Não espere

Thaís Fontenele
Thaís Fontenele
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Se não te leem os olhos,
por que irão ler teus lábios?
se não te leem com a voz aguda que te escapa,
por que irão ler teu silêncio compassado?
tu guardou-se as entranhas, mas cadê o coração?
não espere que sejam o que tu desejas,
ninguém está preparado para suprir devaneios alheios,
a devastação é tamanha, que o que sobra é pouco para os outros,
então existe tudo,
e existe tu e o mundo,
e existe tu e as insignificâncias,
e existe tu e as lacunas que te fazem cheios de si.
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