Lista de Poemas
Meu Mundo
Meu mundo era indescritível, quando te
vi.
Tinha estrelas, mares, florestas e
vento.
Meu mundo tinha até sincronia com o
tempo.
Meu mundo era enorme, quando te conheci.
Tinha gente, ruas, prédios, arranha-céus
Tinha um rio que nascia no meio da
montanha.
Meu mundo tinha esperança tamanha.
Meu mundo era grande, quando te vi sob o
véu.
Era um quarteirão. Tinha campo. Tinha
savana.
Meu mundo tinha um riacho
Tinha casa; um fogão, com um fogo
laracho.
Meu mundo era tal, quando te vi nua,
insana.
Meu mundo tinha paredes, tinha janelas.
Tinha vidraças. Meu mundo não era lama.
Tinha piso, tapetes. No fogão, panelas.
Quando te senti, meu mundo era uma cama.
Tinha uma camisa, uma calça, com cinta
sem fivela.
Quando acordei, meu mundo não tinha mais
um rio.
Ele tinha uma cor fria, um cheiro ocre,
todo calado.
Meu mundo tinha meu tamanho. Meio
apertado e frio
Quando te perdi, meu mundo tinha tampa e
alças dos lados.
Acreditar
Tenho fé,
No que faço,
Mas não acredito
No que penso.
Se acredito,
No que faço,
Penso que
não tenho fé
Se no que penso,
Tenho fé e acredito,
No que faço
Faço nada.
Se penso que
Tenho fé.
No que faço
Eu acredito.
Mas, se faço nada
E tenho fé.
No que penso,
Não acredito.
Não acredito
Que tenho fé...
Se no que penso,
Não faço.
Não tenho fé.
Não acredito.
Não faço nada.
Não penso.
Sob o Lençol
O poeta, sob o lençol,
só quer saber de lua;
nada de sol.
Só a companhia tua.
O poeta, sob o lençol,
não quer dormir...
Quer viajar sob o teu céu...
e que seu mar venha fluir.
O poeta, sob o lençol,
quer sentir seu calor,
apreciar o arrebol,
da manhã do teu amor.
O poeta, sob o lençol,
Fica calado.
Mas quer cantar feito rouxinol
em seus braços, entrelaçado.
O poeta, sob o lençol,
só quer dormir, se for vencido.
O poeta, sob o lençol,
poetisa e sonha. Não faz gemido.
Todos somos Cúmplices
Todos somos cúmplices
De um crime hediondo
Somos herdeiros de uma dor
Que de longe é incurável.
Um crime que fechamos os olhos,
Que calamos ao invés de falar,
Que desvencilhamos ao invés de nos
envolver
Que faz a dor ser inquebrantável!
Somos parceiros da mediocridade
Andamos lada a lado com o repulsivo
Alimentamos na boca, o imoral
E dizemos não, ao que é perdoável!
Se parássemos pra pensar,
Ou se pensássemos em parar...
E ouvir o que o silêncio nos diz
No seu ponto de vista tão louvável,
Daríamos valor ao próximo
Não seríamos condenados pelo descaso
E tudo ao nosso redor teria mais valor
Se nos tornássemos, cada um, mais
amável.
O Que é o Feio ?
Se o que questiono tem fundamento
E, num lapso de memória, por um momento
Coisas estranhas vou me perguntando:
- Por que o que é bonito é desejado,
E por que o desejo procura forma?
Se pra amar não se tem uma norma,
Mas o diferente é desprezado?
Fico assim pensando...
Sem nada entender e a mente perturbada
Se a coisa só é diferente quando com outra comparada(...)
Mas nada se compara, quando se está amando
O bonito e o feio são pontos de vista numa estrada
E enquanto caminho, vou vivendo e questionando...
A Caneta
De sua tinta faz mistério...
E o que escreve parece tão sério
Que não existem dúvidas que minta
Se as palavras que transcreve
São sinceras e latentes
Não pode ferir tanta gente
Que sonha, labuta, se atreve.
Porém, não tem vida própria;
Não pensa, não anda, nem atura
Tampouco compaixão e ternura
Quem lhe manipula textos e torturas
E a faz transmitir covardia
Quem, senão, a mão que a segura!
Mundo Criança
O mundo criança é tão lento...
Nos permite viver pra viver.
O mundo adulto é tão rápido
Que pra viver se permite sofrer.
O mundo criança é límpido,
Inocente, decente, puro!
Ao passo que o adulto, corrompido
Se mostra apático, imaturo!
O mundo criança é sincero.
A verdade começa sorrindo.
O mundo adulto é austero
E a verdade abafa, mentindo!
O mundo criança tem cores
E aprazível se mostra fantástico!
Quanto ao adulto, envolto em dores
Remedia; se sustenta apático.
O mundo criança semeia
Com olhos fixos adiante,
Mas o mundo adulto tateia
E, cego, não colhe o que plantara antes.
O mundo criança quando apanha,
Devia sorrir por tamanha sorte!
Pois o mundo adulto, sem manha,
Nos leva ao ápice: a morte.
É por isso que a previno, minha flor,
Que o mundo que à porta avança,
Será o mundo adulto, de pavor,
Não mais o mundo criança.
O Poeta
O poeta não deveria existir.
O mundo não o compreende;
As pessoas não lhe dão esperança.
Mas suas palavras as levam a refletir...
O que o poeta fala,
não deveria ser levado em conta.
Dependendo do instante, seu grito é
contido.
Às vezes a verdade é retida e ele se
cala.
Quem entende o poeta,
Tem a vida desarraigada!
Sente com os olhos; vê, com o coração.
Vive um mundo de aresta.
Só quem vive, entende o poeta!
Sem Tema
Singelo, forte e que me fizesse renascer
Ah, um soneto? Pode sim, fazer reviver,
quem lhe cante ou declame sem medo.
Um soneto... que tema escolher?
Que fale de amor, traição, felicidade imerecida?
Não vem-me à mente um tema sequer.
Talvez precise tomar um drinque, uma bebida...
Me lembro que isto me perturba a mente.
Faz renascer cicatriz já tão esquecida...
Um livro ou uma notícia que se torne semente
E que possa me inspirar um tema,
mas nada me atiça a escrever livremente.
Decido escolher: vou ler um poema.
O Que Pensa a Mente?
Quero suscitar uma dúvida
Quero te fazer pensar, pensar, pensar...
Se ela é: profunda, reveladora ou estúpida!
Quero te fazer buscar a resposta
Que seja correta, que seja convincente!
Quero te fazer do seu íntimo externar:
— O que achas, o que pensas sobre a mente?
Tudo o que se queira fazer,
Como o correr, o dormir, o edificar
Ela comanda, ela retrai ou incita.
Quando usada, para o bem, ensina amar
Quando erra, deixa dúvidas, não se explica.
A resposta que se quer para meditar
Que minha mente tem agido sem razão,
É: Se quando não se pode, nos faz apaixonar,
Por que então ela não comanda o coração?
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