Lista de Poemas
🔵 Cine Star
Nos filmes, histórias de cinemas que intitularam, viraram quase personagens, não é incomum. Como não é rara a lembrança de um cinema que marcou a infância, depois virou igreja evangélica. Mais, isso é quase um clichê. O ‘Cine Star’, em Guarulhos, seguiu esse roteiro; só foge do clichê, por ser no centro de uma cidade grande e ter se tornado o imóvel da Câmara dos Vereadores de Guarulhos.
Geograficamente, localizava-se numa colina. A considerável distância de meu bairro periférico tornava a frequência um acontecimento sazonal, portanto, precário em lembranças de grandes acontecimentos. No entanto, transbordando recordações da galerinha mirim e dos filmes que marcaram os anos 80: E.T. : o extraterrestre, Karatê Kid 3 e Rock 4, entre outros.
Isso está sendo nostálgico demais, e toda nostalgia é meio piegas, mas, exagerando nas recordações baratas, voltarei a descer a escadaria do ‘Cine Star’. Não é novidade sair de uma sala escura de cinema surpreendendo-se com a luz do Sol, enquanto, a particularidade do cineminha de Guarulhos era a saída lateral. Igual aos filmes, que levavam a um outro lugar, aquela porta de emergência desembocava na rua lateral. Tudo isso causava um breve atordoamento que tornava brusca a volta à realidade.
Aventurar-se ao antigo cinema do centro nunca vai se comparar a ir a um cinema de shopping center, muito menos ao streaming. Aliás, o cinema está para a ‘Netflix’, como o futebol de rua para o videogame. Não que o avanço da tecnologia não seja muito melhor, isso seria o mesmo que dizer que pegar um ônibus para ir à biblioteca era melhor que “dar um Google”. Contudo, justamente, combinar e juntar a turminha para enfrentar um “busão” é que era a graça e transformava assistir a um simples filme ou fazer um trabalho escolar, respectivamente, em um evento inesquecível.
Por ironia, imponência do nome ou referência aos artistas dos filmes, o ‘Cine Star’ foi nomeado com o que é difícil ver na cidade da região metropolitana de São Paulo: estrela.
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🔵 Motorista, motorista, olha a pista...
Foi estranho ouvir o “zum-zum-zum” de que haveria uma excursão no 3º grau. O passeio me remetia ao primário e ginásio, quando o deslocamento significava uma alforria infantil. Playcenter, zoológico, Bienal do Livro (Ibirapuera), Programa do Bozo (SBT), Teatro Brigadeiro e Teatro Nelson Rodrigues: era comum agir no ônibus como se aquele bando de pirralhos estivesse disputando uma corrida e não temesse a morte.
Contudo, o aviso de que iríamos conhecer a Editora Abril era bem instigante, e eu interrompi aquele hiato, de excursões, do colegial. No ônibus, as conversas por afinidade substituíram as canções desafiando o motorista.
Chegamos ao prédio histórico da Marginal Tietê. Externamente, a movimentação noturna dos funcionários e caminhões só aumentava o mistério, lembrando contrabandistas de filme, ou seja, escondendo algo. Seguindo a visita, como uma visita monitorada, percorremos a área externa, corredores e pátios. No parque fabril, as rotativas da revista Veja brilharam nos olhos de uns, e decepcionaram os que esperavam encontrar jornalistas e uma equipe criativa na Redação.
Tudo era tristemente diferente das redações enfumaçadas, barulhentas e frenéticas que esperávamos encontrar naquelas salas. A expectativa foi construída devido ao vasto “portfólio” que a ‘Abril’ distribuía nas “falecidas” ou “moribundas” bancas de jornal.
Conhecer o parque gráfico da Editora Abril resolveu um mistério pessoal. Quando eu voltava das viagens ao interior de São Paulo, via aquele edifício misterioso da Marginal. Além disso, ostentava, cravado no topo, a logomarca emblemática.
Atualmente, a Editora Abril ocupa um prédio mais moderno na Lapa; o antigo endereço sepultou o antigo Jornalismo, aquele da máquina de escrever e da fumaça de cigarro. Enfim, a mudança do local de trabalho representa o abandono do Jornalismo “raiz. Parece saudosismo barato, mas é apenas constatação de quando as publicações relatavam os fatos e não tentavam transformar a sociedade, funcionando como assessoras de imprensa do governo e adaptando a realidade conforme as conveniências.
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🔴 Previsões para 2024
Os textos de Nostradamus me encorajaram a escrever acontecimentos futuros, assim como a chuva de picaretas dizendo previsões previsíveis, bem como, macabras e inexoráveis: um avião cairá, um artista vai morrer. O exercício de futurologia dura até aquela velha canção “Adeus, ano velho. Feliz ano novo”. Igualmente impossível de ser comprovado, o horóscopo, que parece escrito por um estagiário, é tão aleatório quanto pouco confiável.
Então, resolvi escrever algo tão fugaz, irresponsável, genérico, vago e aleatório, que será impossível refutar. Claro que, mesmo que num “duplo twist carpado” ou contorcionismo interpretativo, podendo encaixar algum acontecimento com meus prognósticos, voltarei bradando: Eu não disse!
Sem mais delongas, vamos às mentiras, digo, previsões:
— E uma bola de fogo cruzará o céu, arrastando a verdade do caminho;
— enquanto a Terra dorme, revelar-se-á a verdade mais contundente;
— exércitos armar-se-ão e, pegando o inimigo desprevenido, combaterão;
— o melhor dos generais sucumbir-se-á aos sortilégios da escuridão;
— gelo e fogo serão o maior inimigo;
— uma grande explosão abrirá os portais.
O texto é uma porcaria e não quer dizer nada. O anacronismo, as mesóclises e as inversões de frases até impressionam, mas são tão vazias quanto constrangedoras. Desse modo, tento enganar quem, bem sei, no meio do ano já haverá esquecido destas inverdades. Minha meditação de almanaque, um rompante de charlatanismo e as conclusões rasteiras estão aí. Indecifráveis, mas estão aí.
Minhas ridículas previsões são tão genéricas quanto as Centúrias do velho charlatão Nostradamus. Meus chutes premonitórios abrangem uma amplitude que torna verdade desde o estouro de um traque até uma explosão atômica ou o choque de um cometa. É sempre bom lembrar, há 5 séculos, o antigo profeta previu o fim do mundo que nunca chega, e quando ele acertar, ninguém poderá atestar.
Todos os anos que arrisco acompanhar as adivinhações, até tento acreditar nas revelações, mas desembocam num desfile de desgraças e infortúnios envolvendo ricos, famosos e subcelebridades importantes quanto uma notinha de rodapé de site de futricas. Não tem jeito, sempre me sinto folheando uma revista de fofoca de artista ou assistindo a um programinha vespertino.
Quando as elucubrações são plausíveis, portanto, dignas de atenção, são previsíveis por qualquer um que leia manchetes numa banca de jornal, comentaristas, especialistas ou analistas.
Foi aí que tudo fez sentido
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🔴 Entre tapas e beijos
Sempre ouvi falarem num tal de Quaquá, somente por isso não ignorava sua existência. Nenhuma atitude digna de citação concentrou as atenções no insignificante político. Sua insignificância moral não foi alterada, porém ele finalmente concentrou as atenções. O deputado federal resolveu um problema exatamente da forma que representa o oposto da política: a violência.
O deputado Messias Donato ganhou um presente de fim de ano. Recebeu um tapa do coleguinha petista Washington Quaquá. Donato não titubeou, não fez escândalo e não reagiu. Legal! Mas Donato subiu à tribuna e, fingindo ou não, chorou copiosamente. A demonstração de fragilidade é como carne fresca num rio cheio de piranhas. É necessário e estratégico reconhecer, os petistas e sua gangue são especialistas em fazer escândalo e são implacáveis quando farejam fraqueza.
Não sei se a alcunha do deputado do “tapa democrático” é a onomatopeia de um pato ou de uma gargalhada. O político gera dúvidas quanto a sua efetividade como parlamentar, contribuição como servidor público e intenções quando era prefeito de Maricá, Rio de Janeiro. No entanto, o surgimento de uma triste figura como essa revela o que é a nossa política, bem como propicia um olhar mais crítico para a direita conservadora.
Sempre preferi o discurso conservador e o liberalismo econômico. Infelizmente, a direita, que é alinhada com os valores e a política econômica que eu prezo, é incapaz, pilantra ou caricata.
Incapaz: quando, mesmo com boas intenções, apanha (figurada e literalmente) dos “progressistas”. Sempre engrupida pelos esquerdistas, aponta os absurdos, filma e posta, nas redes sociais, os arbítrios e protocola ações inócuas.
Pilantra: sendo mais popular e majoritário, esse espectro político atrai aproveitadores por todos os lados. São os conhecidos “surfistinhas”, que “surfam” na onda Bolsonaro. Repetem o palavrório direitista; ostentam a “arminha” de mão; e exibem algum pano verde, amarelo ou azul.
Caricata: justamente, a “arminha” e o mantra (Deus, pátria e família), que são bons valores, que caricaturizam e estigmatizam a direita. Fazem-na parecer quadrada e anacrônica.
Fui querer ver a política de perto e me decepcionei. O STF destrói provas de crimes com uma broca (no estilo ”não tem nada pra ver aqui”), o Executivo acoberta uma quadrilha e o Congresso lembra a inesquecível 5ª série C.
O deputado Messias Donato ganhou um presente de fim de ano. Recebeu um tapa do coleguinha petista Washington Quaquá. Donato não titubeou, não fez escândalo e não reagiu. Legal! Mas Donato subiu à tribuna e, fingindo ou não, chorou copiosamente. A demonstração de fragilidade é como carne fresca num rio cheio de piranhas. É necessário e estratégico reconhecer, os petistas e sua gangue são especialistas em fazer escândalo e são implacáveis quando farejam fraqueza.
Não sei se a alcunha do deputado do “tapa democrático” é a onomatopeia de um pato ou de uma gargalhada. O político gera dúvidas quanto a sua efetividade como parlamentar, contribuição como servidor público e intenções quando era prefeito de Maricá, Rio de Janeiro. No entanto, o surgimento de uma triste figura como essa revela o que é a nossa política, bem como propicia um olhar mais crítico para a direita conservadora.
Sempre preferi o discurso conservador e o liberalismo econômico. Infelizmente, a direita, que é alinhada com os valores e a política econômica que eu prezo, é incapaz, pilantra ou caricata.
Incapaz: quando, mesmo com boas intenções, apanha (figurada e literalmente) dos “progressistas”. Sempre engrupida pelos esquerdistas, aponta os absurdos, filma e posta, nas redes sociais, os arbítrios e protocola ações inócuas.
Pilantra: sendo mais popular e majoritário, esse espectro político atrai aproveitadores por todos os lados. São os conhecidos “surfistinhas”, que “surfam” na onda Bolsonaro. Repetem o palavrório direitista; ostentam a “arminha” de mão; e exibem algum pano verde, amarelo ou azul.
Caricata: justamente, a “arminha” e o mantra (Deus, pátria e família), que são bons valores, que caricaturizam e estigmatizam a direita. Fazem-na parecer quadrada e anacrônica.
Fui querer ver a política de perto e me decepcionei. O STF destrói provas de crimes com uma broca (no estilo ”não tem nada pra ver aqui”), o Executivo acoberta uma quadrilha e o Congresso lembra a inesquecível 5ª série C.
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🔴 A gente conversa lá em casa
Em 1946, Dona Santinha, a esposa do presidente general Eurico Gaspar Dutra, em defesa da moral e bons costumes, pediu para seu marido proibir os jogos de azar. Como todo “pau mandado”, ele obedeceu. Desde então, a polícia estoura casas de jogos clandestinas, e os velhinhos gritam “deu aqui” apenas nas quermesses das igrejas.
Rosângela (Janja), esposa do presidente Lula, segue a mentalidade mandona de Dona Santinha, porém, querendo travar uma tecnologia atual. Se engana, quem acha que Janja é apenas alguém que se submeteu a um sacrifício que representava um atalho para um estilo de vida franqueado a poucos (melhores viagens, hotéis, restaurantes e tudo que o dinheiro pode comprar, e tudo o que um presidente pode ganhar).
Pois bem, Rosângela Lula da Silva, revelando a sorte de uma rara sincronia, começou a prometer maldades, sofreu um ataque ‘hacker’ e pleiteou o controle das redes sociais. Entretanto, não só ela, mas um exército (digital e analógico) clamou por uma regulação das redes. A ideia até parece justa, mas, na verdade, significa censura àquilo que não querem que seja dito (críticas). Curioso é que a moça quer, porque quer, punir a “big tech” ‘X’ (Twitter), mas não o ‘hacker’ que oportunamente adivinhou a sua senha!
Lula & Janja formam, como seria anunciado na ‘Sessão da Tarde’, “uma dupla do barulho”. A marca que representa o casal guarda segredos como a dupla de célebres bandidos Bonnie & Clyde. Conclusão: Janja deve ser portadora de alguns “contêineres” de atos sub-reptícios.
O decreto-lei de Dutra coincide com o ímpeto censor de Lula, pois ambos os presidentes foram “recomendados” a cumprir as ordens de cama, mesa e banho. Porém, a ideia que devia ser desestimulada no café da manhã, pode prejudicar milhões de pessoas. Mesmo sem votos (eleitorais e matrimoniais) os caprichos familiares são impingidos, 77 anos depois, a todos.
Como ficou claro no texto, Dona Santinha e Janja ostentam um apelido que simula uma falsa simpatia e forçada intimidade, também exercem um autoritarismo que extrapola as atribuições de uma primeira-dama.
Rosângela (Janja), esposa do presidente Lula, segue a mentalidade mandona de Dona Santinha, porém, querendo travar uma tecnologia atual. Se engana, quem acha que Janja é apenas alguém que se submeteu a um sacrifício que representava um atalho para um estilo de vida franqueado a poucos (melhores viagens, hotéis, restaurantes e tudo que o dinheiro pode comprar, e tudo o que um presidente pode ganhar).
Pois bem, Rosângela Lula da Silva, revelando a sorte de uma rara sincronia, começou a prometer maldades, sofreu um ataque ‘hacker’ e pleiteou o controle das redes sociais. Entretanto, não só ela, mas um exército (digital e analógico) clamou por uma regulação das redes. A ideia até parece justa, mas, na verdade, significa censura àquilo que não querem que seja dito (críticas). Curioso é que a moça quer, porque quer, punir a “big tech” ‘X’ (Twitter), mas não o ‘hacker’ que oportunamente adivinhou a sua senha!
Lula & Janja formam, como seria anunciado na ‘Sessão da Tarde’, “uma dupla do barulho”. A marca que representa o casal guarda segredos como a dupla de célebres bandidos Bonnie & Clyde. Conclusão: Janja deve ser portadora de alguns “contêineres” de atos sub-reptícios.
O decreto-lei de Dutra coincide com o ímpeto censor de Lula, pois ambos os presidentes foram “recomendados” a cumprir as ordens de cama, mesa e banho. Porém, a ideia que devia ser desestimulada no café da manhã, pode prejudicar milhões de pessoas. Mesmo sem votos (eleitorais e matrimoniais) os caprichos familiares são impingidos, 77 anos depois, a todos.
Como ficou claro no texto, Dona Santinha e Janja ostentam um apelido que simula uma falsa simpatia e forçada intimidade, também exercem um autoritarismo que extrapola as atribuições de uma primeira-dama.
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🔴 “Vem ser feliz”
O capitalismo também tem seus defeitos. Não, eu não fui lobotomizado, não fui vítima da doutrinação escolar nem fiz o “L”. Pelo contrário, logo entendi que havia um psicopata solto, espalhando mentiras e aplicando o “Conto da Picanha”.
Voltando ao capitalismo, admito que os produtos são fabricados para não durar (para quebrar) ou para se tornarem obsoletos. Sobretudo, eletroeletrônicos não dispõem de peças de reposição, não compensam ser consertados ou são considerados antigos porque surgiu um modelo mais atual (IPhone 1,2,3...). O nome disso é: obsolescência programada.
A durabilidade dos produtos fabricados é inversa às pesquisas de desenvolvimento, bem como a evolução tecnológica. A boa qualidade dos produtos é péssima para os negócios. Pelo contrário, a troca favorece muito os interesses comerciais, concomitantemente, o lucro.
Determinada lâmpada resiste acendendo há 115 anos (mais recente registro: 2020). O que fez a lâmpada durar tanto tempo foi o cuidado para não quebrá-la. No entanto, como isso não gira o estoque, o fabricante fornece alguns meses antes de nos entregar às trevas. Nesse caso, a pesquisa e o aprimoramento tecnológico socorreram a indústria: eis a obsolescência programada novamente.
Pois o PT, o partido dos trabalhadores que não trabalham, dos estudantes que não estudam e dos intelectuais que não pensam, diferentemente do que parece e dizem, não é socialista nem comunista, é dinheirista. Assim, o governo imposto também quer contribuir para um consumo forçado. Sempre favorecendo algum “amigo do rei”, o PT tenta “obrigar” o brasileiro a comprar alguma inutilidade. Exemplo: tomada três pinos.
Agora, malandramente, surgiu a troca obrigatória da geladeira. Sob o pretexto safado da “eficiência energética”, o brasileiro terá que trocar o essencial equipamento. A aquisição do caro e indispensável eletrodoméstico irá enriquecer mais sua amiga dona de lojas e, quem sabe, algum industrial.
Como principal legado do Lula, pode ser um refrigerador maior que caiba mais, não picanha, mas abóbora. Não bastasse a obsolescência programada, uma lei tornará obsoleto o que ainda funciona. “Vem ser feliz”.
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🔴 Começa assim, depois piora
O jogo final do campeonato mundial entre Manchester City, da Inglaterra, e Fluminense, do Brasil, evidenciou a diferença entre os times europeus e brasileiros. Cheio de vícios que travam o jogo a fim de vencer quaisquer partidas por “meio a zero”, os brasileiros não sabem o que fazer quando enfrentam os campeões da ‘Champions League’.
O Fluminense era o produto da Globo. Então, era necessário envolvê-lo numa bela embalagem, encher o cliente das melhores informações edulcorantes e exibi-lo com uma propaganda convincente. Entretanto, o Manchester City não participou da estratégia global e aplicou uma goleada (4 x 0).
O narrador, os comentaristas, bem como os repórteres da Globo cometeram a “pachequice” habitual, torcendo para a equipe carioca. Isso engana, pois quem viu o jogo sabe que o Fluminense foi muito inferior. Lembrando um torcedor que ignora a realidade, o narrador exaltava uma básica posse de bola. Isso é mentiroso, trapaceia e induz ao erro quem não entende de futebol.
No final, como prêmio de consolação, era exaltada a participação. Comemorar a oportunidade de um time brasileiro poder apanhar de um europeu é como dizer “você já é um vencedor”. A falsa euforia é desonesta, engana e mantém a mediocridade.
Fingir contusão, se jogar no chão (Neymar “cai, cai”) e segurar o jogo, a superestimada “cera”, fizeram do Brasil “O País do futebol” e a “Pátria de chuteiras”. No entanto, o País não soube fazer a transição dos “campinhos de várzea” para as escolinhas de futebol. Essa mudança física fez com que a “malemolência”, a “malandragem” e o “jeitinho brasileiro” não fossem vistos mais como qualidade, mas, sim, como defeito.
A seleção brasileira vem encontrando o mesmo “campo minado”. Mas os subterfúgios, que sempre ajudaram o Brasil a superar os adversários, são vaiados, filmados e punidos. Os placares de 7 a 1 e 4 a 0 mostram que alguma coisa errada não está muito certa.
O time brasileiro (Fluminense) encontrou uma equipe que praticava outro esporte. Conclusão: quando nossas equipes chegam lá, comemora-se até arremesso lateral, escanteio, tiro de meta e um básico passe certo.
É o “tá ruim, mas tá bom” do futebol.
O Fluminense era o produto da Globo. Então, era necessário envolvê-lo numa bela embalagem, encher o cliente das melhores informações edulcorantes e exibi-lo com uma propaganda convincente. Entretanto, o Manchester City não participou da estratégia global e aplicou uma goleada (4 x 0).
O narrador, os comentaristas, bem como os repórteres da Globo cometeram a “pachequice” habitual, torcendo para a equipe carioca. Isso engana, pois quem viu o jogo sabe que o Fluminense foi muito inferior. Lembrando um torcedor que ignora a realidade, o narrador exaltava uma básica posse de bola. Isso é mentiroso, trapaceia e induz ao erro quem não entende de futebol.
No final, como prêmio de consolação, era exaltada a participação. Comemorar a oportunidade de um time brasileiro poder apanhar de um europeu é como dizer “você já é um vencedor”. A falsa euforia é desonesta, engana e mantém a mediocridade.
Fingir contusão, se jogar no chão (Neymar “cai, cai”) e segurar o jogo, a superestimada “cera”, fizeram do Brasil “O País do futebol” e a “Pátria de chuteiras”. No entanto, o País não soube fazer a transição dos “campinhos de várzea” para as escolinhas de futebol. Essa mudança física fez com que a “malemolência”, a “malandragem” e o “jeitinho brasileiro” não fossem vistos mais como qualidade, mas, sim, como defeito.
A seleção brasileira vem encontrando o mesmo “campo minado”. Mas os subterfúgios, que sempre ajudaram o Brasil a superar os adversários, são vaiados, filmados e punidos. Os placares de 7 a 1 e 4 a 0 mostram que alguma coisa errada não está muito certa.
O time brasileiro (Fluminense) encontrou uma equipe que praticava outro esporte. Conclusão: quando nossas equipes chegam lá, comemora-se até arremesso lateral, escanteio, tiro de meta e um básico passe certo.
É o “tá ruim, mas tá bom” do futebol.
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🔵 Última chamada
A figura ameaçadora, que aparecia revelando a temerária sombra, vinha atravessando a rua, com os dentes trincados e os olhos esbugalhados (saltando para fora das órbitas). De repente, quando eu já estava calculando a rota de fuga, reconheci o cara esquálido que implorava por algumas moedas para ir a Santo André. Nesse momento, eu já havia decifrado a metáfora que significava a cidade da região metropolitana de São Paulo.
O que começou como medo, terminou como dó. Para mim, bastavam alguns minutos para me livrar do indivíduo artificialmente eufórico; enquanto ele, tudo levava a crer, teria muita dificuldade para eliminar “Santo André” de seu roteiro.
Outra noite, já era tarde, novamente vinha o sujeito que, tentei adivinhar, precisava embarcar urgentemente para Santo André, na Grande São Paulo. O “noia” do bairro insistia na mentira, enquanto eu, já tratando ele pelo apelido, tentava me livrar do financiamento daquele abismo pessoal. Sempre conseguia me esquivar, mas percebi que aquilo não teria fim.
Novamente, lá vinha ele! Como quem respeitava uma pontualidade britânica ou via um “start” esperançoso com o meu surgimento, ele atravessava a rua a fim de cobrar o imposto do pecado. Sem saber, eu fui envolvido num roteiro macabro, o qual eu nunca soube o começo, mas era fácil advinhar o final.
Em todo lugar deve ser assim: no Rio de Janeiro pode ter alguém precisando ir a Nova Iguaçu, em Belo Horizonte é capaz que exista um sujeito desesperado por uns trocados para partir a Contagem. No entanto, a viagem é no sentido figurado e, diferentemente da conversa, não literal.
Xiii... chegou o momento de enfrentar o passageiro noturno. Sexta-feira prometia um movimento frenético de ônibus na cidade. Naquele fim de semana, o terminal rodoviário da agonia seria pequeno para abrigar tantos “viajantes”.
Entretanto, fazia tempo que o “noia” não surgia desesperado para recolher o seu pedágio da madrugada. A conclusão óbvia era que ele foi para o lugar que estava frequentando e nunca mais voltou.
O que começou como medo, terminou como dó. Para mim, bastavam alguns minutos para me livrar do indivíduo artificialmente eufórico; enquanto ele, tudo levava a crer, teria muita dificuldade para eliminar “Santo André” de seu roteiro.
Outra noite, já era tarde, novamente vinha o sujeito que, tentei adivinhar, precisava embarcar urgentemente para Santo André, na Grande São Paulo. O “noia” do bairro insistia na mentira, enquanto eu, já tratando ele pelo apelido, tentava me livrar do financiamento daquele abismo pessoal. Sempre conseguia me esquivar, mas percebi que aquilo não teria fim.
Novamente, lá vinha ele! Como quem respeitava uma pontualidade britânica ou via um “start” esperançoso com o meu surgimento, ele atravessava a rua a fim de cobrar o imposto do pecado. Sem saber, eu fui envolvido num roteiro macabro, o qual eu nunca soube o começo, mas era fácil advinhar o final.
Em todo lugar deve ser assim: no Rio de Janeiro pode ter alguém precisando ir a Nova Iguaçu, em Belo Horizonte é capaz que exista um sujeito desesperado por uns trocados para partir a Contagem. No entanto, a viagem é no sentido figurado e, diferentemente da conversa, não literal.
Xiii... chegou o momento de enfrentar o passageiro noturno. Sexta-feira prometia um movimento frenético de ônibus na cidade. Naquele fim de semana, o terminal rodoviário da agonia seria pequeno para abrigar tantos “viajantes”.
Entretanto, fazia tempo que o “noia” não surgia desesperado para recolher o seu pedágio da madrugada. A conclusão óbvia era que ele foi para o lugar que estava frequentando e nunca mais voltou.
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🔴 A democracia de museu — Parece, mas não é
Museu da Democracia, Mude. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tramou com a Prefeitura do Rio de Janeiro a criação do museu cuja sigla poderia ser um verbo imperativo.
No Brasil, a democracia virou peça de museu. A palavra foi tão gasta que perdeu o sentido. A discordância encerra o debate quando o contrário é tachado de antidemocrático. Por mais infantil que seja o interlocutor, o argumento do “antidemocrático” é “esfregado na cara” igual a um “Super Trunfo, zap ou coringa”. Infelizmente, rotular alguém de antidemocrático é tão profundo quanto xingar alguém de bobo, feio e cara de melão.
Sabendo que o nosso ensino é péssimo, a então presidente Dilma Rousseff batizou um programa educacional com o pretensioso nome: ‘Pátria Educadora’. O nome, que combinaria se fosse na Noruega ou Finlândia, é cheio de forma e vazio de conteúdo. Como a ‘Carta pela Democracia’, a propaganda petista exibe suas supostas melhorias que, por funcionarem de maneira cosmética, somem, despercebidamente, com o tempo.
De mesmo efeito é a difundida criação do museu da democracia, que é proporcionalmente invertida à realidade, ou seja: quanto mais se fala, menos existe. E essa situação chegou ao paroxismo com o anúncio do tal museu. “Museu da Democracia’, no Brasil, é tão exótico quanto uma girafa de zoológico.
O padre Julio Lancellotti é tão cristão quanto o João de Deus é de Deus. Particularmente, eu chamo o Julio “LanceLOST” de Padre como se fosse um nome, assim como o João de Deus. Parece estranho eu citar o militante adepto à ‘Teologia da Libertação’ (que é um tentáculo do PT). O padre que apoia o Hamas (organização terrorista) parece precisar urgentemente de exorcismo. O “santo do pau oco” é um exemplo ambulante da embalagem edulcorada (padre), mas cheio de péssimas intenções.
O ‘Museu da Democracia’ já nasce tão significativo quanto a ‘Coreia do Norte’ se chama ‘República Popular Democrática da Coreia’, a antiga ‘Alemanha Oriental’ se chamava ‘República Democrática Alemã’ e “na Venezuela tem democracia até demais”.
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🔵 Trilha sonora
Pneus cheios, freios funcionando e pedais tracionando a bicicleta eram suficientes para andar na noite paulistana.
O som nos fones de ouvido impediam a audição necessária para permanecer atento ao trânsito e, principalmente, aos alertas sonoros: buzinas, motores e, nunca se sabe, xingamentos. Somente os faróis denunciariam alguma aproximação.
Os shows da “Virada Cultural” já indicavam o que viria a ser: o ‘Lollapalooza” da “Cracolândia”. Uma garrafa com álcool de cozinha, corante vermelho e talvez açúcar, o “vinho químico”, animava as apresentações de rua. A ‘Virada Cultural’ sempre foi melhor aproveitada com a fuga a bordo de uma veloz bicicleta ou, no dia seguinte, na segurança de um jornal.
À distância, o meu ponto de vista havia mudado com a movimentação das portas das boates. Aquela aglomeração exigia muita atenção, principalmente com os motoristas que partiam bêbados. Parar e assistir às expectativas de quem chegava, e as decepções de quem saía da balada me municiava da perspectiva de quem via aquela encenação de fora e sem nenhuma pretensão.
Depois desse experimento social, segui vencendo a esburacada malha asfáltica e outras intervenções da Prefeitura: sofridas subidas, descidas quase suicidas, retas velozes, curvas arriscadas, paralelepípedos e calçadas compunham o trajeto repleto de cenários urbanos e aspectos antropológicos.
As antenas da Avenida Paulista indicavam que chegara o principal objetivo da “viagem” noturna. A avenida turística dava falsas sensações de chegada, tranquilidade e segurança. Aquele sossego, silêncio e vazio, bem como a ausência de acidentes geográficos a vencer convidavam a relaxar, contemplar a paisagem urbana, pensar na vida e a um passeio menos aventureiro e mais contemplativo. Ou seja, menos “sangue nos zóio” e mais respiração.
A volta contava com um pouco mais de descontração, velocidade, destemor e, por isso mesmo, risco de morte (risco de vida eu tive quando nasci). Meia hora antes de chegar em casa, a pausa para a água de coco era obrigatória. Isso me fazia sentir mais saudável.
Dobrando a última esquina, às 4 da madrugada, na minha rua, ao invés de relaxar eu aumentava a atenção, a paranoia só cessava quando eu guardava a bicicleta e encerrava a minha trilha sonora.
O som nos fones de ouvido impediam a audição necessária para permanecer atento ao trânsito e, principalmente, aos alertas sonoros: buzinas, motores e, nunca se sabe, xingamentos. Somente os faróis denunciariam alguma aproximação.
Os shows da “Virada Cultural” já indicavam o que viria a ser: o ‘Lollapalooza” da “Cracolândia”. Uma garrafa com álcool de cozinha, corante vermelho e talvez açúcar, o “vinho químico”, animava as apresentações de rua. A ‘Virada Cultural’ sempre foi melhor aproveitada com a fuga a bordo de uma veloz bicicleta ou, no dia seguinte, na segurança de um jornal.
À distância, o meu ponto de vista havia mudado com a movimentação das portas das boates. Aquela aglomeração exigia muita atenção, principalmente com os motoristas que partiam bêbados. Parar e assistir às expectativas de quem chegava, e as decepções de quem saía da balada me municiava da perspectiva de quem via aquela encenação de fora e sem nenhuma pretensão.
Depois desse experimento social, segui vencendo a esburacada malha asfáltica e outras intervenções da Prefeitura: sofridas subidas, descidas quase suicidas, retas velozes, curvas arriscadas, paralelepípedos e calçadas compunham o trajeto repleto de cenários urbanos e aspectos antropológicos.
As antenas da Avenida Paulista indicavam que chegara o principal objetivo da “viagem” noturna. A avenida turística dava falsas sensações de chegada, tranquilidade e segurança. Aquele sossego, silêncio e vazio, bem como a ausência de acidentes geográficos a vencer convidavam a relaxar, contemplar a paisagem urbana, pensar na vida e a um passeio menos aventureiro e mais contemplativo. Ou seja, menos “sangue nos zóio” e mais respiração.
A volta contava com um pouco mais de descontração, velocidade, destemor e, por isso mesmo, risco de morte (risco de vida eu tive quando nasci). Meia hora antes de chegar em casa, a pausa para a água de coco era obrigatória. Isso me fazia sentir mais saudável.
Dobrando a última esquina, às 4 da madrugada, na minha rua, ao invés de relaxar eu aumentava a atenção, a paranoia só cessava quando eu guardava a bicicleta e encerrava a minha trilha sonora.
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