Lista de Poemas
QUERO MOTIVOS
Pra sorrir bastante, eternizar cada instante,
Pra esquecer reservas e dar-me em mil entregas,
Pra sair colhendo flores, tecer versos de amores.
Pra esquecer fadigas, querer ter longa vida,
Pra não crer na berlinda quando a saúde é finda,
Pra retocar o rosto, lavar meus mil desgostos,
Pra não temer desprezo quando for só um peso.
Pra contar as estrelas, sorrir alegre ao vê-las,
Pra sonhar com a primavera quando o frio impera,
Pra andar livre na areia em marés baixas ou cheias,
Pra em dias ensolarados curtir feliz um bronzeado.

NÃO SOU POETA
Nem dizer por que as lágrimas sucedem ao riso
Nunca entendi por que me fogem as palavras
Quando nos teus olhos eu vejo o paraíso
Não sei por que alguém maltrata uma criança
Ou perde pelos velhos o amor e o carinho
Não sei explicar de minha vida os desencantos
Nem porque das rosas só colhi espinhos
Assim, sou só lágrimas colhidas na jornada
E o registro roto de mais um peregrino
Que ansioso espera pelo sorriso da alvorada
Quando em rósea aurora o Sol vem surgindo

PÉTALAS DE CONTRADIÇÃO

CANTO DOS IPÊS
E tudo transforma em sequidão e dor
Qual bandeira de luz em fulgor descerra
Um majestoso ipê a proclamar o amor
Quanta beleza em sua copa encerra
Quanta esperança traduz seu despertar
Diz aos moradores não abandonem a terra
Pois chuva abundante, logo vai chegar
Multicoloridas são suas mensagens
Para cada mágoa um consolo traz
Tórridos corações, do amor estiagem
Passará mui breve em alegria e paz

ERA DE FÉ
Era um mundo difícil, lá só havia esperança
Inóspito e triste, cruel pra qualquer criança
Sem água, sem gás, sob a luz das lamparinas
Roupas em trapos, teto roto, comida à míngua
Era um mundo difícil, mas ali éramos irmãos
Na catapora, sarampo, tosse e frio da estação
Unidos na enxurrada, no compartilhar do cobertor
No acordar da madrugada, chorar com alguém sua dor
Ter a mesma fé dos pais, regada em dor e sofrimento
Dividindo o pão com alegria, unidos no sentimentos
Notícias, chegavam poucas, mas nos faziam acreditar
Que o País seria justo, mas que uma pátria, um lar
Críamos na Pátria sagrada e no futuro da nação
Tribuno era gente honrada, bandido vivia em prisão
Nossos heróis cultuados, exemplos a se seguir
Políticos não eram comprados, havia fé no porvir

TUA LUA
Quando a lua for cor de prata, acorde a quem amas com uma serenata
Quando a lua for envolta em mágoas, lave tua alma com muitas lágrimas
Quando a lua for minguante. reflita se já não chorou o bastante
Quando a lua for crescente, pense nas dores de outras gentes
Quando a lua for um largo sorriso, veja em teu lar o teu paraíso
Quando a lua for só um risco, busque o refúgio de teu aprisco
Quando a lua lhe for oculta, recolhe tua voz e a de Deus escuta

SALTO DO ITIQUIRA
Que ecoa no valado, ao seu despencar
Que capta as lágrimas de mil desencantos
De amores perdidos, que ali vão chorar
Suas águas em neblina se estendem no vale
Umedecem as tristezas pra fazer aflorar
Chagas ressequidas e feridas de males
De amores desfeitos, mas ainda a queimar
Seu manto sagrado consola aos amantes
E lava-lhes o pranto sem os recriminar
Devolve-lhes suas almas, curadas o bastante
Pra que novas venturas ainda ousem sonhar

MEDIDA DO AMOR
Falar de amor é difícil, mas amar é muito mais difícil ainda. O maior sermão de Cristo ficou estampado na cruz, expresso em sangue e sofrimento. Palavras lindas nos cativam, mas as atitudes sinceras nos prendem eternamente. O verdadeiro amor se manifesta quase sempre em gestos anônimos, em lágrimas discretas e nunca em grandes discursos. Um abraço apertado e o soluço nos ombros expressam o que um livro inteiro não poderia conter.
Quase sempre o amor é medido em saudade, mas esta é uma medida cruel de sentimentos. Deveríamos preferir medir o amor em número de visitas, em chamadas no Watzap, em quantidade de conversas fiadas, em quinquilharias de camelôs e em outras manifestações simples de carinho que nada têm a ver como o valor do brinde nem com a importância do assunto apresentado, mas simplesmente para dizer o quanto esta pessoa representa para nós. Dizer que sem a presença dela a vida já não será a mesma e um vazio intenso de saudades será marca de sua ausência, a qual não queremos nunca estar preparados para padecer.

A COR DA ROSA
Num momento és branca de nívea paz
De infante pureza, que a mim satisfaz
Já em outro és malícia, ardileza e rubor
Chama que explode em lascívia e calor
Num dia és sorriso, singela inocência
No outro artimanha e maldade intensa
Ramalhete sublime, mas de tez furta-cor
Daltônico inseguro, junto a ti sempre sou
Esta flor oscilante, é meu eterno buquê
Jardineiro cativo deste meu bem-querer
A esta rosa venero em contenda e prazer
Quem espera das rosas, só amor, sedução
Cairá muito em breve, em tremenda aflição
Pois perfume e malícia, sempre foram irmãos

DOCE AMOR
Não conheci a dor antes dos teus olhos
Mas somente neles eu aprendi voar
Nem sai das flores a colher os molhos
Antes de em teu sorriso eu me encantar
Não via eu da lua o prateado encanto
E nem nas estrelas quão doce é sonhar
Nem a amargura que envolve o pranto
Quando noutros olhos os teus vão pousar
Do mel a doçura que teus lábios emana
Nenhuma colmeia a pôde imitar
Nem melhor repouso acha a alma humana
Do quem em teu regaço dormir e sonhar

Comentários (2)
Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.
Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
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