Eu poesia
Em uma palavra já me resumi,
Por vezes já me senti um verso,
Nas frases me dei conta; cresci,
Vi-me haicai em meu universo.
De trova em trova subi degraus,
Em forma de pensamento andei,
Levei o indriso nas minhas naus,
Colhi poesias, soneto me tornei.
Não agradada à alma embrenhei,
Brotei-me no encarnado da rosa,
Leram-me por aí feito uma prosa.
Meus olhos, refrão da minh’alma,
O sentimento dimana sem ponto,
Estendo-me em ilimitado conto...
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
Poemas
268Liga pra Deus
Fita macia, amor aqui na essência.
Dormência; é um troço e faz tão mal.
Degrau é inumano com pendência.
Latência, dor, angústia em temporal.
Gardenal ao humano em influência.
Demência; desça o seu arsenal
Anormal o sentir; dai paciência.
Ciência é precária em pantanal!
Festival de desordem; negligência.
Imprudência do ser, feito rival.
Vendaval, desatino; com carência.
Vivência, você é o que, afinal?
Lacrimal estar, dentro, numa ardência.
Clemência; ligue pra Deus no ramal.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Dormência; é um troço e faz tão mal.
Degrau é inumano com pendência.
Latência, dor, angústia em temporal.
Gardenal ao humano em influência.
Demência; desça o seu arsenal
Anormal o sentir; dai paciência.
Ciência é precária em pantanal!
Festival de desordem; negligência.
Imprudência do ser, feito rival.
Vendaval, desatino; com carência.
Vivência, você é o que, afinal?
Lacrimal estar, dentro, numa ardência.
Clemência; ligue pra Deus no ramal.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
628
Os Filhos são crianças para sempre
Um dia a mais ou é um dia a menos?
Plenos. Importam são os dias atuais
Tais questionamentos me são venenos.
Pequenos para sempre, para os pais.
Sinais de madureza, alvos terrenos.
Frenos se abalizam, racham os ais
Canais; esforços são bem mais amenos.
Fenômenos; transpõem os seus portais.
Varais das afeições; razões, cossenos.
Serenos imos; cheiros tão florais.
Cais; extensão de nós e sem empenos.
Drenos de nossa dor, especiais.
Desiguais; mundo. Filhos são de Vênus.
Acenos de alma, derme e literais.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
566
Vagueio no trem saudade
Flores nos morros; é meu coração.
Emoção a brotar; todos os olores.
Sabores nas aragens da estação.
Vagão é coalhado em suas cores.
Pores de sol, apito, bel canção.
Direção: a sua. Gosto: seus licores.
Valores: seus caminhos, afeição.
Chão firme, trilho, trem, céu de calores.
Amores espalhados: ribeirão.
Plantação, passageiro, aves, rumores.
Corredores de mim, sua excursão.
Solidão? Nos seus beijos meus penhores.
Cultores da saudade nossa, então.
Vão sacro; aloja nossos despudores.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
559
Parnassus Contemporâneo
Chapéu negro; de costas é tão bela.
Tela no cabelo e no dedo, anel.
Pitéu;mas quando se vira : congela.
Pela um medo; que horror, coisa pinel!
Véu na alma, e pelos olhos a remela.
Mela o nariz e manca em seu tropel.
mundaréu de caras, boca banguela.
Apela em feiura e ganha troféu.
Céu de maldade, nuvem de mazela.
atrela frisson, bizarro painel.
cruel é seu jeito, em nada singela.
Anela o mal, em volta fogaréu.
Fel e pesadelo Vênus cruela,
flagela o sonho; de Zeus é um réu.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
222
Nude da alma
A palma do meu dentro para cima.
Rima com um querer; estupidez.
A tez eriça; desejo obra prima,
Acima, adentro, abaixo; em fluidez.
Outra vez, e outra vez... Consecutivo.
Cativo essa loucura; é só minha,
Desalinha; nada diminutivo.
Coletivo, gostar em mim aninha.
E caminha por meus eus um lampejo,
Ensejo ímpar, em mim um açude.
Em plenitude vivo e aqui versejo.
Vejo, suo ventos e quietude,
Saúde de sentimento, sobejo.
E despejo toda a minh’alma: seu nude.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
http://raquelordonesemgotas.blogspot.com.br/
681
Você sabe amar?
Amar é
Saber escutar e calar quando preciso for.
É entender o silêncio do mistério da flor.
Ler o que escreve o olhar, inda fechado.
É decifrar um recado ainda codificado.
Amar é
Descobrir a angustia no outro, disfarçada.
É enxergar a solidão que está camuflada.
Descobrir uma dor que guarda o coração.
É perceber no sorriso uma dissimulação.
Amar é
Detectar quando for falsa uma emoção.
É ver na cor cinza, toda uma coloração.
Respeitar as pessoas incondicionalmente.
É levantar-se e sempre seguir em frente.
Amar é
Amar, incondicional e sem nada explicar...
ღRaquel Ordonesღ
992
A felicidade morava lá
Quando era criancinha e morava distante.
Tinha uma porteira na entrada da fazenda,
E tudo era simples, o amor era importante.
Café e bolo de fubá sobre toalha de renda.
Um pomar extenso cheio de frutos e flores,
Um córrego cristalino no fundo do quintal.
Vaca e cavalo no pasto, borboletas e cores
Uniformes tão pequenos e brancos no varal.
Um pé de santa Bárbara, nele havia balanço
Uma bica do lado de cá e de lá o galinheiro.
A galinha da angola voava sobre o chiqueiro.
O cachorrinho Tarzan companheiro e manso.
As tarefas da escola feitas à luz de lamparina
Que saudade tenho da minha estação menina!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
931
Precisa-se
Precisa-se de gente que doe sorriso sem permuta,
De gente com verdades e de palavras de verdade,
Precisa-se de gente que arregaça a manga vai luta,
De gente que não coloca cor nem sexo na amizade.
Precisa-se de gente de atitude, braços descruzados.
Precisa-se de gente que "seja" e não só que "tenha"
De gente que acredita e faz residência se abraçados
De gente que ousa e se joga e que nada o detenha.
Precisa-se de gente que grave estrela no céu alheio,
E risque horizonte em sua e em quaisquer paredes,
Precisa-se de gente que compartilhe os pães e redes.
Precisa-se de gente de bem, que mostre a que veio.
Precisa-se de gente que pinte jardins de toda a cor,
E que borde nas cortinas do coração somente amor.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
925
Tomara
É, tomara mesmo que o tempo colabore
E que passe com carinho, com cuidado
Que traga você depressa e não demore
_ É que eu preciso de você aqui do lado!
Que não dê tempo à chegada da tristeza
_ É que não gosto de ficar com a solidão
Passe; traga para a minha alma a leveza
_E se possível traga flores e uma canção!
Tomara mesmo que o tempo seja senhor
Assim como já escreveu alguém um dia
_Senhor bom que me cerque de poesia!
Tomara mesmo que o tempo tenha amor
E que faça da sua ausência uma melodia
_Promete tempo? Vê se não me ludibria!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
992
Pobreza do ser
Possui asas, sem a menor vontade de alçar vôos,
Possui boa visão, mas bitola-se a uma mesmice,
Tem um leque de tudo, mas por dentro os enjoos,
Tem o mundo de adulto, mas opta por criancice.
Tem uma vida remediada, mas de tudo reclama,
O otimismo e a fé não fazem parte do seu léxico,
Não sabe o que é amar, não aquilata quem o ama,
Aparência rechonchuda com o espírito anoréxico.
Perante cama, mesa e banho, diz que vai embora,
Usufrui de tudo que há e diz que Deus não existe,
Prende os seus pássaros, mas sequer lhe dá alpiste.
Com pensamento solto pedindo poesia, ele chora,
O dinheiro é a causa maior e só isso lhe faz feliz,
Morre de sede; sentado ao léu a beira do chafariz.
ღRaquel Ordonesღ
951
Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.