Eu poesia
Em uma palavra já me resumi,
Por vezes já me senti um verso,
Nas frases me dei conta; cresci,
Vi-me haicai em meu universo.
De trova em trova subi degraus,
Em forma de pensamento andei,
Levei o indriso nas minhas naus,
Colhi poesias, soneto me tornei.
Não agradada à alma embrenhei,
Brotei-me no encarnado da rosa,
Leram-me por aí feito uma prosa.
Meus olhos, refrão da minh’alma,
O sentimento dimana sem ponto,
Estendo-me em ilimitado conto...
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
Poemas
268Lendo o céu
O céu estava uma perfeição; azul semblante.
Impactante, nuvens bailando com o vento.
Firmamento impecável; aquele era “o instante”.
Aconchegante aos meus olhos, um evento.
Lento, o ar leva nuvem por nuvem, flutuante.
Distante muitas milhas; mas ornamento.
Sustento com poder divino, tão oscilante.
Estante com poesias em texto bento.
Sentimento de choro, mas estonteante;
Exuberante infinitude em movimento.
Fragmento visto dali, já me era o bastante.
Marcante, para sempre; em mim, sem cabimento.
Atento olhar da alma, de leitura incessante,
extasiante; e eu aqui sem nenhum argumento.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Na visão da alma se encerra,
se fizéssemos leitura do céu
tudo seria completo na terra.
55
Sensual idade
O rosto não aparentava a real idade.
A quantidade de anos não se imprimiu.
Viu-se jovial. não era tanta a vaidade.
verdade: se cuidou; o mundo não viu.
Sorriu; pés de galinha pela metade;
Sanidade em linha, onde se dividiu;
Arrepio que da alma vaza com vontade.
Dualidade: carne anjo e demônio: esfio.
Vazio de bobagens; - xô futilidade!
Intimidade com seus eus; curto pavio.
No fio entre ser comportada e a intensidade.
Seguridade com decisão e desafio.
Fio dental, sim! Inteira e propriedade.
Sensualidade, caudalosa, igual rio.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Ser rio é pulsar vida
escorrência
rumo ao mar...
63
Coragem amarela diante do amor
A coragem estava num canto, tremendo
Lendo um bilhetinho lotado de fervor.
Calor por dentro; ou seria um frio? Vai vendo.
Prendendo e ora soltando seu respirador.
A cor do mundo a cor do sol foi se envolvendo.
Contorcendo pelo arco-íris furta-cor.
Tambor nas veias; uma lágrima correndo.
Descendo rosto abaixo junto ao rubor.
-Por favor, meu Zeus! O que está acontecendo?
Lendo novamente o bilhete: - Que torpor!
-Senhor, me perdi! meu céu e terra estremecendo!
Ardendo, a coragem conheceu o tal temor.
O amor saltou do bilhete, em riso, dizendo:
-Cedendo ao medo, coragem? Ei, sou eu, o amor!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A superficialidade só aceito
se vier em forma de arrepio.
Isso porque ele vem do profundo.
32
Poesia no sinal
Paro no sinal, e fico só observando.
Andando por entre carros, o vendedor.
Fervor na cabeça; com o sol estrelando.
Ofertando balas, e de qualquer sabor.
Entregador de filipeta se esbarrando
Empurrando e tocando no retrovisor.
Catador de latas fora da faixa andando.
Mancando e mendigando lá vem um senhor.
Lavador de para-brisa; vai ensaboando.
Dando outra visão; mas sem dizer o valor.
O ator do circo num fio se equilibrando.
Olhando; quis fazer parte e sem fiador.
Amor recitei, em poesia declamando.
Terminando, ganhei palma e atiraram flor.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A poesia é (ré)médio
mesmo num sol maior.
27
Diário
Hoje pela manhã, outra vez li o jornal.
Local de desgraça; horrores em descarrego.
Emprego ofertando um salário malemal;
Viral, tantas ofertas; charlatão em chamego.
Sossego algum. Notícia boa? Nem sinal;
Abismal até; e o mundo pedindo arrego.
Chego a pensar: seria assim mesmo o final?
Surreal; homem lobo do outro num refrego.
Labrego a listagem, de protesto normal.
Brutal o tributo, a ilicitude, o morcego.
Pelego de mãe, em um amor fantasmal.
Banal morar em likes; vida em desapego.
Escorrego em caráter; dor universal.
Na moral? Tenho muito medo; e em Deus me achego.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Olhos, abrem e fecham,
informações que chocam ali no papel
com o seu cheiro padrão.
Se espreme, escorre vermelho.
o jornal.
30
Entre pezinhos e asinhas
Caiu no chão; porém já nasceu muito leve.
Atreve-se a caminhar; ‘é tanta perninha’.
Perdidinha da Silva, o poeta a descreve:
-Deve ser uma lagarta! Mas que gracinha!
Aninha nunca canto; e logo sai. Que forte!
O norte faz; e sobe pelo tronco afora.
Agora é chegar num lugar que a conforte.
Morte? Ainda não. É a transformação; chegou a hora.
Penhora-se no galho. Lá em baixo, a buva.
Chuva e sol a toca; mas o vento, ali mora.
Demora a pupa; e crisálida é a luva.
A saúva passa; o sabiá é xereta,
na vareta, balança a caixa de pandora.
Estoura. E estica as asinhas, a borboleta.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
cabe com perfeição no silêncio...
38
De: carta para: e-mail
De: Carta
Para: E-mail
Estimado e-mail, espero encontrá-lo bem.
Sem muitas apreensões: sinceridade.
Verdade: esqueceram de mim. A carta? Quem?
Alguém, do correio sabe a realidade?
Formalidade e protocolo sei que atém.
Vem e vai, vai e volta a toda velocidade.
Capacidade que não tive, muito aquém.
Porém fiz história, mas nem sei a minha idade.
Dificuldade, extravio, roubo, refém.
Trem, barco, avião, bicicleta e dignidade.
Cidade, vilarejo; destinada a alguém.
Bem, me despeço aspirando vitalidade.
Integridade pra manter a escrita e amém.
Convém cuidar. - Viva sua praticidade!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Cada um no seu tempo
Antes envelopes a galope
Hoje, freio.
67
O ódio ficou com ódio
- Pronto, olhem a alegria sorridente!
- Gente, gente! Como é que isso pode?
- Que bode! Veja o humor todo contente!
(Sente a úlcera e a vesícula eclode.)
(Sacode o ódio; inveja remetente.)
- Atente, há uma coisa em mim, e explode!
- Acode, até meu alho tem dor de dente!
- Quente sangue; de torcer o bigode.
-Pode essa exultação! Corte bem rente!
-Sustente o seu veneno! Disse o amor.
-Ditador do mal, que você se aguente!
(Impotente o ódio tragou o rancor.)
(Vapor se tornou; em fumaça doente.)
(E silente o afeto o fez decompor.)
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Quem pode, pode...
E o amor, é desses...
40
Intimismo
Da sala observo através da vidraça;
Abraça a minha visão adiante.
bastante; aprecio a efêmera graça.
Engraça o pássaro em canto constante.
Instante ímpar, estar viciante;
Variante em cores; nuvem que passa.
Enlaça o galho na galha, incitante.
Vigiante eu, essa cena não repassa.
Transpassa a alma; viver é instigante;
Tocante sentir, ainda que nada faça.
Traça dentro afora asa esvoaçante.
Calmante; o tempo feito uma trapaça.
Taça cheia liquefaz, visitante;
Confiante acontece; em nada espaça.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
tempo é essa imensidade
fragmentada...
Segundos, minutos, séculos...
Talvez um visitante...
Sinta-o.
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Conto sem desconto
A chuva despencou. – Mas que surpresa!
Acesa a lanterna, o farol de milha.
-Filha, blusa molhada é beleza!
-Certeza! E nem estou botando pilha.
Partilha incrível. Quanta sutileza!
Leveza surreal; perdido em trilha.
Ilha atraente a sua natureza.
A grandeza estampada que fervilha.
Cartilha inocência; moça princesa.
Pureza, sem intenção da guerrilha;
Humilha com farta delicadeza.
Indefesa perante a chuva; e brilha;
Sapatilha aguada; alma reacesa.
Represa de olhos; do ombro cai a presilha.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A beleza é colírio
Perfuma a alma
De’lírio...
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.