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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Queria

Queria saber do seu mundo.
Conhecer as montanhas de suas certezas e duvidas,
Saber do verde das florestas de seus sonhos mais íntimos,
Beber da água que brota em suas nascentes de desejos...

Queria voar nos seus céus.
Conhecer o azul do seu infinito,
Saber do brilho das estrelas do seu olhar,
Enternecer-me sob a luz do seu luar...

Queria navegar em seus mares.
Surfar na umidade de seus lábios,
Mergulhar na profundidade de seus perfumes,
Banhar-me sob a chuva de suas lágrimas de amor...

Queria ser o seu sol.
Para lhe mostrar que sempre existe um renascer,
Para iluminar e dourar seus caminhos,
Ser o primeiro a lhe ver nas manhãs,
Tocar sua pele e dar aconchego ao seu corpo...
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ivchristianmarrs

ivchristianmarrs

A Inveja das Aves

Quem dá verdade?
Se a quiser, quem ma vende?
É uma ave vespertina,
Que num só bater de asas faz do Mundo um sítio só.
Só e duvidoso,
Da janela que é portal sedutor e virtuoso
Para um lugar onde tudo sem nós
Acontece.
Pois nas flores nada se vê
Nem preocupação nem movimento
Nada de dor ou tormento.
E as pedras não nos lamentam
Perpetuam-se na ausência
Acusam falta de cadência.
E o mar não sofre
Por não nos ver descansar o cansaço
Por saber que a caverna nos tem no seu regaço
E as sombras são como pão duro
Que outrora atirámos ao lago
Dos que dançam à volta
Da fogueira do embargo.
Todo o vento sopra
Tudo permanece
Quando para todos anoitece
Mas nem por isso amanhece
Pois Aquele-que-sempre-é-e-domina
Homem-deus refém, em surdina
São meses longo dia sem rotina.
Homem-deus retém, em retina cobiça e devora
Inveja esse pássaro que frivolamente ignora
Que para nós há todo um Mundo…
Lá fora.

Março 2020
162
H. Castro

H. Castro

Ilusão

Não quero que você vá
Quero que você volte
Não quero o amanhã
Quero o ontem
Não quero os peixes do mar
Não quero as aves do ar
Tão pouco os homens da terra
Sei que tudo é uma ilusão
Saiba que você sempre estará em meu coração
376
Claudio Silva

Claudio Silva

Rio

A minha vida,
É um rio de água corrente.
E só para quando sente,
Que está chegando no mar.

Como bagagem,
Vai levando um coração.
Carregado de ilusão,
Com medo de naufragar.

E na jornada,
Vai deixando a semente.
De alguém que já não sente,
Mais desejo de voltar.

E quando perto,
Vai sentindo a alegria.
Pois está chegando o dia,
De ao seu destino chegar.

E ao chegar,
Ao encontro desejado.
Com os sonhos amarrados,
Vai sereno se entregar.

E assim termina,
Um rio de água corrente,
Que deixou sua semente,
Nas águas salgadas do mar.
120
Claudio Silveira

Claudio Silveira

Percepção


PERCEPÇÃO
Claudio Silveira

Percepção do olhar de menino
que viu o mundo do seu ninho
que não voou como passarinho
que não calou seu coração pequenino.

Percepção da alegria da vida
daquilo que não se fez
do gosto que não sentiu
do amor que se partiu.

Percepção da alma que se foi
da falta que me faz
da companhia que me apraz
da tristeza que não se vai.

Percepção do medo de sentir
da presença já não vista
da lembrança repartida
de uma vida esquecida.

Percepção do meu amor por ti
percepção de sua ausência
Percepção também de sus presença
Percepção de você pai.
316
Rui Pereira

Rui Pereira

Semana de espera

Aos domingos
Amo-te
Como te amei
Aos sábados
E hoje
É sábado
Amanhã é domingo
Os outros dias
Colho flores
Nas escarpas
Nos abismos
Nos vulcões
Nos bolsos dos leões
E aguardo
É o acto de amor
Dos amantes parvos
Que vêem o céu azul
De segunda a sexta
E esperam o fim de semana
Para dizer amo-te
À sua amada longínqua.
55
Fayola Caucaia

Fayola Caucaia

UM DIA

Um dia merecido 
Quase de princesa 
Porque não é minha realidade 
  
Um dia perfeito 
Quase de partida  
Porque foi momentâneo e único 
  
Um dia de comprar, virou mais um caminhar 
Um dia num dos maiores símbolos do capitalismo 
Um dia no shopping, não banho de shopping 
Um dia só 
  
Teve voltinha, milk-shake  
Teve olhares, não mais do que o normal 
Teve até perseguição, até saímos com a primeira sacola 
e nos colocar ali, como consumidoras do capital 
  
Não vou colocar os problemas desse lugar 
Isso é muito habitual 
Vou falar das coisas boas 
  
De ter olhado vários vestidos, calças e blusas  
Mesmo não tendo dinheiro pra levar várias 
Ter sentido as possibilidades ali, já foi massa 
  
De ter encontrado em meio aquele prédio quase impositor 
Um lugar de diversão, com doces e prazeres 
Muito milk-shake, donuts e palha Italiana de oreo 
 
Uma delícia, e de partida daquela loja de doçuras 
mais uma dose de Endorfina 
mais um copo de milk-shake, com as escritas feito ali 
"Seja sempre bem-vinda!" 
  
Quase dois anos nessa cidade 
Nunca tinha ido no shopping, por falta total de grana 
Por não ter muito o que fazer lá 
  
Mas agora com vontade de voltar, pra mais uma dose de Endorfina 
vontade de poder me igualar a qualquer outra pessoa 
e ser bem recebida como todes 
 
Meu maior prazer foi com o doce, 
Minha maior satisfação foi com o carinho das manas que trampavam ali 
De ter visto a minha presença ali, e da minha irmã também travesti 
Visto que não muito habitual, me recebeu bem ali 
  
Como isso me fez bem, tenho recordação de afeto no shopping 
Parece pouco, mas isso significa tanto pra mim 
O pouco vale muito 
Mas que seja o melhor 
  
Depois desses prazeres momentâneos 
Tenho um lugar bacana pra ir, quando eu estiver precisando de 
Endorfina, 
alegria no meu dia, prazer no meu caminhar 
 
Vou poder até ter um lugar pra ter um encontro 
Porque não? Quando tudo passar.
86
natalia nuno

natalia nuno

diz-me tu...

olho o horizonte com lentidão
olho as sombras fatigadas da tarde
inquieta-se a minha imaginação
e nos meus olhos irresistível saudade
há um silêncio ensurdecedor
ao meu redor, sobeja um tempo duvidoso
os meus dias são folhas sem vida
e eu confundida nem lembro,
se é já Outubro ou ainda Setembro
se entrei no inverno e me sentei
à espera de lembrar tudo o que esqueci
nos dias lentos de Dezembro
e se de mim não lembro?
- lembro de ti!
lembro do Maio florido
onde tudo era possível querendo,
lembro a ventura, o sonho apreendido
hoje olho o sol no horizonte morrendo,
e já não lembro porque de amor por ti
morri...
dize-me se fores capaz,
se ainda tenho o meu lugar
se não anda longe de ti meu coração
se o teu ainda vive para me amar
dize-me se fores capaz, que já não
lembro não!
natália nuno
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Camélia gaiata, do Bairro da Lata


Camélia violeta, amante, poeta,
flor de café, perfume de mata,
Camélia gaiata, do bairro da lata,
Deslumbras o mundo com teu bambolear,
Tens nome de flor, na hora de amar
és caricia sublime do amor.
teu corpo é rio onde a sede corre.
olhos doces, fogosa no olhar,
és paixão que nasces na fonte do teu desejar.

Luzerna, 26.09.2014, tsunamidesaudade63 Joao Neves

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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Bailo com a solidão


Adoro bailar com a solidão,
dormir com a saudade,
deito-me com a frustação,
acordo com a desilusão,
almoço com a tristeza, 
e sonho com medo da morte...

Luzerna, 22.09.2016, Joao Neves
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Carol Ortiz

Carol Ortiz

ABSENT POETRY

1% is me
99 is nobody
I dont know
I don´t want
I don´t say
Nothing lasts
as much as
I can´t say goodbye
Brain thinks
about acting
Reacting
I can´t breath ...
I bet on the impossible
I see myself ... invisible
Stop
Shout
Feel
lots of things
to heal
I don't know what
makes
Sense
A perfect
Nonsense
It hurts
Suggests
The real best
A beast that listens
nothing
from
nothing
Alive...
time is flying
and I simply jive
and I thrive
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abe123_

abe123_

Dor famíliar

o homem que diz livres"pais"

Eu anónimo
Nascido numa família cheio de amor
Óh! Pai sua educação valeu no tempo

Minha mulher, meu homem
Quem nao queira perdeeos seus valores
Que acate a minha palavra!

Eu, não tive escolha no tempo
Deu-te come, deu-te usar
Deu-te ensino, cuidei de t
e
Não tive escolha no tempo

Agora é sua oportunidade
Dê me seu carinho
FacF sua ponte, não te cobro nada
Mas não faz me dê rio de lágrimas nos olhos.

Elaborado por activista Abelardo Samuel Nhamazane 
Aos 16/07/ 2020.poemas de dor famíliar
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Sou quem sou

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Alexandre Rodrigues da Costa

Alexandre Rodrigues da Costa

REFLEXOS

Sem acontecimentos
que a dissimulem, sem

presença
que a obstrua,

apenas
eu,

esse pronome incerto
com o qual se nomeia

e me fere.
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ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

PRECISO DORMIR

Preciso dormir porque amanhã
Partirei bem cedo
Numa viagem do meu destino
Pelo caminho
Irei deixando tudo para trás
Oxalá a minha sombra também ficasse
Não tenho pressa
Os meios de transporte não importam
Somente quero me distanciar
Desta vida cheia de derrotas
Não levarei bagagens
Tampouco documentos
Onde me derem um gole d’água
Abençoarei
Aos parentes e amigos digo que cansei
Ao amor confesso que amei
Peregrino apregoarei virtudes
Irei me distanciando pelos anos
Como muitas almas que se aperfeiçoam.

Erimar Lopes.
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CORASSIS

CORASSIS

Tempo



Tantas chaves que não abrem mais
As fechaduras enferrujadas das portas ainda não esquecidas...
e tão presentes em algum canto do coração.
Tantos sentimentos infantis que estão perdidos,
Sem nenhuma direção.
Não sei se é cultuar o passado,
Mas creio que a criança não ficou para traz...
E hoje, o adulto sofre na janela do tempo.
E o passado é destaque do momento.
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Claudio Silva

Claudio Silva

Teu Olhar

Eu olho para o céu,
E começo a imaginar.
Vendo em cada estrêla,
O brilho do teu olhar.

Você está tão longe de mim,
Quero te reencontrar meu amor.
Poder te abraçar e dizer,
Que assim longe de você
Nada pra mim tem valor.

Eu falei muitas palavras,
Que te magoaram demais.
Mas hoje assim tão distante,
Vou sentindo a cada instante
A falta que você me faz.

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dojja2020

dojja2020

INQUIETAÇÃO

POEMA INQUIETAÇÃO

Insisto-me entre a inquietação e o quase extinto.
Quando saio de mim, rumores restauram procura.
Me parto compassado, a estiar anseios, na vigia.
Abro-me em clareiras, soergo esperas, às vezes me avisto.

Enxergo o que entrementes não desbota, na audácia.
Pungidos olhares, fração reflexa, reverbero esquecimento.
Não me apraz desconhecer. Não me entristece distinguir.
Posso imolar finais prescritos, acontecer-me de outro.

Descreio que a finitude nos reserve,
Apenas nada na transcendência de tudo.
Tenho que viver-me como quem se conta,
Alembrado da existência que exprime.

Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Versar
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dojja2020

dojja2020

COMPREENSÃO

COMPREENSÃO

A rua onde nasci era larga e extensa de vozes.
Nela havia uma velha casa de espera e de descobertas.
Minha mãe me ensinava a brincar de ver.
Ficava ao meu lado e com suas mãos me entregava seus olhos.
Dizia-me: O que vens?

Eu menino, com zeloso brio elaborava narrativas não aparentes.
As vezes via um pássaro falando com o vento.
Ora, era um arco-íris despontando no anoitecer.
E até eu voava, buscando palavras com asas.

Lembro-me quando lhe disse:
- Estou vendo uma dança no céu.
E ela pediu-me para tomar cuidado com os instrumentos, marcar os passos, ouvir a sinfonia.

E asseverou: Veras na vida aparências e essências.
Mas não tenha receio de vislumbrar.
No fim o que fica é o que se olha para dentro.
Antes de saber ler e escrever compreendi a ver poesia.

Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
280
Heinrick

Heinrick

a morte mora no fumacê

Ouço poesia
Me sinto mais poesia
Vejo uma pessoa viva
Me sinto mal

stagnado, pelo menos morto,
assim me livro
de ser vivo.
dos dogmas dos incônscientes
nem vivos, eles só desfalecidos

Ao menos isso
os dêmonios do poeta
quem sabe lhes-retiro
morto, não vivo
eu só escrevo
eu só respiro

escrevo, suspiro
choro, respiro
sangro e repito

tempos que não como nem durmo,
piedade me imploro,
me tranco e choro
e se saio é porque fumo
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Adeus


Adeus saudade,
Adeus solidão,
Adeus tristeza,
vocês já ficaram tempo demais na minha vida.
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Heinrick

Heinrick

Modernista do Século XXII

Medo da morte não temos
medo doque não sabemos.
Oque é que vem depois?
a vida é uma só, ou se divide em dois?

De quando era pequenino;
jovem tolo, jovem menino.
De quando eu corria atrás do que via na frente
hoje eu vejo aquela poesia de olhos e pernas, indiferente

Nem tentei, qualquer elogio mente.
Não consigo mesmo, pra ela insuficiente,
pra essa poesia sou o suficiente;
Nada mais que o suficiente
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dojja2020

dojja2020

O FAZER DE ALGUNS

O FAZER DE ALGUNS

Alguns dentre nós moldam o ferro,
E dele fazem surgir esculturas.
Por vezes vergam o pinho,
E talham marcados amuletos.

Outros há que se apossam,
De variadas matérias.
Edificam templários ou casebres,
Lapidam jóias ou feitiços,
Ardem no frio ou no fogo,
Sua humana semeadura.

A mim, dentre alguns,
Coube-me outra quimera:
A de esculpir o querer,
Numa árdua arquitetura:

- Não me aprendi estrada reta,
Fui-me pontes carregadas de atalhos.
Enxerguei partidas, mais cedo do que pulsar chegadas.
Vejo-me assim: Do afeto sou inteiro ou recomeço.
E só o sentir construído, como a palavra viva, me afaga.

Carlos Daniel Dojja
In Poema para Crianças Crescidas
265
Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Nunca se esqueçam


Madrugada, um cigarro, um copo de vinho
um pensamento, a saudade o escuro da noite
sentado ao meu lado esta a solidão,
em cada linha da minha escrita,
cada pedaço de letra sai-me do coração 
ó vida da-me só o que meresso. 
aos maus digo-vos, "nunca se esqueçam",
que nem todos os santos são de gesso.
Julgando somente os meus defeitos, 
nunca viram as minhas qualidades.
Uns não são nem a metade daquilo que mereço 
Só falam as maiores banalidades,
mas "nunca se esqueçam,"
que agora estou em baixo, 
preparando o meu regresso...
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