Doente

O coração impuro de uma fera doente
Tremula. Ungido por medo de dúvida.
Debate-se, em um ímpeto dormente;
Desperta, em um estado de fúria.

Perdida, segue andarilha,
Busca sua paz e redenção,
Mas as mágoas intrínsecas da vida,
Jamais a deixam, jamais deixarão.

Em momentos de cólera, grita indômita,
Extravasa seus demônios mais profundos,
Atinge aqueles que ama, ainda atônita,
Vive na dualidade, entre dois mundos.

A dor rasteja em suas costas,
Cicatriza, deforma, compele,
Cruza entrelinhas transpostas,
E seu coração é onde mais fere.

Porém, é apenas uma besta doente,
Fadada a partir em prantos e anseio.
Mas no fim, esta besta doente,
É o que à mim, há de mais parelho.
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