Lista de Poemas

Mais ou menos poema de amor

Não sei escrever poemas de amor

 
Ainda que tenha a quem ame de verdade

E não é porque nunca tenha amado

Não é porque não saiba o que é a dor

De perder ou de sair magoado

Não é porque não conheça o vórtice

O buraco negro, a tempestade

Que no peito se agita

Na pele se eletriza

E por todo o corpo se grita

Enquanto todas as lógicas

São amordaçadas por uma vontade


Conheço a magia, a fantasia,

A alegria, a realidade

Experimentei toda uma palete de tons de amor

E ainda que não me sinta pintora

Jamais largarei o desejo de pintar com intensidade

 

Mas escrever…

Não sei escrever poemas de amor

 
Tenho na verdade uma ambição maior

Espero saber amar aqueles a quem amo

Da forma que precisam de ser amados.
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COISA ESTRANHA

Coisa estranha esta de escrever poesia 
Quando eu não me sinto poeta
Coisa estranha escrever por entrelinhas
Quando por norma sou mais directa 

Sinto-me, mas não sei que sinto 
Escrevo, mas não sei bem qual o nervo 
Que se toca com as palavras em que toco 

Não entendo esta biologia do ser 
Que não assenta nas coisas práticas 
Nas químicas básicas do corpo e das moléculas 
Não entendo esta necessidade  
De beber e suar palavras 
Este equilibrio desequilibrado 
Entre o receber e o doar 
Daquilo que nem sei que seja 

Coisa estranha esta de escrever assim 
Quando não me sinto uma coisa concreta 
Delineada e definida, de formas e com formas 
Daquelas que se podem cravar na pedra 

Tenho ângulos e vértices por todo o lado esbatidos 
Onde está a científica ciência  
Para medir e identificar a antítese desta forma de estar 
E não sendo científico o existencialismo da consciência 
Será que realmente existo? 

Escrevo apenas porque a minha essência 
Seja ela o que for, gosta de o fazer 
Porque nisso e disso retira um certo prazer 
E recebe algum alívio, 
Para qualquer soçobro do ser 
 
Que forma de escrita esta que me sai convulsa 
Estarei doente   
Serei apenas e sem sabê-lo, uma dócil paciente? 

Padecente de sonhos distendidos 

Dilatados, inflamados, 
De coceira atiçados 
E meio perdidos, meio achados ?! 
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DE VIAJE


Era una chica muy guapa

que por todo el mundo viajaba

y siempre donde se quedaba

en su pecho tal qual nido

nuevos comienzos se acomodaban.


Un dia llegando à Colombia

sus miedos se tranquilizarón

pues las gentes que encontró

en su nido se aterrizarón.


Miraba los cielos y las estrellas

Buscando a los que conocia

Pero también arriba de las nubes

Nuevos territórios se tecian


El aire era diferente.

Olía a nuevas aventuras.

Y de la hermosa y generosa tierra,

brotaban ofrendas aún por ella desconocidas.


“Té de Coca!” Le hablaron. “Tienes que probarlo.”

Y ella se sorprendió

pues de dónde venía

solo se conocían dos tipos de coca

la que es Cola y la que es Droga


Se rió de la cosa más tarde

Ya después de probar

La recordaba las hojas de laurel

Y la ayudó a energizar


Al sentirse bien decidió arriesgar

Pués que también le habian hablado

De unas hormigas culonas que tenía de probar

Se decian afrodisiacas

Y ella fué a descubrir ...

Tenian sabor de mantequilla de maní

con un toque de râncio, sí.

Pero nada de muy malo


Respiró hondo y cerró sus hojos

Los rayos del sol acariciaban su piel

Le recordando su família tan lejos

Ella queria darles a conocer estas cosas nuevas

Y así, para ellos,

Decidió hacer un video

Para que la pudieran ver y saber que estaba bien

Ellos lo vieron y concluyeron …

“Cariño tienes mismo que volver!

Porque te estás poniendo loca

Comiendo hormigas culonas y bebiendo Té de Coca!”


                                          Dedicado à minha querida amiga Eunice 

 

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Quando Falo Demais

Nem sempre
Aquilo que tenho a dizer
Carece de muitas palavras
Para se fazer perceber

Às vezes é em lereia perdida
Que a mensagem no excesso da arenga
Quando me lembra
Já está esquecida
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MEDO DE DIA FUTURO

Quantas vezes imaginando um dia futuro
Não amedrontei o meu dia presente
Acreditando em promessas vãs de maus augúrios
Coisas tristes e aflições, capazes de esmagar
O mais salutar pulmão, esgotando o ar e a razão
Mas sem nunca chegarem a ser
Mais do que uma simples visão

Quantas vezes imaginando um dia futuro
Ignorei todas as coisas que me amedrontaram no passado
Sem que algumavez tivessem chegado
A uma concretização
É natural pensar nas coisas
Mas o medo de castelos no ar
Tolda o discernimento
E impede a lógica de brilhar

É sempre bom lembrar que tudo passa
E que até mesmo na desgraça
O princípio mantém-se
É que não raras vezes, mais do que a festa futura
O grosso da emoção, se vive em sua antevisão

Respira fundo
Fecha os olhos
E lembra-te das soluções
Que tantas vezes se manifestaram
Onde não vias quaisquer opções

Respira fundo e repara
Que como a água se evapora e o fogo se apaga
Como a terra se movimenta e o vento esvoaça
Um dia destes lá mais à frente
Quando fores ver, vais perceber
Que com o tempo, o que quer que chegue a ser
De alguma forma, tudo passa

E se na pior das hipóteses
Coisa ruim acontecer
Permite-te então relativizar e procura ressignificar
Pois a força de qualquer situação
E o significado de um tormento
Se ele chegar a acontecer
Será a que lhe escolheres dar
Pois todos temos esse poder!
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OS MINIMEUS

Tanto se fala do gigante poeta, que nós os poetas da treta 
até esquecemos que não somos grandes...

Porque sonhamos tantos sonhos acordados, 
com frases inteiras que voam em mundos diferentes
que habitam cá dentro da gente
enquanto que o mundo lá fora
se desenrola e devora tudo o que lhe dão a comer
e o fazem engordando com as mesmas imagens de sempre...

Sentimo-nos sequiosos de palavras mágicas
daquelas que viajam directas ao coração
e do toque dos sonhos que se desenrolam enquanto a cabeça vai às nuvens
mas o corpo nos segura aqui firmes no chão.
Sentimo-nos tão pequeninos quando nos apercebemos
que a imensidão daquilo que trazemos cá dentro
nunca poderemos colocar no papel...

E notamos que a morte e a dor vendem mais que o amor
e por isso até parece mal mostrar algo diferente...

Mas confesso que quando a cabeça se perde nas tais nuvens de que vos falei,
ou quando segue em direcção à lua
e num sitio ou no outro se demora e permite que aí sinta a minha alma, desnuda,
aí me vejo grande! Me sinto grande!
Enquanto incho, cresço, me agiganto e aventuro em universos diferentes,
tal como o "(...) João Sem Medo"
que com medo ou não, viveu aventuras surpreendentes...

Sou uma poetisa de pé descalço,
não porque não tenha sapatos mas porque gosto de sentir os pés no chão
e afinal não sou grande e com um metro e sessenta e quatro não chego à lua,
mas já cheguei às nuvens e até já voei!

E também gosto de sair à rua cá em baixo e olhar para cima
e ver que lá no alto há mais quem se arrisque a ir às nuvens, a ir à lua e voar também...

E ao ver o outro crescer e sonhar e viver
e voar o seu voo diferente do meu pois é seu
sinto-me bem, pois sei que nesta terra há gigantes e minimeus
mas a versão desta história quem a escreve sou eu
e o fim dela ainda não encontrei
por isso não sei bem que papel é o meu ...

Quero experimentar um pouco mais antes de decidir olhar para trás
para saber afinal qual foi o papel que andei a desempenhar
e se a minha história para a história de alguém ficar, a razão é simples.
Não é porque fui grande ou pequena...

É porque o meu valor quem mo deu fui eu!


Sofia Rocha Silva
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SOLTO, SUBO, SOLTA

Solto pedaços de mim
Em verso

Feitos pesos que por fim
Liberto

Voo daqui para lá
Sem onde

Leve leve subindo
Sem volta

De asas abertas eu sigo!
Já solta!
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O MAIOR ERRO

O maior erro não é errar

É esquecer à força
Virar o olhar

E assim... 

Não vendo o novo caminho
Voltar a tornar
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TENHO A CERTEZA DE QUE DUVIDO

Eu não duvido que um Deus me acompanha
Eu, que sei dos meus dolorosos momentos de atEia
Eu não duvido da ciência que coloca hipóteses
Somente daquela que advoga certezas
E eu que nunca duvidei de mim
Sempre tenho momentos em que não sei se é bem assim

Eu sempre soube algo mais
Além do que os meus olhos vêm
Mas mesmo eu
- que os quero abertos olhando bem o mundo que me rodeia -
Sei que às vezes é quando os fecho que melhor vejo
E na escuridão vejo acender uma candeia

Eu sempre tive medo das grandes certezas que me toldam o discernimento
Mas vivi certa de muitas coisas até essas convicções se esfumarem com o vento ...
E eu que sempre busquei o conhecimento,
Saber o que não sei
Entender o que não entendo

Ainda assim
Em paradoxo
É esta ausência de algo
Que leva à dúvida de tudo
O permanente ruir e construir de mim
Que me move e que me guia
Feliz assim ...
Em expedição
Numa busca desconhecida
Que me preenche enquanto me esvazia
Todos os dias da minha vida

Sofia Rocha Silva
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A MINHA AMIGA ÁRVORE

Certo dia, estando eu muito angustiada
Enfartada de coisas ruins
Cá dentro acumuladas
Fui ter com uma árvore amiga
Sentei-me e encostei-lhe a cabeça à barriga
E sabendo-a de confiança digna
Abracei-a e confiei-lhe o que sentia

 “Não contas a ninguém”?
Perguntei confiando na resposta.

“Não”.
Respondeu.

Então cá vai.
“Estou triste”.  Confessei eu.
Em júbilo, abanou as folhas e os ramos.
Senti que uma lágrima de seiva lhe escorregava e pelo tronco                                               [abaixo lentamente avançava.
“Por favor. Não fiques tu também triste”
Pedi eu

“OH QUE MARAVILHA!!”
Me respondeu

“Como assim que maravilha?
Não me ouviste?
Estou triste!”

“Sim, eu percebi. E fico muito feliz por ti”

Incrédula, pensei que a pobre enlouquecia
Coitada, de estar ali parada
Pelos humores do clima fustigada
Noite e dia.

 “Sabes, mil anos tenho eu
E se há coisa que aprendi
Sobre vocês humanos
É que a vocês próprios não conhecem
Tudo o que possam sentir
Da dor ao prazer,
Da raiva à tristeza
Da alegria ao êxtase
É para poderem avançar

Cada forma de sentir
É um indicador dos caminhos
Que farão bem em seguir
Na maior parte dos casos
É quando sentem desamparo, revolta
E que não vão a nenhum lado
É quando a coisa fica intensa
E andam tristes e angustiados
É quando se questionam

Falam a nós árvores, aos céus
A todos os que creem seus aliados
Buscando auxílio
Para a mudança que adivinham
E nós cá estamos prontos a ajudar
Na natureza se poderão sempre refugiar      

Assim todos nos procurassem
E das vossas dúvidas se distanciassem
Parando e calando, ruídos de fundo
Que vos vão baralhando
Sem a pretensão
Da perfeição no vosso modo de estar
E que da profunda tristeza soubessem
O melhor de vocês resgatar

Ela é campaínha de alerta
Sempre que algo vai mal no coração
Assim como a física dor vos avisa
Quando algo precisa de atenção.”

Abracei a árvore e agradeci
Levantei-me e pela primeira vez senti
O propósito desta minha tristeza
Mas, malograda dúvida
Antes de partir perguntei

“E será que vou conseguir? Que sabe uma árvore do sentir?
Destes que nos fazem desesperar?”

E disse-me ela - “Minha querida amiga…
Se duvidas, que tens a perder em tentar?”

Ouvi o alerta e decidida
A aceitar a sabedoria da minha amiga
Chorei o que havia a chorar até me cansar
Soltando o que havia para soltar
Aceitei que não sentia a força
Que estava tudo bem em dobrar
Sob o peso do que me estava a assombrar
Abrindo espaço a que outro sentimento

Vontade de Auto-Conhecimento
Viesse meu coração ocupar
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Comentários (10)

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devoto
2020-04-21

Oi Sofia, grande sensibilidade nos teus poemas. Parabéns

sofiarocha
2020-04-20

Muito Obrigada Wilson :) É sempre bom ter feedback.

wilson1970
2020-04-20

Olá Sofia Gosto muto do seus versos Parabéns

sofiarocha
2019-06-29

Octaviano, que bom que gostou! Para além das descobertas que vamos fazendo sobre nós próprios, não há nada melhor que sentirmos que inspiramos alguém. Obrigada. Cumprimentos.

Octaviano Joba
Octaviano Joba
2019-06-29

Inspiradora...