Raquel Ordones

Raquel Ordones

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

71 520 Visualizações

Soneto roceiro


São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa, 
Planta o pé na botina; à batalha!

Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.

É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.

Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

Ler poema completo

Poemas

268

Vez em quando mergulho em mim

 

 

Ao tomar café hoje, sentei comigo.

O trigo na mistura do pão era apurado.

Purgado como nunca, dizer nem consigo.

Digo; jamais o percebi assim acurado.

 

Ourado um girassol num vaso bem antigo;

Abrigo pro meu olhar ali estacionado.

e pausado num sentir que quase mastigo.

Ligo o rádio; Djavan me adentra ensolarado.

 

Calado, meu ser encontra meus eus; prossigo.

O inimigo está em mim; é sempre encontrado.

Ousado, o paro; não o vejo como castigo.

 

Desligo o rádio, um alívio vem murmurado.

Tocado o coração, precisa desse amigo.

Artigo de luxo: esse tempo ao meu lado.

 

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Hoje me contei uma história.

Há tempos não me fazia rir.

Encontrei comigo no passado.

 

 

42

Estamos na mesma página

 

 

Start: pela manhã, virei a página do dia.

Alegria ventando, folha em toda parte.

Encarte de flores; seu sorriso irradia.

Magia em cada escrita da vida; linda arte.

 

Reparte o tempo, sua voz é melodia.

Ousadia em cada passo; do mal, descarte;

Aparte; eu e você em robusta poesia.

Fantasia e fato lia; e sem fechar-te.

 

À parte e juntos, o nosso conto historia;

Cria no espontâneo uma viagem a Marte.

Abraçar-te além da prática e teoria.

 

Epifania do nosso sentir; destarte.

Amar-te é o texto, linha em sintonia.

Lia a gente na mesma página; a pulsar-te.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

44

Um despoema

 

 

Soberba à frente do poder

 

sem tempo, briga por ele; dono do mundo.

No fundo e no raso é um ser bem mimado.

É debochado, vil, um imbecil profundo

Imundo de alma; das trevas alienado.

 

Coroado por si na lei do seu submundo.

Infecundo de bondade; de paz lesado.

Dissimulado; dos quintos é oriundo.

Vagabundo de caráter; faz do outro, gado.

 

Desnaturado, briga pelo do outro afundo.

Corcundo de amor, por poder é obcecado.

Sagrado de primórdios, macula em segundo.

 

Secundo de guerra; um louco todo inspirado,

Carregado do mal, do bento há desbundo;

Confundo-o com um monstro endemoniado.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

rio seca,

flor fenece,

se a fonte é o canal.

 

 

 

24

Sobre beleza...

 

Ela vem de dentro; no verso aflora.

Ora se mostra em lágrima, que toca.

Reboca de sensação que valora,

Reflora pele a fora; e nela entoca.

 

Foca em leveza que na alma mora;

Amora do amor; doce que não troca.

Estoca a simplicidade que enamora.

Cora de todas as cores; encanto que choca.

 

Aloca, gente gentil, sem demora.

Vigora coração, gostar que evoca.

Coloca semente, sem motivo e hora.

 

Ora, beleza inocente se emboca.

Provoca, é uma coisa: alma afora.

Tutora, e a empatia nunca sufoca.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

“Beleza interior

Não é pra qualquer decorador

Não é vista, é sentida

beleza de dentro sustenta.”

 

 

20

Castelo de Deus

 

 

É manhã, vejo um teto azul com floco branco.

Franco raio de sol na fresta; multicor.

Frescor pelo jardim, pássaros sobre o banco.

Manco lá e cá, o ar bebe o orvalho da flor.

 

A Cor verdolenga refresca a tarde afora

Vigora com a chuva a semente, e sem dor.

O senhor espaço, e o sol que vem e vai embora;

aflora a lua em prateado sedutor.

 

O motor do besouro; a abelha, o mel devora.

Chora o rio, feliz; afresca o pescador

o pintor do arco-íris, pinta e nem demora.

 

A hora: efêmera; nem detecta no sensor;

Bicolor: borboleta; a cigarra sonora

mora em castelo vasto; meu Deus e Senhor.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

Deus fez um castelo

Todo o universo e adjacências

nos cedeu aposentos.

55

Faça um verso de silêncio

 

 

Se perto ou se longe, a palavra sempre alcança.

Mansa, gritada ou até tépida, isso é certo.

Alerto: é triste se a alma do outro, balança;

Lança empatia no tom; de coração aberto.

 

Decerto não faz nenhum mal cautela; avança;

Dança pode ser sem música, no deserto

Esperto se usa imaginação; confiança.

Mudança de ritmo é ter se descoberto.

 

Liberto da ofensa palavre igual criança;

Sustança de verbo bom, do belo referto 

Descoberto da ruindade; use a aliança.

 

Amansa o que emerge do seu dentro, desperto.

Inserto verso pro silêncio; sem falança.

Poupança do bem; evite dizer o incerto.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

a palavra dita

altera a definição 

Em tom controverso

16

Sobrenome

Sobre

           nome

 

Ordones: estranho? Não, é só estrangeiro.

Primeiro: nem sabia, sem menor noção.

Então entendi: sobrenome não brasileiro.

Beiro Principado das Astúrias, Leão.

 

Intenção herança, mas nada a ver com dinheiro.

Maneiro demais! Uma identificação.

Recordação família, do nome parceiro.

Verdadeiro pedigree; elo transmissão.

 

Conexão que conta história, tem até cheiro.

Letreiro no registro, um estender de mão,

Bastão passado; mais uma flor no canteiro.

 

Mensageiro; manifesta uma sucessão.

Criação espanhola; em mim fez paradeiro.

E derradeiro: é do meu pai esse brasão.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

22

Para o meu amor

 

Agora escrevo aqui, para você, meu amor:

Cor dos meus dias em sol, lá de azul céu e mar.

Falar em silêncio e conexão sem pudor;

Calor de carne e fogo da alma a declarar.

 

Amar você: simples. Semente, galho e flor;

Olor da essência pelos poros a arrotar,

Transitar por todas as esferas sem dor.

Expor o que vai dentro sem me intimidar.

 

Amar você: culto. Rima com o que for.

Pôr do sol num amanhecer a despontar,

Amar você: o vermelhinho do rubor.

 

Teor original de nós, cheiro a acordar

e deitar lado a lado aspirando o sabor;

ardor desejo, em qualquer tempo conjugar.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Talvez...

 

Amar: se deixar 

sem culpa e desculpa.

Não é se doar.

39

Lembra da Dona Baratinha?

 

 

Dona baratinha, se via bem charmosa.

Ardilosa, cascuda de raça, seu jeito.

Ajeito nas saias de filó, poderosa.

Pavorosa, adora mesmo é o malfeito.

 

Do parapeito lança em rasante, estilosa.

Goza de asco, mete medo em qualquer sujeito.

O Peito quase não aguenta, alma em polvorosa.

Lustrosa a tal ‘cucaratcha’, igual um confeito.

 

Respeito o bicho; mas longe. É espantosa

Silenciosa; ela aprece quando me deito.

Aceito não, chinelo e baygon na feiosa!

 

Prosa; dinheiro na caixinha; outro conceito.

-Rejeito casar! ‘Nem que a vaca tussa rosa’;

Animosa: - ‘o barato sai caro’: direito.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Evoluir é

mudar de ideia sem culpa.

ser maturidade

17

“Terra a víscera”

 

 

A terra pede por socorro; e também grita.

Aflita: - salve-me! Me acho toda ferida.

Agredida por essa ganância maldita.

Negrita essa dor; ao poço desferida.

 

Encolhida; peço de joelhos: reflita!

Palpita minha entranha toda denegrida.

Corrida contra o tempo, a quem em mim habita.

Tramita de fértil para uma apodrecida.

 

Florida era sonho, pesadelo milita;

Explicita o abuso; com a vida escorrida.

Tingida do impuro, longe de ser bonita.

 

Delimita ser humano, basta! Exaurida!

Abatida definho, arranca-me a pepita.

Escrita aqui me permito; e peço guarida!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

A terra em dor berra

Ninguém ouve; o ser é raso

- é, houve um descaso.

24

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.