Lista de Poemas
Desapego
As longas trepadeiras
Onde se prende a terra,
As raízes vão deixando as cicatrizes,
E sobe-me até a boca, e o peso ardente
Do que não se passou ainda,
Fica preso na garganta.
Mas desce-me por vezes a aurora
E caem folhas que de longe se tornam puras
Longe do barro que os calcanhares afundam,
Outras raízes em tormentos menores
Vão deixando aos poucos a compreensão da terra.
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
Onde se prende a terra,
As raízes vão deixando as cicatrizes,
E sobe-me até a boca, e o peso ardente
Do que não se passou ainda,
Fica preso na garganta.
Mas desce-me por vezes a aurora
E caem folhas que de longe se tornam puras
Longe do barro que os calcanhares afundam,
Outras raízes em tormentos menores
Vão deixando aos poucos a compreensão da terra.
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
👁️ 442
Hoje
Hoje me fez sol e me fez lua
E me fez sereno - o vento.
Que dia estranho e dístico
Quando mora qualquer momento.
Hoje me fez saudade. E me fez chuva
Fez-me errante.Hoje me fez claro o que
Era inconstante e oculto.
Hoje me fez espelho e sombra
Fez-me areia e brasas vulcânicas
Hoje sou ambíguo como uma abelha
Hoje sou um dia a continuar-se sempre
Tiago B Lyra
in " A lira desgovernada"
E me fez sereno - o vento.
Que dia estranho e dístico
Quando mora qualquer momento.
Hoje me fez saudade. E me fez chuva
Fez-me errante.Hoje me fez claro o que
Era inconstante e oculto.
Hoje me fez espelho e sombra
Fez-me areia e brasas vulcânicas
Hoje sou ambíguo como uma abelha
Hoje sou um dia a continuar-se sempre
Tiago B Lyra
in " A lira desgovernada"
👁️ 407
Ausência
Embarcam as vozes de trigos outonais
Estranhos moinhos de águas fluem
Desde as sombras do outono pressinto
Os cachos abertos e úmidos retornarem
Pisadas de ventos voltam a abandonar
As folhas. E de tão caídas abrem-se sozinhas
Os caminhos. Eu as possuo todas em mim.
Todas as folhas multiplicadas em cacho.
E desprende-se do limbo o lírio que de tão pequeno
Fecunda a saudade como um só golpe.
E lá fora onde termina as estradas de barro
Eu vou procurando os retalhos que sobrou de mim.
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
Estranhos moinhos de águas fluem
Desde as sombras do outono pressinto
Os cachos abertos e úmidos retornarem
Pisadas de ventos voltam a abandonar
As folhas. E de tão caídas abrem-se sozinhas
Os caminhos. Eu as possuo todas em mim.
Todas as folhas multiplicadas em cacho.
E desprende-se do limbo o lírio que de tão pequeno
Fecunda a saudade como um só golpe.
E lá fora onde termina as estradas de barro
Eu vou procurando os retalhos que sobrou de mim.
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
👁️ 571
A valsa
Cai à chuva e a janela aberta
ulula coisas, ternuras que
sempre solitárias
tramam carinhos noturnos...
Velo sobre as ondas e as ruas
desvelo de ais de asas de sonhos
enquanto teu sonho se assemelha
a um mastro de proa oceânica...
Rios solitários correm em minhas veias
comboios, procissões de preces, luares.
refulgor de lâmpadas me acena, aterradas
profundo de signos que ninguém entende....
II
TUA face de águas longes
brilha no céu, e na terra fecunda
semeiam espigas cor- de- prata.
Abraço a brisa e desde então caminho
com o vento, com as conchas marinhas
sonoras, edificantes, serenizadas.
Longe, longe das vozes dos bichos e dos homens
sinto toda a brancura da lua
sinto o escurecer das tardes sem estrela.
Mas se a luz clareia os meus olhos hirsutos
minha memória é um piano mudo
uma canção, uma trova sem substância.
Supérflua e bela é essa música que eu canto
sem voz, atônita, esvoaça e vai
quando no íntimo dispõe alegrar o infinito.
III
Vinhas de longe
a madrugada solene
abri a porta aos marulhos espinhosos
E vinhas distante
trazendo salinas areias
meu rosto, meus pés, me permeavam entre as roseiras
e minha infância caía sobre a noite
e sobre a noite caiam mulheres
com seus vestidos de luva.
Chorosas mulheres que foram meninas
agora adormecidas vão ao meu encontro
Que solidão! Que desespero de raízes antigas!
O que fizeste contigo? Qual culpa afugentou o tornadiço?
Pouco me importa se o outono traz-me o olvido
ou se a primavera renova os botões das rosas
Pois o amor é um exercício sem precisão de sê-lo
Tiago. B. Lyra
in "A lira desgovernada"
ulula coisas, ternuras que
sempre solitárias
tramam carinhos noturnos...
Velo sobre as ondas e as ruas
desvelo de ais de asas de sonhos
enquanto teu sonho se assemelha
a um mastro de proa oceânica...
Rios solitários correm em minhas veias
comboios, procissões de preces, luares.
refulgor de lâmpadas me acena, aterradas
profundo de signos que ninguém entende....
II
TUA face de águas longes
brilha no céu, e na terra fecunda
semeiam espigas cor- de- prata.
Abraço a brisa e desde então caminho
com o vento, com as conchas marinhas
sonoras, edificantes, serenizadas.
Longe, longe das vozes dos bichos e dos homens
sinto toda a brancura da lua
sinto o escurecer das tardes sem estrela.
Mas se a luz clareia os meus olhos hirsutos
minha memória é um piano mudo
uma canção, uma trova sem substância.
Supérflua e bela é essa música que eu canto
sem voz, atônita, esvoaça e vai
quando no íntimo dispõe alegrar o infinito.
III
Vinhas de longe
a madrugada solene
abri a porta aos marulhos espinhosos
E vinhas distante
trazendo salinas areias
meu rosto, meus pés, me permeavam entre as roseiras
e minha infância caía sobre a noite
e sobre a noite caiam mulheres
com seus vestidos de luva.
Chorosas mulheres que foram meninas
agora adormecidas vão ao meu encontro
Que solidão! Que desespero de raízes antigas!
O que fizeste contigo? Qual culpa afugentou o tornadiço?
Pouco me importa se o outono traz-me o olvido
ou se a primavera renova os botões das rosas
Pois o amor é um exercício sem precisão de sê-lo
Tiago. B. Lyra
in "A lira desgovernada"
👁️ 423
Poema do sonâmbulo
A noite é um barco vazio
Indo num túnel sem fim.
Para longe sem naufrágio,
Para longe para longe.
Eu durmo. Meu sonho,
Pobre espuma.
Vai erma, longe dos olhos,
Meu sonho.
Os dias são sinos, badala horas.
E uma canção triste é tudo
Que acorda,
Agora.
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
Indo num túnel sem fim.
Para longe sem naufrágio,
Para longe para longe.
Eu durmo. Meu sonho,
Pobre espuma.
Vai erma, longe dos olhos,
Meu sonho.
Os dias são sinos, badala horas.
E uma canção triste é tudo
Que acorda,
Agora.
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
👁️ 498
Da entrega
As tuas lágrimas de sal e flechas voam
Há tanta volúpia escondida nos corais
Que a tua carne fornece a uva ao trigal
Tiago B Lyra
in " A lira desgovernada"
Há tanta volúpia escondida nos corais
Que a tua carne fornece a uva ao trigal
Tiago B Lyra
in " A lira desgovernada"
👁️ 399
Soneto da amada
A noite escura e o céu repleto e lúdico
brinca na tarde e o crepúsculo irrompe
das mãos envelhecidas quanto fico
ávido e trêmulo enquanto se rompe:
a tarde triste cheio de esperança.
Vejo-te assim como uma manhã triste
beijo quando meu coração balança
as pálidas mãos quando estás distante.
Tu que não vieste à minha procura
e desta procura não me encontraste
que farei eu desta nossa vã procura?
A noite ainda é escura e o céu desde cedo
habita à tarde que não se envelhece
porque nada fica quando anoitece
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada''
brinca na tarde e o crepúsculo irrompe
das mãos envelhecidas quanto fico
ávido e trêmulo enquanto se rompe:
a tarde triste cheio de esperança.
Vejo-te assim como uma manhã triste
beijo quando meu coração balança
as pálidas mãos quando estás distante.
Tu que não vieste à minha procura
e desta procura não me encontraste
que farei eu desta nossa vã procura?
A noite ainda é escura e o céu desde cedo
habita à tarde que não se envelhece
porque nada fica quando anoitece
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada''
👁️ 381
Permissão
Eu te permito olhar nos meus olhos
dos cílios até os pés onde a pálpebra tirita doidamente
dos bálsamos que não chegam aos portos
das bátegas ao chão das tardes de angústia...
Eu te permito o teu olhar comprido e virginal
onde as gaivotas pousam no regaço
onde uma rosa tende a cair desesperada
Eu te permito olhar em meus olhos que são calmos
porque agora tudo flui como um rio que corre placidamente ao mar
porque a tua natureza é pura e perto da aurora ainda chora
e teu desejo não trai as lágrimas sentidas pela saudade
e a cor da esperança vive dignamente acesa quando dormes
eu passo a sonhar contigo cerrando meu peito frágil
como tuas palavras que são barcos e me leva para as pedras e corais
e nunca me firo. Nunca sangro. Nunca morro.
E tu és a única rosa púrpura se abrindo para o som das aves quietas,
porque o teu riso espalhou-se pelas sombras ou pela luz,
e os centeios perdidos na terra brilham o colmo e o fruto,
como as águas translúcidas espelham-se o céu visto ao alto,
e porque para ti vão-se todos os seres de minha alma,
ah, eu te amo pelo meu olhar que te ama.
Tiago B.Lyra
in " A lira desgovernada"
dos cílios até os pés onde a pálpebra tirita doidamente
dos bálsamos que não chegam aos portos
das bátegas ao chão das tardes de angústia...
Eu te permito o teu olhar comprido e virginal
onde as gaivotas pousam no regaço
onde uma rosa tende a cair desesperada
Eu te permito olhar em meus olhos que são calmos
porque agora tudo flui como um rio que corre placidamente ao mar
porque a tua natureza é pura e perto da aurora ainda chora
e teu desejo não trai as lágrimas sentidas pela saudade
e a cor da esperança vive dignamente acesa quando dormes
eu passo a sonhar contigo cerrando meu peito frágil
como tuas palavras que são barcos e me leva para as pedras e corais
e nunca me firo. Nunca sangro. Nunca morro.
E tu és a única rosa púrpura se abrindo para o som das aves quietas,
porque o teu riso espalhou-se pelas sombras ou pela luz,
e os centeios perdidos na terra brilham o colmo e o fruto,
como as águas translúcidas espelham-se o céu visto ao alto,
e porque para ti vão-se todos os seres de minha alma,
ah, eu te amo pelo meu olhar que te ama.
Tiago B.Lyra
in " A lira desgovernada"
👁️ 408
Dos caminhos
Os vastos caminhos nunca envelhecem a tua morada
Nem os troncos atrapalham o trajeto dos relógios
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
Nem os troncos atrapalham o trajeto dos relógios
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
👁️ 405
Minha avó eu tenho medo
Minha avó, também tenho medo, vó
do vento e do frio. do sonho vivido
Tenho medo desse quarto sem luz,
do ar estático, dos móveis também.
Deste sono que alarma as sombras,
desta realidade não contada,
tenho medo vó, dos carros que passam
da alvorada, do rio plácido e bravio.
Não pense vó, que meu pensamento voa
sem ter sido apreendido na gaiola, não,
do ínfimo minuto, dos salões e cristais
a luzir sobre as cortinas, sobre as fumaças...
Tenho medo, de ser somente eu, minha avó
E quando a porta se fecha, tenho medo também.
dos chinelos, dos rostos, dos jarros molhados
em que as raízes afundas os seus olhos ausente, vó.
Tenho medo de atravessar a rua, vó, sabia?e vê profundo
dentro de mim, dentro das multidões confusas , o ermo,
o rude espantalho, sem a sua cor verde de oliva, vó.
Mais o meu maior medo minha avó, é de não ter sido
capaz de beijar teu rosto ainda, mesmo que os anjos
não tenha conversado com os anjos do senhor, vó.
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
do vento e do frio. do sonho vivido
Tenho medo desse quarto sem luz,
do ar estático, dos móveis também.
Deste sono que alarma as sombras,
desta realidade não contada,
tenho medo vó, dos carros que passam
da alvorada, do rio plácido e bravio.
Não pense vó, que meu pensamento voa
sem ter sido apreendido na gaiola, não,
do ínfimo minuto, dos salões e cristais
a luzir sobre as cortinas, sobre as fumaças...
Tenho medo, de ser somente eu, minha avó
E quando a porta se fecha, tenho medo também.
dos chinelos, dos rostos, dos jarros molhados
em que as raízes afundas os seus olhos ausente, vó.
Tenho medo de atravessar a rua, vó, sabia?e vê profundo
dentro de mim, dentro das multidões confusas , o ermo,
o rude espantalho, sem a sua cor verde de oliva, vó.
Mais o meu maior medo minha avó, é de não ter sido
capaz de beijar teu rosto ainda, mesmo que os anjos
não tenha conversado com os anjos do senhor, vó.
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
👁️ 498
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Um pouco sobre Tiago B. Lyra
Começou a escrever na adolescência sob a influencia de seu tio, Eugênio Lyra, poeta consagrado. É autor da " A lira desgovernada" que ainda está em processo de conclusão, ( começou a escrever a lira por volta dos 18 anos de idade) livro que reúne versos de amor, angustia, solidão - e por vezes existenciais.
É formado em Pedagogia, também músico, educador e poeta.
Atualmente está envolvido em atividades acadêmicas, educativas, e pesquisas afins.
Começou a escrever na adolescência sob a influencia de seu tio, Eugênio Lyra, poeta consagrado. É autor da " A lira desgovernada" que ainda está em processo de conclusão, ( começou a escrever a lira por volta dos 18 anos de idade) livro que reúne versos de amor, angustia, solidão - e por vezes existenciais.
É formado em Pedagogia, também músico, educador e poeta.
Atualmente está envolvido em atividades acadêmicas, educativas, e pesquisas afins.
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