Lista de Poemas
Quando a Beijei
Quando a beijei,
o que soprava era o vento,
quase a impedir-nos de estar juntos.
Mas eu só beijava.
Beijei-a!
E no final do beijo, caímos.
Levantei-a,
beijei-a de novo,
e caímos outra vez.
Levantei-a e continuamos,
como se o mundo inteiro esperasse
só pelo nosso beijo.
Passava gente,
e eu não me importava.
Nada importava.
Porque o que queria
era apenas beijá-la.
Não quis que ninguém nos incomodasse,
só quis que ela me beijasse.
E assim fiz.
Beijei-a.
Transcendência
Rasgando o silêncio dos tempos
e as vicissitudes de aurora e de todos os tempos... cavalgamos afanosamente
cantando em canto dos encantos
o desencanto em pranto
do nosso encanto sem canto.
a tecnologia, designer e o entretenimento
serão esteios de sustento para a aposta ao desenvolvimento
deste benquisto país insular em crescimento
por isso, faz acontecer
oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.
Poetizando, fulminamos a pungente tempestade
Da vida quotidiana
E rasgamos o silêncio dos tempos e de todos os tempos...
Cultivamos harmoniosamente a paz, a unidade, o amor
E entramos desapaixonadamente no seu coração
Rasgando o silêncio dos tempos e de todos os tempos
por isso, faz acontecer...
oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.
Dramatizando, caminhamos juntos
na senda do progresso deste pais arquipelágico
e rasgamos irreversivelmente o silêncio dos tempos e de todos os tempos...
por isso, faz acontecer,
oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.
Hoje,
Agora,
Não amanhã,
Sem demora, faz acontecer.
O Galo que Canta, anuncia um novo horizonte...
O Galo que Canta, canta (...)
Canta bem mais alto que o som da ermida
Canta para anunciar um novo horizonte
Canta para transcender o silêncio dos tempos e de todos os tempos...
por isso, faz acontecer,
oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.
Faz acontecer (...)
Wildiley Barroca, in São Tomé 2016
Paulo
Paulo,
preguiçoso e petulante,
partiu para Portugal
à procura de aventura pulsante
que satisfizesse a sua
eterna petulância.
Posto à ribalta,
sem noção da distância,
e volvido da resistência,
Paulo meteu-se em encrenca
tão rápida quanto a arrogância.
Entrou de peito feito,
certo da sua esperteza,
mas acabou no meio da porrada,
um golpe na sorte,
outro na cabeça…
E o pobre, levado à esquadra,
sem honra e sem elegância,
via a “gaja”, descomposta,
fazer queixa com confiança.
Paulo, cabisbaixo,
só pensava na errância:
“Eu quis ser o rei da dança
e virei nota de mudança…”
Assim aprendeu o rapaz,
entre risos da vizinhança,
que quem parte com petulância
acaba sempre…
com pouca importância.
Verdade Verdadeira
Verdade verdadeira,
juro… juro que não é besteira.
Porque, quando olho para aquela gente em fileira,
podes crer: só asneira.
De vez em quando,
ou quiçá numa sexta-feira,
madres, padres e freiras
juntam-se em festança certeira,
num riso que ninguém modera,
como se a vida inteira
fosse uma eterna brincadeira.
E o povo, que tudo espreita,
ri-se da cena inteira,
pois sabe que até alma ordeira
tem seus dias de bandoleira.
É a vida — tão passageira,
tão séria e tão galhofeira —
que nos lembra, à sua maneira,
que a verdade verdadeira
é sempre meio ligeira,
meio louca,
e muito inteira.
Delírio da Mente
Você me mata,
ata meu coração
com um nó que não se desata.
Você é bonita,
e no meu peito
encontra morada.
Temos cargas diferentes,
valores que se equilibram,
provocando pressão:
1 + 1 = 2,
não sobra nada para depois.
Você mexe com meu coração,
faz ferver minha mente,
entra em ebulição
sempre que cruzo o teu olhar.
São Tomé e Príncipe
Duas ilhas que se fitam, frente a frente,
como irmãs que o tempo moldou lentamente.
Beijam-se no abraço do sol — ora frio, ora ardente
—
entre risos, passos e o leve-leve da nossa gente.
Uma delas, triste, sente-se por vezes abandonada,
presa ao silêncio de uma saudade demorada.
A outra, firme na sua resistência diária,
estende-lhe a mão solidária,
e roga aos santos padroeiros, com devoção inteira,
que nenhuma lágrima permaneça verdadeira.
Porque, apesar do mar que as separa,
o coração que as une nunca se afasta.
São Tomé e Príncipe — duas almas de uma só
casa,
duas vozes que cantam a mesma esperança.
Que voltem os ventos brandos da bonança,
Que sopram união, esperança e confiança,
E que o mar, testemunha antiga desta dança,
Abrace as duas ilhas num só encanto.
Que nenhuma fique só na dor que sente,
Pois o sangue é o mesmo — quente, valente —
E no pulsar forte do nosso coração
Há espaço para juntar o que o tempo separou.
Assim, sob a bênção do céu azul profundo,
Erguem-se São Tomé e Príncipe num só mundo,
Com o verde das roças e o mar fecundo
A lembrar que juntas sempre brilharão.
E que a saudade que hoje dói devagarinho
Se transforme em luz num doce caminho,
Onde cada passo se faça vizinho
Do amor que une este pequeno-grande país.
Adeus, Man Rica!
Partirei.
Levarei comigo a saudade —
eco de risos que nunca ecoaram,
memórias que escaparam pelos dedos
quando éramos apenas adolescentes
no Liceu dos sonhos por nascer.
Partirei.
Mas a vida gravará nas páginas invisíveis
que nada é impossível enquanto o coração bater,
que somos poeira e título,
que honras se desfazem num instante de luz,
num sopro de eternidade.
Partirei.
E no futuro, que nos observa
com olhos de tempo,
ajustaremos contas,
não em silêncio,
mas em risos, lágrimas e lembranças
que recusam ser esquecidas.
Partirei.
E ainda assim estarei aqui —
nos gestos, nas sombras,
no impossível que insistimos em viver.
Partirei,
Mas não levarei comigo tudo —
deixarei pequenas lembranças
presas às paredes,
às conversas soltas,
às músicas que não acabaram
e ao cheiro de café das manhãs preguiçosas.
Partirei,
Mas saberás, na primeira ausência,
que a vida é feita de encontros e partidas,
que nenhum abraço é eterno,
mas todos deixam marcas
que nem o tempo consegue apagar.
Partirei,
E ao seguir o meu caminho,
levo-te comigo dobrado no peito,
como se fosses um capítulo
que não se fecha,
apenas vira a página.
E se o futuro nos chamar —
e ele sempre chama —
voltaremos ao mesmo riso,
à mesma ironia,
ao mesmo pacto silencioso
de irmãos que o tempo separa,
mas nunca rompe.
Adeus, Man Rica!
Não um adeus de fim,
mas um adeus de quem parte sabendo
que há despedidas que são apenas
o prelúdio dos regressos.
A Magia do Teu Corpo
A tua voz, doce melodia,
floresce em mim como musas tímidas,
despertando sonhos e encantos
com o teu jeito singelo de amar.
A tua beleza, refúgio sereno,
acaricia minha alma e afasta qualquer pranto;
pois a música mais pura aos meus ouvidos
é o som suave da tua voz.
No jardim tranquilo do meu coração
nasceu uma flor de luz serena…
és tu, minha rosa delicada,
perfume que embala meus dias
e colore minhas manhãs.
No silêncio terno das nossas horas,
teu riso ilumina cada sombra minha.
E mesmo que o tempo se perca em memórias,
és tu, minha rosa,
quem floresce eternamente no meu coração
Taxi
Os assentos rasgados dos autocarros
Lixos convivendo connosco
impedindo a normal circulação dentro do
automóvel
Rasgavam o silêncio do meu espírito
E uma outra voz
Em paralelo dizia-me
que naquele caos havia uma ordem antiga,
um modo próprio de respirar a cidade.
O motorista, com os olhos cansados,
sabia cada buraco da estrada de cor,
como se conduzisse não apenas um táxi,
mas memórias depositadas no asfalto.
E eu, perdido entre poeira e buzinas,
via o mundo mover-se devagar,
como se Bamako me pedisse
para abrandar o passo da alma.
Ali, no aperto quente daquele lugar,
percebi que certos caminhos
não se medem em quilómetros,
mas no que nos desperta por dentro.
Paixoneta
Fui apanhado,
o meu coração foi alcançado —
acho que estou apaixonado.
Apaixonado por uma beldade
nunca antes vista,
por uma beleza incomparável
que, às vezes, parece ser
a própria razão da vida.
Não consigo escapar da prisão
onde me deixaste,
mas dessa doce ilusão
fizeste o meu coração
bater mais forte,
arder de emoção.
Deve ser porque, de algum modo,
de mim nunca partirás.
Digas o que disseres,
faças o que fizeres,
eu, teimosamente,
hei de amar-te sempre.
Comentários (1)
Olá, irmão africano!
Wildiley Barroca nasceu em São Tomé, no dia 20 de Março de 1991. Fez os seus estudos primários e liceais em São Tomé, bem como a formação média profissional em Secretariado Internacional e Licenciatura em Direito.
Poeta, Jurista e observador do quotidiano, vem colaborando regularmente em revistas e jornais nacionais e estrangeiros, com trabalhos na Revista Batê Mon e nos jornais digitais do país e do estrangeiro.
Poeta, Jurista e observador do quotidiano, é Autor da Obra Apuros da Minh ‘Alma Errante – primeira obra do autor lançada no Complexo Cultural dos Barris em Salvador – Bahia, Brasil; Autor da obra “João Paulo II ou o Santo da Juventude”; Coautor da obra “Moi Président” lançada em 15 de Março de 2017 na França e Coautor da obra “A Poesia Multicultural”, lançada em Julho de 2019 em Portugal; Coautor da obra “O Ensino do Direito nos Países da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP)” lançada em 27 de Março de 2021 no Brasil; e Coautor da Obra “WE HAVE A DREAM”, lançada em Maio de 2021 no Japão;
Representou São Tomé e Príncipe como jovem Escritor na II Mostra de Jovens Criadores da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) em Luanda - Angola, na VI Bienal dos Jovens Criadores da CPLP em Salvador – Baia - Brasil e participou em Representação de São Tomé e Príncipe como jovem escritor na Bienal dos Jovens Criadores da CPLP na Vila Nova de Cerveira, Portugal.
Foi Presidente da União Literária e Artística Juvenil - ULAJE Clube UNESCO, Coordenador do Clube dos Poetas e Trovadores de São Tomé e Príncipe e Secretário-geral da União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe.
Português
English
Español