Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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O desgastar

A sola do sapato gasto pelo tempo
é apenas mais uma representação
do desgaste de quem o usa,
o tempo tem o poder de gastar a
camada abstrata da alma,
a camada móvel
do gasto
ganho
do desgaste.

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Poemas

82

O olhar para o eu

I. 
 
Vejo beleza em quase tudo,
nas minhas mãos,
essas que alcançam quase tudo.
 
Ando carregando o mundo nas mãos,
vejo beleza no meu ouvir,
esse que ouve quase tudo.
 
Sou existência crua e viril,
como não ser tanto e quase tudo,
escrevo sobre uma laranja comida ao pé da mesa,
como não sentir tanto
num mundo de tão pouco sentido
e raro tato satisfeito,
os olhares traçados em trilhas de lugares.
 
 
II.
 
Meus gestos são como dedilhados amargos na sua boca
seu jeito abismado com meu abstrato
estou nua, verde trevo é a cor do meu lado invisível,
indefinível para ti.
 
III.
 
Sou semente jogada em campo minado,
Sou a razão entre esses toques espessos,
Sinto-me como a árvore mais alta do mundo,
Guardando todos os restos de esperança,
Aguardando milênios a dentro,
Espalhando o brotar da purificação.
 
 
IV.
 
Quanto mais sujo e esperançoso se é,
mais instigante se torna a amarra delgada do estranho e do perfeito ser.
584

A importância dos atos

A cadência em fazer-se
o ato de temperar
o ato de mastigar
o ato de nutrir
o ato de gemer.
737

Corpos breves

Tu se esquecerás de hoje
assim como se esquecerá dos olhos que tanto te amam
nesta efemeridade de sentir pouco.
549

Guerra no papel

O movimento dos dedos no papel,
é como uma guerra contra si mesmo,
afagando o peito na vertigem da aceitação.
579

Não espere

Se não te leem os olhos,
por que irão ler teus lábios?
se não te leem com a voz aguda que te escapa,
por que irão ler teu silêncio compassado?
tu guardou-se as entranhas, mas cadê o coração?
não espere que sejam o que tu desejas,
ninguém está preparado para suprir devaneios alheios,
a devastação é tamanha, que o que sobra é pouco para os outros,
então existe tudo,
e existe tu e o mundo,
e existe tu e as insignificâncias,
e existe tu e as lacunas que te fazem cheios de si.
345

O olhar para o eu

I. 
 
Vejo beleza em quase tudo,
nas minhas mãos,
essas que alcançam quase tudo.
 
Ando carregando o mundo nas mãos,
vejo beleza no meu ouvir,
esse que ouve quase tudo.
 
Sou existência crua e viril,
como não ser tanto e quase tudo,
escrevo sobre uma laranja comida ao pé da mesa,
como não sentir tanto
num mundo de tão pouco sentido
e raro tato satisfeito,
os olhares traçados em trilhas de lugares.
 

II.
 
Meus gestos são como dedilhados amargos na sua boca
seu jeito abismado com meu abstrato
estou nua, verde trevo é a cor do meu lado invisível,
indefinível para ti.
 

III.
 
Sou semente jogada em campo minado,
Sou a razão entre esses toques espessos,
Sinto-me como a árvore mais alta do mundo,
Guardando todos os restos de esperança,
Aguardando milênios a dentro,
Espalhando o brotar da purificação.
 
 
IV.
 
Quanto mais sujo e esperançoso se é,
mais instigante se torna a amarra delgada do estranho e do perfeito ser.
 
 
 
 

376

Fantasia do verbo

Uma menina observou o silêncio,
Como quem se observa o amanhecer
Engoliu a beleza dos laços existenciais e transbordou no verso
 
O verbo e a menina findaram-se
Em concordância perenal
E assim nasceu a fantasia do verbo
 
Entre retinas e silêncios
Há fantasia do verbo
Entre a pedra e a terra
Há fantasia do verbo
 
As estradas existenciais de um ser
São cheias de buracos
E o fio que carrega a estrada
O mecanismo de significâncias humanas.
385

Viagens

Existem momentos que não há estrada
capaz de matar minha sede
por viagens literárias.
382

Versailles

Fazer o caminho, percorrer os lados, ofuscar os traços, borrando na tela, riscando os olhos, que veste o nu, desce,
fazendo o nó no ato,
os corpos ajustados ao passo que dilatam,
o olho que treme,
a mão e a coxa que se estende, a cama que respinga o amor e ódio,
a boca que geme, o rei sol que incide o fogo que queima e se estende,
nas virilhas do castelo, no homem,
na mulher que se prende,
a França na água ardente,
navegando na saliva do prazer dos crentes,
que o rei sol tanto depende.
 
397

Sou quem te recita

Declare tua liberdade aos meus ouvidos,
faça florescer meu cantar,
tua fala amena ao anoitecer,
tua renda que não me rasga.
 
Tu não és meu deleite de poeta,
tu és a sombra longínqua que me cerca,
o solo distante que me agrega,
o voo vazado que me cega.
 
Não me faça florescer ao sol,
não me carregue a rebou,
o abrasamento do meu ser na tua retina.
 
Sou quem te recita,
sou a luz noturna que te oscila,
sou o nascer na tua pupila.
 
369

Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!