A MINHA AMIGA ÁRVORE

Certo dia, estando eu muito angustiada
Enfartada de coisas ruins
Cá dentro acumuladas
Fui ter com uma árvore amiga
Sentei-me e encostei-lhe a cabeça à barriga
E sabendo-a de confiança digna
Abracei-a e confiei-lhe o que sentia

 “Não contas a ninguém”?
Perguntei confiando na resposta.

“Não”.
Respondeu.

Então cá vai.
“Estou triste”.  Confessei eu.
Em júbilo, abanou as folhas e os ramos.
Senti que uma lágrima de seiva lhe escorregava e pelo tronco                                               [abaixo lentamente avançava.
“Por favor. Não fiques tu também triste”
Pedi eu

“OH QUE MARAVILHA!!”
Me respondeu

“Como assim que maravilha?
Não me ouviste?
Estou triste!”

“Sim, eu percebi. E fico muito feliz por ti”

Incrédula, pensei que a pobre enlouquecia
Coitada, de estar ali parada
Pelos humores do clima fustigada
Noite e dia.

 “Sabes, mil anos tenho eu
E se há coisa que aprendi
Sobre vocês humanos
É que a vocês próprios não conhecem
Tudo o que possam sentir
Da dor ao prazer,
Da raiva à tristeza
Da alegria ao êxtase
É para poderem avançar

Cada forma de sentir
É um indicador dos caminhos
Que farão bem em seguir
Na maior parte dos casos
É quando sentem desamparo, revolta
E que não vão a nenhum lado
É quando a coisa fica intensa
E andam tristes e angustiados
É quando se questionam

Falam a nós árvores, aos céus
A todos os que creem seus aliados
Buscando auxílio
Para a mudança que adivinham
E nós cá estamos prontos a ajudar
Na natureza se poderão sempre refugiar      

Assim todos nos procurassem
E das vossas dúvidas se distanciassem
Parando e calando, ruídos de fundo
Que vos vão baralhando
Sem a pretensão
Da perfeição no vosso modo de estar
E que da profunda tristeza soubessem
O melhor de vocês resgatar

Ela é campaínha de alerta
Sempre que algo vai mal no coração
Assim como a física dor vos avisa
Quando algo precisa de atenção.”

Abracei a árvore e agradeci
Levantei-me e pela primeira vez senti
O propósito desta minha tristeza
Mas, malograda dúvida
Antes de partir perguntei

“E será que vou conseguir? Que sabe uma árvore do sentir?
Destes que nos fazem desesperar?”

E disse-me ela - “Minha querida amiga…
Se duvidas, que tens a perder em tentar?”

Ouvi o alerta e decidida
A aceitar a sabedoria da minha amiga
Chorei o que havia a chorar até me cansar
Soltando o que havia para soltar
Aceitei que não sentia a força
Que estava tudo bem em dobrar
Sob o peso do que me estava a assombrar
Abrindo espaço a que outro sentimento

Vontade de Auto-Conhecimento
Viesse meu coração ocupar
253 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.