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Lista de Poemas

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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Delírios da saudade


“Ouço passos pela casa, mas estou só!
Atravessam a sala de estar
E começam a subir as escadas.
Encolho-me sob as cobertas. Sinto gelar-me a espinha.
Agora, ouço caminhar pelo corredor. 
Para em frente a porta do quarto...
Está trancada, mas a casa toda está!”
 
Toda noite, é assim...
Deito-me... Esqueço de mim
E penso somente nela.
Por vezes, subindo a escada, 
Em outras, olhando à janela.
 
Chega a deitar-se ao meu lado, 
Sinto o colchão ceder...
Posso sentir seu perfume
Suave, me envolver.
 
Delírios da saudade, 
Pesadelos das lembranças.
Sei que jamais a verei, 
Mas nunca perco a esperança...
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prosa609

prosa609

A Voz

A Voz

Cantos rebeldes 
Em flor de janela e luz
Que se tornam no beijo 
Salgado e entornado nos lábios Azuis cromados 
Onde chamas vontade
De roxo silêncio
Se entregam ao mar negro 
De tão jovem ser voltado 
Para o céu pássaro 
De fogo e vermelho.
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Luzes do outono

Eram pálidas as luzes do outono.

Mal se conseguia notá-las através das copas emagrecidas das jabuticabeiras do pomar.

No ar um certo “quê” de melancolia pairava.

Meus olhos marejados de expectativas fixavam-se no caminho sinuoso, de terra batida, que perdia-se por detrás dos morros.

A mesma e velha agonia que não me deixava em paz e dia após dia fazia renovar em mim a esperança de vê-la voltar.

Ah! Saudade, saudade...

Em teus braços tenho passado as noites e minhas lágrimas já não conseguem trazer o consolo de que tanto preciso.

Que dor é essa que arranha a alma, apunhala o coração e sangra em desejos cor de sangue...

Ah! Vida, vida...

Esvai-se em minhas mãos e não tenho forças para detê-la, para ter ao menos mais um dia...

Um dia para sonhar, um dia para voar em pensamentos e imaginar seu vulto aparecendo

na última curva da estrada, onde meu olhar possa alcançar...
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pmariabotelho

pmariabotelho

És tu que preenches a nossa alma de paz.

Tu preenches a nossa alma de paz.

O nosso olhar ganha visão periférica 

Tu és poderoso e nós pequenos

Mar e grãos de areia.

Revivemos quase sempre o verão.

Os mergulhos pelo fim da tarde

Quando todos recolhiam a toalha da praia, nós chegávamos. 

Mergulhávamos sem medo nas tuas águas frias

Em cada onda o corpo trespassava o teu por inteiro 

Sensação de liberdade 

Depois, ficávamos ali na areia fina da praia para ver o sol cair no mar

As gaivotas rodopiavam por cima das nossas cabeças

um frenesim faminto de peixe agora migalhas de pão

Não existe alma viva que não te admire e te tema

Que te respeite e admire

Caminhadas e longas conversas sobre a essência das coisas, 

E a essência sempre esteve lá

 

pmariabotelho

04032023 temponovo

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Francisco José Rito

Francisco José Rito

FOSSES TU SERRA

Fosses tu serra
e eu subiria ao cume mais alto
para espreitar o infinito nos teus olhos
ou catar estrelas nas tuas faces ruivas

bradaria aos céus os versos que me inspiras
pássaros nadando no veludo dos teus lábios
peixes voando nas tuas mãos abertas
crianças brincando no azul dos teus sonhos

fosses tu serra
e eu seria primavera. E em ti pintaria
páginas de vida, antes que o inverno
caiasse o oiro dos teus cabelos.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

ÉS A VIDA A ACONTECER

És a mão que pousa no meu peito
a sossegar-me
qual colo de mãe que embala 
a inquietação que chora.

És os dias que correm desvairados
rumando ao fim da estrada
onde me aguardam os mais belos sorrisos
e o cumprir de todas as promessas.

És o azul que me inunda a cama
azul-céu, azul-pele, azul-felicidade 
és orgulho a florir em cada esquina
és louvor a cantar por toda a parte.

És a vida a acontecer
envelheço ao som das nortadas
do bater de asas das gaivotas
da lamuria de um mar
órfão de barcos e de homens 
qual colo de mãe que chora
órfã de uma inquietação para embalar.
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Me gusta En espanol

Me gusta la poesía y no sólo.
Amo la musica.
Me encanta la vida.
Me gusta la naturaleza,
Me encanta el mar y su belleza,
la arena y el sol, las rochas y sus colores
me encanta el cantico de las gaviotas,
y de los mas ferozes predarores.
Aprendo de la sabiduría de los mayores.
Admiro a los animales y si los observamos
aprendemos a ser más humanos.
Amo la paz, la tranquilidad, la calma,
porque mis pensamientos ya me bastan
de lo tanto que son agitados.
Me dá rabia la mentira, creo que por mucho que nos hiera
la verdad es siempre la mejor manera.
Odio la traición, la deshonestidad, la futilidad.
Amo a las personas que sonríen con los ojos.
que muestran todos los pensamientos
y sentimientos a través de sus miradas,
me encanta vivir sin pensar en águas pasadas.

Lucerna, 01/03/2023, João Neves.
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Em minhas mãos


Em minhas mãos calejadas, carrego meu passado,
Seguro as esperanças que ainda sobrevivem,
Abraço o futuro que um dia sonhei ter.
 
Nestas mãos, seguro a linha do tempo,
Não quero ficar só, sentado em um banco
Nesta estação onde o trem segue os trilhos do destino.

 Minhas mãos levam o peso dos anos passados,
Das amarguras vividas, dos anseios esquecidos.
Levam a decepção do que nunca consegui ser.

Em minhas mãos  levo o descompasso da vida,
Os desejos que ainda aquecem meu corpo,
As saudades que ficaram das raras visitas da felicidade.

Em minhas mãos vazias, guardo cartas de amor,
Aquelas que nunca escrevi e as que nunca recebi.
Levo os sonhos que se tornaram realidade.

Em minhas mãos, levo o resumo da vida.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

FASCÍNIO

De grãos de areia
construo a nossa casa.
De frutos ruivos
visto os nossos dias.
Grão a grão, pétala a pétala,
embriago-me do fascínio
que é viver para ti.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

FLUTUA NO OURO DOS DIAS E SORRI

Viaja até onde te leve a imensidão do olhar
e não pernoites aonde não sonhares.

Planta a semente no húmus da alma
e espera que os sentidos floresçam
embalados pelos aromas da tarde.

Flutua no ouro dos dias e sorri
enquanto o mar tece as ondas
que faltam para naufragares.

Corre tudo o que puderes
pinta-te de todas as cores
mas depois sossega, respira e ama
pois é ao fim do caminho
que os afetos se agigantam.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

BOA NOITE AMOR

O azul atordoante da tarde
invade as horas que me faltam
para enlouquecer.

Em breve serei sacrificado
no altar-mor da purificação.
Treze virgens arrastar-me-ão
por becos de luxuria
nu como o milhafre
que sobrevoa a praia
no latejar do crepúsculo,
disfarçado na transparência do mar.

Depois a lua galopará
pelo meu corpo
o vento soprará tresloucado
nas veias sofrerei tempestades
tsunamis e naufrágios
e no ventre mil punhaladas
de todos os amantes que traí.

E assim, em carne viva
despojado de todos os pudores
deixarei que me possuam
que me esquartejem e me suguem
as últimas gotas de sangue e de sémen
antes que a maré me arraste e me devolva
ao conforto dos teus braços.

Boa noite amor!
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Sou capaz de te deixar viver em paz...

Meu amor, ainda iluminas este lugar,
nem imaginas o quanto é tanto é tanto.
Pelo que foi o nosso amor eu sou capaz,
de deixar-te viver pra sempre em paz.
Nunca te lembras, quando dançavamos na cozinha
ou mesmo a luz da vela,
onde eu acariciava teu corpo cor canela.
ou quando me dizias ao ouvido
"te amo meu querido",
Te expressavas num quero uma flor,
é a flor do teu amor.
Nem era preciso aneis de ouro ou prata
podia ser mesmo um anel feito de lata.
Luxo não era importante,
mesmo sem champanhe ou caviar
o nosso único lema era amar e amar.
Sem dinheiro sabíamos o significado de muita coisa,
e hoje saber que ainda pensas em mim
é mais que suficiente, amo viver dentro da tua mente.

Luzerna, 26.01.2013, João Neves.
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Moacir Luís Araldi

Moacir Luís Araldi

Voz da natureza


O rio que brinca em mim
É infantil
É límpido 

Águas saudáveis
que nem sei poluir 

Coaxam as rãs animadas
A voz humana silencia
Sento-me à sombra marginal
extasiado a observar:
- Náiade não há - 

A voz da natureza
muito tem a nos ensinar.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

O QUE FUI REINVENTOU-SE

Dói-me o corpo em brasa
de planar sobre a lava quente
do vulcão que sou, em erupção

o que fui esqueceu-se de o ser
nada mais me habita
do que o prazer de levantar voo
quando outros querem manter-me
de pés amarrados à muralha

o que fui reinventou-se
o que devia ao mundo
paguei-lhe com esta vontade de viver
mesmo quando a vida é um saco de nada
atirado para os fundões da incerteza.
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leandrofj0

leandrofj0

Desisto

Desisto,
De tudo o que tenho
De tudo o que sonho
Para quê este empenho
Se depois não sei onde o ponho

Desisto,
De viver assim
Este mundo estranho
Nada muda em mim

Desisto,
De tentar entender
As pessoas inúteis
Que não me conseguem perceber
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

HAVEMOS DE SER SEMPRE MUDANÇA

Que sabemos da nudez do sol
que se espreguiça à flor da nossa pele dolente
sem saber com que voz choramos os íntimos prazeres?

Que sabemos do temor
que nos impele o ávido desejo
de sermos felizes depois da tempestade?

Que sabemos do pranto
dos lençóis da cama naufragada
nas tormentas de todos os bojadores?

E de nós? Que sabemos de nós?
Que a cada amanhecer regressamos ao inferno
de cabeça pousada na almofada de arame farpado
urdida a ferro e fogo e a sonhos desfeitos.

Sabemos que para sobreviver teremos de ser mudança.
Que havemos de ser sempre mudança!
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AurelioAquino

AurelioAquino

Paisagem marinha

o pescador,
semeando a jangada,
planta um mar pela face
desdobrando a paisagem
as ondas, dançarinas,
no regaço das horas,
molham peixes e sonhos
no vão das demoras
as nuvens, tangendo o céu,
inventando telas,
montam todos os ventos
como para abraçar a vela
o pescador, grávido do tempo,
deixa a eternidade à espera
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

A Morte não é nada é apenas uma simples troca de morada

"A Morte não é nada
é apenas uma simples troca de morada"
Apenas passei pró outro Mundo,
que dizem que é a morado do defunto.
Contínuo a ser pra ti tudo aquilo que és pra mim.
Trata-me como sempre me tratas-te,
fala-me como sempre me falaste.
Nunca mudes o tom da tua voz,
pra um triste ou solene clamor,
Continua rindo e falando-me de amor.
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo,
que eu rezarei aqui do meu jazigo contigo.
Fala muito de mim, mas sem realçar nada,
diz apenas que era forte como a pedra duma calçada,
O amarrilho da união não se quebrou,
só jogamos às escondias e tu não me encontrou.
Não estou longe meu tudo, minha amada,
estou no fim dessa que foi a nossa estrada.
Imploro a Deus pra que fiques bem
e tu reza por mim também.
Quando a brisa soprar forte, receberás um beijo meu,
com o mesmo vento, quero sentir na minha face um beijo teu.
Até já meu amor...

Luzerna, 10.02.2023, João Neves.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

UM BREVE SEGUNDO

Um segundo
é o tempo que demora o sorriso
a florescer-te nos lábios

num segundo
as palavras voam-te da boca 
e circundam-me, mandarins coloridos 
cantando ao desafio com os raios de sol
que te arruivam o rosto

um breve segundo
lapso de tempo em que mergulhas
no azul dos meus dedos 
e o teu corpo desabrocha
como as hortênsias de maio.
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

O aroma da saudade


Eram portais de flores virtuais,
como assim é a imaginação.
Eram apenas sonhos,
formados no ar como fossem brisas das manhãs.

Eram visões fantasiadas de esperanças
que bailavam em devaneios.
Eram o nada,
mas tudo o que se tinha a oferecer.

Dos amores verdadeiros,
só se sabem os segredos que o tempo possa contar,
Porque é no tempo
em que eles revelam suas essências.

Da vida que não se viveu,
não se guardam lembranças...
O amor que não se fez,
não deixará no ar, o aroma da saudade.
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

E ASSIM NASCE O POEMA

A bruma
polvilha de prata
a melancolia da noite

a saudade entra
pela janela aberta
a soluçar queixumes 
ao ouvido do poeta

e assim
inevitavelmente
nasce o poema.
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Murilo Porfírio

Murilo Porfírio

I-LXXXIV Jaezes de vida e morte

Perdi tudo que me deu o mundo,

corri para o fim a fim de dizer-lhes muito:

Pouco respeito, muito castigo,

por que fazer de mim perda

de um tempo infinito?

 

Se só perdoo para que me perdoe,

por fazer de mim mais do que pretendi quando nasci,

por sofrer estando na média, por chorar na morada,

e mal engolir a comida que é dada.

Falando assim, até soa ter sentido o que fazem por mim.

Até mostro perceber, sem querer, que meu maltrato é mais

por dizer do que por viver.

 

Queria ir-me sem ter que escrever, mas é ingratidão

que me puxa o chão. Pelo menos, por honestidade,

digo como as coisas são, temendo não ser digno

de um fim ainda com paixão.
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eduardo23454

eduardo23454

Dúvida

Só queria entender,
Qual é a nossa missão?
Se o nosso futuro é curto,
Em cima desse mundão.

Queria entender mesmo,
Por que merecemos isso?
Cada um tem um trabalho,
E vive cheio de compromisso.

Esse mundo é tão estranho,
Será que o fim também é aqui? 
A sociedade tá tão fria,
É cada um por si.

De que vale o amor, 
Sem ter a compreensão? 
É difícil demais,
Entender esse mundão.

A nossa sociedade, 
Vive muito na frieza,
Não se ouve mais alegria,
Todo local só tem tristeza.

Mas que um dia isso tudo, 
Ah de ficar só num papel, 
Porque Aquele lá de cima, 
Nos abençoe lá do céu!
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

ABRAÇO AS PALAVRAS QUE DEIXASTE

(a Eugénio de Andrade, no dia do seu centenário)

Os teus versos despertam-me a alma
entardecida. Doiram-me o olhar
como os malmequeres no chão de abril

fecho os olhos e distingo-os
no chilrar dos melros nos ciprestes
cantando ao mundo os teus amores
e outras dores

abraço as palavras que deixaste
guardadas nos ninhos de andorinha
à espera do beijo que faça a primavera
acontecer nas bocas que não beijaste.
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