Escritas

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mariana016

mariana016

o ego ferido

Eu estava na chuva
Eu gostava dela
Derepente a chuva foi embora...
Ela regou outros jardins...
Outras flores..
Mesmo que eu não precisasse da chuva eu queria ela la, regando minhas flores
O tempo passou...
Outras chuvas, outros temporais passaram e regaram o meu jardim
Eu não precisava da chuva dele 
Eu nem mesmo precisava dele
Mais ver ele regando outras flores e outros jardins...
Isso me enlouquece 
Mas...
Se eu não gosto dele... e não preciso dele 
Por que não consigo ver ele regando outras flores?           
Talvez eu só queria que ele continuasse apenas no meu jardim
Isso soa egoista?
Sim! e eu sei que na verdade isso é muito egoista 
Por que se eu nem mesmo gosto dele eu deveria ficar feliz por ele ter outros jardins que gostam dele e de sua chuva 
Eu queria poder dizer que não sei porque tenho esses sentimentos 
Mas na verdade eu sei que fico assim porque quando ele me deixou...
Quando ele foi embora do meu jardim 
Ele me deixou com...
O ego ferido 
Eu só nao entendia o porque dele ir embora 
Mesmo que ele não tenha me deixado completamente...
Até porque nós ainda somos amigos 
Toda vez em que ele me ve e que eu vejo ele nós sorrimos um pro outro 

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Teka Castro

Teka Castro

Outro sim, sacrificado

Outro Sim, sacrificado

Valha-me, ó Senhor!
Possue-me, ó altíssimo!
Considera-me, amigo!
A dor incalculável me afasta de Ti,
Os preconceitos, os verbos, os afazeres, a rebeldia, tudo.
Que farei eu?
Segurar em Tuas Mãos, como se já não possuo as minhas?!
Dizer si, foi fácil, mas sacrificou-me a alma;
Dilacerou-me o corpo;
Enfim, multilou-me as travessias e me fez reencarnar no ato involutário de meu ego.

Manuscrevi em 12/1/1988 e refiz em 26/1/1988.
Hoje 19 de março de 2024, dia de São José, transcrevo para esse site.
Ofereço com carinho a minha caçula Anna Clara e seus irmãos.
A minha família no Brasil e além mar, em Portugal. 
E, aos familiares de 2ª, 3ª, 4ª geração, que não me conhecem, mas que moram em meu coração.
Façamos como Maria, digamos Sim aquilo que o Deus altíssimo quer de nós! 
Paz e bem.
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josué Toledo Zawadzki

josué Toledo Zawadzki

velho pastor

Pastoreio esses campos desde jovem;  
As ovelhas de que cuido estão sempre alimentadas e bem cuidadas;  
Afasto os lobos quando eles tentam algo com o meu rebanho;  
Protejo minhas ovelhas como deveria proteger;

Todos os dias conto cada uma para garantir não perder uma;  
Essas não são minhas ovelhas;  
São as que o Senhor me confiou;  
Como posso descuidar-me com elas;

Todos os dias Lhe bendigo;  
Todas as noites Lhe agradeço;  
Faço isso sempre;  
Pois o Senhor é o melhor pastor;

Quando está ao meu lado eu não tenho que temer os lobos;  
Temer a falta de pasto para que elas possam se alimentar;  
Ou temer a perda de uma delas;  
Pois sempre que clamo Seu nome.

Sempre que agradeço Suas bênçãos;  
Sempre que sigo vossa vontade;  
Eu sei que comigo;  
O verdadeiro Deus está;

E ao seu lado;  
Nada temo.  
Ass,  
Velho pastor de ovelhas.
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*

Ademir D.Zanotelli *Poeta*

Poemas e Poesias.

" Os Imortais "

Já tem muito tempo
que busco na memória
de nossos pais... suas
lutas de sobrevivência,
neste planeta que já foi
terra e que hoje é mundo.

Havia neles um faculdade
de inocencia e bem querer...
acreditava na bondade e tambem
na honestidade dos homens.

Já tem muito tempo
que busco na memória
de nossos pais... sua idas
e vinda para o trabalho nos
cafezais.

Na época da colheita , eram
ainda bem jovens... pegavam
balaios e mais balaios de frutos
 avermelhados ; que eram doces
 e bem fortes - pesados para fazerem
 seus cafés matinais.

Iam para a cidade para vender
em lombos de burros , seus frutos
abençoados e bem reais.

Somente quando já adultos e
 com idades já avançadas; nota
 ram a diferença dos homens honestos
 e mal carater , piores que animais.

Criaram oito filhos, mas um morreu
 bem colo de Papai; ele chorou na
 carroceria de um caminhão... onde
 o corpo do menino dormia , como
 um anjo em noites de Natais.

E Finalmente eles se foram ... dormir
na eternidade... cansados de viverem
 em mundo já tão desiguais.

Aqui vai... a saga de um casal que
 foram jovens-adultos-homem e
 mulher ; agora imortais.

Ademir o poeta.

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mcegonha

mcegonha

Semente de amor;

Tudo o que sinto é sentir;

Verdade confirmada,

pedra ascendente em tom compreensivo;

Que estar; Que deslocar;

Vida sem amor; Não é vida;

Semente sem ser amada,

não dá fruto;

Dias e noites de chorar;

Secam a fonte de amor;

E bem-estar;

Semente plantada sem amor;

Acaba sempre por secar;

Coração, para ser coração;

Temos de o aprender a regar;
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Mairon

Mairon

Vela Vida

Foi na Baia Encantada,
Entre o mar e a estrada
Que eu pensei em mudar

Vendo um barco a vela tão bonito
Com seu nome feminino
Na sua poita balançar 

Quem sabe, conhecer o Brasil inteiro
Partir num belo veleiro
Ter histórias pra contar

Ir, com ventos de esperança 
Num oceano de bonança
Pra algum amor encontrar

Mas logo vi que sou da terra
Bicho grilo, do pé da serra
Que não aprendeu sonhar

Que vive num mundo de guerras
Onde a paz que se espera
Só alguns podem alcançar 

Acorde, você não é mais menino
Já badalou o sino
Vê se volte a trabalhar 

Assim, quem sabe um belo dia
Com alguma economia
Você possa velejar

Sim, ter o seu próprio veleiro 
Como fiel companheiro 
Pra sua popa batizar
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rasecjcf

rasecjcf

Seu Amor me faz homem

Quisera eu, ser dono do mundo,
apenas para realizar teus desejos
até mesmo os mais profundos.


Quisera eu, ser dono do tempo,
para que ao seu lado o dia parasse
e fazer parar também todo lamento


Quisera eu ser um poeta e lhe escrever
lindas palavras de amor


mas não sou dono do mundo nem do tempo,
não sou bom com as palavras nem com poemas.
só sei te amar, e quando amo me sinto
o dono do mundo o e do tempo, capaz de realizar
todos os seus desejos nem que seja por um momento.


ao beijar-te os lábios, me sinto simplesmente o homem
mais feliz do mundo, forte e imponente capaz de conquistar
tudo. Um mundo de sonhos.


mas quando se vai me sinto só 
e novamente incapaz 
até mesmo de ter paz
com você ao meu lado, posso tudo
até mesmo dar-te o mundo...
o meu mundo.
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Andressa Vitoria

Andressa Vitoria

Zacarias 3

Veja, levante seu olhos 
Levante seus olhos e veja 
Nao deixe que o orgulho te cegue 
Erga sua cabeça 

Olhe para o espelho
Veja sua vergonha, seu desprezo 
 Passe os olhos em suas macelas 
Observe quão caro são suas parcelas

Nao, não feche seus olhos com raiva 
O preço ainda esta na sua cara 
Veja quão suja es tu, moca
Leia em voz alta a morte escrita na sua boca 

De repente então, seu olhar muda de posição 
em vez de olhar pra culpa, ela olha pro perdão
ela sente a alegria invadindo o coração 
A luz do amor traz restauração 

A palavra rouba seus olhos da morte 
Ela não precisa mais contar com a sorte 
Ainda que a dor ainda a cerque 
O amor corre a Ela, e não ha nada que o impede. 

Então, filha veja: 
Eu tirei de voce as manchas do pecado  
E te vesti de linho puro 
O preço ja foi pago 

Agora olhe novamente,
e se exergue através das minhas lentes 
Veja como eu fiz tudo novo 
Sua alma, seu corpo e sua mente. 











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Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Reflexão Feminina

A mulher deve ser o exemplo
do mais puro recato,
Intimamente, ela deve ser o seu
mais refinado desacato.

É um crime imperdoável
obrigar a mulher ficar
preocupada em ser bonita.

A mulher não deve 'abandonar',
e tampouco esquecer: 
a obrigação de toda a mulher
é ser leal aos seus princípios;
isto é, leal ao seu amor...

A mulher doce e indelével
sabe como ninguém
que foi desenhada divina.

Para ser escrita na história
e ser digna do seu louvor;
Vista tanto como poesia
e um santuário de oração.

A mulher merecedora de ti
deve ser um balneário de luz
para trazer-te tranquilidade.

A obrigação da mulher em si
não é ser bonita...,
Mas ser eterna o suficiente
para ganhar o seu coração.


07/02/2014
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kalil9898

kalil9898

Delírio

eu olho pro lado
pra cima
pra baixo
pra dentro
pra fora
não entendo NADA

não reconheço
não memorizo
não me importo
não é o começo.

ninguém por dentro
é igual por fora
ninguém por fora
é igual por dentro
se tem coentro
eu jogo fora
se tem amora
eu jogo dentro
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Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Poesia Materializada



O amor goza de critério 
seletivo e exigência,
Ele aguarda você 
com todo o sentimento
Para flutuar na infinitude 
da coragem de amar,
E na graça da urgência 
de tê-lo aqui comigo;
Vou contando cada 
gemidinho engolido,
Não se esqueça que para amar 
sempre há tempo.

Não deixe-nos
cair em esquecimento
Estou aqui para 
fazer sol e chuva,
Sou uma mulher 
comportada, 
e que sabe ser tua,
Obediente às tuas 
ordens e teus costumes;
Para ser o teu riso, 
gozo e contentamento,
E beijar-te todo e viciar-se 
nas minhas atitudes.

O teu lindo abrir 
e fechar de lábios,
Lindo gesto que não 
se apaga, doce afago,
Em ti deixo o meu cheiro, 
fino rastro,
Que nem a maresia dissipa, 
e sim, denuncia:
Estou por nós decidida, 
és meu namorado,
És meu músico que 
a minha alma afina.

Invado-te com a ousadia, 
e entrego a minha ternura, 
Tens o meu amor,
o meu carinho e a minha loucura,
Sou na tua vida como 
a onda do mar provoca a areia,
Em linhas e com finíssimo recato,
você me incendeia.
Visão incomparável na Praia de Tambaba
 - iluminada,
Porque mais do que nudez, 
o teu corpo é poesia materializada.

22/11/2012
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bnicolau

bnicolau

Rio

Quão forte terá de ser a corrente para que te faça permanecer?
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GIRLEIDE TORRES LEMOS

GIRLEIDE TORRES LEMOS

Lavando com lágrimas

Lavando com lágrimas 


Porque no final, você sempre vai ser a pertubada que vai ficar chorando lavando os pratos.

E suas lágrimas irão completar a água da torneira que escorre e tira a sujeira.

Mas há uma diferença é que quando lavamos os pratos a sujeira sai, mas quando a gente chora, as vezes, a sujeira continuo.

Menina do sítio
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Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

O novo amor

Gire com força a roda do destino,
Vire a página com determinação,
Segue com coragem e valentia,
Admire o horizonte e a paisagem;
Torna o teu peito mansa paragem.

Cuide bem do teu coração,
Ele nasceu doce e perfeito...,
O outro amor não teve jeito,
O novo virá sem nenhum freio.
 
Dizer que amor menor existe:
- É uma enorme (covardia)!
Sorria se o amor se deu por findado,
Nenhum amor é (errado),
Só porque não foi correspondido;
Ele te deu é uma nova chance
Para que venha o amor infinito.

Trace um trajeto para o amor,
Ele precisa conhecer o teu candor.
Tire o passado do teu peito,
Assim o novo amor ganhará jeito.

26/07/2014
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Gian Luca Zancanaro Maffezzolli

Gian Luca Zancanaro Maffezzolli

Doce e Bela Dama (Douce Dame Jolie) - Guillaume de Machaut - Tradução

Doce e bela dama,
Por Deus, não penses
Que além de ti,
Outra me é soberana.

Sem traição em mente,
Querida
A ti humildemente,
Por toda a minha vida, 
Servi então
Sem pensamento vilão.

Alas! Que eu imploro
Em esperança e rogo
Da minh’ alegria será o fim,
Se pena não tiveres de mim.

Mas tua doce senhoria,
Meu coração,
Domina com rigor;
Ela o atormenta
E o acorrenta
Em grande amor.

Nada deseja meu coração,
Teu jugo quer somente;
O teu infelizmente,
Segue por outra direção.

Minha enfermidade,
Curar sou incapaz
Sem ti, doce inimigo
Que te apraz 
Minha calamidade.

De mãos juntas rogo
Ao coração teu, que m’esquece, 
Que mate-me logo,
Pois há muito definhou.
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Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Araranguá Poética

Ventos do Extremo Sul erguem
as areias, as conchas e as ondas,
poesia aberta pelas patas
das heróicas mulas dos tropeiros
ergueu-se e fez Balneário
Morro dos Conventos
por beleza, por agraciada natureza
por um povo cheio de grandeza
e foi escrita a Araranguá poética.

É no rio desaguando no oceano,
nas trilhas românticas
nas dunas bailarinas,
no penhasco poético,
nas falésias contemplativas,
no mágico Balneário Ilhas,
no farol do teu olhar me encontro
e na imensidão do mar
do teu amor eu me entrego.

Inscrição perpétua e sambaqui
trago em mim a vibração guarani,
xokleng me faço intrépida
e cerâmica poética do amor
eterno que passou e se perpetua
com a fé da tua gente originária
e com fé de quem veio de longe
e fez a primeira capelinha,
assim és a Araranguá infinita.

Pelas mãos indígenas, africanas,
europeias continentais e açorianas,
encantadoras prósperas e artesãs,
que enfrentaram o mar e por ti
se fizeram herança na lavoura,
na cultura na pesca
e na memória afetiva,
e por tudo isso e muito mais:
és a minha Araranguá poética.

12/04/2022
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GIRLEIDE TORRES LEMOS

GIRLEIDE TORRES LEMOS

Queria um amante

Eu queria uma amante, sim um amante...
Aquela pessoa que só no olhar desvenda meus desejos sexuais mais íntimos.
Que mesmo ao me tocar, num simples toque nas mãos te excita, só com o calor das mãos.
Faz tempo que não sinto mais isso... não sei como é mais...
Será que não sentirei mais isso?
As vezes busco situações que me levassem a sentir esse calor.
Vou com tanta vontade que me comporto igual uma pessoa que está com sede de água ao longo do dia.
E que ao se deparar com o copo d'gua, bebe tão rápido que termina se engasgando.
E ao invés do alívio, por estar matando a sede, o que sente é a culpa por ter bebido tão rápido.
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manuel messias

manuel messias

Certa vez!

Que me aceite,
nos meus erros e defeitos,
culpa, onde sou culpado,
verdade onde estou inocente.
Deus, és meu pai eternamente.
Semente podre, tem de ser destruída.
Matar, as tentações,
de uma carne pecadora.
Nada sou,
nada quero ser,
Sou criação de Deus,
filho do criador.
A Jesus entrego o meu ser,
para comigo, poder continuar a viver.
Que poderei fazer!
Jesus, minha fé, acreditar.
Todo o meu, esperança ser!


Seja
       feliz
              por favor!
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Fabiano F. Martins

Fabiano F. Martins

Teatro das Paixões

Não faz muito tempo, vi um vídeo muito interessante no qual um neurocientista renomado explicava o que acontece com nosso cérebro quando estamos apaixonados, afirmando que nessas ocasiões podemos dizer que a paixão faz com que nosso órgão da razão se comporte como se estivesse em um “estado de demência temporária”.

Acredito que quando a neurociência chegou a estas conclusões, pouquíssimas pessoas devem ter se surpreendido com elas. A Ciência, nesse caso, apenas explicou melhor como ocorre algo que todos nós experimentamos na prática algumas vezes na vida (ou muitas, dependendo da pessoa). No entanto, não quero dizer aqui que a obviedade da experiência tira a maravilha do conhecimento e da descoberta que a Ciência sempre nos traz. Apenas digo que se trata de uma constatação metodologicamente sistematizada de algo que já fora constatado de outras formas pela humanidade há muito tempo. 

Quem nunca ouviu, por exemplo, a canção “Por Você”, da banda Barão Vermelho, que diz “Por você / eu dançaria tango no teto / Eu limparia os trilhos do metrô / Eu iria a pé do Rio a Salvador [...]”. Haveria exemplo mais belo e didático de demência temporária do que esse?

O fato é que quando nos apaixonamos por alguém, nos dispomos a chamar a atenção dessa pessoa quase que a qualquer custo e, muito frequentemente, acabamos anulando quem realmente somos no esforço de agradar e se adequar às expectativas que a outra pessoa possui de nós. Tentamos desesperadamente identificar os critérios de valoração que a pessoa utiliza para qualificar alguém como “par perfeito” e, caso não nos enquadremos em tais critérios, nos prestamos ao inocente ridículo de tentarmos nos moldar às expectativas da pessoa desejada.

Forjamos em nos mesmos gostos que nunca tivemos, comportamentos que não fazem parte de nosso personagem social, valores e ideias que nunca defendemos e assim por diante. Traímos a nós mesmos em favor da atenção alheia. Desagradamos nosso eu para agradar o objeto de nosso desejo.

E apesar de haver em nossa sociedade muita romantização nesse tipo de situação, tratando esse comportamento como uma prova de amor ou algo do tipo, acontece que dificilmente ela pode ser sustentada por muito tempo. E é aí que começam os problemas.

Depois que o estado de demência temporária se “cura” e nosso cérebro volta ao seu estado habitual de consciência de si mesmo, nossa disposição para continuar nessa auto anulação vai se extinguindo gradativamente. Aquilo que contrariava nossa personalidade, mas que antes fazíamos de bom grado para ver um sorriso nos lábios do “mozão”, torna-se um fardo cada vez maior até chegar ao ponto de motivar brigas e até mesmo repulsa. E o outro, por sua vez, passa a não mais reconhecer em nós aquele que conquistou seu coração no início do relacionamento. Disso tudo se sucede, normalmente, o inevitável pé nas nádegas.

Quando não aguentamos mais sustentar o papel que inventamos para caber na história do outro e nos mostramos de fato é que descobrimos realmente se a pessoa nos ama. “Tira a máscara que cobre o seu rosto / se mostre e eu descubro se eu gosto / do seu verdadeiro jeito de ser” (como eu amo a Pitty, gente!). E não podemos esquecer de que, ao mesmo tempo, também estaremos lidando com a descoberta alheia, pois esse tempo todo, a mesma coisa estava acontecendo do lado de lá da relação. 

Bom mesmo seria encontrar alguém que se apaixonasse por nós exatamente como somos! Que gostasse até de nossos defeitos e que aceitasse exatamente o que temos a oferecer.

Mas sejamos sinceros: para que isso pudesse acontecer, deveríamos, minimamente, ter a coragem de ser quem realmente somos em nosso convívio diário com nosso próprio eu. Deveríamos saber ao menos quem somos. Conhecer e aceitar de fato o que tem pra hoje. Aceitar nossos defeitos, nossas fraquezas e estar em paz com tudo isso para, só depois, oferecer todo esse pacote de “mão beijada” para alguém. 

Tarefa complicada, não é mesmo? Será que alguém algum dia esteve totalmente preparado para se apaixonar e se mostrar integralmente para outro alguém?

Talvez o jeito seja seguirmos cantando como Fábio Júnior na canção “20 e poucos anos” e tentando eternamente equilibrar no teatro das paixões “o que a gente espera do mundo e o que o mundo espera de nós”. Certo, Lenine?
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Bruno Miguel

Bruno Miguel

Tudo que eu sei sobre o mar

Eu, que pouco sei sobre o mar, mal consigo descrevê-lo de outra forma além de poesia em versos – minha maneira de falar sobre o desconhecido, de divagar sem início, de parar sem encerrar.

Eu, que pouco sei sobre o mar, sei que a água é salgada, mas nunca entendi o porquê disto, tampouco a razão pela qual as ondas morrem na praia mas antes roubam as pegadas alheias.

Eu, que pouco sei sobre o mar, com cinco anos pensava que a cor d’água determinava seu humor; porque era algo tão simples que até as pedras na pulseira da minha mãe faziam.

Eu, que pouco sei sobre o mar, temia que em seu horizonte cada gota d’água fosse tão salgada quanto no raso, salgada como uma lágrima; e nossa lágrima, porque eu bem sabia que o choro do céu se distinguia na falta de sal. Minha mãe me tranquilizava dizendo: “se forem lágrimas, não serão suas, nem minhas, nem de qualquer outra pessoa que a gente ame”.

Eu, que pouco sei sobre o mar, via os navios quase caindo do mundo e rezava para que as pessoas que lá viviam parassem de chorar, na esperança de um dia o mar tornar-se doce, mesmo que isso significasse o fim do sal, dos salgadinhos e demais derivações.

Eu, que pouco sei sobre o mar, na mente odiava, na distância amava e na presença mergulhava no líquido inimigo do qual não se pode beber, apenas nadar. Quando via a espuma se espreguiçar na areia e traçar um risco de alvura por toda areia que beirava seu domínio, sentia medo.

Eu, que pouco sei sobre o mar, estranhava ver a vida marinha. Estranhava os crustáceos, os moluscos, corria das águas-vivas, do veneno fogo, e pensava que jamais poderíamos compartilhar o mar em harmonia, e que lástima seria, pois só havia céu, mar e terra — a última com suas próprias correntezas, ondas, profundezas e limites.

Eu, que pouco sei sobre o mar, achava a piscina contida era muito mais amigável, mas inacessível. O mar se apresentava como um abraço de imensidão, natural e ancestral, embora amaldiçoado pela mesma natureza das graças a ter uma correnteza incessável em cada movimento, nas brisas ou tempestades, um impulso de levar consigo algo além de passos e grãos de areia, roubar de seu fundo raso qualquer coisa em pé, fazer flutuar a vida alheia e ingênua.

Eu, que pouco sei sobre o mar, não sei nadar, mas aproveito o momento em que sinto o toque d’água correr em meu corpo, e na incapacidade de me esconder ou escapar, o frio vai lentamente se tornando calor, a ardência nos olhos vai cessando e vou me movendo como se soubesse nadar, mergulho como peixe, e sinto a água escorrendo por cada canto meu como se de fato, o mar inteiro fosse um choro, não mais como no medo de infância, mas como um prazer, um banho catártico, e a realização de que estranho seria se nós, que nascemos chorando, tivéssemos medo de chorar.
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Rafael Domingos

Rafael Domingos

CANTIGA DO MAR


CANTIGA DO MAR

Mar, doce mar
Que faz par
Com o céu azul...
Mar, belo mar
Seu azul que faz amar

Mar, cheiroso mar
No ar sinto o perfumar
Mar, inspira mar
Que inspirado vou poemar

Mar, grandioso mar
Sua onda quero remar
Mar, salgado mar
Com catinga à ribamar
Amar mar, mar amar
Canta cantiga do mar[...]

___ Rafael Domingos 🌻
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André Medeiros

André Medeiros

Propósito.


Há o caminho.

E o caminho que ninguém caminha.

 

Construído o passo, torna – se o andar

Percorrida a distância encontra – se o lugar.

 

E o caminho feito é mais importante

Que o ponto aonde chegar.
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Filipe Malaia

Filipe Malaia

Submersão

O som da tua chuva soava-me na alma
Abatia-se sobre o meu corpo como bátega ofegante
Na pele da tua cama, prado errante

Encharcado na memória do teu olhar
Inundava-me na torrente sem me debater
Adormecido no teu amanhecer

Porém, quando submerso, parti pelas águas
Com as asas que a enchente revelou
Foi só o som da tua chuva que ficou…
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Adriano Teles

Adriano Teles

Rumos

Que idiotice é essa,

de dizer que nunca desiste

de algo que começaste?

Que, uma vez tomada a decisão,

deve-se ir sempre até o final?

Qual o problema de, iniciado um projeto,

passar uma borracha e mudar todo o guião?

Por acaso te equiparas a um trem desgovernado

incapaz de parar ou de tomar nova direção?

 

Diga-me (agora!) que mérito há

em persistir numa trilha

cujo destino já não te agrada?

Se tua sina é de constante mutação,

por que teus desejos e teus sonhos

também não podem sofrer alteração?

Não notas que o que antes te movia

Tornou-se grades de uma prisão?

Até quando confundirás perseverança

com tua falta de esperança?

Vai, tu és teu próprio capitão!

Aponta tua proa, escuta teu coração!

 

Epahei Oyá!! Deixa essa ventania te guiar!

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