INFERNO DE TE AMAR

Quem me veio despertar?
Este querer – este inferno de te amar!
Essa chama que me embaça a alma
Que me consome e destrói a vida
Como veio me crestar?
E derramar-se em sonho, talvez!

Quando ela haverá de se apagar?
Noite e dia esperou-me – embalde
Em qual paz serena haverá de dormir?
Ninguém chorou meu pranto, ninguém!

A outra vida que vivi – do meu passado
Já não me lembro o que foi sonho, ilusão
ou pesadelo. O que foi princípio, meio e fim.
O que me restou desse mundo inteiro?

Ao sol paciente estive arquitetando
Um ninho – de sentimentos e arrulhos
Feito os passarinhos – alma sem asas
Presos em gaiolas sem poder voar...

Nós paramos de súbito nessa longa estrada
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
O pensamento ferve – arde e sangra
Num deslumbramento de quem sofre
A palavra pesa – o perfume inebria
O que de nós consola – a vida se declina!



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