Que mais parecem sonhos de vidas que não tenho
Mas conheço ainda que doa não ser eu um outro ser
Menos fragmentado entre consciência do desapego,
O chocolate e a cereja, o paladar da estranheza,
O prazer de ser esquecido como manifesto à indiferença,
Encaro-me com o desapego que tão dolorosamente
Represento a sós comigo, chamo-lhe de “necessidade
De me sentir vivo” essencial à falha de que me rodeio,
Sem que me aperceba não sou eu, mas um outro eu,
Semelhante a mim mesmo e enfim esquecido,sobejo …
Joel Matos (Junho 2020)
http://joel-matos.blogspot.com
https://namastibet.wordpress.com
Rui Pereira
Semana de espera
Amo-te
Como te amei
Aos sábados
E hoje
É sábado
Amanhã é domingo
Os outros dias
Colho flores
Nas escarpas
Nos abismos
Nos vulcões
Nos bolsos dos leões
E aguardo
É o acto de amor
Dos amantes parvos
Que vêem o céu azul
De segunda a sexta
E esperam o fim de semana
Para dizer amo-te
À sua amada longínqua.
Breno Pantoja
Relevância
Cheias de surpresa,
É uma ladeira,
Em altos e baixos
Estamos em uma competição, com várias barreiras.
Encontremos, lugares cheios de incertezas.
Há tantas explicações, muita teorias,
É tão incrível procurar a saber,
A origem da vida.
Esperamos em você, que não faça parte desse sistema,
Dinheiro sujo, é tudo idéia do mesmo esquema.
A vida é feita com um pouco de tudo.
Não deixe ser controlado,
Com o mesmo ideal.
É uma extensa discussão
Entre ciência e religião,
Nada deixem que abalem sua mente,
E seu coração.
A vida é uma surpresa,
Pode se dizer uma ladeira, uma cachoeira,
Somos jorrados feitos uma correnteza.
Sua liberdade, e o que te faz crescer,
Sua vantagem,
É a sua sabedoria.
Seu desenvolvimento é algo fundamental
O próximo passo, para a libertação intelectual.
Teorias, denominações
No seu intrínseco, ferve com extremas emoções,
Liberte sua alma,
Habitará em você a calma.
A libertação da vida,
É algo divino
Seu fanatismo, fará de você
Um abismo.
Use a liberdade, de forma racional
Alimente a sua alma,
Com generosidade e humildade.
Sua mente limitada,
Não conquistará nada,
Conhecimento te liberta do deserto,
Isso é um prêmio eterno.
Breno Pantoja.
marcelm
Abacateiro
e o pássaro canta sem parar.
Seu ninho estava ali.
Agora, terá que voar.
Mas antes;
Ele canta, canta... continua cantando
E eu demoro para perceber que talvez,
esse canto, seja ele lamentando.
Neste abacateiro era uma cantoria.
A felicidade voava, pairava e ecoava
todo, todo raiar e fim de dia.
Voa, voa, voa e para onde você for
dará aos outros tudo que nos deu...
Amor!
- Marcel Miranda -
Tsunamidesaudade63
Estas tatuada no meu coração
Às vezes é difícil rimar,
As palavras não aparecem
mas quando eu falo de, "amar!
O meu amor é romântico é grandioso,
e para alguns pode ser exagerado.
Eu adoro escrever,
o que sinto, aqui dentro de mim,
no mais profundo do meu ser,
ele é tão grande, é um amor enorme,
que não me cabe dentro do peito,
e aqui deitado no meu leito,
eu traço as linhas do amor,
a cada anoitecer, escrevo linhas simples
muitas vezes com tristeza ou emoção,
só para te dizer que estas tatuada!!!
"No meu coração"
Davison Furtado
Premissa
A pré estreia
O pré treino
A pressão
O pré natal
O pré operatório
A primissia
De ser prudente
O pretrérito
Proeminete
O primeiro
A ser prudente
O pretérito
Do prefácio
Inspiração
Primeiramente.
helbertalves
Sensação
Sem nenhum pensar
Com essa pandemia
Comecei a reparar
Quando passar isso tudo
O ser humano será
Que irá lembrar
Numa tarde de solidão
Cada sentimento a fluir
Como o ser humano mudou-se
Estão prestes a não mais existir
Os seres vem se tornando
Mistérios que dão medo a desvendar
Nunca se sabem ou imaginam
Como se pode ajudar
Quando tudo passar
Lágrimas podem não mais rolar
A sensibilidade está acabando
Podem disso nem lembrar
Parece que vivemos em uma batalha
Aonde não podemos lutar
Uns sempre querem mais
Mais não pensam em ajudar
Uma simples coisa
Em um lindo luar
Não se sabem o que querem
Se não for ganhar
A vida vem se transformando
Num obstáculo sem parar
Diante tantos desafios
Muitas batalhas a se formar
Na noite as estrelas
Mais uma página a virar
Deus que nos dá outra chance
para podermos recomeçar
Conversando com o meu coração
Não sei mais o que escrever
Todo sentimento bom
Estamos prestes a perder,...
Vilma Oliveira
TEU CORAÇÃO
É pra mim revelação
De algum mistério profundo
Enche-me de sensações
Estranhas recordações
São as tristezas do mundo!
Esse teu coração...
É pra mim a provação
Os desafios de mim...
Tentando me encontrar
Comigo mesma me achar
Princípio, meio e fim!
Esse teu coração...
É pra mim a explosão
Dos sentimentos carnais
Às vezes, misteriosa,
Outras lamuriosas
Quase sempre irreais!
Esse teu coração...
É pra mim a solução
De todos os meus problemas
Os meus conflitos internos
O meu instinto hodierno
Que trago nos meus poemas!
Carlos Silva
OS ATRATIVOS DO PECADO
Os meus pecados são tão grandes que chegam a ultrapassar a minha cota de perdão.
Ao dormir estou pecando, Ao acordar (quer seja no meio da noite,ou na hora certa de cumprido o necessário descanso) já encontro o pecado à minha esperar para nutrir a minha vida das fraquezas que insistem em me fazer cometer repetitivos erros.
Rezo ao deitar, ou oro ao levantar como se de forma desesperada, buscasse o bálsamo através da fé, que banhe de bondade o meu coração.
A oração me aproxima de Deus, e, de imediato, ao término dela, lá estou eu fincando os pés no lamaçal de pecados.
De novo e de novo e mais umas outras tantas e incontáveis vezes, eu rezo e oro buscando forças insistindo com o todo-poderoso Deus, até que Ele, por sua benção, proteção e misericórdia, afaste do meu coração tanto pecado que fazem transbordar de tristeza a razão do meu existir.
Insisto, insistirei sempre, e mesmo que venha cometer pecados, desse meu grandioso e fiel Deus, eu jamais me afastarei, pois Ele sabe que mesmo antes de nascer, eu já era fruto do Pecado espalhado nessa terra.
Um dia, o meu coração será lavado de vez, e o pecado tornar-se-a um caminho esquecido, e por onde tanto passei que meus pés e pensamentos me fizerram errar, jamais retornarei.
Confiante, estendo ao meu Deus, essa minha poesia em forma de oração.
Carlos Silva
Iago R Carvalho
A memória não persiste
Mas já passa das 15:30
Deveria voltar e trocar a camisa
Mas o sapato do vizinho está rasgado
Visto uma gravata rosa
Afinal hoje tem jogo do corinthians
Voa por sobre minha cabeça
Uma ave de papel em forma de cavalo
Grampeei minha mão na parede
Porque me mandou o cachorro gordo
Uma barra migratória me acerta a cabeça
Meu pé dói
Dinamismo da imobilidade móvel
Descanso da mobilidade imóvel
A grama está em um tom amarelo
Que condiz com os dentes de Maria
Não lembro quem é Maria
Será que já vi Maria?
Maria…
Maria…
Joaquim da Silva Pereira Neto
Correu o vira-lata!
Passou o trem!
O salgueiro me disse um segredo
Mas já esqueci
Volta a ser segredo
Chego ao trabalho com 7 minutos
E 5 segundos de atraso
Meu chefe grita
Mas estou triste
Meu café esfriou
Dormi na viela ao lado do escritório
Escostei-me no mendigo
Que se encostava na lixeira
Perguntei seu nome
Era algo que começava com T
E terminava com V
Mas não faz diferença
Ninguém se importa
Eu mesmo não me importo
Acordo com dor no pescoço
Ouço o cantar das garrafas
Caramba! Já são 12 horas
Corro para o escritório,
Mas sento-me na mesa errada
Mais uma vez meu chefe briga
Me incomodo: o café não veio
Corro para casa e venço a corrida
Contra mim mesmo
Faço piadas com o cachorro
Agora está magro e mudou de cor
Ou sempre foi assim?
Deixei a porta aberta ontem
Levaram a ampulheta
Droga! Chegarei sempre atrasado
O Cavalo canoro solta um silvo agudo
A torneira pinga. Não a fechei
Os sons dos pingos entram na cabeça
Parecem tiros de fuzil
Um acerta
Morri
yuri petrilli
[prosa] fragmento de sensação
Sim... Qualquer ente humano, querido ou desconhecido, que, proferindo uma saudação ritualística qualquer, franza de maneira distinta os olhos e altere minimamente o tom da pronúncia de suas palavras... Ou a visão ocasional e oportuna de uma formiga que, ao sair do copo que há pouco enchi de água justamente por a não ter visto inicialmente, começa, à borda do mesmo copo, a esfregar as patas magras e fortes ao redor das antenas, enxugando-se... Ou, ainda, o som ágil e despretensioso vindo dos lábios de quem me chame pelo nome – tudo, de repente, é-me uma vela, se vejo bem, com qual minha alma dormente se reacende. É tudo um sutil punhal que me penetra o coração, sangrando um profundo sentimento de piedade e carinho impossível.
Certa vez mostraram-me a fotografia de um bebê, de que não recordo o nome, embora o relembre deveras. Sorria como considerável parte dos bebês o faz em fotos; talvez, por isso mesmo, dava uma primeira impressão de não ser bebê, mas foto. Por repentino destino, no entanto, um dente único e muito branco que despontava da gengiva inferior saltou-me aos olhos como se fosse uma súbita condensação de toda a vida, algo que rasgasse o símbolo fotográfico dissimulado e trouxesse-me à alma não o bebê em si, em sua carne contornada e individualidade ainda por desenvolver, mas sim a própria consciência abstrata de que aquele bebê existe, de que outros bebês existem, de que existem bebês com corações inocentes e olhos entreabertos ao mundo e dentes de leite doídos. Aquele dente, de alguma forma, caiu-me na alma liquefata como fosse uma peça de chumbo descendo a um poço profundo, mas com tal voracidade de modo a ser capaz de elevar quase à tona – meus olhos – a água – lágrimas – há muito esquecida no fundo. Tive dentinhos de leite também, como tem esse bebê. Fui bebê também. Algo em mim talvez ainda o seja. Aquele bebê fora, naquele instante, toda a humanidade, e até por isso não cismo lembrar seu nome. A poesia foi-me quase possível outra vez, embora fosse triste.
Posso quase ousar dizer que agora compreendo o que em mim me causa tais sensações: ora, a percepção dos detalhes exige (diferentemente da percepção ampla) a admissão, ainda que inadvertida, de que é tudo real. A vida é real. O mundo é real. Eu sou real. Também o ente que observo franzir os olhos e tropeçar nas palavras tem um modo de dizer, e algo a exprimir, e possivelmente bondade ao cumprimentar outro ente que julgue digno de cumprimento. Também ele sente a alegria estúpida da realidade.
Também a formiga, por mais marginalizada que seja nos corações de seus conterrâneos humanos, tem existência, tem vida, tem um lar a que deve retornar, tem tarefas a realizar, tem a necessidade de se alimentar e de escapar do afogamento para que assim postergue a hora em que forçosamente se dispersará na terra, organicamente – seria ela assim tão diferente dos homens para que por elas não tivéssemos qualquer coisa como ternura?
...E meu nome. Também sou alguém. Também tenho um nome, um aspecto, uma figura humana reconhecível a quem se pode atribuir afeto, desprezo, nojo, ódio, indiferença. Sim, recordo-me de que sou. Eu, que tanto, por vezes, me vejo entorpecido e diluído no meio alheio, sinto-me real quando me dou conta de que tenho um nome que me distinga.
E ternura. Tenho ternura ao ponto de ter lágrimas, pela consciência de que somos todos reais, com vãs dores e vãs alegrias reais, subjugados todos ao ofício de viver. Nós, bússolas quebradas guiando caravelas infinitas que partem sem destino, em um mar de dor e de beleza. Nós todos... Almirantes fadados que aspiram ao eterno ainda que não o saibam.
Ainda que uma única estrela anã condensasse em si todo o universo, não seria tão densa, relativamente, quanto à condensação de toda a fraternidade à humanidade e ao mundo quando esta se dá em um único seio humano.
Portanto abraço a todos quando aos mínimos detalhes me atento e constato a igualdade de nossas condições.
Outra vez pressinto a água subir à tona do poço, embora, agora, fique presa por detrás das pálpebras, em fluxo contínuo, rumorejando a infinidade destas sensações – rumor que em falhas parafraseio e ouso traduzir.
Sim... A poesia é-me quase possível.
Davison Furtado
CLT
Sou semelhança e imagem
Refletindo a frustração
Embaralhada na verdade
Dialogando com meus anjos
Rindo com meus demônios
Quanto eles te pagam
Pra desistires do teus sonhos?
Feliz na insistência
Só porque podia
Exercita teu diploma
Enquanto teu sonho atrofia
Antes de explorar o mundo
Primeiramente se conheça
Não desejo nem o bem e nem o mau
Só desejo tudo que mereça
Parafrasiei o proféta
Rasguei os versos do poeta
Eles vão pisar em ti
Se fizer da maneira certa
Vão gritar no teu ouvido
Te taxar de ladrão
Brincando com a tua vida
Só usando o cifrão
Acumula o máximo
Por raiva ou por carma
Lucrando com a tua vida
Pagando pela alma
Tu vai ser o problema
Se pouco sair do eixo
Aprendendo a pensar
Interpretando texto
Nunca serás o que tem
Então pense no que faz
Seja fiel, correto e justa
Pra escolherem Barrabás
Só não perca sua fé
Muito menos a memória
Use bem as suas lágrimas
Antes do fim da historia
Reirazinho
Impostor de sentimentos genuínos
após anos de funesta lamúria,
acordo do sono adentro no ímpio.
A mentira que contei para outrem
balsama-me o coração sujo de graxa,
sua negritude é a metáfora da inação:
escura, sem vida e com odorosa ilusão.
Eis a suma de minhas palavras soltas.
Provérbios, frases e poemas falsos,
tudo em nome de impostura; medo
talvez em querer se deleitar no colo
de quem queria me proteger com seu
afago carinho, mas que para mim era
apenas educação ou dor de consciência.
Eu agora sou o juiz, réu e promotor da
própria existência: júri, repreendido e
acusador dos meus sentimentos genuínos.
Tsunamidesaudade63
O frio da noite falar-me da solidão
Sinto-me cansado de tanta coisa!
de palavras vazias,
sentimentos falsos,
sorrisos forçados e abraços gelados,
A lua, também ela cansada,
adormeceu por instantes,
no leito deste mar imenso,
onde se escuta,
o som das pequenas ondas,
e da lua a beijar o vento,
a noite esta alta,
com o frio a falar-me da solidão...
Alvor, 08-10-2018, João Neves
MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES
Delírios poéticos
Um pai falou para a filha que cabeça de vento é quem vive a inventar estórias
e que a cabeça do escritor Jorge Amado era cheia de vento
A menina quis conhecer o autor cabeça de vento e leu toda a sua obra
Da leitura concluiu:
- como o vento é imaginativo !
E até hoje ela sonha em ser cabeça de vento. Todas as manhãs respira com prazer a brisa do mar e agradece-lhe por aconduzí-la à escrita que tanto ama.
E o pai, embora desconfiado da ingenuidade da filha, rir-se de soslaio
Os dois levam a vida a imaginar, a contar e a escrever estórias fascinantes
- E o vento ?
Preencheu mais um espaço
por meio de uma matáfora.
ERIMAR LOPES
VAI TER COM OS ANIMAIS Ó INFELIZ!
Mas escolha bem quais
Eles não te suportarão ó infeliz
Mas escolha bem quais
Não vá para os felinos
Pois te espreitarão e rasgarão a tua carne
Os símios zombarão de ti
As aves, todas levantarão voo
Nas águas tu não tens fôlego
Ás serpentes
Nem queira pensar
Amarguras tu tens ó infeliz!
Vá curá-las com os animais
Eles não te suportarão
Mas escolha bem quais
As hienas te rirão de fome
Os lobos são traiçoeiros
Viva com os cães ó infeliz
Aqueles vagabundos.
Erimar Lopes.
Ronaldo Moura
Cinquentesete
Que viaja de tempos em tempos para lutar
Mesmo sabendo que não vou ficar
Sempre trabalhando para evoluir e melhorar
Desta vez cheguei em sessenta e três
Desde lá me movo como em um tabuleiro de xadrez
Hora acertando e ora perdendo a vez
Tanta gente que tropecei e conheci
Relações as vezes com verdades tristes
E tempos com romances lindos que já vivi antes
Namorei, casei, descasei, me perdi e me achei
Mas hoje vejo o quanto da vida eu sei
E porque muitas vezes me desencontrei
Até chegar aos cinquenta e sete
Foi mais rápido que uma pedra de gelo derrete
Mas hoje penso que precisaria de mais cento e sete
Para romper o ciclo de erros que sempre se repete
Amizade, fraternidade e amor ao próximo vem com a idade
Puro exercício da maturidade
Quem sabe um dia destes por ai
Reencontre todos que amei e amo por aqui
Pois a escola da vida um dia fecha
E ai para encontrar o norte
Só mesmo passando pelo portal da morte."
_macielygui01
Dilema
Principalmente se a crença ilusória retira a base que te sustenta e você sabe.
O que fazer nesta hora quando a natureza humana clama por um juízo que define o teu e o futuro do teu filho?
Pois que a dor que agora esconde não te fará o primeiro homem e tampouco o mais consciente e justo.
dojja2020
RAIZ AMADURECIDA
Mansamente sobre teu peito,
Me ponho a edificar o desejar que aflora.
Como fermento de um querer amadurecido,
Percorro o frescor de tua terra, umedecida de entrega.
Com a presa das mãos vislumbro que és tão bela,
Como as manhãs que trazem esperanças novas.
Seria mais brando não ter a urgência do amar,
Mas como me faria existir ser, em meu vivenciar.
Então, em ti me deixo como raiz estendida,
E teu corpo é meu chão revelando simétricas profundidades.
Assim, a cada instante vou me aprendendo afeto colhido.
Entrelaço-me dessa razão, que mesmo ao arder, consagra:
Amar, é uma alegria que ao também doer, nos ascende e nasce.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Versar
Tsunamidesaudade63
Que julguem, que critiquem
Deixem que falem,
que julguem,
que critiquem,
afinal,
o que incomoda essas pessoas,
é nos sermos felizes,
com o nosso modo de viver,
e depois das lágrimas derramadas,
durante a noite,
já pela manhã,
com a alma renovada,
vem um sorriso,
que nos afasta toda angústia...
Luzern, 25-02-2020, tsunamidesaudade63, "O Cantinho do Amor"
João Neves,
Iago R Carvalho
Eu canto tu cantas os cantos
Tu cantas
Ele não canta
Nós cantamos
Vós talvez cantais
Eles definitivamente não cantam
Os cantos dessa sala
Hexaedro regular
Paredes um pouco desgastadas
Vértices diminutos
Alvas paredes, beirando o monótono
Simbolismo
Janelas?
Não há janelas
Ambiente opressor
Eu canto e tu cantas
Sob o peso do concreto
Ele não canta
Foi o engenheiro
Eles não cantam
Foram os pedreiros
Cantemos a alvenaria
Tsunamidesaudade63
Tudo é lágrimas, tudo é desespero

Tudo é lágrimas tudo é desespero,
tudo pode ser lindo,
tudo pode ser felicidade,
tudo um dia vai ser sorrisos,
espero poder avançar o tempo,
pra viver a teu lado eternamente,
mas nunca pensei que doía tanto,
a dor desta separação,
já não chores mais por mim,
que eu estou num lugar muito bonito,
ansiosamente esperando por ti...
Luzern, 12-12-2019, João Neves...
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