Lista de Poemas

Lembranças

De todas dores que senti
Esta é imensurável.
Como se eu nunca vivi,
Tampouco memorável.

De todos momentos que passei
Este é tão efêmero...
Segundos duram décadas,
E uma hora, um milênio.

Momentos fazem a vida,
Pessoas fazem momentos,
Aproveite cada um;

Um dia será memória,
Um dia será história,
E não se altera nenhum.

De todas lágrimas que derramei
Desta não posso fugir.
Porém não mais chorarei,
Pois agora hei de partir.
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Limiar

me vejo sentado
no parapeito desse prédio.
minhas pernas balançam
inertes ao vazio;
o vento uiva
como se trouxesse mensagens
que nunca foram-me ditas,
segredos que nunca foram
formulados,
e sonhos que não serão
realizados.

em um ímpeto,
rompo a inércia:
me atiro do comodismo,
e enfrento essa quimera bipolar
que existe dentro de mim.
onde ora me prende,
ora me julga,
ora me entende,
ora me empurra.

ao me lançar,
sinto o vento em meu rosto
as lágrimas voando,
o destino não importa,
o abismo me chama;
até que meus pés tocam o chão:
eu levantei da cama.
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Palavras Insuficientes

A luz que fulgura,
E me guia ao paraíso,
Vem do brilho dos seus olhos,
E do clarão do teu sorriso.

A escuridão inexiste,
Tu me iluminas por inteiro.
És meu ponto de equilíbrio;
Um yin-yang perfeito.

Banha-me com ternura,
Com teu gracejo e doçura,
Como já faz sem perceber.

E saiba que penso em ti,
Ao acordar e ao dormir;
Em meu coração, só há você.
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Exílio

Por muitas vezes, a morte é silenciosa,
Não vem descrita em verso ou prosa,
Começa sutil, espalha vertiginosa,
E o motivo à ninguém endossa.

Taciturno, me fecho, me privo.
Não deixo escapar nenhum detrito
Daquilo que dizem que é estar vivo,
Mas condenam-me com olhar intensivo.

Tacham-me de anomral, maluco, doido,
Quaisquer xingamentos à mim é pouco!
Mas vem cá, quem está verdadeiramente louco:
Eu, ou você quem me deixa afoito?

A sociedade adotou uma religião,
Sendo essa a seletiva exclusão,
Liturgia pregada contra o irmão,
Que vive em seu mundo, sem ser o vilão.
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Inexistente

A costa do aço,
Massageia carmesim,
Transborda o denso,
Líquido do fim.

Corpo inerte,
Dores ausente,
Mente apagada,
Inexistente.
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Doente

O coração impuro de uma fera doente
Tremula. Ungido por medo de dúvida.
Debate-se, em um ímpeto dormente;
Desperta, em um estado de fúria.

Perdida, segue andarilha,
Busca sua paz e redenção,
Mas as mágoas intrínsecas da vida,
Jamais a deixam, jamais deixarão.

Em momentos de cólera, grita indômita,
Extravasa seus demônios mais profundos,
Atinge aqueles que ama, ainda atônita,
Vive na dualidade, entre dois mundos.

A dor rasteja em suas costas,
Cicatriza, deforma, compele,
Cruza entrelinhas transpostas,
E seu coração é onde mais fere.

Porém, é apenas uma besta doente,
Fadada a partir em prantos e anseio.
Mas no fim, esta besta doente,
É o que à mim, há de mais parelho.
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Chama Apagando

Lesão em minh'alma
Cuja hemorragia não estanco,
Afeta-me profundamente,
Mundo torna preto e branco.

A dor advinda
De palavras proferidas,
Por outrem que não compreende
O pesar de minhas feridas.

Tratais meu esforço
Com maior displicência.
Libai-vos do meu sangue!
Enquanto cesso minha existência.

A celeridade de meus galgos
Somente eu sei.
Mas tornam a cobrar
O que jamais serei.
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Normal

O que é ser normal?

Perder-me por um motivo banal?
Não importar-me com uma mais morte no jornal?
Não ser grato no final?

Não permitir-me sonhar?
Não acreditar no "amar"?
A si mesmo não querer salvar?

Não ter sentimento para com nada?
Não dar bom dia na entrada?
Não dar um riso, uma gargalhada?

É...
Talvez eu seja normal.
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Escuro

Dor.
Uma palavra tão forte...
Advinda por pessoas, labor,
Outroras, falta de sorte.

Mas a pior dor
Não é a dor do grito,
Não é dor de amor,
É a dor de ser esquecido.
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Pétala Carmesim

Uma flor avistei,
Num campo belo, sozinho,
Com veemência a peguei,
Machuquei-me com os espinhos.

Soltei-a e lá deixei!
Percebi que outro a pegou,
Espantado fiquei,
Porque ele não sangrou.
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