Lista de Poemas
Explore os poemas da nossa coleção
vanessa
O dia de amanhã!
Regina Maria de Souza Moraes
Salmo
É meu guia e meu conforto.
O amor que está em mim
Ilumina as trevas e afugenta meus temores.
O amor que está em mim
É minha força e faz tremer meus inimigos.
O amor que está em mim
Me alimenta e me conforta.
O amor que está em mim
Inunda-me com sua alegria e me faz cantar.
E, assim sendo, eu dou graças e digo aleluia
Pelo amor que está em mim.
Amém
paulinfantem
Última Sorte - Virei Passado
Talvez de manhã.
(Oh! Não me contem
Que isto foi ontem...)
Não sou notório,
Mas no velório
Eu não ter ninguém
Isto não convém.
Nos desencantos
Visitei tantos
Pobres defuntos;
Ficamos juntos,
Eu e a família...
Saudade ardia.
Ninguém agravo,
Se cherei cravo,
Rosa amarela...
Se vi arder vela
Junto do incréu
Que não ia pro céu....
Se perto dela
Pensava nela,
Nela, na morte -
Última Sorte.
Se levei caixão,
Fiz calo na mão;
Se com emoção
Chorei de montão...
Desfiz beleza,
Curti tristeza...
Mas tudo foi em vão:
Fui na solidão.
Neste hospital,
Onde passei mal,
Morri sozinho,
Nenhum carinho...
Abandonado,
Só, deste lado,
Triste, terreno...
Mas, do outro, ameno,
Anjos divinos
Em trajes finos,
Vêm me conduzir
Ao melhor porvir:
Dourada mansão -
Prêmio do cristão.
Combate lutei,
Minha fé guardei,
Carreira venci.
Eles estão aqui,
Anjos do Senhor,
Meu Consolador,
Me dão conforto
Enquanto morto.
Logo me despeço
De qualquer verso.
Nesta capela
Botaram vela,
Fizeram prece
Que não carece
P'ra quem tem Jesus -
Nossa maior Luz.
Velas queimadas,
Preces rezadas...
Tétrico lugar,
Onde fui parar...
Querem me salvar,
Eu que salvo sou -
Jesus me salvou!
Dentro do caixão,
Vou de rabecão
Pro necrotério
Do cemitério.
Chegam parentes
Com outras gentes.
Flores compradas,
Roupas trocadas...
Abriram o caixão
Com grande emoção:
Choram outra vez:
"Nós éramos seis!..."
"Volta paizinho,
Mais um pouquinho!"
Diante da morte
Há quem conforte?...
Só ressurreição
Nesta comoção.
Meu Jesus Cristo,
Se diante disto,
Se compadecia
De quem sofria
Em ver sem vida
Gente querida:
Os consolava -
Ressuscitava.
(A quem confiante
E suplicante
Pede com fervor,
Atende o Senhor.)
Enterram no chão
O meu coração...
Triste momento:
Sepultamento
Já foi concluído -
Sou um ex-marido.
Fui bom esposo?
Um pai amoroso?
Bom? Dedicado?
Dei meu recado?
Quem vai me dizer?
Eu posso saber?...
...................................
Após despedida,
A derradeira,
Voltam à vida,
Ainda sofrida.
Vida prossegue,
Não há quem negue.
Mulher já pensa
(E como pensa!)
No "meu" dinheiro...
Cabelereiro,
Roupas, beleza...
Oh! Que tristeza!
Eu que fui pobre -
Nem deixei cobre;
Só deixei pensão -
Direito da união.
.................................
Tempos passados,
Todos casados,
Nem sou lembrado:
Virei Passado!
paulinfantem
Gi
Poeta de mim
Será que não sou daqui?
Sou de um livro de fantasias?
Certamente não sou uma fada,
Nem uma princesa encantada,
Mas me sinto diferente...
Vivo muito intensamente,
Não vejo apenas o dia,
Vejo páginas, ilustrações.
Não condeno as ilusões.
Transformo problemas,
Ou os crio.
E resolvo como quero.
Erro, mas também acerto.
Tomei posse da minha história,
Da forma que sempre quis,
Sou autora e minha poeta,
E meu final é ser feliz!
Gizelle Amorim
Daniel Correia
Insónia
A noite é clandestina
da esperança,
Que os teus gestos acordam.
À janela
Do teu castelo branco,
Toda a pornografia
roubada
se mostra.
No medo da guerra,
Barulho
Em que tudo morre,
Os meus olhos são aves que pousam no teu peito.
Ao pé de mim, não dormes...
Stella Felippsen
QUEM É VOCÊ?
Que mexe com meus sentimentos
Que tira meu sossego
Que me envolve em pensamentos
Quem é você
Que em tão pouco tempo
Me abalou tanto assim
Deixando sua marca
Profunda em mim
Quem é você
Que não sai da minha cabeça
E não me deixa
Que me pediu a mão
Mas levou minha alma e coração
Você é aquele
Que me faz levantar
Todos os dias
Que me faz lembrar que minha vida não é mais vazia
Você é aquele
Que faz meu coração bater
Num compasso
Que não me faz sofrer
Você é aquele
Que é mais que um amigo
Talvez até um irmão
Mas já conquistou o suficiente
Para morar eternamente em meu CORAÇÃO
olharomar
olhos azeitona
Olhos de azeitona,
inquietantes
quem te olha
não mais esquece
esse sorriso
deslumbrante
esse fogo que nos aquece
essa tua maneira gaiata
de dizer olá
presente como sempre
a saudade ausente
pedindo repetidamente
...Hoje
não vás
todos os dias diferente
e sempre renascida
a saudade começa aqui
moendo lentamente
sentindo esse olhar
fugaz e penetrante
resgatar-te
a esse teu mar
devolvendo-te
à minha vida
http://rosadesangue.blogspot.com
azor
Ciclo do Guerreiro
sua espada baixou,
não por medo,
sim por convicção,
da face do guerreiro
duas lagrimas brotaram.
uma de saudade,
não de vencido,
outra de esperança,
não de temor.
a de saudade...
salgada, como um imenso oceano
revolto e inteiro.
a de esperança...
doce, como o sorriso
meigo e confiante
de uma criança.
as duas...
uma salgada, a outra doce
fundiram-se,
e da face do guerreiro
uma só lágrima rolou,
não de tristeza, nem de dor.
uma lágrima...
de esperança.
Gi
Barril de pólvora
Rumores, medos e valores,
Fantasmas que atormentam,
Fúria calada.
No silêncio a reflexão,
Pensamentos contidos,
Mágoas passadas,
Ouvidos condicionados,
Respostas adocicadas,
Ponderadas.
Muita opinião formada,
Arrogância,
Surdos por opção,
Juízo sem conhecimento,
Tudo ao mesmo tempo.
A tolerância sumiu,
Chegou no limite.
A explosão aconteceu!
Uma nova experiência...
Paciência!
Gizelle Amorim
maria
Esta noite fui tua
Esta noite fui tua
E o meu corpo
Cansado de esperar
Precisou-te até à medula.
Esta noite fui tua,
Mas não foram "tuas" as palavras
E porquanto foram.
Não atingiremos sozinhos o tempo das aves.
E não ignoro o silêncio
Nem a vontade de voar.
Esta noite fui tua
E as minhas asas planaram sobre tua cabeça
E o teu amor inundou-me de ti.
Esta noite fui tua.
Mas os meus flancos não sentiram tuas mãos.
E eu não consegui e fiquei nua, orvalhada e sozinha no chão.
paulinfantem
Devolva-me Para Mim
Sem nome nem retrato;
Não posso viver assim:
Acordei molambo de mim.
Já chega de me calar,
De ser mendigo-do-lar;
Sempre quis minha fatia,
Ainda que pouco valia.
Um querer desistindo...
Tudo me foi fugindo.
Não quero voltar atrás,
Atrás não se volta mais;
Mas agora estou afim
Disto que sobrou de mim.
Vou descer do cabide,
Ser gente que decide,
Que quer felicidade,
Que tem dignidade,
Que só quer ser aceito,
Que merece respeito.
Não quero mais agressão
Nem por palavras ou ação...
Não receber apreço
É tudo que mereço?!...
Mas de hoje pra frente
Quero ser diferente,
Eu vou querer também
As coisas que me convêm.
Eu só quero meu quinhão,
Quero comprar o meu pão,
Comer com mortadela
E achar a vida bela!
Vou retomar o rumo,
Colocar-me no prumo.
Porquê pagar pedágio
Pra viver num naufrágio?
Cada palavra, gesto...
Pra você eu não presto.
Tudo que sobrou disto
Eu entrego pra Cristo.
Se não estiver afim,
Devolva-me para mim;
Aceito devolução
Mas não briga sem razão!
paulinfantem
Manuel Santos
Chuva de Verão
cai a agua do teu banho matinal,
que refresca e corre as sete colinas,
até ao rio.
O sol de Lisboa
são os teus olhos fechados.
E eu, o cabelo molhado
à espera da mão.
ana rafael
Inquietude
E senti o Amor
O meu corpo estremeceu
A minha voz emudeceu
Quem és tu?
Para me fazeres
Sentir
Esta inquietude
Esta agitação…
Leide Fuzeto
Esquecer
de mim
assim que encontrei você
perdi o fio e a meada
nao lembro de mais nada
que lembrava antes
de ter que te esquecer
nao sei mais de onde vinha
se partia ou se voltava
estou no meio da tua estrada
esperando amanhecer
http://amorebolhasdesabao.blogspot.com/
Fernando Maia
Nós
somos nós
Hemili Scarpinatte
Nuvens
Como nuvens no ar
Enquanto meu coração
Só sabe te amar
gugagumma
Devaneios de Dante no Divã
Depois de tantas brigas com meu alter ego
Depois de 40 dias sob neblina ao mar
Eu fui em direção ao sol
Eu fui correndo e tropecei no arco íris
Em alguns jardins que visitei
Algumas formigas me morderam
E não podia me defender
Por estar ocupado com meu espelho
Mamãe sempre avisou:
Não ande sozinho tarde da noite
Mas eu nunca a ouvi
o som da minha guitarraAbafava todo o resto
Eu fui correndo e tropecei no arco íris.
Carla Furtado Ribeiro
INVOCAÇÃO
pleno de estrelas
infantilmente presas
às meninas dos teus olhos
e que num repente
me adormecem de silêncios
és tu que vens chamando
pelo meu nome
e és tu que chegas pleno
das ternuras
com que alimentas
a raíz dos meus afectos
e depois chamam-me doce
mas sou tua
eu sou apenas
o afluente
dos teus gestos
Augusto Fracari
Tântrico e Tirânico
Aqui você poderá ler minhas verdades ?
Degustar da minha escrita?
Na possibilidade que meu verbo oferece
Desfiguro meu estado inicial
Transbordando o que o complexo não pode conter simples.
Sou uma metamorfose poética
Infinitivamente infinito
Metaforicamente
Tântrico e tirânico...
Sou eu o verso
que espera ser extraído
pela Palavra
analisada
e derramado
feito às lágrimas de cera das velas
que choram mantras
para endurecer tuas promessas.
Marcos Gonzaga
Pêndulo
Sou o que retorna
ao fim de cada dia
carregado pelo destino
da origem
Vestido de passado
sou aquele que sorri
a cada velho desastre
inevitável e circular
Sou o que é matéria e miséria
condição que me aproxima
de todos os outros
e me leva ao sono e
à descrença
Sou o que tem pressa
e no entanto vagarosamente vago
sem lastros de idéias
tudo assumo como meu
Sendo aquele que renega
desconheço a lógica dos princípios
e os princípios da lógica
sei mais ou menos
e já me tenho como
o mais sábio de todos
Fernando Oliveira Granja
Enamorado
Olá Bianca,
Mais uma vez teus olhos doces me viram.
Senti-me tão bem com o teu doce olhar.
Faz muito tempo que olhos tão doces me miraram
E sabes, sinto-me bem ao ser mirado por tal beleza que è a tua.
Já me sinto além... beijando tua formosura.
Ai Bianca, que meus olhos pairaram sobre os teus
E senti que tu também gostas-tes de os ver
Mas também senti que tu sentis-te
Algo que te faz pensar além daquilo que sentimos um pelo outro...
Lembras-te d’aquele momento que tu espontaneamente vies-te sentar-te a meu lado?
Pediste-me que eu te mostra-se as fotografias ali tiradas.
Devo confessar que as fotografias não são de grande qualidade.
Acho-te muito mais bela ao vivo.
Que delicia respirar o perfume teu!
Penso que desde esse momento a minha alma engrandeceu.
Ela è o porto que deseja abritar-te
Disposta a receber a malícia das tuas ondas.
Há certa musica que gostaria de a escutar e bailar contigo
HASTA SIEMPRE COMANDANTE de Robert wyatt
Quem me dera que aceitasses pelo menos a escuta da musica ,
Mesmo que eu não esteja presente.
Só o pensamento de sentir-te com uma pequena frase que possas devolver-me
E que nela tudo pões o quanto prazer terias tido
Ao escutar o som profundo que te toca
Ai que felicidade seria saber-te feliz!
O mistério dos teus olhos faz-me sonhar contigo
È um sonho agradável, realmente já visto com meus olhos.
E tuas mãos! Que doçura, meigas ao agarrarem as minhas
Que prazer interno senti eu, sentir-te
- Bianca meus olhos gostariam de ir passear contigo as florestas,
Falando , cantando, saltitando, sentindo e mergulhando
Aqui e além nas poças d`água
E depois ir-nos secar ao sol a química humidade da água.
Ai que calooooor!
Vou já sentindo neste sonho ao vivo.
Pousar nossos corpos numa pedra quentinha à cabeceira da floresta,
Um céu azul e pombas brancas, trazendo-nos presentes de amor.
F. Granja
Diogo Oliveira
Que se faça silêncio
Noite escura em toda a sala,
Uma nota rouca ao fundo,
Som guia da cegueira.
Já pedi silêncio!
Apenas um sentido me leva,
E nesse sentido não confio!
Se, ao menos, por ouvir soubesse
Quem toca tão envolvente melodia...
Só oiço silêncio...
E este sim é de confiar
Pois quebra a longínqua melodia.
E as palavras que ouvi outrora,
Feitas som... Desiludiram.
Carla Furtado Ribeiro
CICLOS DA VIDA
Soçobrando, depois, gotas caídas
Na dança dos ritmos místicos do tempo.
Em assombrosas vagas descrevemos
A rota que dá rumo ao infinito,
Mas se o impulso de chegar é imperito
Logo outra vaga altiva se levanta
E um novo ciclo na vida se adianta
E novas vagas nascerão quando quiseres.
E é sempre a mesma dança oculta das esferas
É sempre o mesmo bailado das esperas
Que a vida é um eterno retorno
Em ciclos redundantes e ascendentes
De perfeita fusão com o Universo....
Carla Furtado, in "Entre o Sono e o Sonho - Antologia de Poetas Contemporâneos"
João Pedro
Português
English
Español