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Francisco José Rito

Francisco José Rito

ÉS A PRIMAVERA QUE PROCURO

Peguei na paleta e nos pincéis
para pintar a primavera no céu de dezembro.
Quis pintar o mar do meu país
mas os teus olhos tinham roubado o azul.
Quis pintar canteiros de rosas
mas os teus lábios tinham bebido o vermelho.
Quis pintar a magia do entardecer
mas o oiro do sol poente estava todo no teu rosto.
Percebi então que se trazes nos olhos o mar
nos lábios as rosas
e no rosto o entardecer
és a primavera que procuro
e nos teus braços nunca mais será inverno.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

MERGULHO NO AZUL DAS COISAS

Mergulho no vento que amacia as pedras
à procura do enleio perdido nos primórdios.

Mergulho num rendilhado de horas mansas
feitas de palavras sem mácula e sem pressa.

Mergulho na porta aberta do poema
purgando-me dos anos e dos medos.

Mergulho num tempo novo e vasto
onde amar-te cheira a tudo o que quisermos.

Mergulho no azul das coisas
para ver florir a lua nos teus olhos.
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Murilo Porfírio

Murilo Porfírio

I-LXXVII Jaezes de vida e morte

Não percebo mais trilhas sobre a terra,

já vou-me perdido desde que me apontaram o caminho.

Giro sem norte, tudo que reconheço já vi, e lembram-me morte.

Mas sempre que ouso perder-me, pergunto o porquê de aqui perecer-me:

Se é pela selva húmida, ou pelo frio incessante,

se é por capricho ou por minha ânsia de ser amante.

 

Mal tenho o tempo de existir,

nem dinheiro que lapide a carcaça que nasci.

Tenho poucos sonhos humanos, vejo-me sempre

como alvo dos assombros do cotidiano.

Temo a vergonha, o vexame,

temo confiar as fraquezas em quem,

por direito, vive sob seus ânimos.

 

Há dias que amo sem retorno.

Hoje o revejo, para que recupere um pouco do anelo,

atando meu mundo de palavras gamadas,

para que o excesso não nos desfaça.
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jrodrigues

jrodrigues

Perdi os sonhos

Perdi os sonhos
Não que fossem meus mas porque foram a realidade dos sonhos de outros. Aprendi a ter novos sonhos e se os perder é porque encontrei outros para continuar a criar um derradeiro que se substitui. Que a morte quando me levar que seja pela definição da vida mas jamais pelo genocídio da minha capacidade de sonhar
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lavinia_gomes_rodeiro

lavinia_gomes_rodeiro

O amor e passageiro.



Nós éramos tão próximos, o amor que sentíamos era incomparável, quando ele parava na minha frente eu sentia o brilhar, seu coração era tão grande para me amar.

A tristeza que tive de sentir após terminar não é tão boa quanto seu olhar, a lágrima que escorria não era de felicidade e sim de relembrar como paramos de nos amar.

o amor nunca ira mudar, porem nao ira se ressaltar, para sempre irei te amar, até mesmo se nos termos que se reencontrar, e tudo recomeçar…
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

COMO ME AMARIAS?

Todos os dias tento
agarrar a luz que se deita no mar
e todos os dias o sol me demonstra
que o seu esplendor é terra de ninguém.

Imaginemos que a lua se portava de igual modo,
como entraria o luar dos meus olhos pela tua janela?
Como acordarias ao toque dos meus dedos?
Como me amarias?
Sim, como me amarias?!
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allycia

allycia

Embrenhado

Será que ela pensa em mim como eu penso nela?
Sei lá, já me indaguei se exagero. 
Talvez sim, talvez não. 

Será que ela já falou de mim? 
E eu ainda preciso esconder isso do mundo? 
Posso estar me precipitando,
Mas adoraria que ela fosse meu precipício. 

E nesse meu embrenhado me embramei
A ponto de te querer, sem nem bem lhe conhecer. 

A.R / Faro - PT
07/12/2022
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

DESEJANDO SER-TE O PROMETIDO

O deleite ardente que procuro
traz-me sempre ao teu regaço
qual pássaro imolado a renascer
qual fogo adormecido mas atento
desejando ser-te o prometido.

E eu assim te quero, aurora minha
assim, como a bruma envolve os lírios
como o azul da lua envolve o mar Egeu
assim eu te envolvo e te venero
desejando ser-te o prometido.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

QUE IMPORTA?

Que importa
que a alma jaza acre e escura
na lassidão da espera,
se com sonhar-te apenas
tudo se irradia
e por ser-te
tudo se transforma?
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Murilo Porfírio

Murilo Porfírio

I-LXXIX Jaezes de vida e morte

Beatrice, à espera séria,

está presa à vontade de perder-se em tragédia.

E assim, vivendo os sextos dias como sétimos,

perambulamos por perdermos os critérios:

Os feitiços não funcionam desde o andamento,

é decepcionante a inevitabilidade de sumir-se no tempo.

 

Jamais diria grosserias a minha alma querida,

apenas por alegrar os contidos em vossas letargias.

Faria de Benedick um inconsequente,

à caminho do choque por Yorick, o benevolente.

 

Há de haver o dia que o humor me impressione,

que a preocupação suma, para que eu deixe meu nome.

Que a felicidade deixe de justificar o medo de tudo perder,

sem que minha maior fraqueza deixe de ser você.

Há o que relevar neste pranto, desde o soluço ao delírio insano,

há os vícios de se calar, e reescrever as verdades como mentiras,

apenas para fazer-me de quem não quero nesta vida.
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André Medeiros

André Medeiros

Conversando com as árvores.

Eu passei a acordar cedo pra despertar o dia
Depois que o homem substituiu Deus pelo algoritmo
Resolvi preservar o amor.

Guardei as pedras que atirava
Fechei os olhos para escutar melhor
E quando tudo parecia perdido
Tua voz soprou das arvores
E sussurrou com calma:

Nada termina antes que a vida acabe, enquanto fizeres o que será.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

TODOS OS DIAS TE REGO

Guardei o teu rosto
na gaveta do peito
retrato imaculado, jovial
sem marcas de vida
ou de penas.

Guardei o teu cheiro
na pele dos sentidos
fecho os olhos e
cheiras-me a arroz doce
com limão e canela.

Guardei o teu nome
à porta do tempo, onde
os anos não principiam
nem acabam
apenas nos demoram.

Guardei-te onde se guardam
os incensos e outras prendas
todos os dias te rego
com gotas de alvorada
esperando que amanheças a sorrir.
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maria_gabrielaf

maria_gabrielaf

Saudades suas

Ah! Se alguma imagem pudesse transmitir
Se o português tivesse palavras palavras para dizer
Como você me faz sentir
Como eu adoro você 

E adoro teu perfeccionismo 
E como teu beijo é perfeito
E como eu sinto saudades suas! 
Do seu cheiro, seu humor e seu sorriso

E me encontro perdidamente apaixonada por você 
E me desencontro, aceita nesse sentimento
E não importa a hora
Não há nada que eu queira mais do que você agora
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Murilo Porfírio

Murilo Porfírio

I-LXXV Jaezes de vida e morte

O abuso emocional de se expandir

frisam-me em teus olhos para o que quero sentir;

Leve-me aos lugares que abrigam minha alma amada,

à décima nona ilha onde minha mente é retalhada.

 

Privilegiado por ter o que perder,

anseio a vingança que trará o prazer de viver.

Que nosso Pai traga amizades fundamentadas,

para que não haja desprezo nem Mondego que me desfaça.

 

E à fortuna conquistada, peço que, de mim, gênio faça,

para que resgate as paixões dos pressurosos aristocratas,

e que faleçam por sua benevolência amarga.

 

Pastor de ovelhas e um patrício, um velho na puberdade,

e tão alto quanto as damas da cidade, sobre del Popolo

sucederá o decesso de vossas crueldades.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

CONTIGO

Contigo
o fogo na carne
o êxtase, o delírio.

O mel nos lábios
e na ponta dos dedos.

Contigo
o fulgor da água que corre
mordendo os seixos com beijos fugazes.

O sol no rosto corado
e na alma lavada.
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Único


Se lhe rouba o olhar, a lua, para fulgir o luar,

Se lhe furta a beleza, o mar, para mostrar esplendor

Se lhe toma o calor, o Sol, para seus raios lançar,

Deixe que lhe peça ao menos, alguns momentos de amor.

 

Perto da Lua, do Mar, do Sol, tão pequenino sou eu.

Mas creia minha adorada:  O único... Completamente seu!.
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

“Hannibal ad Portus”


Ter liberdade é ser espontâneo, livre de sentir as asas, sem ter de pesar o chão.

“Hannibal ad portus”

Neste porto das almas puras, peregrinas e avulsas, todas as poesias têm uma porta e uma valência profana e profunda, ínfima e infinita, branca, uma visão vaginal que por vezes é mais outra coisa, outros mundos ainda mais levitáveis que a própria emoção do parto, a imaginação é um esqueleto vegetal moldável de todos e de ninguém neste mundo, um manifesto ao desconhecido que não se sabe existia ainda de antes do tempo existir complexo, completo ou variável consoante o argumento, o hemisfério intimo, o córtex de cada uma das almas que por este portal entram assim como fossem em branco, presenças papel, isentas criaturas semi-virginais e vagas, sensíveis que não aconteceram nem acontecem sem permissão da inteligência dest’outro cosmos entreaberto em rosas púrpura, divinais e belas, puras puras
A alegria que eu tinha era a de descrever a geometria do que sentia nos ombros, dos cantos da boca à linha direita torcida, dos cabelos, do queixo, nos nós dos dedos de tristeza fixa e pobre com que fico me convence, é uma maldição rasa que espero em vão desapareça, a visão estrangeira com que meço na ressaca dos outros sendo eu ela própria, pródiga não sei no que seja e só a alegria que eu tinha quando era como era inda’gora.
Eterno é o suspiro falado e sempre, sempre dourado será o poente até ao crepúsculo total, doce amado, assim azul fosse de verdade Sol nascente, “Il principium” selado da consciência consciente e de todos os desejos e esperanças, o amplo salão de baile onde vagueiam os nossos melhores momentos, o templo onde tudo somos capazes, agir embalados a desejo, todo que podemos ou possamos ter, dourado como o poente que há-de vir, doce amado ou salgado … genuinamente dourado assim como eu próprio ou o meu alter-ego nascido no mar Egeu.
Por isso digo e enfatizo acerca de desprezar ou desconsiderar a elevada orografia do meu alto relevo e enlevo ortográfico – é de facto intolerável e inaceitável – sou um incontornável “adjectivante” e actor, incontrolável por direito e pela invocação do palco. – Impossível deixar de vislumbrar uma gigantesca montanha para quem não faça uso de óculos bem graduados, simule cegueira selectiva ou estrábica, ofereço grátis e altruisticamente a minha topografia pouco zen, dou o meu alter-ego estoicamente, “de-graça” e todo um esforço intelectual exótico e criativo em forma de lego desmontado, todo o meu e o seu altruístico trabalho em prol de muitos, como um cego sem abrigo abraçando suavemente um feliz “acordeon” ou uma concertina em planas Ramblas de Barça, Harpa na ponte que une Budapeste nos dois lados poentes, em Vienna , no Prado, em Bucareste, no Soweto.
A maldita simpatia, estima ou a esgrima virtual é ou são de facto capciosas, falsas, sou virilmente e crivelmente incontornável nas espaduas, na cintura e no peito nem tanto, afeição virtual não é o meu prato ou órgão predilecto para ser consumido em jejum, insectos não são o meu producto favorito no supermercado, não sou tolerante à lactose quer por fora nem do avesso, quem simula viral afecto por uma institualizada instituição web e fiduciária, é demente, é o que eu sou mas num outro sentido, não simulo sanidade mas loucura premente e de grande porte, não discuto imbecilidades, boçalidades, o meu verniz não estala sempre nem por “dá-cá-aquela-palha” não nas espátulas porque não as possuo para trabalhar mas sim espáduas, não faço uso de matizes primários ou esboços, gralhas, sou o simulacro do fingimento congénito, a institucionalização instituída de um guisado à Bordalesa afinado, quem disser o contrário ou o oposto, mente. Qualquer ser/ lugar vigente ou vincendo onde se transformem objectos lugares e ambientes em amantes visuais, é digno de devoção, da vossa total e honrosa, honorífica dedicação eu estou deste outro lado, o do Pinho Bordalo, a minha vocação é ser idolatrado, escarificado, ser objecto de oração, escanção, conjura.
O que vos ofereço em troca é o meu dom de sonhar alto, é um original estigma contiguo a mim mesmo, um pecado cerebral, um pedaço do ego a contrição de mim mesmo, iniciático e messiânico, pois jamais estarei em saldo nem me vendo a retalho pelo meio da rua, não sou nem me considero um versátil entretenimento de massa bruta, nem de entendimento linear à escala universal, basta-me ser eu para ser algo diverso, divergente, distinto o que sinto, acredito e reconheço.
Reservo a Hiper funcionalidade dos sentidos, do processo cognitivo, à fetal especulação acerca dos relevos sensoriais, do que me vai na alma e dos mais que me inspiram, das fontes que me estimulam, não aos mansos de caráter manco, do heráldico manancial de águas puras e não da manada suja, poluída, porca imunda, da corja infecunda, da gentalha, da gamela social e virtual.
“Hannibal ad portus”
Assumai-vos porra, confessai-vos como gado de pasto que efetivamente sois, sendo eu vosso magnânimo, magnifico pastor e alfange, predador, assumo-vos eu sim, como meus iníquos vassalos, soldadesca fresca e gado menor, carnes para canhão, e contra todos os meus excelsos princípios, considerando-vos, (algo erróneo e capciosamente falso) como nobres animais de carnes flácidas e desconfiáveis aduladores, colocutores, dispositores de alto sabor, de elevados conceitos sub-linguares e subliminares de extremo teor existencial e essencial pra que vos legitime como entidades fiáveis e genuínas na mesa, calibre da qual não são, nem no suporte do prato, serão todavia não jamais, de longe, qualificável ou atribuível estes nobres dons ou qualquer destas qualidades honráveis e honoráveis, suspeito-me pois e assim conspurcado até aos testículos e a vesícula e sinto que estou empregando e comprometendo a minha valiosa e magnífica arte “graphica” e graphya, humilhando-me da verve até ao mais baixo nível ao retorquir com e acerca de plantas rasteiras, carne que nem numa gamela se quer, desprezíveis gramíneas parasitárias que apenas necessitam e esperam por ser exterminadas, não nutridas e ainda menos privilegiadas na salada como estou fazendo agora e com toda a minha aflição, espanto-me a mim próprio conseguir emporcalhar-me ao responder-vos, mas aqui vai, “Quid est quod habet esse”, o que tem de ser será e Cartago tem necessariamente, sem embargo, de ser destruída, “Carthago delenda est” para glória grande de Caravaggio o velho, numa das suas telas.
Pois claro, agora Hannibal o predador, está no porto e aos portões desta cidade menor, que não é bem uma cidade, mas um lúgubre lugarejo sórdido quanto os seus frágeis e flácidos habitantes, cidadãos sitiados, suicidas soçobrados, desconhecidos e vencidos da vida, desonrados, derrotados emparedados vivos, desgraçados sem opinião nem prosa.
Apesar de excepcionais orelhas e magníficos e desproporcionais probóscides estomacais e investindo quase tudo quanto podemos ingerir e conseguimos defecar sem dificuldade mas com elevada mestria, como oleiros em potenciais olarias familiares/tradicionais, temos largos e apurados esófagos, descendentes de afegãos sorumbáticos e pagãos, somos dependurados pelos órgãos genitais por crime de divergência existencial por estrambólicos eunucos circenses, sacrificados fiduciários nas fogueiras dos maldosos e malvados cibernautas por decreto nem sempre presentes mas omnipotentes, esquartejadores de consciências, somos desqualificados, apedrejados por símios seminus e estrábicos orgânicos, expomo-nos servilmente aos mais baratos, feios, básicos escrevinhadores seminais, monossilábicos e somos agredidos das formas mais vis, humilhantes, baixas que se conhecem apesar da diarreia verbal destes ser completa, corrupta e gástrica, de refluxo semi-animal, enjoante, enojante e maldoso, maliciosos carroceiros animalescos a caminho do mercado de gado bi semanal, sem causa básica nem amalgama que não seja escrota, repolho e feijão preto, apenas desgosto, má língua e mácula ao repasto, sem bom gosto, nem afago de vizinho naturalmente sempre bem disposto.
Assumo com responsabilidade a desordem, naturalidade e dignidade a dimensão de humanista Partizan e a de conspirador às sextas feiras á noite na mata dos medos, não traio as minhas convicções nem que me deem alpiste, são tal forma humanas de maneira clara e magnânima nas minhas opiniões , sou magnifico e valente nas minhas partes genitais e magistral nas artes que oficio depois da cinco da tarde, os meus actos mais brandos bradam e ardem como se fossem fogo de artificio ao domingo de ramos, na aldeia da piedade, ponderados quanto honrosos os palavrões e chavões, os impropérios que grito aos quatro ventos, não me calo, quantos mais e ilegais e violentos se estes sim, servirem a defesa da liberdade e da democracia plena, sou condescendente desde tenra idade ao ponto de arrotar um obrigado mesmo que palavras ad.hoc me firam, sou educado qb. e como bolacha maria de agua e sal ao lanche, não faço nem bem nem faço mal em jejum apesar de estar disposto a tudo e até à guerrilha armada e à guerra santa como um bom ateu que se borrifa de agua benta se for disso o caso, aos caos aniquilador e completo se a causa for a calima, a bonança depois da tempestade violenta provocada pelos drusos negros “sem orelhas”, “Pechenegues” beligerantes e pouco fiáveis das florestas andaluzas de inda’gora, franco-atiradores disfarçados embora de chinelos suásticos castanhos e pretos.



Joel Matos (Novembro 2022)

 

 

http://joel-matos.blogspot.com

https://namastibet.wordpress.com

http://namastibetpoems.blogspot.com
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magnoferreira

magnoferreira

O Mar Na Piscina

Mar sem chão, em vão, sem pão...
Piscina com o mar na mão,
Piscina come o chão,
Piscina com alma do mar na mão,
Piscina com tudo na mão,
Piscina não ensina a mar não.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

CRESCEU-NOS A CAMA

Lentamente
descemos o rio

mudaram as luas
os azuis do céu
e os verdes das margens
até nós mudámos
sem darmos por isso

pouco a pouco
o espelho mostrava-nos
o que viria a seguir
o preço a pagar
pela nossa irreverência

eu deixei de correr
e tu seguiste-me os passos 
até ao ponto de não podermos
mais fugir ao destino

o céu acinzentou
cresceu-nos a cama
e o teu sangue
deixou de saciar-me

diz-me, amor
perdemos a sede
ou secou-se a seiva
que nos corria efervescente
pelas crateras da pele em chama?

cresceu-nos a cama
ou mingaram-nos os braços?
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

EMÍLIA

Quando o sorrir se impunha
sorrimos, tu e eu
como o raio de sol
que irrompe da negrura.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

HÁ SEMPRE UM AZUL

Só ficou a saudade
naquela gare deserta de afetos.

Tu meteste na bagagem
as palavras que sobraram.
Eu ergui o olhar marejado
ao encontro da chuva que caía
nos ombros de um futuro incerto.

Atravessei a cidade.
As gaivotas regressaram ao rio.
A tarde esmaeceu.
Só o azul dos autocarros
pintava as ruas caladas,
as fachadas dos prédios,
as mesas das esplanadas.

Apesar de tudo
há sempre um azul 
a pintar o rosto das memórias.
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Velhas cantigas

Deixe que me perca em cantigas,
Mesmo que sejam antigas...
Deixe-me procurar velhas fotos,
Mesmo que empalidecidas...

Deixe  que meu olhar,
Esvaia-se mirando o nada,
Deixe  que me recorde
Da vida que foi passada.

O que é um homem afinal,
Se não forem as suas lembranças?
Sorrisos, abraços, encontros,
Lágrimas, amores, esperanças...

Na soma dos anos, o todo!
Assim, somos  nossa memória!
Cada segundo vivido,
Uma letra na nossa história.

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Francisco José Rito

Francisco José Rito

PARA MIM É PRIMAVERA

Espraio-me em ti
como o sol na seara
lábios presos
nas rugas do teu ventre

o vento sopra
o céu escurece
o inverno ameaça
mas para mim é primavera.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

NO FUNDO EU SÓ QUERIA UM SORRISO

O vento apartou de mim 
as folhas caídas e pude por fim ver 
o rosto do meu corpo em êxtase.

Resignei-me ao destino
de colher no regaço estrelas luzentes
mas nunca soube de onde me vinha o privilégio.
Limitei-me a olhar-me de longe e a sorrir
como sorriam os cachopos na pradaria, a sorver
esguichos de leite quente do úbere das vacas.

Depois deitava-me e sonhava
penitenciando-me pela ousadia de sonhar.
Castigava-me com a ferocidade das nortadas
que chicoteiam os milheirais de agosto
como se o sonhar estivesse apenas destinado 
aos que nasceram na outra margem. 

No fundo eu só queria um sorriso
um par de olhos, uma boca, duas mãos 
para comigo viverem e morrerem.
O que demais vedes veio por erro no destinatário.

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