VACINAS, JÁ!

VACINAS, JÁ!

Vivendo um nefasto diário de mortandades, caminhamos lentamente vendo o país se mergulhar cada vez mais num imenso abismo, onde o fim deste, já sabemos, é o choque com a morte, com o descaso. Enquanto caímos, vemos lá em cima, uma luz, uma luz bem pequena, mas forte, a qual é capaz de, mesmo distante, ser brilhante. Em terra colonizada, com uma população tão flagelada, este raio atraente se chama Sistema Único de Saúde, poderoso, poderosa, forte, estridente, ocupado por centenas de profissionais que estão no limite físico e mental, que aliás, tudo a eles, sem eles, nada somos.  Aquele clarão que muitos que passam pela experiência de quase morte, também, vêem, em nossa realidade, pode ser denominado Fiocruz e Instituto Butantan, filhos do SUS, a esperança por vacinação vem deles, da ciência, dos cientistas, da mistura organicista e materialista daqueles que dedicam suas vidas para salvar a de outrem. Há maior gesto de amor?

Mas, como nem tudo é o amor, apesar de apenas este conhecer a verdade, como já cantava Renato Russo, temos que convergir com aquele que é o seu oposto, o contrariador, Jair Messias Bolsonaro, Presidente da República Federativa do Brasil. Com o nome completo desta abjeção, destaco a ausência de freyanismos e eufemismos para me relacionar aquele que combate a todo o momento a vida.

Neste atual momento, já são quase 300 mil amores de alguém mortos por este bárbaro crime político. Negacionismo sobre a existência do vírus, desprezo pelo distanciamento social, o não uso de máscara, a negativa em assinar acordos para a compra de vacinas, a ausência de coordenação para com os demais entes federativos no combate a pandemia nos levou até aqui, tem nos levado daqui. A batalha do atual gestor do executivo é para combater a vida, seu projeto político é de morte. Genocida.

Diante disso, que nos movemos cada vez mais pelo ânimo de nos vacinarmos, nos protegermos e permanecermos vivos para continuar lutando contra todas essas atrocidades, denunciando todos os crimes humanitários que estas pessoas (Bolsonaro e seus aliados) têm praticado. No momento certo, como vocalizava Sérgio Sampaio, estejamos prontos para colocar nosso bloco na rua, pois quando se trata deles, eu quero é botar pra gemer.

A primeira pessoa do plural tão pateteada neste texto  é porque “tudo, tudo, tudo que nois tem é nois” (EMICIDA, 2019), esse laço, mais comunidade do que sociedade, é o que deve nos mover. Estar junto nem sempre é estar perto, mas se ajuntar é ter este compromisso circunvizinho ao outro. Nossa matéria, necropoliticamente, já é eliminada num contexto antes pandêmico e que com tal fora impulsionada mais ainda. Todavia, não quero ir, desejo vida a mim e aos meus, mesmo a morte sendo sempre iminente. Pessoas se vão, idéias e o amor, sempre permanecerão. Por fim, parafraseando Wilson das Neves: Só morre quem não presta.

Esse, é um manifesto à esperança. Vacinas, já. Vida ao SUS e a população brasileira.

Marco Túlio Dias

19/03/2021.
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