Escritas

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Olga Kawecka

Olga Kawecka

Viver significa amar

O significado da vida é o Amor,
Enquanto a solidão é a morte.
O amor por você ou pelo Senhor:
O amor é sempre o mais forte.

É mais forte do que qualquer pesar,
Do que o desespero mais profundo...
Viver significa só uma coisa: amar.
E morrer – para amar no além-mundo!
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João Coelho

João Coelho

Nascemos para vivermos

Recordo-me de um dia,
Que me encontrava a beber tranquilamente o meu café,
Sentado numa mesa de esplanada
Junto à janela,
Onde sentia o sol de Verão
A massajar a minha face,
Quando ouvi um cliente ao balcão
Afirmar, convicto, o seguinte:

"Meu amigo, nascemos para morrermos."

Discordo totalmente.
Acredito que nascemos para vivermos.
A morte deve ser apenas considerada
Como uma consequência inevitável
Deste processo químico que é a vida.

Tal como a morte,
A vida é só uma.
Não permitam que a vossa vivência
Seja confundida com existência.
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Francis Kurkievicz

Francis Kurkievicz

XIX - Me visto com os trajes de Mefisto...

XIX

Me visto com os trajes de Mefisto
trajes fáusticos
tragédias farsescas
misturadas ao verde do absinto –
me sinto em trajetória de colisão
coalisão, coliseu
um Eliseu coagindo
coadjuvando Elias e Profetas
conjurando leões e gladiadores
e tantas outras dores e comédias
licores, rancores –
libando em nome desta ciência
este saber cheio de reentrâncias
umbrais, tundras, tumbas
que sabe da verdade
apenas as suas quimeras
esta miséria que assola
assalta, esfola
esta fé tão esquecida
ainda úmida do Lete
ainda única no Leste
ainda unida ao ente –
esta criatura nua
desprovida de vestes
de vestais e ventos
esta criatura vestida
em carnes de Adão e Eva
vertida, invertida, indevida
individualizada
institucionalizada
esta criatura que se crê dura
concreta, material
uma alavanca sem ponto nem apoio
sem força para o movimento
deslocamentos, oscilações
alucinação divina, desmedida
quase finda –
me visto com as vestes de Mefisto
não suporto o pudor da nudez
esta nietzschidez que nos põe à prova
e a revoltas e a retornos!
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panhagia

panhagia

Alma supostamente violada

Sendo arrastado, segue o meu coração,

Levado por corvos, nesse imenso lixão,

Apodrecido e leproso, foi abandonado,

Fora aborrecido, deixado para o 3° Estado.

 

Deus, não deixa minha mãe morrer,

Nu saí do ventre dela, como tornarei?

Embaraçado o sentimento que me afasta do crer,

Ainda que eu não te conheça, continua a me ver.

 

Uzias morreu para a nação de Israel,

Grande rei, mas sua herança estava no céu.

Deus meu, não sou Isaías para seguir legado,

Tenha misericórdia de mim de acordo com o seu mandado.

 

Foram martelados os pregos da indiferença,

Longe de mim! Condenados com eterna sentença.

Meu coração, ao seu pertence,

Não me deixe tão só, tão carente.
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Claiton Guieiro

Claiton Guieiro

AXIOMA

Hoje eu acordei com pensamentos como nunca quis acordar,
Desbloqueado,
vendo a verdade que nunca pude enxergar

A dor da verdade é como se você estivesse enrolado em arames farpados por todo lado,
Não se solta
não se quer acreditar.

Gritei.
Morreu a Alice
Que nutria meu peito de ilusão.
Enxerguei o mundo sem fantasia.

Traído, enganado, coração de vidro quebrado,
criando cortes na alma
que nunca serão cicatrizados.

Olhar clínico, passos calculados, chamado sem coração
Todos Julgam de gelo o que um dia foi um vulcão

Claiton Guieiro
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teh_mariani

teh_mariani

O assoalho do mar

                        O assoalho do mar
                                                          (de minha autoria)
    De tantas gotas sedimentadas dentro de meu
    Peito alagando todas minhas veias e artérias,
    A tristeza transbordou-me.

 
    Foi um choro que afogou,
    Um choro que não podia ser parado ou enxugado.
    Era infindável.
    Era crônico.

    De tanto absorver para dentro de meu ser a
    Angústia que inundava o coração dos outros
    Tripulantes desse naufrágio,   
    De  tanto retirar desgosto de seus pulmões para
    Que pudessem respirar novamente,
    Afoguei-me.
    Afoguei-me em águas   tão profundas que nem a
    Luz em seu maior ímpeto de coragem arriscaria ir.

    De tanto tentar salvar, me matei.
    De tanto tentar curar, me adoeci.
    De tanto segurar as cordas, arrebentei-me.
    De tanto   tentar falar, silenciei-me.


    Depois de toda uma vida anunciando a verdade,
    Virei uma mentira.
    Depois de tantas vezes atraindo a luz e 
    Incentivando  o seu brilho,
    Apaguei-me.
    Nublei-me.

    (Choro inaudível)
    (Grito mudo)
    (Voz silente)
    (Lamentos inaudíveis)
    (Palavras silenciosas)

    Silêncio
    [...]

    Fim
    [...]


    Suspiro,
    Meus pulmões se enchem de ar.
    Meu sangue volta a correr.
    Meus olhos abrem-se.




    Estou no assoalho do mar de cinzas e consigo
    Respirar aqui embaixo.
    Daqui olho o navio naufragando sozinho e não
    Mais eu.

    O que passa? Sinto-me viva, mas há pouco estava
    Morta.

    Virei-me e então vi:
    A indescritível,
    Magnífica
    E mais esplêndida luz que tinha me dado fôlego.

    Com desapressados passos, me puxava pelas
    Mãos e eu podia em paz andar sob as águas
    Profundas.

    Equivoquei-me,
    A luz chegara ali.
    A luz genuína.

    O Dono dos Sete mares não se confunde,
    Não se engana,
    Não demora.
    Ele vê,
    Ele permitiu que eu afundasse.
    Ele sabia onde que as violetas correntezas
    levariam-me.

    No entanto, a inconformada alma continuava a
    Bombardear-me de incansáveis questionamentos
    Ao Mestre das águas: Por que demorastes tanto a vir?
    Se tinhas controle de tudo,
    Por que não mostrastes antes?

    Por que desse infinito Universo fizestes eu,
    Um minúsculo ser enfrentar tais tenebrosas
    Tempestades? Não poderia ser qualquer outro
    desses sete bilhões e meio de viventes?

    Disse então eu para minha alma através de uma
    Voz inconfundível que soprava no meu interior:

    —Silêncio! O Criador da vida está a trabalhar.

    Aquieta-te alma questionadora,
    Impaciente,
    Desacreditada.

    Não é porque pensas ter passado por tudo nessa
    Vida que conheces a verdade.
    Aquieta-te que é aqui no mar profundo que vai
    Curar-te.
    Aquieta-te que é aqui que vai refazer-te.

    Descanse que o Bom marinheiro leva em
    Segurança todos os tripulantes do navio.
    Viagem cansativa e um longo percurso que
    Passará com o Ilustre Capitão, mas porto seguro
    Ele não te deixará faltar.

    Recomponha-te que a profundidade que estás,
    efêmera é.
    Passageiro é o silêncio, mas fiel companheiro do
    Recomeço.

    Começa-te então a ver minh’alma que o Criador
    te Fará nova.
    Por aqui também conhecerás sobreviventes de
    outros naufrágios.
    Por aqui a tristeza não mais residirá,
    A esperança, contudo, fará daqui sua eterna
    Morada.

    Por aqui, cicatrizes não se abrirão.
    Novas poderão ser feitas, pois doloroso é
    o processo.
    Porém, acalma-te aí que elas serão apenas
    Lembranças do extenso caminho.

    Acalma-te que aqui nas profundezas pode ser que
    Volte a estar, mas a luz do Grande Marinheiro
    Sempre te acompanhará.

    Então somente descansa-te,
    Cura-te porque ainda ajudarás muitos navios a não
    naufragarem.
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Olga Kawecka

Olga Kawecka

O imperecível


O tempo desaparece
no abismo da Eternidade.
As ruínas se estendem
como mapas dos impérios antigos.
Os povos se transformam em sombras
da sua glória passada...
Mas, através da destruição,
a luz da fé se rompe,
como um raio do Céu.
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asliddell

asliddell

Milagre

No quarto da frente
mora um milagre,
que em toda noite
bate em minha porta.
Visto as vestes mais belas,
mas o que estou esperando,
se sempre que atendo
me viram as costas?

Então rebolo os sapatos ao vento,
me rendo como um trigal;
Deusa, se isso é um teste
e estás me ouvindo,
eu aguento.

Trinta mil gotas caindo
pela minha cavidade ocular,
carne, osso e nervo exaurido
vão te ouvir me chamar,
mas não vão te amparar.
Mesmo que eu chore
meus próprios cacos,
eu aguento.
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rosalinapoetisa

rosalinapoetisa

Conversa com as estrelas

Conversa com as estrelas
(Rosalina LP Fialho)
Quantas noites eu me senti tão sozinha,
Sentada naquela varanda bem quietinha.
Conversava com as estrelas e com a lua,
Assuntos tão confidenciais, saudades tuas.

Namoro ainda tímido era bem no início,
A distância entre nós era bem difícil.
Naquele momento eu sentia sua falta,
Falávamos por telefone mas a saudade ressalta.

O ano era 1992, eu tinha apenas dezessete anos,
Uma estudante sonhadora, eu tinha tantos planos.
Mas o nosso destino já havia sido traçado,
E os passos mais sérios por nós foram dados.

Em janeiro de 1994 você me pediu em noivado,
Dali há dois anos nosso casamento foi realizado.
Dia vinte de julho, um dia especial escolhido,
Porque era uma data especial é o Dia do Amigo.
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gui_aquino10

gui_aquino10

Anjo na Sarjeta

Brilho cru na luz do poste
Corpo nu na rua da morte.
Fazendo uma oração, jogado em uma poça
Ao seu lado um cão com um osso na boca.
Escória celeste jogada aos prantos
Descrente, inerte no lugar dos não-santos
Clamando aos céus que lhe dêem mais forças
Ao relento, deixado, no frio e sem roupas.
Pedindo aos céus, estorvo divino
Faminto, largado, sem brio e sozinho.
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Dudu

Dudu

Apesar da idade

Você é tão amada...

Só queria 10% disso

Você nunca fica carente

Sempre rodeada de gente      

E eu sem ninguém

Cada vez mais sem você

Cada vez mais sem personalidade

Apesar da idade

Não sei                       

Como dançar essa dança

Como sorrir para a câmera

Como ser rodeado de gente

Pra ser menos carente

Não sei

Apesar da idade
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asliddell

asliddell

Libélula en la tormenta

Continuo pairando
nas lufadas opacas do furacão,
soy una libélula en la tormenta.
Quando toda a carne definhar em putrefação,
minha alma fará metástase,
minha história lavará minha caveira
y yo seré una libélula en el huracán.
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VITOR ALMEIDA DE JESUS

VITOR ALMEIDA DE JESUS

INVERSAMENTE PROPOSITAL

INVERSAMENTE, COM A CABEÇA A VIAJAR

PROPOSITAL, ME ABRACEI AO PARAÍSO SEU

É QUE ÀS VEZES PRA DIZER, EU GOSTO DE POETIZAR

SEI QUE ÉS A LUZ MAIS BELA,

SEI QUE ÉS A LUZ MAIS FORTE

TAVA AQUI PENSANDO EM VOCÊ

ARQUITETANDO O QUE TE DECLARAR

TE CONFESSO, EU SÓ SEI SORRIR

PRINCIPALMENTE QUANDO LEMBRO QUE VOCÊ ESTÁ AQUI

MAIS AINDA PORQUE SEI QUE VOCÊ ESTÁ EM MIM

SEI QUE ÉS O FAROL MAIS FORTE

SEI QUE ÉS O FAROL MAIS BELO


COMO NÃO QUERER VOCÊ?

COMO NÃO DESEJAR TE AMAR?

SE O AMOR QUE HÁ EM MIM, VEM DIRETO DE QUEM PRIMEIRO ME AMOU.

APRECIANDO O QUE ESTÁ AO MEU REDOR

CONSIGO ESCUTAR O ECOAR DA SUA VOZ

A PUPILA DILATA, O CORAÇÃO DISPARA

HARMONIA DE EMOÇÕES, SIMPATIA NAS AÇÕES

TUDO ISSO ACONTECE, TUDO ISSO TE ENALTECE


EXTASIANTE É VIVER MEUS MOMENTOS AO LADO TEU

POETIZANDO CADA INSTANTE COM VOCÊ SENHOR

JÁ NÃO ME VEJO COMO UM DERROTADO OU SOFREDOR

IMAGEM E SEMELHANÇA É A CERTEZA SIM

DE QUEM REALMENTE HOJE EU SOU
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Olga Kawecka

Olga Kawecka

O fim

Morrer no abraço sombrio da cruz:
Este é o caminho para a luz.

Tais são esperanças e o amor
Na profundeza extrema da dor.

Não há estranhos, nem pessoas afins
No crepúsculo negro desses confins;

Somente o eco das pranchas do Mal
Na solidão última e abismal.
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shadowoftheworld

shadowoftheworld

Arcturianos

Percebo a nave-mãe chegar 
Aos poucos volto a me preencher
Tudo o que venho a encontrar 
Aos poucos volto a entender

Eles me carregam por toda imensidão
Sinto uma essência de amor sem fim
O que aprendi não fora em vão
Agora os encontro dentro de mim

Aos poucos dissolvo toda dor
Aos poucos me mostram minha essência 
A cura vem sempre do amor
O amor nos leva à consciência 
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CORASSIS

CORASSIS

A hora

Mas eu vi o sol !
antes do cataclismo acontecer
eu vi tua pele dourada
antes da chuva , tão sem duvida
antes desta vida entristecer
eu vi o sol, senti seu calor triunfante
imitando o calor de nossos unidos corpos
Eu vi um fim amanhecer , mais complexo
que a fantasia podia oferecer

Eu queria ter visto e ver...

tempos confusos
Diluvio e Armagedom
Emanados em poder,
e com Miguel a frente dizendo :
- humano está na hora de compreender,
compreenda de uma vez , já basta de tempos impróprios ao
bel prazer !
Você ainda tem uma uma chance...
já o diabo, ignora o sol da vida , e sabe o que  vai como ele acontecer  !!!!
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Velhinha

Velhinha, pés arrastados pelo chão
teu cabelo cor de neve
na tua face as rugas duma vida atribulada
no teu corpo roupa enrugada
como destruída tens a tua alma
que pela tua família foste abandonada...
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andreza g. a. alves

andreza g. a. alves

A minha vontade é de sair gritando.

A minha vontade é sair gritando
Muito prazer, eu tô aqui. Aqui em baixo. Aqui, aqui em baixo na sua sola.
Eu sou a pedra no seu sapato. Eu sou a ferida em si mesmo que você se recusa
a ver. Eu tô aqui. Não consegue ver? Não quer? Sua lei me tornou ilegal. Suja.
Louca. Sem moral!
Preta suja! Preto sujo! Não te quero dentro da minha família não, não quero, não.
Claro que respeito, não tenho preconceito coisa nenhuma. Tenho até amigos que são.
Só não tem nenhum vivo mais. Claro que não sou homofóbico. A criatura gay é uma das
criaturas mais fascinantes. É só a minha opinião, porra.
Não tem paz, tem não. A paz nunca vem aqui, no pedaço. Reparou? Fica lá. Está vendo? A paz é uma senhora que nunca olhou na minha cara. A paz é seleta. Tem nome, cor, orientação sexual normativa e endereço. Não visita qualquer um não. Nada. Não sou da paz, não sou boba. Não vou ficar quieta, não vou calar a boca. Não sou louca, maluca, surtada. Não vou perdoar! Não quero! Não vou desfazer minha cara de cu 
não vou mesmo. Não vou rezar. Reza você aí na sua casa. Bate na porta, pede licença, entra e senta no sofá aquela senhora. Conversa, conversa e conversa. Respeito, mas não concordo. Não fala assim comigo, respeita os mais velhos. Sua mãe não te deu educação, sua sapatão macumbeira do caralho? Foda-se sua crença, foda-se sua crença. O senhor é meu pastor e nada me faltará. Amai-vos uns aos outros. Menos os pretos. O senhor é meu pastor e nada me faltará. Amai-vos uns aos outros. Menos os viados. O senhor é meu pastor e nada me faltará. Amai-vos uns aos outros. Menos sapatão. O senhor é meu pastor e nada me faltará. Amai-vos uns aos outros. Vem que ele te salva. Ah, não quer? Então vai queimar no fogo e enxofre no nono círculo do inferno.
Morreu mais um traveco ali ó. Nem foi tão grave, não teve arma, só usaram as mãos. Uau. Pra que serve essa mão tão grande? Pra dar soco na costela de viado. E as duas duas tiram esganam, tiram o fôlego, tiram o ar dos pulmões e inflam o ego. As mãos, os braços, as pernas circundando o corpo como urubus em cima da carniça. E aí num sopro a vida se foi. Que pena! Não vai nem sair no jornal, ninguém liga. Tanta coisa pior pra sair na capa. Hannah arendt já foi clara que notícia ruim vende porque o bem ainda é coisa rara. Ninguém tá nem aí pro dia internacional contra a homofobia. Tenho tanta coisa pra fazer. Arroz e feijão. Arroz e feijão.
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paty_leite

paty_leite

Tempo

Se tudo nessa vida tem o seu tempo
Que haja tempo
Que chegue o tempo
Da gente se encontrar
Da gente se apaixonar
E viver o nosso próprio tempo
Que demorou a chegar


Se tudo nesse mundo tem o seu tempo
Ande logo, tempo!
Eu rezo por esse momento
Pra gente poder se amar
Pra gente dar as mãos e caminhar


Se tudo nesse universo tem o seu tempo
Venha logo, tempo!
Que sempre haja tempo
Que estando ao seu lado
O tempo demore bastante a passar


Que um segundo seja um ano
Que cada beijo dure para sempre
Que seus olhos morem nos meus
E tempo, tempo, tempo
Como já citou Caetano
Vou te fazer um pedido:
Não se atrase!
E trate de tardar a passar
Quando o meu amor se apresentar


Mas o certo é que estaremos juntos
Unidos, sendo melhores amigos
Assim que nosso momento chegar
E eu vou poder dizer que encontrei
O que o tempo todo
Eu sempre procurei.
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Rerismar Lucena

Rerismar Lucena

A Igualdade Como Ferramenta de Controle

A Liberdade Em Cativo
PARTE I:
São Bernardo do Campo, 24 jan. 2021 às 13hs55.

Em nome da igualdade, ou restauração da verdade identitária
A liberdade já não liberta:  é prisioneira da vontade.
— O livre arbítrio sob o jugo da potestade.
Da relação construída por obediência paritária.
 
Dependente da vontade de uma nefasta liberdade,
Que provoca prazer ou contentamento inebriante.
O pressuposto único da ideologia cativante
Na hierarquização libertadora da igualdade
 
Que impõe forja à moral, ao livre arbítrio, a consciência;
Sob a presunção de garantir a “verdadeira igualdade”.
A liberdade de expressão — como pantomima da maldade,
Na visão tosca do déspota que impõe obediência.
 
Incorpora ignorância a distopia da normatividade
Como se liberdade é uma espécie de subversão:
Pressuposto dos alienados que nascem na servidão.
 
Repele o poder da autonomia e da espontaneidade,
Para se ver livre da barbárie e da liberdade arbitrária:
Cerceia-se às vozes ressonantes contrárias.
-----------------------------------------------------------------------------------
O que te liberta, também te aprisiona. Pois o homem é servo de suas necessidades imediatas.

                                           “O homem aliena-se de sua própria liberdade, mentindo para si mesmo
                                            através de condutas e ideologias que o isentem da responsabilidade sobre
                                            as próprias decisões”.  Jean-Paul Sartre (1905-1980) 
(Rerismar Lucena, 24 jan. 2021).
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Vitória Santos

Vitória Santos

Annyeong

Aos olhos vibrantes,
Coração palpitante,
Sorriso acariciante,
Deixo um annyeong
Sorridente em meio
A águas salgadas
Jazidas de um olho
Que lampejou
Ao vê-la.
                - Vitória Pereira
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Quero um amor

Quero um amor
que não tenha direção.
Que saiba amar,
e cuidar do meu coração.
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VITOR ALMEIDA DE JESUS

VITOR ALMEIDA DE JESUS

Universo Controverso

Madrugar na ressonância do teu falar

Outrora talvez, achasse um devaneio longínquo meu. 

Alberguei-me na realidade,

Tal essa que impõe os pensamentos meus a peregrinar

Por teus ângulos de expressões.

Minhas vias de conhecimento

Despertam atônitas em crescente 

O desejo  em ouvir-te explanar.

Traz-me brisa e calmaria

Mesmo em momento de controvérsias.

Meu sistema é solar, 

Iluminado por você.
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

A tenaz negação do eu,




A tenaz negação do eu,






Ideias ao acaso, avulso e acidentais
Como um vaso cheio meio de barro,
Que se vaza, sem forma pensada, insurreição
Ou o avesso, a ideia elevada de verdade

Sem que se altere a série de curtas noções,
E o que está dentro, génio, intuição
Ou simples tensão de conteúdo,
De forças apostas, alívio das margens

Num vitral ou antagonismo apoiado
Em máculas, aos poiais da opinião
Dos outros, espécie de iluminura derrotada,
De asas podadas e da espessura do magma,

A tenaz negação do eu, alienada
Fruta que não matura, cai protagonizando
O invés ou apodrece na serenidade
Da árvore, o ácido e a acidez do vómito,

E ao mesmo tempo, num mesmo placebo,
Os vícios inaturais da pera, dura e impulsiva
A “ilucidez” da conversa comigo mesmo,
O futuro torturando o presente,

Tão falso é, o suposto ser “a sério”,
De verdade, pobre infeliz sou eu,
Que me surpreendo a ocupar espaço,
A concorrer com a existência livre do átomo

 
Se me sinto, nulo, estéril, plano
Como atmosfera, liso e sem personalidade,
Incerto de tudo, da fórmula orgânica,
Para me transpor do interior das córneas,

Com a força íntima da garganta, acidental
O incesto com o absurdo, eu próprio
Bastardo do negado indulto, obrigando-me
A ler nos próprios lábios, ideias ao acaso

E avulso, a auto negação do eu …








Joel Matos ( 25 Janeiro 2021)

http://joel-matos.blogspot.com
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