Escritas

À Hora dos Cardos

Edgardo Xavier
À Hora dos Cardos



Chegas ao meu corpo

à hora agreste dos cardos

e sobes em maré
vermelha

alucinada

Ardo no teu fogo até que a sede
se cale

e o caminho se dilua na noite

serena



Só depois dispo o tempo

e a pele onde também te guardava



Persistes

A memória não se mata

nem se trava o coração




in" Corpo de Abrigo"

Edgardo Xavier