Lista de Poemas

Verde

Ah...
Como é bom respirar

Uma libertação momentânea,
Que não fere, arranha,
Uma felicidade espontânea,
Ah...

Um peso ao vento,
O fim de um tormento,
Alívio por dentro,
Ah...

Esperança que nasce,
A dor que jaz, parte,
O fim de um embate,
Ah...


O farfalho vertiginoso,
Silêncio estrondoso,
Porém, harmonioso,
Ah...

Um sentimento diferente,
Que estava latente,
Que mexe com a mente,
Ah...

Como é bom poder lembrar,
Que ainda posso amar,
Por aqui, ou acolá,
E ah...
Como é bom respirar.
👁️ 251

Dilema

Qual o preço
Da certeza incerta?

Qual o preço
Da dúvida dúbia?

Desvio ou mantenho?
Paro ou prossigo?
Garanto o hoje,
Ou o amanhã, arrisco?

Um navio em seu porto,
Seguro ele está,
Mas eles foram feitos
Justamente para navegar.

Porém, meu porto me conforta,
De lá fora tenho medo.
Mas entre águas truculentas,
Jaz meu desejo.

Minha porção de dúvida
Diariamente consumo,
Áspera e seca que és
Torna-me mudo.
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Devaneio

Vento, venta.
Assopra, leva.
Balança, movimenta.
Num instante, cessa.

Tenra lua,
Clareia o escuro,
A noite nua,
Esconde o futuro.

Solitária, mas não sozinha,
Um coletivo singular,
O céu naquela noite tinha,
Uma imensidão em um só lugar.

Cintilava apagada,
Fulgurava, mas latente.
A estrela que brilhava
Jazia apenas em minha mente.
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Ventos de uma segunda-feira

Dizer-lhe-ei a verdade:
Sinto-me vazio por dentro,
Uma artéria pulsando por nada,
Um folha pairando ao vento.

Outrora fora diferente,
Havia um motivo para sorrir.
Mas a meteorologia falhou,
E o céu, fechou pra mim.

Nublado ele ficou,
Mas não fora uma tempestade, 
Não foste outro devaneio,
Era a dor da realidade.

Àquela que eu fugia
Por não aceitar tua partida.
Tua luz não mais fulgura,
Não guia minha vida.

Sem tu, definhei aos prantos.
E não é uma descrição dramatúrgica.
É como um trovador sem suas linhas
Ou um bardo sem tua música.
👁️ 244

Ela

Quando tento fugir
A dor me lembra ela...
E a sua capacidade de ferir
Mas sua aparência tão bela.

Corri atrás, mas foi em vão.
Você apenas me ignorou.
Entreguei a ti meu coração,
E você o pisoteou.

Então busquei salvação,
Me iludi com o futuro,
Pensei em reconciliação.
Mas fora estapafúrdio.

Não foi possível, entendo.
Não sabia no início.
Lhe prendi ao meu relento;
Ao meu sonho tão frívolo.

No fim, sou apenas um trovador,
E acabo sonhando demais.
Me prendo ao amor,
E me disperso da realidade que aqui jaz.
👁️ 245

Artista de uma vida

Mais um dia
Se passou,
E me pergunto:
O que restou?

Um dia
Tão vazio...
Mas qual deles
Não têm sido?

As mesmas coisas
Vez após vez.
Nas loja de decepções,
Já sou freguês!

A função da minha vida
Se resume a isso:
Causar desgosto;
Orgulho restrito.

E viver assim
Me desperta uma dúvida:
Vale mais não existir,
Ou uma existência dúbia?

Me vejo como um pintor
Que pintar não sabe,
Pois apenas vislumbro alegria,
Na tela de minha face.
👁️ 238

Futilidade

Já pensaste um bocado,
No quanto é inerente,
De nós ser cassado
O desejo iminente.

Neste mundo, tão imundo,
Liberdade não há!
Abdicam nossa essência,
Nossa vontade de sonhar.

De pessoas a canções,
Esta terra esvazia-se.
Basta dois ou três tostões,
E júbilo então cria-se.

A falácia se apresenta,
E nos gera certa intriga:
"O dinheiro nos sustenta
Amor não enche barriga!."

Me considero um estorvo,
Como um pássaro em tua gaiola:
Onde um clamo de socorro
És belo àqueles em volta.

Por entre linhas frágeis,
Tento vos libertar.
E mostrar que o Homo Sapiens,
Olvidou-se de como amar.
👁️ 239

Teatro sem cortinas

Marionete sem cordas,
Controlado remotamente
Mente vazia, corpo automático,
Contudo, dor latente.

Tão quanto um fantoche,
Onde repete um roteiro,
Sigo o meu próprio,
Anestesiado por inteiro.

E, como um boneco,
Quando defeito apresentado,
É de fácil solução!
Simples, és trocado.

Mas a manutenção desse fantoche,
Admito ser complicada,
Pois pele não é pano,
Não costura uma facada.

Que acertaste o coração,
Verdadeiramente o machucou,
Mas Deus, me pergunto:
Por que não sangrou?

Apunhalado pelas costas,
E não há nenhum equívoco...
O golpe efetuado
Pelo seu próprio ventríloquo.

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Monstro

Um monstro, eu vi.
Hediondo e pavoroso!
Com uma face enegrecida,
E um olhar tenebroso.

No escuro, eu o vi,
Senti ódio e avareza,
Encarei seus olhos profundos,
E senti tremenda fraqueza

Num momento de distração
Em prontidão, me atacou,
Mas senti tamanha tristeza,
Ao invés de qualquer dor.

Então a luz se fez presente,
Assim melhor pude vê-lo,
E não era nenhum monstro,
Deus, era um espelho.

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