Lista de Poemas
Aos prêtos
Aos pretos, digo-lhes que desde o início da nossa existência somos expostos a uma sucessividade de experiências traumáticas que impregnam em nossa personalidade e que se manifestam das mais variadas e doloridas formas na nossa existência material e subjetiva. Dói. Sob o manto que me encoberta, sob a memória que me atormenta, sob o pensamento que não me alenta, aos prêtos, peço-lhes que mantenham-se vivos, resilientes, há muito tempo, norteio nos viciosos ciclos do mas, expondo a mais tragediosa vivência. Mas, quero-lhes pulsantes, por mais difícil que seja a caminhada, mantenham-se fortes. Enfraquecido e compreendido que forte, não sou, sopro esperança a vocês, mantenham-se fortes, corajosos e com um bom coração. Eu não sei se consegui, mas tentei e levei tal principiologia com muito amor e meta de vida. Mantenham-se fortes.
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Partir-me
A parte mais difícil de qualquer processo é o reconhecer. Quando há o reconhecimento, surge a dor, a frustação, há uma lascívia pulsante que atinge todo o nosso ser, é cortante. A dor é forte, transparente, cafeinada, pulgente. Que o anseio se ampare na ideia de que ela passará e produzirá o que é cético, mas isso é uma mera expectativa de quem objetiva dias brilhosos, tudo é incerto, nada é estável e sempre, sempre haverá muito mais terra sob os nossos pés. Mas, mas, mas, como norteio em viciosos ciclos do mas que circundam a minha existência, gostaria de alcançar em minha arte o ideal cético de que tal provocou-me uma transformação, um amadurecimento para situações futuras as quais o simples fato de existir impõe a todos (de diferentes formas, intensidades e dimensões, é claro), mas, eu apenas consigo aforgar-me na tragédia que é isto tudo, e sem eufemismos, sim, uma calamidade moral. Nem tudo é progressão, talvez seja, talvez não, mas desesperança é um estado também e ninguém é obrigado a permanecer sempre forte, estar fraco também é estar, quero permitir-me estar assim e partir-me ao menos neste momento, nesta hora tragediosa. Quero permitir-me partir.
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SENTIRES
Uma parte de mim quer se desprezar de todos esses afáveis sentimentos, ela é abrasada por decepções, desprezos, opacidades e outras coisas mais. A outra, chama-lhes, quer se embriagar mais e mais das paixões, das aventuras, das sensoriedades que nos tiram bons sorrissos, boas memórias, boas canções, ela predomina sobre minha materialidade. O ceticismo é maduro, sério, racional e intelectual. A paixão, sem definições, é tão extensa que não cabe a comparação com o oceano, e é neste emanharado preto que eu me perco e ando por todos os cantos. É pulsante pulsar tudo isso a todo momento, e como já tenho escrito, não há definição nisto, por mais que norteio no vicioso ciclo do mas, é sempre bom deslizar-me nas escritas, deliciando-me sobre as tragédias e grandiosidades que envolvem o sentir. É, novamente, pulsante.
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Fim.
O fim é sempre emergente. O início é um meio instantâneo para o fim. Por isso, tudo passa tão rápido.
Se lhe tenho, já, já lhe perco.
Se lhe conquisto, tu já dissipas.
Se lhe abraço, logo me soltas.
Se lhe embaraço, em breve desprendes.
Tudo é início do fim.
Se lhe tenho, já, já lhe perco.
Se lhe conquisto, tu já dissipas.
Se lhe abraço, logo me soltas.
Se lhe embaraço, em breve desprendes.
Tudo é início do fim.
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consuetos
Vendo glitter onde não tem brilho
Alucinando onde se exige lucidez
Desencontrando em encontros.
Alucinando onde se exige lucidez
Desencontrando em encontros.
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VACINAS, JÁ!
VACINAS, JÁ!
Vivendo um nefasto diário de mortandades, caminhamos lentamente vendo o país se mergulhar cada vez mais num imenso abismo, onde o fim deste, já sabemos, é o choque com a morte, com o descaso. Enquanto caímos, vemos lá em cima, uma luz, uma luz bem pequena, mas forte, a qual é capaz de, mesmo distante, ser brilhante. Em terra colonizada, com uma população tão flagelada, este raio atraente se chama Sistema Único de Saúde, poderoso, poderosa, forte, estridente, ocupado por centenas de profissionais que estão no limite físico e mental, que aliás, tudo a eles, sem eles, nada somos. Aquele clarão que muitos que passam pela experiência de quase morte, também, vêem, em nossa realidade, pode ser denominado Fiocruz e Instituto Butantan, filhos do SUS, a esperança por vacinação vem deles, da ciência, dos cientistas, da mistura organicista e materialista daqueles que dedicam suas vidas para salvar a de outrem. Há maior gesto de amor?
Mas, como nem tudo é o amor, apesar de apenas este conhecer a verdade, como já cantava Renato Russo, temos que convergir com aquele que é o seu oposto, o contrariador, Jair Messias Bolsonaro, Presidente da República Federativa do Brasil. Com o nome completo desta abjeção, destaco a ausência de freyanismos e eufemismos para me relacionar aquele que combate a todo o momento a vida.
Neste atual momento, já são quase 300 mil amores de alguém mortos por este bárbaro crime político. Negacionismo sobre a existência do vírus, desprezo pelo distanciamento social, o não uso de máscara, a negativa em assinar acordos para a compra de vacinas, a ausência de coordenação para com os demais entes federativos no combate a pandemia nos levou até aqui, tem nos levado daqui. A batalha do atual gestor do executivo é para combater a vida, seu projeto político é de morte. Genocida.
Diante disso, que nos movemos cada vez mais pelo ânimo de nos vacinarmos, nos protegermos e permanecermos vivos para continuar lutando contra todas essas atrocidades, denunciando todos os crimes humanitários que estas pessoas (Bolsonaro e seus aliados) têm praticado. No momento certo, como vocalizava Sérgio Sampaio, estejamos prontos para colocar nosso bloco na rua, pois quando se trata deles, eu quero é botar pra gemer.
A primeira pessoa do plural tão pateteada neste texto é porque “tudo, tudo, tudo que nois tem é nois” (EMICIDA, 2019), esse laço, mais comunidade do que sociedade, é o que deve nos mover. Estar junto nem sempre é estar perto, mas se ajuntar é ter este compromisso circunvizinho ao outro. Nossa matéria, necropoliticamente, já é eliminada num contexto antes pandêmico e que com tal fora impulsionada mais ainda. Todavia, não quero ir, desejo vida a mim e aos meus, mesmo a morte sendo sempre iminente. Pessoas se vão, idéias e o amor, sempre permanecerão. Por fim, parafraseando Wilson das Neves: Só morre quem não presta.
Esse, é um manifesto à esperança. Vacinas, já. Vida ao SUS e a população brasileira.
Marco Túlio Dias
19/03/2021.
Vivendo um nefasto diário de mortandades, caminhamos lentamente vendo o país se mergulhar cada vez mais num imenso abismo, onde o fim deste, já sabemos, é o choque com a morte, com o descaso. Enquanto caímos, vemos lá em cima, uma luz, uma luz bem pequena, mas forte, a qual é capaz de, mesmo distante, ser brilhante. Em terra colonizada, com uma população tão flagelada, este raio atraente se chama Sistema Único de Saúde, poderoso, poderosa, forte, estridente, ocupado por centenas de profissionais que estão no limite físico e mental, que aliás, tudo a eles, sem eles, nada somos. Aquele clarão que muitos que passam pela experiência de quase morte, também, vêem, em nossa realidade, pode ser denominado Fiocruz e Instituto Butantan, filhos do SUS, a esperança por vacinação vem deles, da ciência, dos cientistas, da mistura organicista e materialista daqueles que dedicam suas vidas para salvar a de outrem. Há maior gesto de amor?
Mas, como nem tudo é o amor, apesar de apenas este conhecer a verdade, como já cantava Renato Russo, temos que convergir com aquele que é o seu oposto, o contrariador, Jair Messias Bolsonaro, Presidente da República Federativa do Brasil. Com o nome completo desta abjeção, destaco a ausência de freyanismos e eufemismos para me relacionar aquele que combate a todo o momento a vida.
Neste atual momento, já são quase 300 mil amores de alguém mortos por este bárbaro crime político. Negacionismo sobre a existência do vírus, desprezo pelo distanciamento social, o não uso de máscara, a negativa em assinar acordos para a compra de vacinas, a ausência de coordenação para com os demais entes federativos no combate a pandemia nos levou até aqui, tem nos levado daqui. A batalha do atual gestor do executivo é para combater a vida, seu projeto político é de morte. Genocida.
Diante disso, que nos movemos cada vez mais pelo ânimo de nos vacinarmos, nos protegermos e permanecermos vivos para continuar lutando contra todas essas atrocidades, denunciando todos os crimes humanitários que estas pessoas (Bolsonaro e seus aliados) têm praticado. No momento certo, como vocalizava Sérgio Sampaio, estejamos prontos para colocar nosso bloco na rua, pois quando se trata deles, eu quero é botar pra gemer.
A primeira pessoa do plural tão pateteada neste texto é porque “tudo, tudo, tudo que nois tem é nois” (EMICIDA, 2019), esse laço, mais comunidade do que sociedade, é o que deve nos mover. Estar junto nem sempre é estar perto, mas se ajuntar é ter este compromisso circunvizinho ao outro. Nossa matéria, necropoliticamente, já é eliminada num contexto antes pandêmico e que com tal fora impulsionada mais ainda. Todavia, não quero ir, desejo vida a mim e aos meus, mesmo a morte sendo sempre iminente. Pessoas se vão, idéias e o amor, sempre permanecerão. Por fim, parafraseando Wilson das Neves: Só morre quem não presta.
Esse, é um manifesto à esperança. Vacinas, já. Vida ao SUS e a população brasileira.
Marco Túlio Dias
19/03/2021.
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é sempre emergente e constante o álibi que eu tenho em escrever sobre o peso de ser eu, e de tudo que o 'ser' carrega, não passa.
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Breve manifesto ao amor, às paixões .
O que faz a vida valer realmente a pena é o amor, o amor nos move, o amor é sempre dinâmico. Quando estamos sofrendo por conta deste, estamos nos modificando, quando estamos pensando continuadamente em certo alguém, estamos caminhando. O seu fim, pode ser a tragédia da solidão, da decepção, ou o prazer, a total conciliação. Fato é que estaremos sempre em movimento, pois isto é o que ele nos proporciona. Numa vida Pan-óptica, amar torna-se fundamental para resistir ao materialismo a qual a sociedade é cada vez mais reduzida. Amar é bom, é não querer o mal, despojando-se das invejas e das vanglórias. Que estejamos sujeitos ao amor, pois amor é, por fim, felicidade.
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CONCEPÇÕES HONROSAS SOBRE A VIDA
Viver é arte, que fascina, que nos engrandece, que nos fortalece.
A arte de viver é saber contemplar a vida passo a passo, dia a dia.
Lírios, orvalho, as chuvas que espirram as madrugadas.
Saber apreciar a vida é fundamental.
Não deixar o vácuo da ritualidade é essencial.
Não quero ser ranzinza, mas há muito tempo, temos morrido.
Se você se sente infeliz com a vitória do outro, existe algo muito errado em sua humanidade.
Mas talvez nós não sabemos o que de fato se especifica o conceito humanidade.
Quantas almas vagam pelo mundo, aterrorizadas por seus passados sombrios,
Lamuriando por problemas, inúmeros problemas, acumulados com o tempo,
Porque culpa a sua falta de empatia devido a falta de humanidade?
Acredito eu que rancaram-lhe a humanidade, da pior forma possível, fazendo-lhe
Ser, quem hoje tu és
Arrancaram-lhe a força, tudo. Isto é doentio, imoral.
Epitáfio é pensar que tudo, tudo novamente, poderia ser diferente, novo.
Aí, nasce a vontade de começar de novo, e também o desejo de ser igual ao outro.
Mas não dá, queridos, porque o que passou, passou.
Por isso digo, a vida é uma baita oportunidade, e única.
Miseravelmente falhamos. E não da pra voltar atrás.
Passado não se refaz. Faz-se novo, novo presente.
*(provavelmnte feito nos dois primeiros meses de 2019)
A arte de viver é saber contemplar a vida passo a passo, dia a dia.
Lírios, orvalho, as chuvas que espirram as madrugadas.
Saber apreciar a vida é fundamental.
Não deixar o vácuo da ritualidade é essencial.
Não quero ser ranzinza, mas há muito tempo, temos morrido.
Se você se sente infeliz com a vitória do outro, existe algo muito errado em sua humanidade.
Mas talvez nós não sabemos o que de fato se especifica o conceito humanidade.
Quantas almas vagam pelo mundo, aterrorizadas por seus passados sombrios,
Lamuriando por problemas, inúmeros problemas, acumulados com o tempo,
Porque culpa a sua falta de empatia devido a falta de humanidade?
Acredito eu que rancaram-lhe a humanidade, da pior forma possível, fazendo-lhe
Ser, quem hoje tu és
Arrancaram-lhe a força, tudo. Isto é doentio, imoral.
Epitáfio é pensar que tudo, tudo novamente, poderia ser diferente, novo.
Aí, nasce a vontade de começar de novo, e também o desejo de ser igual ao outro.
Mas não dá, queridos, porque o que passou, passou.
Por isso digo, a vida é uma baita oportunidade, e única.
Miseravelmente falhamos. E não da pra voltar atrás.
Passado não se refaz. Faz-se novo, novo presente.
*(provavelmnte feito nos dois primeiros meses de 2019)
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Quando o ser humano quer sobreviver, ele cria a arte, tá ligado?!
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Comentários (2)
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