Escritas

Lista de Poemas

Vagueio no trem saudade


Flores nos morros; é meu coração.
Emoção a brotar; todos os olores.
Sabores nas aragens da estação.
Vagão é coalhado em suas cores.

 
Pores de sol, apito, bel canção.
Direção: a sua. Gosto: seus licores.
Valores: seus caminhos, afeição.
Chão firme, trilho, trem, céu de calores.

 
Amores espalhados: ribeirão.
Plantação, passageiro, aves, rumores.
Corredores de mim, sua excursão.

 
Solidão? Nos seus beijos meus penhores.
Cultores da saudade nossa, então.
Vão sacro; aloja nossos despudores.

 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
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Parnassus Contemporâneo


Chapéu negro; de costas é tão bela.
Tela no cabelo e no dedo, anel.
Pitéu;mas quando se vira : congela.
Pela um medo; que horror, coisa pinel!
 
Véu na alma, e pelos olhos a remela.
Mela o nariz e manca em seu tropel.
mundaréu de caras, boca banguela.
Apela em feiura e ganha troféu.
 
Céu de maldade, nuvem de mazela.
atrela  frisson, bizarro painel.
cruel é seu jeito, em nada singela.
 
Anela o mal, em volta fogaréu.
Fel e pesadelo  Vênus cruela,
flagela o sonho; de Zeus é um réu.


ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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Nude da alma


 
A palma do meu dentro para cima.
Rima com um querer; estupidez.
A tez eriça; desejo obra prima,
Acima, adentro, abaixo; em fluidez.

Outra vez, e outra vez... Consecutivo.
Cativo essa loucura; é só minha,
Desalinha; nada diminutivo.
Coletivo, gostar em mim aninha.

E caminha por meus eus um lampejo,
Ensejo ímpar, em mim um açude.
Em plenitude vivo e aqui versejo.

Vejo, suo ventos e quietude,
Saúde de sentimento, sobejo.
E despejo toda a minh’alma: seu nude.

ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo



http://raquelordonesemgotas.blogspot.com.br/

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Precisa-se



Precisa-se de gente que doe sorriso sem permuta,
De gente com verdades e de palavras de verdade,
Precisa-se de gente que arregaça a manga vai luta,
De gente que não coloca cor nem sexo na amizade.

Precisa-se de gente de atitude, braços descruzados.
Precisa-se de gente que "seja" e não só que "tenha"
De gente que acredita e faz residência se abraçados
De gente que ousa e se joga e que nada o detenha.

Precisa-se de gente que grave estrela no céu alheio,
E risque horizonte em sua e em quaisquer paredes,
Precisa-se de gente que compartilhe os pães e redes.

Precisa-se de gente de bem, que mostre a que veio.
Precisa-se de gente que pinte jardins de toda a cor,
E que borde nas cortinas do coração somente amor.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
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Os meus olhos



Os meus olhos são castanhos como folhas de outono
Dançam soltos ao vento coreografando a te procurar
Quase dourados buscando por sair de um abandono
Se movem para todos os lados tentando te encontrar.

Os meus olhos gritam e chamejam intensidade total
Quebram o teu silêncio com lágrimas e movimentos
Em minha retina tua imagem se mostra cartão postal
E dela escorre a transparência dos meus sentimentos.

Meus olhos acreditam na tua volta para poder dizer
Que a minha poesia transborda por seres inspiração
Piscam, mas atentos a tudo e não perdem a emoção.

Os meus olhos são castanhos como folhas de outono
Em meio às tempestades de saudades sempre a voar
Esperando a leveza da tua chegada; vir comigo viajar!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
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Pobreza do ser



Possui asas, sem a menor vontade de alçar vôos,
Possui boa visão, mas bitola-se a uma mesmice,
Tem um leque de tudo, mas por dentro os enjoos,
Tem o mundo de adulto, mas opta por criancice.

Tem uma vida remediada, mas de tudo reclama,
O otimismo e a fé não fazem parte do seu léxico,
Não sabe o que é amar, não aquilata quem o ama,
Aparência rechonchuda com o espírito anoréxico.

Perante cama, mesa e banho, diz que vai embora,
Usufrui de tudo que há e diz que Deus não existe,
Prende os seus pássaros, mas sequer lhe dá alpiste.

Com pensamento solto pedindo poesia, ele chora,
O dinheiro é a causa maior e só isso lhe faz feliz,
Morre de sede; sentado ao léu a beira do chafariz.

ღRaquel Ordonesღ
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A felicidade morava lá



Quando era criancinha e morava distante.
Tinha uma porteira na entrada da fazenda,
E tudo era simples, o amor era importante.
Café e bolo de fubá sobre toalha de renda.

Um pomar extenso cheio de frutos e flores,
Um córrego cristalino no fundo do quintal.
Vaca e cavalo no pasto, borboletas e cores
Uniformes tão pequenos e brancos no varal.

Um pé de santa Bárbara, nele havia balanço
Uma bica do lado de cá e de lá o galinheiro.
A galinha da angola voava sobre o chiqueiro.

O cachorrinho Tarzan companheiro e manso.
As tarefas da escola feitas à luz de lamparina
Que saudade tenho da minha estação menina!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
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Você sabe amar?


Amar é
Saber escutar e calar quando preciso for.
É entender o silêncio do mistério da flor.
Ler o que escreve o olhar, inda fechado.
É decifrar um recado ainda codificado.

Amar é
Descobrir a angustia no outro, disfarçada.
É enxergar a solidão que está camuflada.
Descobrir uma dor que guarda o coração.
É perceber no sorriso uma dissimulação.

Amar é
Detectar quando for falsa uma emoção.
É ver na cor cinza, toda uma coloração.
Respeitar as pessoas incondicionalmente.
É levantar-se e sempre seguir em frente.

Amar é
Amar, incondicional e sem nada explicar...

ღRaquel Ordonesღ
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Tomara



É, tomara mesmo que o tempo colabore
E que passe com carinho, com cuidado
Que traga você depressa e não demore
_ É que eu preciso de você aqui do lado!

Que não dê tempo à chegada da tristeza
_ É que não gosto de ficar com a solidão
Passe; traga para a minha alma a leveza
_E se possível traga flores e uma canção!

Tomara mesmo que o tempo seja senhor
Assim como já escreveu alguém um dia
_Senhor bom que me cerque de poesia!

Tomara mesmo que o tempo tenha amor
E que faça da sua ausência uma melodia
_Promete tempo? Vê se não me ludibria!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
👁️ 958

Onde está o amor?



Há uma revolução, um ponto de interrogação.
E por onde é que anda esse sentimento nobre?
Por todos os lugares se ouve tanta reclamação
Cadê o amor? Sua ausência deixa o ser pobre!

Onde foi parar o sentimento de soberania mor
Por que é tão difícil senti-lo com toda verdade
Se o interesse até parece no momento ser maior
Mas é passageiro, dissimula trazer a felicidade.

O amor se desanda; a cada dia mais midiático
E só na novela há uma explosão de sentimento
Lá se vai o capítulo e junto esse amor ao vento.

O amor pede auxilio._E o que fizeram comigo?
Sem mim sei que todo o mundo perde o norte
Eu existo naquele que me assume, o faço forte!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-02-17

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.