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Francisco José Rito
ÂNSIA
Qual semente esquecida
anseio um raio de sol
uma leiva macia
uma manhã de bruma
o abrigo de um cômoro
uma cama de trevo
onde me deite contigo
até à metamorfose prometida
anseio um raio de sol
uma leiva macia
uma manhã de bruma
o abrigo de um cômoro
uma cama de trevo
onde me deite contigo
até à metamorfose prometida
20
1
A poesia de JRUnder
Decerto, estou certo.
Que se calem as vozes interiores, se me falam do certo ou errado,
Já que à vida estou disposto e ao destino, fadado...
O certo é não ser errado, mas afinal, o que é certo?
Viver da forma que penso ou como pensa o inverso?
Se penso que estou certo, da mesma forma outrem,
Que julgo estar errado, pensa estar certo também.
Qual o padrão que assumo, para ter total clareza,
E não passar minha vida, dentro desta incerteza?
É importante estar certo? Ou pensar assim é errado?
Tenho medo de assumir e ver que estou enganado.
Procuro agir na verdade, dentro de minhas certezas
E para isso confesso e digo com toda a franqueza:
Para agir certo ou errado, é preciso sutileza...
O certo é sempre estar certo e errar nunca convém.
Assumo esta realidade, sem perguntar a ninguém.
Se acharem que estou certo, então, estão certos também...
250
1
allycia
Se eu morrer amanhã
Se eu morrer amanhã,
Eu te deixei algumas poesias escritas.
Se eu morrer amanhã,
Estranhamente morrerei contente de me encontrar num estado de paixão diferente do usual,
Se eu morrer amanhã,
Saiba que te comprei flores, que te escrevi cartas, que te escrevi canções, te desenhei, te fotografei, te memorizei, te fiz ser o quadro mais lindo que um dia não pintei.
Se eu morrer amanhã,
Saiba que dentro de mim,
Parecia que eu sempre te amei.
Que te conhecia de uma outra vida,
Que tínhamos uma conexão bonita,
Que os pássaros cantavam todas as vezes que nos via.
Se eu morrer amanhã,
Te deixei memórias boas,
Memórias que talvez você nem saiba,
Mas mudou minha experiência enquanto vivi.
Se eu morrer amanhã,
Espero que tenha curiosidade de saber como te vi, como te achei incrível desde o dia que eu te conheci.
Se eu morrer amanhã, espero que te vejam do mesmo jeito que vi,
Mas se não,
Eu te prometo que mesmo do outro lado da vida,
Ainda sim, vou me sentir viva toda vez que minha alma poder encontrar com a sua.
Se eu morrer amanhã,
Saiba que eu te escrevia muito mais,
Te escreveria tanto,
Faria-te um livro,
Com teu nome na capa,
E teu sorriso também.
21.02.23
Eu te deixei algumas poesias escritas.
Se eu morrer amanhã,
Estranhamente morrerei contente de me encontrar num estado de paixão diferente do usual,
Se eu morrer amanhã,
Saiba que te comprei flores, que te escrevi cartas, que te escrevi canções, te desenhei, te fotografei, te memorizei, te fiz ser o quadro mais lindo que um dia não pintei.
Se eu morrer amanhã,
Saiba que dentro de mim,
Parecia que eu sempre te amei.
Que te conhecia de uma outra vida,
Que tínhamos uma conexão bonita,
Que os pássaros cantavam todas as vezes que nos via.
Se eu morrer amanhã,
Te deixei memórias boas,
Memórias que talvez você nem saiba,
Mas mudou minha experiência enquanto vivi.
Se eu morrer amanhã,
Espero que tenha curiosidade de saber como te vi, como te achei incrível desde o dia que eu te conheci.
Se eu morrer amanhã, espero que te vejam do mesmo jeito que vi,
Mas se não,
Eu te prometo que mesmo do outro lado da vida,
Ainda sim, vou me sentir viva toda vez que minha alma poder encontrar com a sua.
Se eu morrer amanhã,
Saiba que eu te escrevia muito mais,
Te escreveria tanto,
Faria-te um livro,
Com teu nome na capa,
E teu sorriso também.
21.02.23
188
1
Francisco José Rito
CRESCEU-NOS A CAMA
Lentamente
descemos o rio
mudaram as luas
os azuis do céu
e os verdes das margens
até nós mudámos
sem darmos por isso
pouco a pouco
o espelho mostrava-nos
o que viria a seguir
o preço a pagar
pela nossa irreverência
eu deixei de correr
e tu seguiste-me os passos
até ao ponto de não podermos
mais fugir ao destino
o céu acinzentou
cresceu-nos a cama
e o teu sangue
deixou de saciar-me
diz-me, amor
perdemos a sede
ou secou-se a seiva
que nos corria efervescente
pelas crateras da pele em chama?
cresceu-nos a cama
ou mingaram-nos os braços?
descemos o rio
mudaram as luas
os azuis do céu
e os verdes das margens
até nós mudámos
sem darmos por isso
pouco a pouco
o espelho mostrava-nos
o que viria a seguir
o preço a pagar
pela nossa irreverência
eu deixei de correr
e tu seguiste-me os passos
até ao ponto de não podermos
mais fugir ao destino
o céu acinzentou
cresceu-nos a cama
e o teu sangue
deixou de saciar-me
diz-me, amor
perdemos a sede
ou secou-se a seiva
que nos corria efervescente
pelas crateras da pele em chama?
cresceu-nos a cama
ou mingaram-nos os braços?
314
1
A poesia de JRUnder
Interiores
Nada! Silêncio no ar.
Ouça essa melodia...
Nenhuma voz a cantar, nenhum instrumento a tocar...
Seria o seu certo e errado,
Seria o seu sim e seu não?
Se vem de seu interior,
Seria a tal voz da razão?
Ou só o desconhecido,
Que não lhe cabe nas mãos?
Nada nos prende à vida, a não ser, o próprio viver.
E assim vamos vivendo, para ver e acontecer.
Para causar o mal e depois desejar o perdão,
Como se ser perdoado fosse alguma solução...
O belo é apenas conceito,
O feio tão só ilusão.
O eu, não tem aparência,
Apenas engana quem vê...
Todo fim, é um começo,
Onde o final se prevê...
143
1
Francisco José Rito
MERGULHO NO AZUL DAS COISAS
Mergulho no vento que amacia as pedras
à procura do enleio perdido nos primórdios.
Mergulho num rendilhado de horas mansas
feitas de palavras sem mácula e sem pressa.
Mergulho na porta aberta do poema
purgando-me dos anos e dos medos.
Mergulho num tempo novo e vasto
onde amar-te cheira a tudo o que quisermos.
Mergulho no azul das coisas
para ver florir a lua nos teus olhos.
à procura do enleio perdido nos primórdios.
Mergulho num rendilhado de horas mansas
feitas de palavras sem mácula e sem pressa.
Mergulho na porta aberta do poema
purgando-me dos anos e dos medos.
Mergulho num tempo novo e vasto
onde amar-te cheira a tudo o que quisermos.
Mergulho no azul das coisas
para ver florir a lua nos teus olhos.
245
1
Francisco José Rito
COMO ME AMARIAS?
Todos os dias tento
agarrar a luz que se deita no mar
e todos os dias o sol me demonstra
que o seu esplendor é terra de ninguém.
Imaginemos que a lua se portava de igual modo,
como entraria o luar dos meus olhos pela tua janela?
Como acordarias ao toque dos meus dedos?
Como me amarias?
Sim, como me amarias?!
agarrar a luz que se deita no mar
e todos os dias o sol me demonstra
que o seu esplendor é terra de ninguém.
Imaginemos que a lua se portava de igual modo,
como entraria o luar dos meus olhos pela tua janela?
Como acordarias ao toque dos meus dedos?
Como me amarias?
Sim, como me amarias?!
217
1
Murilo Porfírio
I-LXXVII Jaezes de vida e morte
Não percebo mais trilhas sobre a terra,
já vou-me perdido desde que me apontaram o caminho.
Giro sem norte, tudo que reconheço já vi, e lembram-me morte.
Mas sempre que ouso perder-me, pergunto o porquê de aqui perecer-me:
Se é pela selva húmida, ou pelo frio incessante,
se é por capricho ou por minha ânsia de ser amante.
Mal tenho o tempo de existir,
nem dinheiro que lapide a carcaça que nasci.
Tenho poucos sonhos humanos, vejo-me sempre
como alvo dos assombros do cotidiano.
Temo a vergonha, o vexame,
temo confiar as fraquezas em quem,
por direito, vive sob seus ânimos.
Há dias que amo sem retorno.
Hoje o revejo, para que recupere um pouco do anelo,
atando meu mundo de palavras gamadas,
para que o excesso não nos desfaça.
já vou-me perdido desde que me apontaram o caminho.
Giro sem norte, tudo que reconheço já vi, e lembram-me morte.
Mas sempre que ouso perder-me, pergunto o porquê de aqui perecer-me:
Se é pela selva húmida, ou pelo frio incessante,
se é por capricho ou por minha ânsia de ser amante.
Mal tenho o tempo de existir,
nem dinheiro que lapide a carcaça que nasci.
Tenho poucos sonhos humanos, vejo-me sempre
como alvo dos assombros do cotidiano.
Temo a vergonha, o vexame,
temo confiar as fraquezas em quem,
por direito, vive sob seus ânimos.
Há dias que amo sem retorno.
Hoje o revejo, para que recupere um pouco do anelo,
atando meu mundo de palavras gamadas,
para que o excesso não nos desfaça.
80
1
douglasda
Sáfico
Por palavras que eu só deixei em falta
Engasgo dessas falas dentro da alma
Pelos mares e por todo o ar que salva
Os seres, deuses, oh, livrai-me agora
Do injustiçado, desse mau agouro
Voai como fosse o vento poente de ouro
De uma manhã, para que o poema tenha
De um tecelã o seu afã na lírica
Caso pudessem escutar falar
As puras nuvens iam cantar o amar
Para chorar, para pintar, sonhar
Desse amontoado de morros eu peço
Para ouvir a emoção do peito
No mimo cálido que diz te amo
Engasgo dessas falas dentro da alma
Pelos mares e por todo o ar que salva
Os seres, deuses, oh, livrai-me agora
Do injustiçado, desse mau agouro
Voai como fosse o vento poente de ouro
De uma manhã, para que o poema tenha
De um tecelã o seu afã na lírica
Caso pudessem escutar falar
As puras nuvens iam cantar o amar
Para chorar, para pintar, sonhar
Desse amontoado de morros eu peço
Para ouvir a emoção do peito
No mimo cálido que diz te amo
65
1
Francisco José Rito
DAI-ME UMA PEDRA EM VEZ DE CORAÇÃO
Dai-me a alma dos poetas
mas não a sua sina.
O êxtase da paixão mas não o desencanto.
Deixai-me esculpir vida nas estátuas frias
desenhar paixões a esvoaçar nos varais
ou nos parapeitos das janelas
dos amantes encobertos.
Pintar a tristeza da cegonha
que não migra porque partiu uma asa
ou da mãe que seca o rosto do filho
com os dedos molhados pelo seu próprio pranto.
Dai-me uma pedra em vez de coração!
O coração é pássaro de asa partida
que não migra e anseia a nova primavera
que apenas lhe trará mais solidão.
Dai-me a alma dos poetas
mas não a sua sina.
mas não a sua sina.
O êxtase da paixão mas não o desencanto.
Deixai-me esculpir vida nas estátuas frias
desenhar paixões a esvoaçar nos varais
ou nos parapeitos das janelas
dos amantes encobertos.
Pintar a tristeza da cegonha
que não migra porque partiu uma asa
ou da mãe que seca o rosto do filho
com os dedos molhados pelo seu próprio pranto.
Dai-me uma pedra em vez de coração!
O coração é pássaro de asa partida
que não migra e anseia a nova primavera
que apenas lhe trará mais solidão.
Dai-me a alma dos poetas
mas não a sua sina.
293
1
Murilo Porfírio
I-LXXX Jaezes de vida e morte
Como o fim de Lasses Birgitta, há o que me alerte nesta brisa.
Lido com isso impacientemente, gastando o que tenho de pedras e correntes.
A ambição que por pouco sempre me nota, faz-me temer as palavras tortas;
Tenha preparado o que já tenho orado,
mas os trechos que têm me ensinado, foram arrancados.
É irônico e fatídico, é, para mim, incompreensivo.
Se ao mundo dou as armas, sempre há quem as resgate,
como o destino que insiste ter-me como impasse.
Não há conformismo que me liberte de punição,
não há o que eu faça que te livra da condenação.
No fim sou eu quem não está são,
quem tem fortuna e apela para escravidão.
Maldita paixão, que te deu tamanho privilégio,
para que não note, e termine como incrédulo.
Lido com isso impacientemente, gastando o que tenho de pedras e correntes.
A ambição que por pouco sempre me nota, faz-me temer as palavras tortas;
Tenha preparado o que já tenho orado,
mas os trechos que têm me ensinado, foram arrancados.
É irônico e fatídico, é, para mim, incompreensivo.
Se ao mundo dou as armas, sempre há quem as resgate,
como o destino que insiste ter-me como impasse.
Não há conformismo que me liberte de punição,
não há o que eu faça que te livra da condenação.
No fim sou eu quem não está são,
quem tem fortuna e apela para escravidão.
Maldita paixão, que te deu tamanho privilégio,
para que não note, e termine como incrédulo.
67
1
André Medeiros
Conversando com as árvores.
Eu passei a acordar cedo pra despertar o dia
Depois que o homem substituiu Deus pelo algoritmo
Resolvi preservar o amor.
Guardei as pedras que atirava
Fechei os olhos para escutar melhor
E quando tudo parecia perdido
Tua voz soprou das arvores
E sussurrou com calma:
Nada termina antes que a vida acabe, enquanto fizeres o que será.
Depois que o homem substituiu Deus pelo algoritmo
Resolvi preservar o amor.
Guardei as pedras que atirava
Fechei os olhos para escutar melhor
E quando tudo parecia perdido
Tua voz soprou das arvores
E sussurrou com calma:
Nada termina antes que a vida acabe, enquanto fizeres o que será.
204
1
Francisco José Rito
TODOS OS DIAS TE REGO
Guardei o teu rosto
na gaveta do peito
retrato imaculado, jovial
sem marcas de vida
ou de penas.
Guardei o teu cheiro
na pele dos sentidos
fecho os olhos e
cheiras-me a arroz doce
com limão e canela.
Guardei o teu nome
à porta do tempo, onde
os anos não principiam
nem acabam
apenas nos demoram.
Guardei-te onde se guardam
os incensos e outras prendas
todos os dias te rego
com gotas de alvorada
esperando que amanheças a sorrir.
na gaveta do peito
retrato imaculado, jovial
sem marcas de vida
ou de penas.
Guardei o teu cheiro
na pele dos sentidos
fecho os olhos e
cheiras-me a arroz doce
com limão e canela.
Guardei o teu nome
à porta do tempo, onde
os anos não principiam
nem acabam
apenas nos demoram.
Guardei-te onde se guardam
os incensos e outras prendas
todos os dias te rego
com gotas de alvorada
esperando que amanheças a sorrir.
49
1
A poesia de JRUnder
Único
Se lhe rouba o olhar, a lua, para fulgir o luar,
Se lhe furta a beleza, o mar, para mostrar esplendor
Se lhe toma o calor, o Sol, para seus raios lançar,
Deixe que lhe peça ao menos, alguns momentos de amor.
Perto da Lua, do Mar, do Sol, tão pequenino sou eu.
Mas creia minha adorada: O único... Completamente seu!.
135
1
magnoferreira
O Mar Na Piscina
Mar sem chão, em vão, sem pão...
Piscina com o mar na mão,
Piscina come o chão,
Piscina com alma do mar na mão,
Piscina com tudo na mão,
Piscina não ensina a mar não.
Piscina com o mar na mão,
Piscina come o chão,
Piscina com alma do mar na mão,
Piscina com tudo na mão,
Piscina não ensina a mar não.
30
1
allycia
Embrenhado
Será que ela pensa em mim como eu penso nela?
Sei lá, já me indaguei se exagero.
Talvez sim, talvez não.
Será que ela já falou de mim?
E eu ainda preciso esconder isso do mundo?
Posso estar me precipitando,
Mas adoraria que ela fosse meu precipício.
E nesse meu embrenhado me embramei
A ponto de te querer, sem nem bem lhe conhecer.
A.R / Faro - PT
07/12/2022
Sei lá, já me indaguei se exagero.
Talvez sim, talvez não.
Será que ela já falou de mim?
E eu ainda preciso esconder isso do mundo?
Posso estar me precipitando,
Mas adoraria que ela fosse meu precipício.
E nesse meu embrenhado me embramei
A ponto de te querer, sem nem bem lhe conhecer.
A.R / Faro - PT
07/12/2022
594
1
Francisco José Rito
INCOERÊNCIAS
Corremos na vida
como se a meta se fizesse
de palavras nunca antes ditas
ou de sonhos nunca sonhados
e no entanto o mundo compõe-se
de projetos inacabados.
como se a meta se fizesse
de palavras nunca antes ditas
ou de sonhos nunca sonhados
e no entanto o mundo compõe-se
de projetos inacabados.
226
1
Francisco José Rito
QUE IMPORTA?
Que importa
que a alma jaza acre e escura
na lassidão da espera,
se com sonhar-te apenas
tudo se irradia
e por ser-te
tudo se transforma?
que a alma jaza acre e escura
na lassidão da espera,
se com sonhar-te apenas
tudo se irradia
e por ser-te
tudo se transforma?
257
1
allycia
Brilho da dança
Vi seus olhos brilhando pra mim,
Me desmanchei nesse par de íris castanha.
Quando expeliu a fumaça do cigarro de sua boca,
Num gesto lesto,
Controlei meus súbitos impulsos.
Eu já não me lembrava de sentir isso há tanto tempo assim.
Quis te guardar em mim, te prender, te envolver,
Mas me contentei em tê-la ali,
Diante dos meus olhos que também brilhavam pra ti.
Três ou mais batidas meu coração errou,
Acho que enferrujou durante alguns anos nessa dança.
Depois de eu esquecer a coreografia, improvisei
Precisei sambar na ponta dos pés.
Tal sentimento visceral,
Reaprendi a dançar em sua frente.
Memorizei você.
Tu é tão linda.
Prendi você.
Tu é tão, tão linda.
Moldei melhor você.
Tu é tão, tão, tão linda.
Agora quero esculpir você,
Desenhar teu rosto com a ponta dos dedos,
De olhos fechados.
Ter memória exata para que você seja,
Parte da minha obra-prima,
Pintar tua beleza,
E se me permitir,
Dançar com você enquanto nossos olhos brilham.
A.R
07 de Dezembro de 2022.
Faro, Portugal
Me desmanchei nesse par de íris castanha.
Quando expeliu a fumaça do cigarro de sua boca,
Num gesto lesto,
Controlei meus súbitos impulsos.
Eu já não me lembrava de sentir isso há tanto tempo assim.
Quis te guardar em mim, te prender, te envolver,
Mas me contentei em tê-la ali,
Diante dos meus olhos que também brilhavam pra ti.
Três ou mais batidas meu coração errou,
Acho que enferrujou durante alguns anos nessa dança.
Depois de eu esquecer a coreografia, improvisei
Precisei sambar na ponta dos pés.
Tal sentimento visceral,
Reaprendi a dançar em sua frente.
Memorizei você.
Tu é tão linda.
Prendi você.
Tu é tão, tão linda.
Moldei melhor você.
Tu é tão, tão, tão linda.
Agora quero esculpir você,
Desenhar teu rosto com a ponta dos dedos,
De olhos fechados.
Ter memória exata para que você seja,
Parte da minha obra-prima,
Pintar tua beleza,
E se me permitir,
Dançar com você enquanto nossos olhos brilham.
A.R
07 de Dezembro de 2022.
Faro, Portugal
537
1
Murilo Porfírio
I-LXXXII Jaezes de vida e morte
Minha alma voltou a dar-me palavras,
algumas piores do que as resguardadas por raiva.
Soa fatídico deixar de caminhar, mas não temi,
pois dormi enquanto caí.
O mundo terá que me pôr de volta à vida,
se tem gostado da brincadeira, da euforia.
É uma má ideia, é péssimo dizer:
Mas sinto falta dos reis que me viram crescer.
Eu não preciso de tanto, tampouco pouco,
tenho o que me tem possuído há anos,
tomando a liberdade do que me dá comandos.
Assim já não sou exemplo, não sou pupilo,
mas estou certo de ser alguém que se fez por castigo.
algumas piores do que as resguardadas por raiva.
Soa fatídico deixar de caminhar, mas não temi,
pois dormi enquanto caí.
O mundo terá que me pôr de volta à vida,
se tem gostado da brincadeira, da euforia.
É uma má ideia, é péssimo dizer:
Mas sinto falta dos reis que me viram crescer.
Eu não preciso de tanto, tampouco pouco,
tenho o que me tem possuído há anos,
tomando a liberdade do que me dá comandos.
Assim já não sou exemplo, não sou pupilo,
mas estou certo de ser alguém que se fez por castigo.
100
1
clovis
Barroco Moderno
Barroco Moderno
Do barro veio o louco
E do louco o morderno
O moderno é barroco
E o barroco é moderno
Se sou louco
Outrora moderno
Tú és barroco
Dentro do teu terno.
CR
Do barro veio o louco
E do louco o morderno
O moderno é barroco
E o barroco é moderno
Se sou louco
Outrora moderno
Tú és barroco
Dentro do teu terno.
CR
38
1
Murilo Porfírio
I-LXXVI Jaezes de vida e morte
Me nervo sempre que me dou um sonho.
Perdi minha última vida por uma espada presa à rocha,
e hoje queimo no verão de Mali, sob armas em minhas costas.
Nunca fui pai, jamais fui filho, mal tenho sido alguém que me identifico.
Um dia minha alma não dependerá deste coração.
Ofenderei a vida sem consequências,
e irei rir do que mais fez-me sucumbir nas urgências.
Serei, eu, o monstro das próximas mitologias,
inspiração dos aventurosos egoístas.
Se serve de consolo aos irmãos separados pelas artimanhas da sorte,
a arte jamais deixou-me viver, fez-me roubado por tantas mortes.
E aos discípulos sem casta, oriundos de vidas desvairadas,
que se veem sob minha raça, que o destino lhes refaçam.
Pois há muito no consumo e pouco no consolo,
e que tenham fé em meus pobres rumores,
para que, do mundo, eu leve menos rancores.
Perdi minha última vida por uma espada presa à rocha,
e hoje queimo no verão de Mali, sob armas em minhas costas.
Nunca fui pai, jamais fui filho, mal tenho sido alguém que me identifico.
Um dia minha alma não dependerá deste coração.
Ofenderei a vida sem consequências,
e irei rir do que mais fez-me sucumbir nas urgências.
Serei, eu, o monstro das próximas mitologias,
inspiração dos aventurosos egoístas.
Se serve de consolo aos irmãos separados pelas artimanhas da sorte,
a arte jamais deixou-me viver, fez-me roubado por tantas mortes.
E aos discípulos sem casta, oriundos de vidas desvairadas,
que se veem sob minha raça, que o destino lhes refaçam.
Pois há muito no consumo e pouco no consolo,
e que tenham fé em meus pobres rumores,
para que, do mundo, eu leve menos rancores.
89
1
Francisco José Rito
VENS?
Quando te achares só
e de mim sentires saudades
lembra-te das mil vezes
que desejámos morrer de beijos
por considerarmos ser essa
a melhor forma de morrer.
Depois olha à tua volta
e aprecia os azuis que te circundam.
Verás que um é o céu
onde te escrevo os meus recados.
Outro é o rio que nos separa.
Outro é a minha mão que te acena.
Outro são os beijos que te sopro.
Dirás tu
que as mãos não são azuis.
Que os beijos não são azuis!
Meu bem, se é chegada a hora de morrer
que importa a cor da mão que nos leve
ou dos beijos que nos matem?
Vens?
e de mim sentires saudades
lembra-te das mil vezes
que desejámos morrer de beijos
por considerarmos ser essa
a melhor forma de morrer.
Depois olha à tua volta
e aprecia os azuis que te circundam.
Verás que um é o céu
onde te escrevo os meus recados.
Outro é o rio que nos separa.
Outro é a minha mão que te acena.
Outro são os beijos que te sopro.
Dirás tu
que as mãos não são azuis.
Que os beijos não são azuis!
Meu bem, se é chegada a hora de morrer
que importa a cor da mão que nos leve
ou dos beijos que nos matem?
Vens?
94
1
Murilo Porfírio
I-LXXII Jaezes de vida e morte
No fim dos tempos, procuro por quem
intente viver neste descontento.
Se há salvação no único mal do coração,
que eu caia em tentação, e perca-me neste abrigo
apertado e restrito, mas sem dimensão.
É loucura pensar na lonjura, pois perdemos vidas carregando repulsas,
e andamos de bom ou mau grado, e insistimos correr do acaso.
Como se a alguém a vida pendesse ao bem,
e à ventura, sobrasse o caos das dúvidas:
É genuíno o amor que sinto, é evidente que sou carente,
inevitável o fracasso dos bens escassos, e a morte de meu ente amado.
Então se por ventura livrar-me do paraíso, que eu esteja contigo.
Pois lembro-me das vezes que juraste ao infinito:
cada mal a mim, far-te-ias mais cravado ao canhoto amigo.
Amo-te com medo, e como já padeço,
resta-me o tempo que me arrasta ao desfecho.
intente viver neste descontento.
Se há salvação no único mal do coração,
que eu caia em tentação, e perca-me neste abrigo
apertado e restrito, mas sem dimensão.
É loucura pensar na lonjura, pois perdemos vidas carregando repulsas,
e andamos de bom ou mau grado, e insistimos correr do acaso.
Como se a alguém a vida pendesse ao bem,
e à ventura, sobrasse o caos das dúvidas:
É genuíno o amor que sinto, é evidente que sou carente,
inevitável o fracasso dos bens escassos, e a morte de meu ente amado.
Então se por ventura livrar-me do paraíso, que eu esteja contigo.
Pois lembro-me das vezes que juraste ao infinito:
cada mal a mim, far-te-ias mais cravado ao canhoto amigo.
Amo-te com medo, e como já padeço,
resta-me o tempo que me arrasta ao desfecho.
98
1
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