Escritas

Lista de Poemas

Explore os poemas da nossa coleção

Cléia Mutti Fialho

Cléia Mutti Fialho

MEU GOZO (erótico)


Não sei por que disfarçar...
não sei pra que esconder...
está estampado no olhar
expressado com prazer
meu corpo está sentindo
as pernas a tremer
pelo orgasmo invadindo
minha boca está a gemer...
e juntando isto tudo
nem tenho como mentir
o meu gozo já desnudo
se faz por esparzir...


  CléiaFialho        
     

1 403
2
Alma  e Gort

Alma e Gort

Sonêto ao sentimento



Sonêto ao sentimento

E se fosse real e não um sonho

Se pudesse te tocar amar inteiro

Entre mim e ti amor verdadeiro

Escondido nos versos componho

Sei que é tão certo o sentimento

ou fantasia feito de encantamento

distante estrela lá no firmamento

e quão suave como o próprio vento.

Deixemos que a vida assim persista

Um dia a mais ou menos que insista

Na nossa verdade a qual eu resisto.

O que sera sera, e tudo tem resposta

Não se nega ao amor a dádiva imposta

Pois um amor real ,já é por si bendito!

Alma Gort



Генератор анимированного текста
1 713
2
Alma  e Gort

Alma e Gort

Mundo profundo



Mundo profundo

Quem entenderá do mundo o tudo

A terra coberta de brilho e escuridão

Abaixo o inconformismo ou aflição

ou um poeta que fala de outro mundo.

Quem intentará saber o infinito

Alto o grito que a terra não escuta

Abaixo a podridão que ainda reluta

No frio do amargor do Ser Bendito.

O alto do Calvário o Divino morto

Que de tão certo se fez como torto

Em busca de mostrar justo conciso.

Escancarou a porta no céu de ninguém

Sacrificou-se e nos ofertou um mundo além

quase ninguém acreditou no seu juizo.

Há dois mil passados reais e precisos

Subiu em glória e nos promete o paraiso.

Alma Gort


717
2
Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

Ausência de Dúvidas




Somos projecções feéricas transbordantes da compaixão cosmológica.
Flutuamos sumptuosamente em fechados écrans, aprisionados num dilema extra dimensional.
Somos fantasmas presos no âmago do cosmos, pendentes do seu altruísmo caótico.
Brilhamos inebriantemente, como pirilampos esquecidos no espaço vazio, como matéria errante de efémera razão.
Somos um sonho incessante em busca da ausente eternidade existencial.
Somos a tela duma Guernica universal, a ser serenamente contemplada pelo vazio do espaço sideral.
Somos o pincel do pintor famoso, a pena do poeta, a música duma arpa a ecoar, a flor colorida a nascer.
Enchemos de beleza e horror os mundos desabitados de espirito crítico.
Tudo apenas ganha dimensão, quando por nós visionada, damos cor à cor das coisas, damos forma ao disforme, damos sincronismo ao anacrónico, damos esperança ao desalento.
Arrumei as dúvidas nas gavetas do meu contador racional, só me resta contemplar a beleza que embuto nas agregações elementares, e que perscruto incessantemente ao divagar.
A eternidade que se busca em vão, não é a certa, a eternidade está ao alcance do conhecimento entretanto almejado, a compreensão do universo e a sua contemplação somando ao desfruto da nossa vivência, são o cálice cheio do pseudo elixir da juventude.
Somos bolas de sabão ao sol deixadas à sorte, interrompidas pelo acaso.
Translúcidas reflectem o mundo que nos rodeia, essa informação primordial que processamos em variações infinitesimais e que se tornam inócuas, quando perdidas na imensidão das iníquas torrentes plasmáticas do universo em permanente bulício quântico.
Somos uma ode ao bom gosto, proclamada pelas estrelas ancestrais.
Atingimos o supra-sumo do entendimento metafísico, a essência da retórica existencialista, o não senso do positivismo arrogante, a maioridade na criação artística indulgente.
Falta-nos apenas o padecer perene do nosso mundo, criado à nossa imagem, nos confins do esquecimento absoluto e na escuridão da nossa alma obliterada de senso organizado, nunca mais alcançado, jamais renascido, para sempre olvidado.


Lx, 18-2-2013

818
2
Cléia Mutti Fialho

Cléia Mutti Fialho

QUERO SER POSSUÍDA (erótico)


De maneira ilimitada
ser seduzida e amada
de emoção entorpecida
ser tomada e preenchida
por uma paixão tempestuosa
ser apoderada e invadida
por uma amor tresloucado
ser penetrada e consumida
por um sexo desregrado
assim eu quero ser possuída!


CléiaFialho    
1 358
2
1
Sheila Gomes de Assis

Sheila Gomes de Assis

PESARES

Resíduos dos fatos
Espectros da mente
Vãos artefatos
Visão eloqüente
Audição em boatos
Olfato fremente
Espalhafatos
Pulsão latente
Vis mediatos
Incandescentes
Resíduos dos fatos
Espectros da mente
676
2
Sheila Gomes de Assis

Sheila Gomes de Assis

O ÚLTIMO VÉU

Quando o destino tirou o véu do encantamento
Nos teus olhos o viço perdeu vida...
Desci dos teus altares e fui me abrigar no contentamento
Com a alma exilada e condoída.

Desnuda do sonho, desejo e pensamento
Vaguei pelo umbral de musas esquecidas
Consumidas dia-a-dia com o tormento
Suspirando a dor da despedida.
853
2
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

voltam não

Quantos adesivos cobrem o nosso silêncio,

Quantos sóis-postos cabem num coração desocupado,

Quanta violência de minha boca já saiu,

Quantos anéis os dedos retiram em segredo,

 

Às vezes estremeço, perante os olhos mudos,

Fúteis, de quem parece vivo sem ser,

Ponho-me a acariciar o que me resta de gente,

Nos momentos a sós com os céus,

 

Conto quantos gestos por doar,

Nos rostos tristes de quem passa sem voltar,

Quantos olhares não se trocam,

Com medo de se dar a noss'alma toda,

 

Parece às vezes, que Deus me deu a outra face,

Pra habitar, por ter ruído o mundo,

Nas faces mudas em minha roda,

Não tendo outra forma de por mim mostrar desprezo,

 

Nem sei quantos passos perdi de dar em volta,

No santuário dos pedintes,

Quantos penitentes passos na realidade dei,

Inconsciente do caminho que tomarei de volta,

 

Às vezes, no escuro, tomo-me por um outro,

Que em minha alma existe, quase extinto,

Do qual esqueci o nome e o resto,

E sonho o sonho que este sonhar me deixa,

 

Somente…

Eu e o meu coração cheio de coisas esquecidas,

Contamos os dias, os passos e os caminhos feitos,

Que não voltam...voltam não.

 

Joel Matos (02/2014)

http://namastibetpoems.blogspot.com

1 046
2
Sheila Gomes de Assis

Sheila Gomes de Assis

VIESTES COM TUA AUSÊNCIA

Viestes com mãos brejeiras
Enfeitar-me os cabelos
Com flores de laranjeiras
Deitar-me em teus castelos

Viestes com olhos pedintes
Ladrando-me os farelos
Com a luxúria dos requintes
Dos girassóis em anelos...


Viestes com risos pequenos
Ofertando-me sóis amarelos
Com a sede de vales morenos
Do deserto violoncelo

Viestes...com o corpo apenas
Sem alma... De carne fria
Levando-me como vil açucena
Para o jardim nostalgia!


551
2
Filipe Marinheiro

Filipe Marinheiro

sem título 56

A loucura é tão inexpugnável o quanto lhe depositamos de
delírio e da clareza ante o preconceito renascer insana.
Existem loucuras na introspecção doutras loucuras!
As pessoas imaginam a imprópria loucura doutras loucuras
dentro da loucura movediça, mas a loucura também pensa
das pessoas! Se estiver do seu lado esquerdo adormeço, do
lado direito acordo, de trás desmaio, de frente salto, por
cima ilumina-me, por baixo obscura-me, no seu ventre
musical, sou a sua clave!
É isso a loucura? Uma mera quimérica diferença em tropel?
Então deixem-me lá continuar louco, um louco
inabalavelmente feliz e lúcido. Lá Lá Lá... Hurra Hurra Hurra...
738
2
Helen Costa

Helen Costa

Meticular

Quero sentir de novo
O sabor do beijo que você me deu
Quero lançar o fogo
Que o meu corpo tem
Quando pertence ao teu

Sentir teus braços
Me despir de forma pura
Tocar meu corpo
Como quem toca numa escultura

Meu corpo quente te chama
A chama vem
Em vozes baixas
Suprimo o grito que me contém

Calor
Frio
Calafrio e arrepio
Sinergia
Ações inesperadas

Mente estática
Coração extasiado
Pés no chão
Prazer elevado
Suscita aos poucos
O que estava debelado

Beijo quente
Pegada forte
Corpo pulsante

Palavras sóbrias
Prazer imenso
Inebriante
Doces carícias
Se transformam em toques
Alucinantes

Dentro e fora
Movimentos naturais
Faz de ti um amante
E de nós
Dois animais.
888
2
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Bebo o fel do proprio diabo até.





Parece que da minha alma não vem conciliação,
Entre o comando seu e o incumprimento meu,
Estranha alfaia, trago eu, a modos de coração,
-Triste, pois não chove, infeliz porque choveu.
Não sei se sou eu, que trago a alma enganada,
Ou o erro deste coração seja, dele se pensar meu,
Tal como o menino, que a mãe julga móbil seu,
E depois apartado dela, por cuja saldaria ele a vida.
Não é uma dor qualquer, aquela que sinto no peito,
Distinta de não saber, o que se quer, mas o porquê,
Assim como que equacionando, se o que vê
P'lo olho esquerdo tem parecenças no direito.
Parece que da minha alma não vem conciliação,
Entre a primavera que vi, e o inverno que desejo, (por tudo)
Além do que da dor consinto e da vacuidade do vão,
Assim vai de erro em erro, meu surdo coração... batendo,
Batendo, batendo... em celebração do dia de fecho,
-Espécie de adufe, em mundana procissão de fé.
Não sei se sou eu, que vendo a posse da alma num texto,
Ou se, quando escrevo, bebo o fel do próprio diabo até...
Jorge Santos (12/2013)

http://joel-matos.blogspot.com
1 175
2
1
Danilo  de Jesus

Danilo de Jesus

Dói viver


Saber que não sou aquela placa daquela esquina... - como eu a invejo por isso! Saber que essa placa dessa rua chama mais atenção do que eu. Porque sem ela lá os pedestres passariam direto para a outra margem da rua, mas com a placa ali eles tem de parar. Eu se a rua faltar sei que mal me darão e se lá estiver também mal me perceberão, e olha que eu ainda estou no topo das espécies!

Saber que uma simples garrafa pet permanecerá no mundo mais que eu - Como não fazem sentido as coisas que fazem sentido!

Saber que a minha vida é um placa de vidro com sentidos, enquanto o diamante e mais resistente e durável e valioso que ela; e olha que eu ainda vivo e sinto, - eu penso! - pudesse eu não pensar e nem senti, mas durar!

Mas o que me consola é saber que sou parte dessa grande massa que é tudo ser, e também assim como o dia morre igualmente morrerei - mesmo assim às vezes dói viver - por que é difícil aceitar que a vida já começa morrendo!

Trabalhar duro, ser pobre, sofrer...!Tudo isso seria tão diferente sem a morte?!
688
2
Sheila Gomes de Assis

Sheila Gomes de Assis

AMOR INDEVOTO

Dizei-me amor indevoto
Se tu crês no cupido
Entre o gozo ignoto
E o prazer foragido
Ledo, profano e remoto

Dizei-me amor indevoto
Desertor comprazido
Se tu crês no meu voto
Em luxúrias defluído
Num palor de terremoto

Dizei-me amor indevoto
Se romance esvaído
É bel prazer roto
Agarrado ao meu vestido
Eu bem noto...!
779
2
Sheila Gomes de Assis

Sheila Gomes de Assis

A SENHORA E O SACERDOTE

Diz-me senhor que sou fruto proibido
Purgatório, arritmia e conflito
Que rasga-se, por tão comedido
E transforma prece em mito
***
Diz-me senhor que clama o meu ouvido
Para oferecer-me voz em delito
Com juras de amor e gemido
Depois, arrepender-se aflito
***
Não me diz senhor ensandecido
Que só meu corpo tem o dígito
Do código morse condoído
Nas entrelinhas do teu espírito
***
Não me diz senhor, pecado bendito
Santa heresia ou sonho atrevido
Sacerdote e querubim decaído
Mulher alheia (infiel) ao marido
***
Diz-me senhor, sonho esquecido
Pudor santo descorrompido
D' um suposto amor descabido
Dá-me o adeus em gemido
908
2
lcarlos coelho

lcarlos coelho

Adeus

No começo era encanto, estrelas e luar
no inicio eramos encontro sem partida
despedidas momentâneas, sem demora e sem espera
eramos dois serem em único espectro
de imagens, desejos, acenos e olhares
no começo existíamos e tinhamos somente uma estrada.
Hoje tenho estradas e caminho so
você partiu e deixou somente o aceno do adeus
sem motivo, sem lagrimas na partida
as mãos segurando o vazio, fugidia sua imagem
ficou diáfana e o olhar ficou na estrada do sem fim.

licroceh usalsolo
setembro 2013
476
2
Lua Barreto

Lua Barreto

Nunca fui uma mulher de artimanhas

Nunca fui uma mulher de artimanhas
Mulher de perfumes
De velas aromáticas, óleos e fantasias

Nunca fui mulher de máscaras
E cintas-ligas
Mulher de meias 7/8

Sempre fui mulher de inteiras
De querer agora
De repentes

Mulher de acasos
E acontecimentos

Desta vez
Quero fazer diferente.
752
2
José_Carlos_de_Souza

José_Carlos_de_Souza

(Sonho de Ícaro)

quem me dera
ter a têmpera do aço
e a mobilidade dos pássaros.
523
2
Francisco Filho

Francisco Filho

Não me poupe a vida

Não me poupe a vida das mais espontâneas alegrias:
do nascer da manhã
ao fim do dia

Não me poupe a vida do barulho da chuva:
sobre o telhado
e do chão que a suga

Não me poupe a vida da lucidez:
e só de amor
a embriaguez

Não me poupe a vida de sonhar:
mesmo sozinho
na sala de estar

Não me poupe a vida de um sorriso de mulher:
que de tão belo
faz enternecer

Não me poupe a vida do olhar de uma criança:
quando já cansado
me encha de esperança

Não me poupe a vida de escrever:
no enrugar da pele
quando envelhecer.
379
2
1
lcarlos coelho

lcarlos coelho

Espera sem esperança

Na esperança a lembrança
lembrança esperada e desesperada
ante a distancia em que nos encontramos.
Não sabes da minha existência não sei dos seus passos
nada encontro nada vejo nada sonho e nada brilha!
Sem caminho e sem a bussola do passado
vou perdendo tempo e espaço e vida e morte
na esperança desesperada da minha triste espera!

licroceh usalsolo
961
2
Rodrigo_A_Cardoso

Rodrigo_A_Cardoso

Uma noite qualquer

Quando a presença é preterida
E a solidão se torna uma escolha comum
E a pior saída é o mais forte pensamento
Adeus é a ultima palavra
E o preterido não sabe mais como ficar
Talvez não faça mais falta
Um estorvo para o que se resumia em uma palavra
Amada
A esperança deixada para traz
Sua vontade de viver questionada
Pensamentos sombrios ajudados pela penumbra
O escuro maltrata os bons pensamentos
Deixar a vida escapar parece tão fácil
Tudo pode acabar no escuro da madrugada
Quando meu corpo for encontrado sem vida
Que conste no obituário que morri de paixão
E avisem minha amada que o ultimo sorriso
Mudo em meu rosto foi pra ela
E que alem do túnel que liga esta vida a eternidade
Sempre esperarei por ela
Minha linda de um amor eterno
De uma vida perdida na madrugada
743
2
2
Rodrigo_A_Cardoso

Rodrigo_A_Cardoso

Por Te Você

Por dias sem vida vaguei
Por insanas noites passei
Por algo incerto esperei
Por estar na busca chorei
Por chorar me fiz coração
Por ser coração me fiz encontrar
Por mi encontra pude ti acha
Por ti acha me nasceu amor
Por ti amar me dei magia
Por ser magia me tornei sonhar
Por sonhar te quis espera
Por espera me fiz esperança
Por te esperança te fiz hoje presente
Presente em pensamentos em sentidos e desejos
Por pensar te fiz futuro
Por te senti te fiz aconchego
Pelo meu presente te fiz companheira
Por ser companheira hoje já não mais vaguei
Por não mais procura noites junto a ti terei
Terei o meu presente
Terei o meu futuro
Terei o amor que tanto me tornei por você
Te amo, obrigado por me deixar ti achar
724
2
Stella Felippsen

Stella Felippsen

Prazer, quem sou ?

Sou aquela que anda de mãos dadas com a coragem,
Mas é casada com o medo!
Coração gelado é como me chamam,
Mas sou sensível como uma dama!

Intrometida posso parecer,
Mas só não quero te ver sofrer!
Protejo a todos que eu puder,
Nem que para isso eu tenha que perecer!

Amo a todos que me permitem,
Mas quando odeio não tenho limites!
Não suporto a traição,
A lealdade é o que move meu coração!
509
2
J L Silva

J L Silva

Noite



Ó, noite,

que levas do dia para o mar?

Levo a luz que calcina,

as cores das flores,

das folhagens,

as cores que esplendem

no horizonte nos finais

das tardes sobre os lagos

levo a tocaia da tua saudade

e o lume dos teus sonhos

levo as tuas horas cativas

e o grito ao qual te inclinas



Ó, noite, de promessas e de

silêncios

de ausências e de contemplação

repousa teus olhos negros

no sono dos meus olhos crassos

e canta a cantiga de acalanto

que o vento murmura

ao passar pelos rochedos

onde entre as frestas brotavam

flores que a tua mão encobria

e onde ouve-se o augúrio do

gorjeio da ave noturna,

segredos, seres encantados

acalantos que a chuva traz



Agora que atravessas o mundo

carregando em teus cabelos

as cores do dia e os instantes

com os quais vivo a ilusão

de um tempo fragmentado

e com o qual transcrevo o

passado no presente,

criando o engano de um futuro

Agora, acende os espelhos onde

a vida se reflete cortando a

escuridão rumo às latentes

luzes que tecem as auroras



Ó, noite, teu fascínio se

imiscui aos crepúsculos dos

fins de tarde, sombra cinza,

amalgamando-se às cores

do dia e a elas se sobrepondo

estendendo o manto negro

para que as estrelas iluminem

as lembranças por onde me

procuro no absoluto tão cheio

de presságios e afetos,

vem e traz contigo

os hieróglifos indeléveis

da poesia, o mel de uns versos

colhidos à noite singular e terna

e que pulsam no instante milenar

onde a idéia une-se à forma

onde o murmúrio dos anjos

confortam os náufragos da noite

quando em seus braços dormem

os teus olhos de infância

e o nosso primeiro amor
657
2