Lista de Poemas
SEREMOS UM ? (parte 2)
Satori
Parecia sentir o esforço, que emanava de um lugar dentro de si.
Sensação de aprisionamento, sem localização ou motivo definido.
Sentia-se como um pássaro, que inadvertidamente entrara em uma casa, encontrando pela frente, uma janela de vidro fechada.
De súbito percebeu claramente, que sua mente agia como uma barreira, difícil de atravessar.
Como aquela tal janela de vidro. Uma espécie de incompletude... Limitando um salto mais amplo de uma compreensão, que sentia existir em um lugar qualquer,dentro dela. Um nada... A ser conhecido.
Então aconteceu...
Por um momento, sentiu-se transpor aquela ilusão de barreira.
Um pequeno verso contendo dez palavras, três virgulas e um ponto final, produziu como que, uma explosão interna, abrindo as janelas da alma. Colocando-a por alguns segundos, num estado contemplativo conhecido como Satori.
Um vácuo nos pensamentos arremessou-a para fora do mundo mental comum, fazendo-a tocar a amplitude que existia, entre e além dos pensamentos.
Sentiu a alma expandir-se em plenitude e êxtase. Um profundo e indescritível silêncio dissolvia tudo a sua volta.
E esse tudo dissolvido... Era também, ela.
Não haviam palavras, capazes de descrever o que sentia. Simplesmente percebeu, neste estado ampliado de consciência, que sabia! Aquele ponto final, era apenas um simbolo que ela chamava de fim. Mas, não encerrava o conteúdo do verso... Ela sabia-se ponto e sabia-se... Interprete.
Então os pensamentos voltaram, brotando em forma de palavras ao intuir:
- Um ponto final é uma grande ilusão... Total !
Assim, saiu desse estado contemplativo.
Sua mente assumira o controle, desarquivando lembranças de sua memória. Numa sequência de saltos, semelhante a pipocas estourando numa panela.
Lembrou-se do tempo do ginásio, das aulas de literatura, dos poetas que estudara, dos namorados que teve, do concurso de poesia.
Sua mente era novamente uma pipoqueira,produtora de pensamentos aleatórios e soltos a qualquer vento.
Entre tantos pensares, quis saber a diferença entre prosa e verso. E concluiu, mais uma vez, ao pensar que concluía...
O mundo da poesia, vai além das palavras.
Permeia e Vagua pelos Mistérios da Existência e...
Deus..
Esse Grande Mistério.
Recitou baixinho, preparando-se para dormir nova...Mente. Aquele pequeno segredo, descrito em forma de verso... Lena tinha-o claro, vivo, pulsante em sua lembrança. Uma fotografia estruturada em forma, letras, espaços brancos e palavras. Que lhe convidava a dar um amplo sentido e Interpreta-lo ao seu bel prazer.
Você é consciência universal,
Sempre foi,
Sem começo,
Sem fim.
Viagem Astral
Adormeceu e sonhou...
Estava sentada diante de uma mesa enorme,envolta em volumes de livros dentro da biblioteca. Uma dezena deles, haviam sido manuseados por ela. Lena levantou-se determinada a acomodá-los nas prateleiras. Sidnei, o bibliotecário, não gostava desse tipo de ajuda. Dizia que as pessoas não sabiam ordena-los adequadamente. O que acarretava um caos, em vez de ordem. Ignorando essa observação prosseguiu seu intento. Ao arquivar o último livro, tendo o cuidado de olhar cada etiqueta de catalogação e sua prateleira correspondente, pensou em retornar para casa.
Durante o percurso entre as estantes e aporta de saída, um livro pequeno, porém bem grosso, chamou-lhe a atenção. Preparou-se para apanha-lo, mas não completou seu gesto, mudou de ideia. Recuou o gesto de pegá-lo, sem que seus dedos o tocasse, ao ler o titulo.
Era um Dicionário! O tão desprestigiado, Pai dos Burros! O exemplar era ricamente encadernado e da língua portuguesa. Uma pontinha de decepção fez parar seu primeiro impulso.
Ele é lindo mas... Tocou-o, pois não resistiu a aparência da textura e as cores. Era aveludado, marrom escuro e escrito em letras douradas. Deslizou vagarosamente os dedos. E isso foi tudo.
Virou-se rumo à porta envidraçada,determinada a sair. Assinou o livro de presença e seguiu para casa.
Caminhava tranquila pela estrada de terra,margeada por lindas flores silvestres. Conhecia bem aquele caminho, que ligava o bairro de Santa Bárbara , ao pequeno e aconchegante distrito, de São Francisco Xavier.
O sol nascera há poucos minutos e aquecia o seu corpo agora. Tira então a blusa de flanela, amarrando-a com as mangas à cintura.
Um matuto a cavalo vinha na contra mão e sem pressa alguma. E vida boa essa vida na roça. Pensou...
Dia! Dona,Lena!
Bom dia! Eque lindo dia, né mesmo?
Sim Dona Lena! E quás graça de Deus... Nóis vai levando a vida., como Ele Qué!
Deus ajuda quem cedo madruga.
Vai com Deus então!
E a sóra fica cum Ele, tumêm!
Amém! respondeu ela.
Amém, Dona Lena!
Não sabia o nome dele, nem quem era. Nunca o tinha visto, por essas bandas. Mas na roça é assim. Gente simples, trabalhadora e educada, aparece sempre pelos caminhos.
Depois de 30 ou 40 passos... Algo veio na ideia dela.
Achou estranho ser tão cedo e já estar retornando da biblioteca. Mas não atinou mais que isso.
Logo esse pensamento dissolveu-se. Sentiu no rosto e nos braços o calor agradável dos raios de sol.
Era uma manhã magnífica.
Na margem da estrada, onde milhares de hortênsias, beijinhos e cósmos, decoravam o caminho, uma pequena flor de oito pétalas chamou sua atenção.
Aproximou-se vagarosamente e ajoelhou-se diante dela. Era um cósmo.
Florzinha, simples e muito comum em sua chácara. Observou-a apenas, sem que tivesse coragem de toca-la.
Sua cor amarela, bem viva, puxando para alaranjado, parecia emanar uma luz diferente, muito brilhante, que lhe deixou como que... Intrigada, num misto de fascinada.
Fixando o olhar notou. Dela saiam raios luminosos e raiados. Como se lá estivesse encrustado, um brilhante.
Piscou e viu com clareza, uma minúscula gota de orvalho, pousada em uma das pétalas. E a pequena esfera parecia dançar, rodopiando vigorosamente, sem perder a forma. Desse turbilhão de movimento, real ou imaginário, emanavam múltiplas cores que cintilavam ou explodiam, provocados pela luz do sol.
A imagem era magnifica tamanha a beleza.
Percebeu um Universo revelado, na quele microcosmo. Numa florzinha de cósmo, em forma de gota.
Sumiram as palavras da sua mente. Incapacitando-a de descrever tamanho espetáculo.
De repente, ao ver-se sem palavras diante da cena, sentiu-se muito confusa e insegura.
Algo desperta dentro dela.
- O que é que estou fazendo aqui? - Que coisa doida! Não me lembro de ter saído de casa... E logo tão cedo?
Lembrou-se que estivera lendo um verso.
Como chamava mesmo? Era Confucio?
Não! Não era Confucio... Confusa estou eu.
Eu li um pequeno verso....
Fechara o livro, lembrava-se disso, colocando-o na mesinha de cabeceira.
- Cadê meu livro? Meu quarto... Minha cama?
Teka barreto/2008
(Fim da parte 2) continua...
Toda nudez será castigada
Vagando nua
Como é levado este Deus, meu!
Que brinca de pique-esconde, comigo!
E a terra continua vazia e nua...
E o espírito de Deus era levado...
No meu corpo que é de terra
Adornos de grife me encobrem
Ainda assim sinto-me nua!
O que vejo, não sou eu!
Vejo pobreza de viço
Falta um brilho...
Um toque de purpurina?
Talvez... Talvez...
No meu corpo que carrego
Aonde vou... Lá esta ele!
Ele fala o que quer
De tudo ele se encarrega
Ele é que me carrega
Nem se quer me dá ouvidos!
Bem na frente de todos e sem vergonha.
Embusteiro...Oh, mentiroso!
Tal qual sombra espelhada
Nas águas que são levadas estou eu, imóvel, sendo levada!
Naufrago sem me molhar
Quem sai na chuva é meu corpo!
Como pode a minha terra, tão regada, adornada e travestida...
Chegar primeiro que eu?
E nada nem ninguém me vê, além dele!
E tudo é um aparente ser, fazer e ter!
Mas que pobreza de vida rica é esta?
Vida nua! Terra nua!
Envergonhada e despida
Diante de tão pobre mente
Que Deus me valha e me valide!
Não o meu corpo... Nem minha terra... Nem a nação!
Como sair desse escuro abismo...
Como comandar a terra a mim prometida?
teka barreto
Porre Divino!
Se a vida tá um porre... Mais um gole!
Outra dose!
Não de whisky ou cerveja.
Embriague-se do mal te
Fermentando...
Do puro senso extraído do juízo!
Ah...Mais um porre!
Bem merecido
Motivado por verdadeiro motivo... Razão!
E as faces ficam vermelhas
Ruborizadas...
É porre de vergonha na cara!
Este não nos envergonha ter,
Nem envergonha ninguém que tem!
Um porre Divino! Dionisíaco!
teka barreto
SEREMOS UM ? (PARTE 3)
O que é que estou fazendo aqui?
Imediatamente uma sensação de clareza, pareceu abocanhar aquela pergunta.
Clareza... Sem limites.
Tão imensa quanto a liberdade.
O inicio de pânico, dissolveu por completo a resposta, como... Tudo. Clareza é luz sem padrão.
A lógica, ganhava consistência. A lógica, conformava as crenças. Sentiu uma espécie de elasticidade em recolhimento. Sensação de apreensão e encolhimento. Sentia ela no momento. Agora!
Em seu próprio universo... Algo nascido... Morreria. Findaria em um átmo de tempo...Uma reação... Um movimento.
O tal Agora! Se escapulindo dela, seguindo rumo a uma conclusão... Algo passado, concluído como ponto final.
Há final quando há, repouso. Quem movimenta o fazer? Ela sentia que sabia!
Uma possibilidade causativa, repousava!
Dentro dela, sentia que tinha que escolher fazer algo. Fazer o quê?Mesmo que ainda incerta... Mal Informada.
O agora, findo... passara a bola da vez, para ela!
Que fazer?
Sim, era apenas um sonho, diferente - Teve consciência disso.
A tranquilidade pareceu querer reinar... Vinha do arraigado conceituar, in memoria dos passados como apenas lembranças.
Então, um novo pensamento lhe ocorreu. Não é um sonho, qualquer. É... Sonho real! Sei. Sei... Que estou aqui e viva!
- Mas se estou sonhando...
Encontrou sem esforço, no bau de suas memórias, uma resposta explicativa para a situação presente.
Sabia... Que já lera em livros, aquele tipo de experiência...
Estava em plena viagem astral.
Muitas vezes ao deitar-se, depois de rezar e meditar algum tempo, ficava imaginando... Querendo. Que ao dormir, acordasse da noite. E ela, sairia em uma viagem astral.
Como ela sabia... Sabia que... Que isso era bem possível, de estar acontecendo agora.
Lena, assistira inúmeras vezes o filme da atriz Shirley MacLaine. Que descrevia seu adentrar no mundo espiritual, e sua busca de grandes respostas. Numa das cenas, Shirley sai de seu corpo físico e conhece o universo, tal qual astronauta sem nave a guiar-se pelos pensares e perguntares.
Lembrou-se da cena em que Shirley, vagava sozinha.
E sentiu, mais um friozinho de medo.
Entrou num pequeno conflito... E tentando acalmar-se, criava suas próprias respostas. Justificando com sua razão os motivos e a confusão. Tinha motivos de sobra, para estar e sentir-se com medo e com insegurança. Justificava-se divagando, murmurando seu dialogo... Monologado.
Chico Xavier tinha um anjo sempre com ele. Um tal de Emanuel...
Antes que o desconforto tomasse vulto...
Onde estaria o meu?
Sempre sonhara com a tal viagem do tipo Shirley, mas nem de longe pediu em oração, para sair em viagem, sozinha. E justificava, tentando explicar e convencer-se de que havia uma falha. Buscava ela, a resposta para o fato muito vívido e... Inexplicável. Ela não desistia.
Chico e Emanuel, estavam sempre juntos. Dormindo ou acordado, Chico Xavier, estava sempre escudado por seu fiel anjo!
Certo é que, o filme provocou lhe uma certa gotinha de compreensão...
E com sua habilidade e capacidade imaginativa, buscava melhorar e esclarecer o que de fato... Pedira. Alguém entendera mal, os seus pedidos orados.
Relembrava-se. Puxava pela memória as palavras usadas, tal como pedira em muitas das noites, aquele tipo de aventura. Conversa dela, com ela.
Deus... Que o meu anjo da guarda, venha esta noite me buscar, para um fantástico passeio com meu corpo astral.
E quando essa noite chegasse e ele aparecesse, pensava ela em pedir-lhe, que a levasse a voar pelos céus da, Índia.
Sentia que queria muito entrar no castelo Taj Mahal e meditar ali.
Queria ir também ao Ashram do Osho. E se possível, fazer-lhe uma única perguntinha. Ao escutá-lo respondendo-lhe a pequenina pergunta, ela se iluminaria.
Via-se agradecendo, mãos unidas em sinal de Namastê. Dois iluminados... Entre si ligados, a sorrir com o coração. Se separavam, como duas unidades com aparências, distintas.
Mas...
Ela se dava conta agora, que esta experiência quase palpável, não vinha do mundo dos sonhos planejados com tanto esmero e desejo.
Estava realmente acontecendo com ela algo. E ela sabia... Que não sabia... Nada sobre isso, fora quisá descrito! Não. Não era um simples sonho.
Via que, não havia cordão de prata coisa alguma...
E nem coisa alguma, visível.
Era um sonho nunca sequer imaginado por ela. Era algo bem vivo, bem real!
Lena estava pela primeira vez, consciente de sua “Expansão”. Como chama de uma vela que envolve todo o pavio.
Lena, saíra do centro, sem abandona-lo a deriva. Do pavio se fez pavio. E uma luz ascendeu, expandiu-se e envolveu o que antes era apenas breu.
Saíra de seu corpo, de sua mente lógica e não conseguia ver sem o uso dos olhos carnais.
Já... A mente, pouco a pouco ela sentia, ir ganhando um crescente, porém tímido controle.
Olhou no entorno, tentando se situar e nada viu. Nem sabia onde era o entorno. Percebeu que mesmo não vendo o entorno...
Sabia que lembrava... A sensação de olhar em torno. O corpo parecia buscar o que ver... O que sentir. O corpo tinha... Ela sentia, mas não conseguia descrever.
O corpo erriçava uma espécie de bilhões de olhos. Era sabia ela dentro dela... Era uma questão de dominar o Zoom.
Olhe em torno, Lena.
Pensava-se ela. Mesmo sabendo que não sabia onde começava ou terminava.
Perguntou-se então...
Onde sinto que sou mais eu?
Nada...
Onde sinto que sou... Sendo eu, eu mesma? Não era coisa fácil de se compreender, muito menos fazer ou controlar.
Mas, Lena sabia que! Tinha que fazer algo! Intuía que esse era o caminho para ver. Querer... Querer muito ver.
Ver-se vendo-se a ver.
Seja o que fosse esse querer ver...
Viu seu corpo deitado na cama.
Nossa! Estou ali, dormindo.
Isto é... Meu corpo está dormindo.
Não teve medo... Sentiu-se instigada a querer ver mais um pouco.
Olha ele ali. Eu me lembro disso...
E viu seu livro. Estava ali ao lado da cama. Viu a cama, o livro e até a toalhinha sob o livro. Viu a pequena mesinha, muito antiga, que ela mesma havia restaurado. Viu. Viu tudo... Ou quase tudo.
Então, já mais centrada, sentindo certo auto controle. Lembra-se...
Está faltando o tal anjo da Guarda.
Perguntou-se a si mesma ainda que timidamente, pois sussurrava em em seus pensamentos.
- Ei... Anjo da guarda! Onde você está?
Nada aconteceu.
- Ei...Senhor anjo, me escuta. Se a noite da minha viagem astral, é hoje, onde o Senhor, Senhor Anjo, está?
E nada...
- Eu acho que fui muito clara nas orações. Queria ir... Mas com meu anjo! Será que... Será que eu cheguei primeiro? E arrematou pensando...
-Nunca vi um anjo,se atrasar!
Ouviu então uma resposta. De um jeito diferente, assim como uma intuição que se escuta
- Nem nunca viste um anjo, ora pois!
Sentiu um estremecimento. Muito diferente de um simples friozinho na barriga. Era algo imenso, do tipo que arrepia os pelos, mas... Lena, não se intimidou. Estava disposta a enfrentar esse tremendo, momento desconhecido, pensou...
- Então... Isso significa que, Anjo não tem forma?
- E nem mesmo atrasa, repito-lhe. Ora pois!
- Como assim?
- Prestes bem atenção, anjo da guarda não se atrasa, porque está sempre presente! Compreendeste agora?
- Ah! E faz sentido... Mas anjo tem forma ou adquire uma? Pergunto porque não compreendo totalmente. Pensa comigo...
Vos, do além...
Parou sua fala pensada bruscamente.
Sentia-se confusa, pois estava em duvida se seria compreendida.
Continuou então.
Vos, do além, que tem voz. E que a tua voz, eu escuto bem...
Já ia entrar no mais confuso, quando a voz, interrompeu-a
- Senhora Lena, perdoe-me interrompe-la, mas eu, tenho a forma que sempre tive... Desde sempre sou assim.
Sempre fostes desta maneira... ?
Valha-me Deus!!! Havia ironia no pensamento. Seu pensar tinha um leve sotaque português.
Quero ver sua cara de anjo. Me entendes, ou cousa que o valha?
- Fique calma... Serena. Estou aqui, junto a ti minha Senhora.
-Aqui onde?– Vós, que é só uma voz. Pensas que não sei que tens um sotaque de português! Mas onde, de onde sai este sotaque?Essa voz tem ao menos uma boca? Onde... Onde?
Não vejo nada de você, além de... Algumas outras partes.
-Se me permites, Senhora Lena. Que partes de algumas partes a Senhora vê? Explico-lhe minha pergunta. Estamos certamente com nossas linhas de comunicação atrapalhadas. Diga-me lá, Senhora Lena, explique-me melhor. Se vês algumas partes, então me vês em partes. Pois estou, em toda e qualquer parte.
Com uma ligeira irritação, que revelava o seu pavio curto, completou, sem hesitação e sendo muito incisiva.
- Escolha uma parte desse todo lugar... Uma entre todas. Uma e a particularize! Quero ver você, voz do além.
Materialize-se... Ou pouse na minha frente.
- Senhora és de fato, muito inteligente, saabes?
- Sei! Mas apesar disso não consigo vê-lo. Então, de que me adianta ser inteligente? Preciso saltar para o nível de vidente. E isto é bem evidente. Não acha?
- Tu és muito perspicaz! Tem muita lógica, o que me pedes. Estás a ouvir-me, mas não podes me ver.
- Que bom que me compreendeu. Gosto de clareza nas conversa. Apareça vós do além, pois gosto como disse de transparência.
- Já estou transparente, Senhora. Mais do que isso, impossível.
Lena... pensa até 10, sem pressa.
- Transparente é transparente, claro... Entendi. Estamos com problemas de comunicação mesmo, concordo voz portuguesa. Melhor dizendo... Seja então, menos transparente e mais aparente. Compreendeu?
- Pois é claro que sim, Senhora Lena. Compreendi-a desde o princípio. Mas confesso que, ficou muito melhor o enunciado. Não achas?
- Sim, concordo.
- Pois então. Pudeste notar que a escolhas das palavras, são deverás importantes. Transparente e aparente...
Lena não esperou a voz,completar a frase.
- Onde você está? Quero imediatamente vê-lo. Não gosto de falar sozinha...
- Não falas só. Pois, estás a falar comigo, Senhora Lena.
- Estás pois sim, oh voz, de portuga e duma figa, a torturar-me as ideias, isso sim.
Mesmo um anjo tem que ter uma forma... No meu entendimento, é claro.
Assisti semana passada, o filme do Anjo Micael, com o Travolta. Anjo tem forma e asa, se não...
- Estás a assistir muitos filmes, Senhora Lena. Estás, fascinada eu diria. E é com todo respeito, que vos digo isso.
- Por favor, me entenda bem, vos que sois, voz do além. Tem que ter uma forma. Que seja a forma de um santinho. Do tipo Santo Expedito.
Senão... Senão, não é anjo, guru e muito menos Santo. Falo com quem? Pois, ora pois, isso está começando a não me cheirar muito bem.
- Permita-me interrompe-la. Já viste então Senhora Lena, o seu nariz? Pois diz-me que algo começa a lhe cheirar não muito bem... Sente-se resfriada, Senhora? Ou seria apenas um chiste, de nossa comunicação em língua portuguesa?
Lhe parecendo coisa do... Do, Tinhoso! A indescritível cena. Lena era só uma coisa... Duvida! Um grande ponto de interrogação.
-Eu, tenho certeza. Eu, não tô louca, não!
Enorme silêncio...
- Ou estou? Alguém por favor, me da um beliscão! Deus, meu !!!
- Ah, achaste o corpo então? Onde queres Senhora, levar o tal belisco? No braço ou no rosto?
teka barreto (2008)
(fim da parte 3)
mar de rosas
se a vida nos dá rosas
vem com elas alguns espinhos
Moira de Castro
SEREMOS UM ? (parte 1)
SEREMOS UM ?
Este texto nasceu sob um impulso incontrolado, de colocar asidéias prá fora. Uma espécie de faxina mental foi o que fiz. Enquanto olhavaatentamente para o borbulhar de tantos pensamentos emergentes e aparentementedesconexos, algo internamente escaneava como um programa antivírus, osletreiros mentais que surgiam.
Conceitos e pré-conceitos rolavam em minha tela mental. Revia-os um aum, enquanto uma voz vinda de não sei onde, me falava da importância de me“LIVRAR” deles.
Sentia-me febril. Estremeci ao ver certos padrões arraigados como ervasdaninhas em minhas ações comportamentais.
Percebi, sem conseguir nomear com palavras, a mutação da vida percorriaminhas veias e células.
A dor que sentia revelou-me a causa de minha aparente doença. Os efeitosarrepiantes, paralisadores e mutiladores das conexões intelectuais com osdemais sentidos físicos, eram produzidos pela minha própria resistência àsmudanças.
Sensações a flor da pele e desconexas, pareciam travar uma espécie deluta de aspecto muito sombrio.
Minha vida emergia em recapitulação, causando-me um furor e uma angustiade incalculável magnitude.
Debati-me erupcionando palavras de aflição incandescente ao vento.
Durante esses momentos críticos, minha mente parecia dissolver-se diantedos conceitos da dualidade limitante e parecia querer aceitar sem mais resistiros mistérios da Existência Ilimitada.
Minha louca necessidade de descrever o que se passava comigoracionalmente, foi perdendo as forças.
Parei de resistir. Minha racionalidade parecia definhar, perdendo asforças diante da LUZ intensa.
Um crescente sentimento de clareza foi se apoderando de tudo. Algointenso começou a brotar em um lugar dentro de mim.
Senti-me no limiar, entre a loucura e alucidez total.
Porsorte, encontrei um amigo, há muito tempo esquecido. Era só o que eu precisavanaquele momento agonizante. Um amigo para desabafar. Alguém que me escutasseatentamente, enquanto convulsionava internamente.
Durante mais de quarenta horas fiquei diantedesse amigo, abrindo meu coração e minha mente.
Em nenhum momento sequer, ele interferiu ouquestionou, meus devaneios.
Esse monólogo aparentemente interminável me possibilitou seguir portemas obscurecidos e embolorados, arquivados em vários compartimentos damemória.
Sentia uma profunda necessidade de esgotá-los, tirá-los dali a fim decriar um espaço saudável, limpo e acolhedor, onde pudesse relaxar e meentregar, como alguém que chega finalmente em casa.
Então aconteceu! Não sei precisar o momento exatamente.
Como uma agulha emperrada em um sulco de vinil, senti-me saltar para afaixa seguinte.
Pude olhar finalmente para “mim”. Meu falso ídolo perdia sua força.
Percebi claramente o que doía e por que doía.
Ri e chorei alternadamente, por não sei quanto tempo.
Quando finalmente parei e olhei para meu amigo, ele serenamente meentregou outra folha em branco.
Pude “ver”, a grandeza e o simbolismo de seu simples gesto.
Aceitei com humildade a extrema unção.
Diante dessa folha preenchida de Luz branca, sem mácula, senti-merenascer.
Compreendi a ilusão impressa no mundo. Meu mundo!
Fiquei fascinada com a nova visão aflorando. Compreendi a verdadecontida na expressão “uma luz no fim dotúnel”. Entreguei-me a ela e me deixei envolver por sua guiança.
Senti-me“Folha Branca”, totalmente preenchida pela LUZ Divina.
Meu coração pulsava agora uma música “Cheia de Graça”.
Resolvi então, contar sobre a minha desilusão, brincandocom as letras que este amigo me oferecia gentilmente. como balas de gomacoloridas.
Meus dedos sobre o teclado, não se cansavam. Dançavam, produzindo músicano frenético toc-toc-toc.
Eu vibrava em alegria, com cada ponto e vírgula que saltava aos meusolhos.
Tudo a minha volta ganhara um brilho renovado e pulsante.
Não poderia ter sido mais oportuno, este nosso reencontro.
Ele caro leitor, me mostrou que reciclar lixo é muito bom, mas deixar deacumular e produzir é... Milhares de vezes mais saudável!
Comsua licença, gostaria de me dirigir a ele agora, ocupando esta pagina, quedeveria ser somente sua.
Sou grata a você por isso, velho computador5.86.
Você, com sua silenciosa presença me inspirou o registro desta história, desde a primeira letradigitada.
Agora voltando a você fraterno leitor, esperoque “veja”além das palavras aqui impressas, o que sua alma quer lhe revelar.
Sinto um profundo carinho e respeito pela suaexistência, companheiro de jornada planetária. Meu Irmão na luz.
(Fim da 1° Parte) Teka Barreto (2008)
Ser amor e CêRamar
Ser amor e CêRamar
Amar a quantidade
É idolatria do barro
Na produção do consumo
consumo vira insumo
Tempo é dinheiro
Ligeiro
Urgindo sem Qualidade
Apressando enfeitiçados
Espelho, espelho meu...
Todos quererão comer-me?
Tal qual maçã dentada
Marcada à frio num laptop
Um ícone, evoluindo
Qual Windows pirateado
Workando, no meu emprego
Empregado manipulado
Lucrando com os meus
Clicks... Um oco pré Meditado
Alertas de mais consumo
De gente em liquidação
Neste mundo quem não posta
Se quer servirá prá húmus!
Por isso tanto faz
Se há virtude no que posta
Não te exponha
Apenas click... É resposta!
E assim nos conformamos
Com as fôrmas que vestimos
Está vida, assim não dá!
Nem nos tira, coisa alguma!
Está vida só devolve
As brotas de nosso plantio
Se os frutos são puro fel...
Não culpe só as sementes
Transgênicos agricultores
Semeiam clickes... Sem Mente
E o que era para SER
Vira não sei, que fazer!
Quem eu sou?
Pr’onde vou?
D’onde vim?
E para que?
Um oleiro a pensar
na beleza de um pote?
Amar o fazê-lo bem?
Amar o fazer...
O belo FAZER... AMAR!
Não o pote !
teka barreto
Sou toda... Ouvidos!
teka barreto
Só título
Autômato
Autômato
Repito
O automático é
Repetição
Repito
O automático é pura
Repetição
Repito
O automático é sem razão
Repetição
Repito
O automático é com razão
Repetição
Repito
O automático é repito,
Repetição
Se ainda não compreendeu...
Repete a ação
Pausa da... Mente
Canso de repetir
Autô-MATA-mente
A morte que não vivi
Teka barreto
Detesto espelhos
Detesto espelhos
Prefiro não ferir
Pré firo!
Detesto
Atestar que detesto
Atesto!
Não gosto quando me vejo assim
Assim como?
Assim, assim...
Prefiro verter todo vinho
No buraco duma pia, calada.
Pia não fala...
Pia nem pia !
Nem pio eu, quando silente
Pasmada... Diante de mim!
Detesto espelhos...
Tem vazio morando lá!
Teka Barreto
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