Lista de Poemas
Santo!
Oh! Santo de todos os santos,
na profundeza dos gritos e dos prantos,
no engrandecer do bem e da prosperidade,
trazei alegria e felicidade,
na redução dos nossos pecados,
santificando-nos dos males carnais e espirituais,
sobretudo daqueles que nos seduzem e desviam…
Oh! Santo de todos os santos,
por que a imoralidade e a iniquidade
tomam conta do teu povo juvenil?
Oh! Santo de todos os santos,
livrai-nos dos males da carne,
dos hábitos malignos e dos vícios repugnantes,
de tudo que nos arrasta à maldade,
e sobretudo, das tentações que nos cercam.
Oh! Santo de todos os santos,
ouvi esta prece e protegei-nos,
para que possamos caminhar
no caminho da virtude, da luz e da esperança.
Atracção
No teu coração
descobri chamas de paixão.
Vi um jardim de emoção
florescendo em cada comoção.
Mergulhei num sonho em oração,
sorrindo aos risos da satisfação.
Das tuas doces palavras que me envolviam,
foi tudo um sonho sem razão.
Naveguei nessa ilusão
de te amar em pura sensação.
E senti, de súbito,
uma contracção —
teus seios vibrando em junção
com os meus,
numa canção silenciosa
de desejo contido
e ternura incendiária.
Depois de tanta humilhação,
fiquei perdido no teu encanto,
aprendendo que o amor e o desejo
são labirintos que se cruzam
num só respirar.
Juventude
Juventude da minha era,
O porvir vos espera.
Juventude de ilusões e pretensões,
Erguem-se em desafio singular
Diante do poder de hoje,
Almejando transformações
Nas suas preces e anseios.
Nós queremos oportunidades,
Queremos mostrar que somos gentes —
Gentes que a terra hoje demanda
Para seguir o percurso do desenvolvimento
Deste harmónico e dilecto
São Tomé e Príncipe.
Nós queremos que em nós
Renasça a confiança e a esperança,
Que possamos levar adiante
Este país benquisto e de bonança.
Queremos mostrar à malta
Esta nossa façanha:
Que somos competentes, sem manha,
Para conduzir o porvir
Que este país nos confia,
Nos campos que nos forem outorgados.
Juventude da minha era,
O porvir vos espera.
Juventude
O porvir vos espera.
Juventude de ilusões e pretensões,
Estende-se em desafio sem igual
Para o poder público de agora.
Almejando transformações nas suas preces e anseios.
Nós queremos oportunidades,
Queremos mostrar que somos gentes,
Gentes que a terra hoje demanda,
Para seguir o percurso do desenvolvimento
Deste harmónico e dileto São Tomé e Príncipe.
Nós queremos que em nós
Renasça a confiança e a esperança,
Com que podemos levar adiante
Este benquisto país de bonança.
Nós queremos mostrar à malta,
Esta dita façanha,
Que somos competentes para encaminhar sem manha,
O porvir que este país nos consagra
Nos campos que nos forem outorgados.
À juventude da minha era,
O porvir vos espera.
Hoje chorei!
Hoje chorei, e indigente está o meu coração.
Nos momentos de fraqueza e dor,
lembro-me do colo da tia Alda,
dos berros que incentivavam a aprendizagem,
desse olhar que, por vezes, quebra a vontade de continuar,
e de outro olhar que nos faz seguir sem manha,,
rumo ao destino que nos é consagrado.
Hoje chorei, e indigente está o meu coração.
Não mais quero verter, nestes meus olhos,
lágrimas de melancólica lembrança,
lágrimas que não secarão tão cedo,
lágrimas que carregarei pelo resto da vida.
Hoje chorei, e indigente está o meu coração…
Rogo a Deus, nessa chuva de lágrimas,
que me dê forças para continuar,
para vencer as agruras da vida,
e criar, junto dos jovens da minha terra,
um porvir novo
para o nosso querido país insular.
E se hoje chorei,
que minhas lágrimas se transformem em semente,
em força, em fogo que ilumina,
um rastro de vida que insiste em renascer
mesmo no âmago da melancolia.
Desejo louco
Deixa-me, nos teus seios palpitantes,
aconchegar a minha alma errante,
como quem encontra porto
depois de longas tempestades.
Deixa-me, nos teus braços quentes,
acordar este coração lacerado
que apenas conhece paz
quando repousa no teu.
Deixa-me os teus lábios beijar,
beber neles o lume suave
que me desfaz e me recria.
Deixa-me…
Deixa que o teu amor permaneça,
para que algo de bom floresça em mim.
Deixa-me ainda sonhar-te,
cantar-te, murmurar-te,
e guardar em silêncio
a imagem secreta do teu corpo,
enquanto te digo
que te amo perdidamente.
Deixa-me,
deixa-me tocar-te sem temores,
mostrar-te a entrega que guardo,
a força mansa da minha devoção.
Deixa-me,
deixa-me levar-te ao limiar do desconhecido,
onde apenas dois corações ousam ir.
E que ali, juntos,
afoguemos este sentimento sem norte,
num abraço que devora a noite
e renasce no fogo do desejo.
Juventude da CPLP
Juventude de pretensões e ilusões,
estende, sem desalento,
as demandas de um desafio sem igual
para o poder público de agora,
onde tudo passa sem demora.
Somos jovens criadores da CPLP,
edificadores de um futuro novo para os nossos países…
E porque nos ensinaram a ser criativos,
continuamos a criar.
Jovens que cantam, jovens que pintam,
jovens que escrevem,
jovens que inovam a cada instante,
jovens que querem inovar a própria vida…
jovens que acreditam no futuro da nossa comunidade.
Somos nós, os jovens criadores da CPLP.
Com a nossa criatividade,
queremos mostrar a todos desta gesta
que não reunimos façanhas apenas:
em nós jaz a manha de avançar em festa,
unir em catadupas as nossas forças,
erguer a bandeira nova da paz
e dizer, com orgulho:
somos nós, os jovens criadores da CPLP!
Um desafio sem igual se estende
para todos, sem exceção,
de Angola a São Tomé e Príncipe,
de Moçambique a Cabo Verde,
da Guiné-Bissau a Timor-Leste,
de Portugal ao Brasil e Guiné Equatorial.
Uníssonos numa só voz,
cantemos o hino da CPLP.
Neste momento de festa,
ecoamos nosso grito de esperança…
É porque, pela arte, somos livres,
e com nossa liberdade criamos frutos
de inúmeros trabalhos aqui expostos.
Neste café literário,
queremos beber as palavras do nosso dia a dia,
alimentar nosso âmago literário
com a harmonia das verbalizações
que só o bater de um coração poético sente.
Viva a juventude lusófona!
Avante, CPLP!
— Dimas Café, Salvador- Bahia, 2013
Conversa íntima com a morte
O meu corpo jaz aqui, hoje, agora,
Neste pó, nesta terra,
Pois é a hora,
Tu hoje me levas…
Tu hoje me levas
Sem qu’inda terminasse
O porvir da minha missão.
Sem qu’inda amasse,
Sem qu’inda pudesse
Corresponder e satisfazer
As formosuras da minha terra,
Que aos meus anseios
Foram sempre queridas e almejadas…
Tu hoje me levas
Sem qu’inda vivesse
O prazer e o descontentamento,
A alegria de ver a minha terra em desenvolvimento…
Mas se hoje eu morrer,
É com amplíssima volúpia,
Embora melancólica, que vos desamparo.
Eu sei que os meus
Essa pátria hão-de defender,
Lutas e batalhas hão-de enfrentar,
Correndo léguas a caminho da paz…
Trazendo paz e desenvolvimento a estas ilhas maravilhosas do equador.
Tu hoje me levas
Sem qu’inda pudesse acabar com a hipocrisia,
Sem qu’inda pudesse explicar, talvez em filosofia,
O que é democracia.
Tu hoje me levas
Sem qu’inda pudesse dizer ao meu povo
Que reunimos condições de criar um São Tomé e Príncipe novo!
Pois é, e seja feita a tua vontade….
Coruja!
Coruja benigna ou maldita,
quem tu és?
Pela noite dentro, quotidianamente,
recebemos — com gracejo e certo temor —
a tua visita em dias de tornado.
Oh, coruja!
Que procuras no alento das nossas vidas?
Que espias pelos cantos amargos da terra,
nas noitadas vivas e mornas de segunda-feira?
Que espias na travessia do tempo
Os nossos sentimentos amargos de tempo em tempo?
Oh, coruja!
Quem tu és?
Inimigo amaldiçoado da sorte,
aquele que expurga almas e conduz à morte;
mas que, em dias de ventura, vem tão forte,
apenas para uma visita sem rumo, sem norte.
Mas oh, coruja,
benigna ou maldita…
quem tu és?
Que fazes na calada da noite,
em passeios vacilantes, trazendo maldições à meia-noite?
Trazes tetos rasgados de sensação incerta,
que mal me permite desejar-te boa noite?
Que fazes tu?
Afinal, quem tu és?
Oh, coruja,
benigna ou maldita,
haveremos de descobrir —
no silêncio dos tempos,
e de todos os tempos —
o porquê desta cina
que recai sobre nós em tão pouco tempo.
— In Chácara, São Tomé, 2016
Dia Mundial do Livro Infantil
Nesta data tão auspiciosa
Em que celebramos o Dia Mundial do Livro infantil,
A nossa alma viçosa
Recorda a mestra ímpar de coração
Cujas aspirações literárias
Nos são convertidas como dever
Para nesse dois de Abril conviver
Batizado em palmas mil.
Queremos de todo o nosso coração
Levar em adiante, com muita vénia e unção
As nossas pretensões de raiz
Erguendo este país
Que jamais esqueceremos os primores da sapiência,
Que É Nosso o Solo Sagrado da Terra
Como apelidaste, Alda Espírito Santo.
Como crianças que somos
Em nós jazerá muita euforia
Quando este dia chegar,
Pois lembraremos que sempre presente esteve
A nossa querida amiga Alda Espírito Santo
Nesta festança que une a criançada.
Viva dois de Abril, Dia mundial do livro infantil!
Comentários (1)
Olá, irmão africano!
Wildiley Barroca nasceu em São Tomé, no dia 20 de Março de 1991. Fez os seus estudos primários e liceais em São Tomé, bem como a formação média profissional em Secretariado Internacional e Licenciatura em Direito.
Poeta, Jurista e observador do quotidiano, vem colaborando regularmente em revistas e jornais nacionais e estrangeiros, com trabalhos na Revista Batê Mon e nos jornais digitais do país e do estrangeiro.
Poeta, Jurista e observador do quotidiano, é Autor da Obra Apuros da Minh ‘Alma Errante – primeira obra do autor lançada no Complexo Cultural dos Barris em Salvador – Bahia, Brasil; Autor da obra “João Paulo II ou o Santo da Juventude”; Coautor da obra “Moi Président” lançada em 15 de Março de 2017 na França e Coautor da obra “A Poesia Multicultural”, lançada em Julho de 2019 em Portugal; Coautor da obra “O Ensino do Direito nos Países da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP)” lançada em 27 de Março de 2021 no Brasil; e Coautor da Obra “WE HAVE A DREAM”, lançada em Maio de 2021 no Japão;
Representou São Tomé e Príncipe como jovem Escritor na II Mostra de Jovens Criadores da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) em Luanda - Angola, na VI Bienal dos Jovens Criadores da CPLP em Salvador – Baia - Brasil e participou em Representação de São Tomé e Príncipe como jovem escritor na Bienal dos Jovens Criadores da CPLP na Vila Nova de Cerveira, Portugal.
Foi Presidente da União Literária e Artística Juvenil - ULAJE Clube UNESCO, Coordenador do Clube dos Poetas e Trovadores de São Tomé e Príncipe e Secretário-geral da União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe.
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