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Olga Kawecka

Olga Kawecka

Uma poeira

A vida é uma poeira
que o vento do Tempo espalha.
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

A menina solidão quer bailar?

A beira do mar espero a Solidão,
e ouço já o trotear do seu coração,
no sopro dos ventos escuto seus lamentos,
prantos da minha perdição.

Quisera recuar no tempo,
nem que fosse por um momento,
sentir o corpo teu, juntinho ao meu,
e no meu ouvido, ouvir um gemido teu.

Pegar na tua mão e bailar contigo, solidão,
com os nossos corpos já a murmurar,
ouvimos ao longe gaivotas a chilrear,
passo a passo, continuamos a bailar.

Solidão sinto a tua voz rouca a soluçar,
e te pergunto, estas a chorar?
porque choras? se em tudo o que nos rodeia,
escuta-se somente o mar a rebolar na areia?

Com noite já dentro se incendeia o luar,
e nos deitados iniciamos o nosso amar,
a madrugada arrastando seu manto,
ao longe as sereias entoam o seu canto.

E nos voltamos a juntar os corpos e bailar
bailar com a solidão é a única forma de olvidar.
palavras, gestos passados dum imaginário,
que faz parte do meu calvário...

Luzern, João Neves, 16.07.2016...
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CORASSIS

CORASSIS


Não sou à Deus descrente,
Mas a minha observância carente
Necessita urgentemente de um
ajuste, no sistema autoritário de mim
onde pesa entre os homens o preço da injustiça
causando morbidades sem fim
em estado embriagado, sem rumo de fortaleza e morada
como o guerreiro em um empreitada fracassada
subo eu a montanha do incerto, descalço
Não e a ausência de alento santo
encerro a subida não há contento ,
Meus pés estão em pranto
Mas, sofrem mais os franciscanos!
Penso com alegria ,sangra mas nem tanto
Quero mais fé para nesta jornada
animar com novo canto
Estado cambaleante entre os desordeiros
Me lanço ao bem e a sorte
Espere ainda morte !
A vida me chamou primeiro .
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Olga Kawecka

Olga Kawecka

O luar

O silêncio pacífico da luz prateada.
A imensidão negra do céu.
A eternidade do mar... 
O mundo parece tão puro
no espaço dos sonhos! –
perto das falésias
do choro petrificado.
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George Goldberg

George Goldberg

Haikai

Prímulas no altar

pra lembrar o oitavo dia —

Buda iluminado


George Goldberg

Haikai Zen

www.haikaizen.art.blog
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Francis Kurkievicz

Francis Kurkievicz

XXV - Não compreendo as ferramentas do marketing...

XXV

Não compreendo as ferramentas do marketing;
não entendo os processos corporativos;
desconheço os princípios da economia de mercado.
Não sei construir uma carreira profissional;
não me enquadro nos propósitos do consumo;
não sei lidar com dinheiro ou propriedades;
me aborreço com as requisições do imposto de renda.
O único saber que tenho
é que a vida não cabe numa planilha do Excel,
não há estratégias de comunicação para a poesia;
não há um branding para o poema.
O único que sei é que
a Arte não é rentável,
não é um produto de mercado
e nem um bem de consumo.
A poesia não é uma propriedade privada,
não é um ativo ou uma Letra de Bacen.
A ela devemos tributar apenas nossa atenção
a singela presença do espírito,
pois se há propósito na Arte e na poesia
é o seu Plus Ultra transformador
que desperta o insone de sua letargia.
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Eduardo Becher

Eduardo Becher

Um Pouco Livre

Em quais cachos
eu sentiria o perfume
da flor e dos riachos
se expandindo, em volume,
nesse indeciso coração?

Em quais lábios
eu encontraria o ébano
desconhecido pelos sábios
e, ainda assim, humano
como tudo que é profano?

Eu não tenho planos
e me alimento de incertezas;
estou repleto de enganos,
pois conheço as fraquezas
suspensas em mim.
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asliddell

asliddell

Monólogo da interrupção

Estava para desdobrar
quando uma voz me instigou ao susto,
mais um pensamento sólido afundava
a prateleira da minha noção.
Tanto sei e pouco fiz,
ainda não amei por amar,
me apoiando nas missões atemporais
dessa minha vida,
acenando para cada motorista que buzinar,
mas negando os seus convites.
Nasci engatilhado de rebeldia,
segurando um terço:
pai nosso que está no céu, maldição!
Eu não vejo Deus, e com ver,
quero dizer sentir;
o que me segura ao corpo
é um forte fio de prata 
que ri e bebe por mim.
Mais um pensamento joga terra
na cova do meu finado silêncio:
o que sentir depois da liberdade de partir?
Soltei as mãos e muito parece
que abandonei junto meus dedos.
Agora o corpo esmorece
no esquecimento sonífero
até esquecer como respirar.
"Logo amanhece!", me grita a janela.
Estou feliz, mas não estou em paz.
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Olga Kawecka

Olga Kawecka

A consciência

Todos nós somos os prisioneiros
de nossa consciência,
que não tem saída além da morte.
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Rerismar Lucena

Rerismar Lucena

A Palavra Como Castigo e Vontade

A Liberdade Em Cativo
PARTE II:
São Bernardo do Campo, 30 jan. 2021 às 21hs05.

Quando a vontade se torna libertadora, no instante da palavra proferida
A linguagem perde a funcionalidade, ao revestir-se de cuidados.
O dislate entre diálogo e entendimento contumaz, se fez perdida
Na confusão dos sentidos, da ressignificação dos antepassados.
 
Na centelha ardente das narrativas onde prevalecem o arbitrário
Que desinveste a palavra de sua pretensa utilidade: o entendimento.
A linguagem como escombros da edificação do homem: sepulcrário
De desejos que engendram a falta e o ressentimento.
 
Onde a todo o dito se faz mensura, podendo ser interdito
A palavra como caos. Como ordem ou instrução.
Perde-se na funcionalidade de seu entendimento
Nas narrativas que devoram o pressuposto da ação.
 
A palavra como castigo e vontade de uma justiça dominadora
Que conduz ao seio da sabedoria selvagem libertadora
Sob o escrutínio da palavra do ser que o nomeia.  
 
O homem regressa a escuridão abismal do pensamento que medeia
A origem do mal. Um exercício de vontade, da liberdade que devora.
Da palavra que ecoa anômala; e que se evola, mundo a fora.
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A linguagem como escombros das ruínas da edificação do homem babélico.
De sua arvora em atingir o inatingível: a natureza divina [Deus].

 “Eis que o povo é um, e todos tem uma mesma língua;
e isto é o que começam a fazer?” (Gênesis 11:16)

                                                (Rerismar Lucena, 30 jan. 2021).
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Guilherme Henrique Lopes

Guilherme Henrique Lopes

As nuvens


Parei, numa tarde de verão,
para contemplar o céu e as nuvens.
Vi as nuvens ao longe, longe como o meu pensamento
Formando desenhos, tomando as formas dos meus sentimentos
Refletiram nelas os meus mais profundos desejos.
 

Eu passaria horas ali, contemplando-as
Elas, distantes como os meus sonhos
Eram lindas, mas inalcançáveis. Ilusão.
 

Mas veio uma brisa que as desfez.
Sobraram algumas, informes, que se ajuntaram
Em uma só nuvem se transformaram
Uma nuvem violenta, barulhenta, escura...


E assim derramaram-se em chuva
As lágrimas do meu coração
Porque todos os meus sonhos foram desfeitos
por uma simples brisa numa tarde de verão.

 

                                                                               Guilherme Henrique Lopes.
                                                                               Taquaritinga, junho de 2021.

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asliddell

asliddell

Céu de Narciso - reivindicação

O céu está para mim
como o espelho está para narciso,
alego hoje para quem me queira,
que todas as estrelas são minhas conjunturas.
A aurora da vida é a morte,
aquela ancestral que a tudo deu origem.
Como herdeira desse trono,
revogo o cinismo para continuar sendo feliz,
o mesmo que um imperador: uma Imperatriz.
Abaixe a cabeça para mim
e me curvarei em forma de honra,
pois os dragões se reconhecem na caçada.
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allycia

allycia

Solidão

Do fundo do meu coração 
que tristeza horrível 
que amarga é a solidão.

O silêncio agora tem voz 
e ela está assombrada, 
ecoa na minha mente 
fazendo-me lembrar 
que estou desarrimado. 

Não há quem mais amar,
abraçar, afagar
 e me apegar.

Tudo aqui está cinza... 
O brilho que um dia meus olhos viveram antes
Se apagou... 
Nem as estrelas por aqui brilham mais. 

Me confirmo, 
E até aceito, 
mas me culpo 
porque eu quem decidir viver assim,
amiga da voz da solidão. 

A.R / RJ - Volta Redonda
14/06/2021
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panhagia

panhagia

Pélago iroso

Quão agradável seria poder
Quebrar o relógio,
Sem pausa para velório,
Para viver o instante, sem o deter.


Não és o rei deste tempo,
Nem senhor destas margens
Por isso me olhas como selvagem,
Mesmas origens, não te detenho.


Conto vidas até a volta da tempestade,
Pois é no quebrantamento das ondas,
Que posso sentir tua presença nas margens.

 
Agora, me coloco em plena ronda,
Porém, a vida atenta tem suas vantagens,
Ninguém sabe do mar e suas vontades.
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shadowoftheworld

shadowoftheworld

Arcturianos

Percebo a nave-mãe chegar 
Aos poucos volto a me preencher
Tudo o que venho a encontrar 
Aos poucos volto a entender

Eles me carregam por toda imensidão
Sinto uma essência de amor sem fim
O que aprendi não fora em vão
Agora os encontro dentro de mim

Aos poucos dissolvo toda dor
Aos poucos me mostram minha essência 
A cura vem sempre do amor
O amor nos leva à consciência 
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Vento do amor

A brisa do mar,
faz-me sentir que não sei nada de mim,
muito menos Íria saber de ti,
tão pouco sabia se havia flores,
ou espinhos lá no nosso jardim...
Pensei se da nascente sai a água,
que vai regar a flor,
porque da nossa amizade?
não pode nascer um grande amor ?
Do vento nasceu em mim um amor,
amor feito de uma imensa paixão,
carinho puro, amor apaixonado,
daqueles que não cabem dentro do coração...
Soprou o vento do amor,
bateu forte na porta do meu coração,
porém ele é frio, faz-me ter medo,
de ter mais uma grande desilusão,
É o vento do amor.
um vento fresco, na hora do murmurejar,
uma linda e nova sensação,
que bate em mim como a brisa no mar...

Luzern, 23.06.2017, Joao Neves
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Sou minha própria imagem,





Sou minha própria imagem,
Continuo sendo um outro …











Sou a própria passagem do metro,
O mestre do desapreço, a estação final
É o que escrevo, de mim pra mim,
De modo a parecer louco, sendo-o

Não me limito, nivelo-me pelos outros,
Mesmo os mais baixos, matreiros, ocos
Manhosos e velhacos são os mais sãos,
Eu sou a minha própria passagem, o local

Do metro, o desmérito, a paragem do desprazer,
O despudor com que observo a gare,
O Oriente, o cais da \\"não pertença\\",
O Oligarca dos feios, o ruim o torpe,

Desonra é o meu nome do meio,
Feito minha, à própria imagem, personifico
Um cego no que creio, e receio ser,
Ouço-me e uso falando, a língua deles,

Apenas às vezes, sem sossego cont'o tempo,
As estações de metro, os rostos leais desses
Com que me cruzo, o mérito próximo,
A longa linhagem dos uniformes longos,

Os Deuses do absoluto são brandos,
Brancos quanto a cal das paredes,
Nas estações do metro, no subúrbio
Suburbano, que há muitos, tenho ideia

O que eu penso não é um rio qualquer
Que se atravesse a nado ou que os homens
Possam usar para pousar os olhos, lavá-los,
Eu uso das fontes vivas, o que aconteceu,

Acontece nos nós dos dedos, que vão desaguar
Nem eu sei aonde ou quando, dos atritos
Nas pedras, dos redemoinhos, dos socalcos
Nas águas, da turbulência dos ribeiros,

Nos cascalhos do caudal é que me prendo,
I'preso eu me penso não um rio, um mar
Imenso, desses onde se pode embarcar
Pra outro universo vivo, esse onde anoiteci

Eu precoce, inúmeros apeadeiros e o metro 
Prolongando-se no meu subconsciente
Deslocando-se ao ritmo das coisas tais
As que o são não tão reais, aparenta ser

Doutrem a viagem dentro de mim próprio,
Conquanto sou a própria imagem,
Continuo sendo um outro, mais leve
Que eu mesmo, esse outro.










Jorge Santos (24 Fevereiro 2021)







 

 

https://namastibet.wordpress.com

http://namastibetpoems.blogspot.com
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Cedric Constance

Cedric Constance

AMOR ERRANTE

Em desespero, te busco nas noites tenebrosas,
Sob a sombra esguia do triste arvoredo...
Pergunto de ti às estrelas, à lua, às rosas...
E por maldade, elas não revelam tal segredo...

Tua ausência é fissura aberta no meu coração,
Pior tortura é não mais poder te abraçar...
É não ter a quem já adorei com tanta devoção...
Saudade é o preço pago por quem sabe amar...

Perdeu-se nas sendas trevosas esse amor errante
Deixando um vazio que meu peito manisfesta,
Chamando todo dia por alguém que está distante.

Posso ver com tristeza toda a paixão se esvaindo,
Feito o vento sorrateiro que escapa pelas frestas...
Que pena... morreu hoje um amor que já foi lindo...

- Cedric Constance

Imagem por Pinterest

rose
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Havia você



Poderia ter sido uma manhã qualquer, assim como tantas em que o sol se transforma na principal atração.
Mas naquela manhã, havia você.
E meus olhos perderam-se na luz do seu olhar.
E meu corpo desejou o calor do seu corpo.

Poderia ter sido um dia igual a tantos outros, que se perdem inexpressivos nos calendários.
Mas aquele dia, mudaria minha vida.
E minhas horas passaram a ser de esperas e expectativas.
E meu maior medo passou a ser o de não mais te ver.

Poderiam nascer sonhos de verão, intensos, porém passageiros, assim como as chuvas.
Mas o que nasceu seria eterno, imortal.
E gravei talhada a cinzel, a minha vida na sua vida.
E preenchi o meu tempo com a esperança de existir uma história só nossa.

Poderia nunca acontecer e o destino me separar de você, escrevendo um futuro diferente para nós dois.
Mas ele escrevia naquele instante o prefácio das nossas vidas.
E assistimos a realidade transformar-se em felicidade.
E o amor unir-nos de forma indelével desafiando o infinito..
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Olga Kawecka

Olga Kawecka

A eternidade em seu coração

Nas ruínas do meu destino quebrado, 
Não resta mais nenhum outro ansejo: 
Gostaria apenas de ser lembrada, 
Depois de viver como um lampejo. 
 
Porquanto a solidão é um inferno, 
E o esquecimento é desastroso.
E somente Amor é a vida eterna, 
O céu é no coração amoroso. 
 
 
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panhagia

panhagia

Maldito trabalhador

Quando cai no chão a semente,
Já pensa o semeador, prontamente,
"A primavera muito promete",
Ao pisar o pé em casa, só falta matar o pivete.

Se o Senhor não edificar a casa
Em vão trabalham os que edificam,
Mas o agricultor muito abre as asas,
E ao trabalhar, esquece os que ficam.

Pois bem, tu que és bem semeada,
Da mais pura e virgem cevada,
Pare de reclamar da estação
E te lembras bem da imaculada paixão.

Apalpa com os olhos frutas vizinhas,
Com ruindade, acompanha outras vinhas,
Maldita! Olha para o presente em teus arados,
Já te aguardam os frutos, doces e amados.
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Francis Kurkievicz

Francis Kurkievicz

XLIX - Durmo com o desejo...

XLIX

Durmo com o desejo
incontido pelo esquecimento.
Mas sonho este mundo
por decisões adiadas
            : drenado pelo sono
            : aturdido pelo sonho
Desperto em um mundo
que vigia nossa vigília
injetando no cotidiano
exigências que a necessidade não prevê.
Sigo o fluxo da ansiedade
reprimindo em mim o suicídio
que ora ou outra
espia a consciência
que tarda em partilhar o pão
            : hesito em dormir de novo
            : evito olhar o espelho
            : êxito! é o que procuro no pensamento;
mas sei que o que me toca
é o silêncio que roça
os entremeios
– o limiar entre os seios –
deste fenômeno que anseio
não mais tocar.
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CORUJA

CORUJA

Meu jeito negro de ser

O meu jeito negro de ser

Incomoda o seu jeito branco de ver

Não sei se isso é preconceito

Ou uma maneira de se defender.



Estão sempre se armando

Pra uma guerra acontecer

Se minha cor te angustia

Não sei o que posso fazer.



Teremos o mesmo destino

Isso você precisa entender

No mundo tem muito espaço

Onde podemos todos conviver.



Racismo é uma reação abominável

Não deixe ele na sua vida entrar

O ser humano não difere do outro

Precisamos apenas nos aceitar.



Não existe hierarquia entre as raças

Pois nenhuma é pura ou superior

Somos todos seres humanos

Cada um com seu valor.



Eu sei que muitos não concordam

Com tudo que estou falando

A cor da pele não pode ser determinante

Pra tanta violência beligerante.

 

De: Ciríaco
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Francis Kurkievicz

Francis Kurkievicz

XXXIV - Sonhei que trabalhava pro De Niro...

XXXIV

Sonhei que trabalhava pro De Niro
e tinha no pulso esquerdo
um grande e maciço
relógio de ouro.
Também cuspi em seu banheiro
o refluxo de bílis de alguma indigestão
enquanto homens negros desconhecidos
no alto de uma escadaria
debochavam da alvura
da minha pele polonesa.
 Ri-me com eles até acordar.
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