Lista de Poemas
Carta ao povo brasileiro 😁
Meu povo, sou acusado, injustamente, por meus opositores, de: peculato, caixa dois, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, compra de votos, falsificação de documentos, remessa ilegal de capital, fraude no imposto de renda, sonegação fiscal, evasão de divisas, uso indevido da máquina pública, desvio de verbas, desvio de merenda escolar, formação de quadrilha, golpe do baú, conto do vigário, proxenetismo, vadiagem, tráfico de drogas, violência doméstica, não pagamento de pensão, atropelamento, improbidade administrativa, apropriação indébita, enriquecimento ilícito, compras superfaturadas, recebimento de propina, contrabando, descaminho, falsificação, contrafação, roubo de carga, receptação de mercadorias roubadas, roubo, furto, estelionato, estupro, abuso de menores, corrupção de menores, atos libidinosos em local público, atentado violento ao pudor, pedofilia, extorsão mediante sequestro, latrocínio, violação de direito autoral, plágio, usurpação, dano, homicídio (triplamente qualificado), feminicídio, infanticídio, injúria racial, calúnia, difamação, crimes cibernéticos, induzimento ao suicídio, apologia do nazismo, lesão corporal, auxílio no aborto, abandono de incapaz, maus tratos, crime ambiental, omissão de socorro, atropelamento, crime contra a incolumidade pública, crime contra a saúde pública e prevaricação.
Venho, com as mãos limpas, rosto erguido e cara-de-pau, digo, e olhando nos olhos, declarar: eu sou inocente. Depois de 51 anos de vida pública limpa, luta contra a Ditadura (nos Anos de Chumbo), luta incansável pela volta da Democracia, sofro perseguição política e linchamento público jamais vistos. Minha envergadura moral é ilibada, bem como o trabalho pelo povo tem sido incansável. Forças terríveis querem me derrubar, mas não conseguirão. A história irá me absolver e meus adversários voltarão ao pântano, de onde nunca deveriam ter saído.
Isso que vêm fazendo contra a minha pessoa, na tentativa de manchar minha biografia, é um acinte, com o intuito de um assassinato de reputação. Mas não lograrão êxito. Eu confio na justiça deste país. É, principalmente, um ataque ao Estado Democrático de Direito, às instituições, à Constituição e, por que não, à democracia. O Supremo Tribunal Federal, o Congresso (Senado e Câmara), entre outras, são instituições, imprescindíveis, guardiãs da democracia.
Terminando, e não fugindo das graves acusações que fazem a fim de atingir a minha pessoa, repilo tudo. Declaro que hoje meus assessores redigirão e publicarão uma nota de repúdio. Assim que eu tiver acesso aos autos, deslocarei um corpo jurídico, composto por cinco advogados. Advogados responsáveis por livrar, digo, defender os mais notórios ladrões, digo, políticos de Brasília.
Concluindo, é injusto o que meus inimigos políticos fazem com a minha pessoa. Sempre tive uma conduta republicana, preocupado com os mais pobres, os mais humildes e a pessoa humana, de um modo geral. Forças terríveis estão à solta, mas sucumbirão perante um servidor probo.
Obs: este discurso é um exagero, caso no Brasil houvesse corruptos. Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
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Bar do Barba 🔵
Esse era o local obrigatório das saideiras — quando era cedo ou a sede permanecia — para uma noite de sábado. Frequentávamos essa espelunca por puro costume, pois a Vigilância Sanitária faria hora extra lá. O Barba era o, digamos, proprietário do empreendimento do ramo do entretenimento etílico. O atendimento era péssimo, até mesmo para a escória da sociedade. A comida, provavelmente, possuía coliformes fecais acima do permitido na lei. O pobre infeliz que aventurava-se a morder uma coxinha, contrairia uma infecção estafilocócica. A chapa para o preparo de lanches apresentava rastros de, argh, baratas. A prova do extermínio delas, era a lata de Baygon, estrategicamente posicionada.
O banheiro era, lógico, um capítulo à parte. A toalhinha de rosto, de tão usada, ficava permanentemente úmida e encardida. Essa conjuntura formava um caldo cultural perfeito para a proliferação de bactérias. A cordinha da descarga merecia um teste de carbono 14. Enfim, o, por assim dizer, “toilette” era um ambiente a ser evitado.
O fundo do boteco era onde a mágica acontecia. Para adentrar esse espaço, você tinha que vencer uma portinha. Quem passasse para lá, se isolava do resto do mundo e era brindado com um irritante “videokê”. Esse lugar era um tipo de “bunker”, de modo que, se caísse uma bomba atômica lá fora, apenas sobreviveriam as baratas e quem ali estivesse. Nas paredes, quadros com imagens intrigantes, um pisca-pisca que mal iluminava o, vá lá, ambiente, a pretensa inscrição “Show de Luzes” e o inexplicável aviso “Ambiente Familiar”. No “videokê”, além dos péssimos cantores (inclusive eu), havia o momento Barba. Nesse episódio, o dono do duvidoso estabelecimento comercial, assassinava canções outrora belas. Ele era bovinamente aplaudido .
Esse refúgio, pessimamente frequentado, era, obviamente, um forte candidato a esconderijo de potenciais arquivos vivos. Ali, como em qualquer bar, saía uma briga generalizada de vez em quando. Mas não se podia chamar a Policia. Se qualquer autoridade visse o lugar, pediria sua interdição.
O Bar do Barba ficava em Guarulhos, e lá, determinadas pessoas fazem a “justiça” com as próprias mãos. Essa justiça condenou o Barba. Tentaram continuar o negócio sem ele, mas não era a mesma coisa. O bar fechou.
O banheiro era, lógico, um capítulo à parte. A toalhinha de rosto, de tão usada, ficava permanentemente úmida e encardida. Essa conjuntura formava um caldo cultural perfeito para a proliferação de bactérias. A cordinha da descarga merecia um teste de carbono 14. Enfim, o, por assim dizer, “toilette” era um ambiente a ser evitado.
O fundo do boteco era onde a mágica acontecia. Para adentrar esse espaço, você tinha que vencer uma portinha. Quem passasse para lá, se isolava do resto do mundo e era brindado com um irritante “videokê”. Esse lugar era um tipo de “bunker”, de modo que, se caísse uma bomba atômica lá fora, apenas sobreviveriam as baratas e quem ali estivesse. Nas paredes, quadros com imagens intrigantes, um pisca-pisca que mal iluminava o, vá lá, ambiente, a pretensa inscrição “Show de Luzes” e o inexplicável aviso “Ambiente Familiar”. No “videokê”, além dos péssimos cantores (inclusive eu), havia o momento Barba. Nesse episódio, o dono do duvidoso estabelecimento comercial, assassinava canções outrora belas. Ele era bovinamente aplaudido .
Esse refúgio, pessimamente frequentado, era, obviamente, um forte candidato a esconderijo de potenciais arquivos vivos. Ali, como em qualquer bar, saía uma briga generalizada de vez em quando. Mas não se podia chamar a Policia. Se qualquer autoridade visse o lugar, pediria sua interdição.
O Bar do Barba ficava em Guarulhos, e lá, determinadas pessoas fazem a “justiça” com as próprias mãos. Essa justiça condenou o Barba. Tentaram continuar o negócio sem ele, mas não era a mesma coisa. O bar fechou.
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Rock and Roll lullaby 🔵
Até que eu curtia a Coleção Disquinho. Na verdade, era tudo o que eu conhecia. Já estava me acostumando com a estorinha da Dona Baratinha, quando meu pai saca algo muito mais legal: o LP Sorrisos e Lágrimas. Verdadeiro tesouro escondido de três pirralhos querendo descobrir o mundo e seis mãozinhas prontas para destruir tudo que se movesse, andasse, arrastasse ou voasse.
Esse disco era uma aula de “rock’ n’ roll”, havendo apenas sorrisos; lágrimas só quando ocorria algum acidente doméstico. Enquanto, nas festinhas, rolava Balão Mágico e seu inocente e bobo Ursinho Pimpão, eu curtia The Bird’s The Word e Papa-Oom-Mow-Mow (as duas músicas mais divertidas da história), com Rivingtons; Long Tall Sally, com Little Richard; e The Letter, com The Box Tops. Quem nasce ouvindo isso está imune às 10 (“jabás” de qualquer época).
O Sorrisos e Lágrimas já era o suficiente, mas tinha muito mais de onde veio esse. Aos poucos, foram surgindo: dois compactos dos Beatles e um LP de Johnny Rivers. Little Richard inventou o “rock” e os Beatles deram outra direção. A passagem entre as canções infantis e o “rock” foi prematura e como um salto quântico. Digo mais: essa experiência é como pular da sopinha infantil Nestlė para o “whisky” Jack Daniels ou da motoquinha Bandeirante para uma motocicleta Harley-Davidson.
Só que, para quem vive em São Paulo e na Grande SP esse bom gosto musical aproxima tribos inóspitas e toda sorte de fauna urbana: “punks, darks, skin heads”, alternativos, “head bangers”, avulsos e outras coisas.
Como uma lousa velha, qualquer plataforma pode ser mais útil que um computador. A velha vitrola cumpriu sua função. O rudimentar aparelho apresentou ótimas músicas e formou um gosto musical livre de chuvas e trovoadas (ou gugus e faustões).
Paradoxalmente, sou obrigado (pelas circunstâncias) a dizer que não gosto de funk. É difícil dizer isso, sabendo que funk de verdade (não o carioca) é James Brown.
Sertanejo Universitário é muito triste. O nome sugeriria algo como: Ortega & Gasset, Galileu & Galilei ou Costa & Silva cantam Chico Buarque.
Voltando ao “rock”, quem diz que ele morreu está enganado. Daqui a 300 anos, Rolling Stones será escutado (não ao vivo) como Mozart ou Beethoven. Alguém diz que a música clássica morreu?
O Ministério da Saúde adverte: Spotify e Deezer, se mal usados, podem causar funk e sertanejo universitário.
Esse disco era uma aula de “rock’ n’ roll”, havendo apenas sorrisos; lágrimas só quando ocorria algum acidente doméstico. Enquanto, nas festinhas, rolava Balão Mágico e seu inocente e bobo Ursinho Pimpão, eu curtia The Bird’s The Word e Papa-Oom-Mow-Mow (as duas músicas mais divertidas da história), com Rivingtons; Long Tall Sally, com Little Richard; e The Letter, com The Box Tops. Quem nasce ouvindo isso está imune às 10 (“jabás” de qualquer época).
O Sorrisos e Lágrimas já era o suficiente, mas tinha muito mais de onde veio esse. Aos poucos, foram surgindo: dois compactos dos Beatles e um LP de Johnny Rivers. Little Richard inventou o “rock” e os Beatles deram outra direção. A passagem entre as canções infantis e o “rock” foi prematura e como um salto quântico. Digo mais: essa experiência é como pular da sopinha infantil Nestlė para o “whisky” Jack Daniels ou da motoquinha Bandeirante para uma motocicleta Harley-Davidson.
Só que, para quem vive em São Paulo e na Grande SP esse bom gosto musical aproxima tribos inóspitas e toda sorte de fauna urbana: “punks, darks, skin heads”, alternativos, “head bangers”, avulsos e outras coisas.
Como uma lousa velha, qualquer plataforma pode ser mais útil que um computador. A velha vitrola cumpriu sua função. O rudimentar aparelho apresentou ótimas músicas e formou um gosto musical livre de chuvas e trovoadas (ou gugus e faustões).
Paradoxalmente, sou obrigado (pelas circunstâncias) a dizer que não gosto de funk. É difícil dizer isso, sabendo que funk de verdade (não o carioca) é James Brown.
Sertanejo Universitário é muito triste. O nome sugeriria algo como: Ortega & Gasset, Galileu & Galilei ou Costa & Silva cantam Chico Buarque.
Voltando ao “rock”, quem diz que ele morreu está enganado. Daqui a 300 anos, Rolling Stones será escutado (não ao vivo) como Mozart ou Beethoven. Alguém diz que a música clássica morreu?
O Ministério da Saúde adverte: Spotify e Deezer, se mal usados, podem causar funk e sertanejo universitário.
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Gambling (jogo de azar) ♦️
A vontade da esposa do presidente Eurico Gaspar Dutra, Dona Santinha, continuará vigendo? Em 1946, o Brasil proibiu os cassinos por causa de um capricho doméstico, de uma vontade da esposa do presidente do Brasil.
O jogo do bicho quase sempre fez parte da “cultura popular”; sempre tem um cassino clandestino sendo “estourado” pela Polícia Civil; bingo sempre foi atração de quermesse; jogos virtuais estão rolando, principalmente no exterior e sendo amplamente divulgados aqui. Diariamente, vemos propagandas exibindo a palavra inglesa ‘bet’, que traduzida significa “aposta”. Esse exemplo escancara que essa atividade vem sendo explorada.
A proposta de 1991 será, finalmente, votada, mas não passará porque o falso moralismo vencerá. Eu sou a favor porque a jogatina já rola solta. A falsa moralidade, portanto hipocrisia, impede, não sabemos por quais interesses, essa volta.
Os argumentos são fracos. Dizem que o crime organizado encontrará campo fértil para “trabalhar”. Se o crime organizado não existisse aqui, esse argumento seria válido. Além disso, o crime tem que ser combatido sempre.
Aquela história do vovô ou a vovó, viciados em jogos, gastando a aposentadoria no cassino é lenda. Quem sofre desse vício já tem que ser retirado do bingo, carteado, caça-níqueis ou pôquer clandestinos. Pelo contrário, quem está “limpando” o cartão de crédito é o pirralho que joga de tudo nos ‘sites’ com um nome seguido de “bet”.
Na verdade, não é nem tanto pela jogatina. Cada cassino faz parte de um complexo com hotel, bar, restaurante, shows etc. No Brasil, o turismo é subaproveitado. Diferente das drogas, essa liberação não será aprovada porque o “fantasma” da Dona Santinha ainda ronda os corredores do Congresso.
O jogo já está perdido, quando o Estado tem que ser o agente moralizador do cidadão.
Edmund Burke: “quanto mais freios internos nós criarmos, menos vamos precisar dos externos”.
O jogo do bicho quase sempre fez parte da “cultura popular”; sempre tem um cassino clandestino sendo “estourado” pela Polícia Civil; bingo sempre foi atração de quermesse; jogos virtuais estão rolando, principalmente no exterior e sendo amplamente divulgados aqui. Diariamente, vemos propagandas exibindo a palavra inglesa ‘bet’, que traduzida significa “aposta”. Esse exemplo escancara que essa atividade vem sendo explorada.
A proposta de 1991 será, finalmente, votada, mas não passará porque o falso moralismo vencerá. Eu sou a favor porque a jogatina já rola solta. A falsa moralidade, portanto hipocrisia, impede, não sabemos por quais interesses, essa volta.
Os argumentos são fracos. Dizem que o crime organizado encontrará campo fértil para “trabalhar”. Se o crime organizado não existisse aqui, esse argumento seria válido. Além disso, o crime tem que ser combatido sempre.
Aquela história do vovô ou a vovó, viciados em jogos, gastando a aposentadoria no cassino é lenda. Quem sofre desse vício já tem que ser retirado do bingo, carteado, caça-níqueis ou pôquer clandestinos. Pelo contrário, quem está “limpando” o cartão de crédito é o pirralho que joga de tudo nos ‘sites’ com um nome seguido de “bet”.
Na verdade, não é nem tanto pela jogatina. Cada cassino faz parte de um complexo com hotel, bar, restaurante, shows etc. No Brasil, o turismo é subaproveitado. Diferente das drogas, essa liberação não será aprovada porque o “fantasma” da Dona Santinha ainda ronda os corredores do Congresso.
O jogo já está perdido, quando o Estado tem que ser o agente moralizador do cidadão.
Edmund Burke: “quanto mais freios internos nós criarmos, menos vamos precisar dos externos”.
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Show do guru ⚫️
João de Deus (me livre), como o louva-a-deus, tinha uma estratégia de camuflagem. De aparência benévola, fingia ser “do bem” e, como o inseto, identificava a presa e surgia o predador voraz, revelando que a aparência carola e o nome “abençoado” eram só subterfúgios. Abadiânia, Goiás, onde ele dava consultas, virou uma cidade fantasma. A cidade, antes lotada, ficou às moscas com o fim do negócio. Hotéis e congêneres, restaurantes e comércio em geral fecharam com o fim da atração.
Sri Prem Baba (Janderson Fernandes de Oliveira), o bicho-grilo dos artistas, na verdade era um bicho-papão. Ele é o típico doidão que se entupiu de ácido e outros estupefacientes. Uma hora aqui, outra ali, viajando (em todos os sentidos) por lugares exóticos, seguindo vários outros falsos profetas, achou uma forma de locupletar-se disso. Os ricos e famosos, claro, compraram essa ideia. Ele foi seguido cegamente, por celebridades, políticos e empresários. A casa caiu quando descobriram que o caminho pavimentado, para ele, levava ao sexo (tântrico, para não sair do esoterismo) e dinheiro.
Rajneesh Chandra Mohan Jain, nascido Chandra Mohan Jain, também conhecido como Acharya Rajneesh, o mestre Bhagwan Shree Rajneesh ou, simplesmente, Osho, foi um controverso e arquetípico guru indiano.
Os seguidores do guru indiano compraram um rancho (64 km2) no estado do Oregon, em 1981. Aliás, para ser seguidor era necessário bem mais que um clique. A cidade de Antelope, Oregon, até então bem pacata, tornou-se a terra prometida de uma turma de hippies. Acabara o sossego, numa cidade de “rednecks” (caipiras) muito conservadores, do tipo que vota em republicanos, ostenta a bandeira dos EUA na frente da casa e sai da sua propriedade com um rifle à menor aproximação de estranhos. Com um contingente majoritário, e até bioterrorismo, essa sociedade alternativa tentou influenciar a política da pequena cidade.
Tony Robbins é um mix de pastor, “personal trainer” e “coach”. Suas, acho que, palestras são uma mistura de culto evangélico, aula de aeróbica e palestra motivacional. O espetáculo é muito bem produzido. O termo “produzido” não é à toa, esses eventos são milimetricamente calculados. Tony escolhe um indivíduo claramente perturbado psiquicamente, o que não é difícil, pois os que ali estão pagaram caro pela consulta coletiva. Em seguida, da maneira mais constrangedora possível, ele faz a vítima, digo, o paciente expor seus mais recônditos bloqueios emocionais, perante uma multidão. O astro/guru, usando uma ultrapassada técnica de cartomante do Viaduto do Chá, diz algumas platitudes, típicas de livro de autoajuda de rodoviária. No final, a presa, digo, o paciente faz uma expressão de quem se libertou de todos os males que o afligiam, ou seja, teve a tão esperada purificação espiritual, uma música animada sobe. Eis o ápice.
O guru da vez é o “coach”. Essa figura, mistura de líder espiritual e empreendedor de palco, ensina vendedores gananciosos, fazendo-os pagarem alguns micos ou apenas orienta fiéis. Os “coachs” sabem vender livros de autoajuda e palestras. E você sai de lá gritando “ú-hú”.
Sri Prem Baba (Janderson Fernandes de Oliveira), o bicho-grilo dos artistas, na verdade era um bicho-papão. Ele é o típico doidão que se entupiu de ácido e outros estupefacientes. Uma hora aqui, outra ali, viajando (em todos os sentidos) por lugares exóticos, seguindo vários outros falsos profetas, achou uma forma de locupletar-se disso. Os ricos e famosos, claro, compraram essa ideia. Ele foi seguido cegamente, por celebridades, políticos e empresários. A casa caiu quando descobriram que o caminho pavimentado, para ele, levava ao sexo (tântrico, para não sair do esoterismo) e dinheiro.
Rajneesh Chandra Mohan Jain, nascido Chandra Mohan Jain, também conhecido como Acharya Rajneesh, o mestre Bhagwan Shree Rajneesh ou, simplesmente, Osho, foi um controverso e arquetípico guru indiano.
Os seguidores do guru indiano compraram um rancho (64 km2) no estado do Oregon, em 1981. Aliás, para ser seguidor era necessário bem mais que um clique. A cidade de Antelope, Oregon, até então bem pacata, tornou-se a terra prometida de uma turma de hippies. Acabara o sossego, numa cidade de “rednecks” (caipiras) muito conservadores, do tipo que vota em republicanos, ostenta a bandeira dos EUA na frente da casa e sai da sua propriedade com um rifle à menor aproximação de estranhos. Com um contingente majoritário, e até bioterrorismo, essa sociedade alternativa tentou influenciar a política da pequena cidade.
Tony Robbins é um mix de pastor, “personal trainer” e “coach”. Suas, acho que, palestras são uma mistura de culto evangélico, aula de aeróbica e palestra motivacional. O espetáculo é muito bem produzido. O termo “produzido” não é à toa, esses eventos são milimetricamente calculados. Tony escolhe um indivíduo claramente perturbado psiquicamente, o que não é difícil, pois os que ali estão pagaram caro pela consulta coletiva. Em seguida, da maneira mais constrangedora possível, ele faz a vítima, digo, o paciente expor seus mais recônditos bloqueios emocionais, perante uma multidão. O astro/guru, usando uma ultrapassada técnica de cartomante do Viaduto do Chá, diz algumas platitudes, típicas de livro de autoajuda de rodoviária. No final, a presa, digo, o paciente faz uma expressão de quem se libertou de todos os males que o afligiam, ou seja, teve a tão esperada purificação espiritual, uma música animada sobe. Eis o ápice.
O guru da vez é o “coach”. Essa figura, mistura de líder espiritual e empreendedor de palco, ensina vendedores gananciosos, fazendo-os pagarem alguns micos ou apenas orienta fiéis. Os “coachs” sabem vender livros de autoajuda e palestras. E você sai de lá gritando “ú-hú”.
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Hitler e seus amigos ⭕️
Ninguém faz nada que cause muito impacto, sozinho. E com Adolf Hitler não foi diferente. A série ‘Hitler’s Circle of Evil’ (O Círculo do Mal de Hitler) apresenta a trajetória das principais mentes diabólicas que ajudaram o tirano austríaco.
Círculo do mal: Joseph Goebbels, Hermann Göring, Heinrich Himmler, Reinhard Heydrich, Rudolf Hess, Martin Bormann, Albert Speer e Ernst Rohm. Estas são as figuras retratadas na série documental. Um nazista que não está nesta obra cinematográfica, mas deve ser conhecido, é o médico Josef Mengele, morto em 1979, em Bertioga, onde foi enterrado com um pseudônimo.
A história da Segunda Guerra Mundial já é bem conhecida, pelo menos quem são os mocinhos e os bandidos. O que é desconhecida, ou retratada como piada é a participação do Brasil. A entrada do Brasil, na guerra, poderia ter sido em qualquer lado. A inclinação se deu por motivos comerciais. Getúlio Vargas tinha uma tendência ao fascismo, mas navios brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães. Tudo se definiu, também, com o toma lá, dá cá com os Estados Unidos. Eles financiaram a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a gente permitiu a instalação de uma base militar, no Rio Grande do Norte. Feito. Em 1942 a Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi ao combate, pelos Aliados. A participação brasileira foi heroica, ao invés da piada retratada.
Há alguns anos, a cantora Anitta quis dar sua “lacrada” matinal. Num ‘tweet’, disse: “Tenho grande paixão e admiração pelo homem que matou Hitler”. Curioso, Hitler cometeu suicídio. Isso não pode ser verdade. Não é difícil se informar, em tempos de Google, antes de se mostrar pra galera. Parecer alguém que deve ser canonizado, não pode cometer erro tão grave.
Voltando à Segunda Guerra Mundial. É necessário, sempre, lembrar a que ponto pode chegar a mente humana. Hitler se juntou a outras mentes perversas, encontrou uma conjuntura ruim e um povo que caiu na propaganda e discurso nazistas.
A frase a seguir, já foi considerada de autoria de diversas personalidades, dentre elas Winston Churchill. Por isso, citarei como autor desconhecido: “Os fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas”.
Numa modalidade de autoafirmação, a necessidade e fraqueza de parecer ser magnânimo, gera enganos históricos. Em tempos que nazista, fascista, racista, misógino etc tornaram-se xingamentos comuns, banalizaram os termos. Têm até grupos autointitulados antifa (antifascista).
Círculo do mal: Joseph Goebbels, Hermann Göring, Heinrich Himmler, Reinhard Heydrich, Rudolf Hess, Martin Bormann, Albert Speer e Ernst Rohm. Estas são as figuras retratadas na série documental. Um nazista que não está nesta obra cinematográfica, mas deve ser conhecido, é o médico Josef Mengele, morto em 1979, em Bertioga, onde foi enterrado com um pseudônimo.
A história da Segunda Guerra Mundial já é bem conhecida, pelo menos quem são os mocinhos e os bandidos. O que é desconhecida, ou retratada como piada é a participação do Brasil. A entrada do Brasil, na guerra, poderia ter sido em qualquer lado. A inclinação se deu por motivos comerciais. Getúlio Vargas tinha uma tendência ao fascismo, mas navios brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães. Tudo se definiu, também, com o toma lá, dá cá com os Estados Unidos. Eles financiaram a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a gente permitiu a instalação de uma base militar, no Rio Grande do Norte. Feito. Em 1942 a Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi ao combate, pelos Aliados. A participação brasileira foi heroica, ao invés da piada retratada.
Há alguns anos, a cantora Anitta quis dar sua “lacrada” matinal. Num ‘tweet’, disse: “Tenho grande paixão e admiração pelo homem que matou Hitler”. Curioso, Hitler cometeu suicídio. Isso não pode ser verdade. Não é difícil se informar, em tempos de Google, antes de se mostrar pra galera. Parecer alguém que deve ser canonizado, não pode cometer erro tão grave.
Voltando à Segunda Guerra Mundial. É necessário, sempre, lembrar a que ponto pode chegar a mente humana. Hitler se juntou a outras mentes perversas, encontrou uma conjuntura ruim e um povo que caiu na propaganda e discurso nazistas.
A frase a seguir, já foi considerada de autoria de diversas personalidades, dentre elas Winston Churchill. Por isso, citarei como autor desconhecido: “Os fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas”.
Numa modalidade de autoafirmação, a necessidade e fraqueza de parecer ser magnânimo, gera enganos históricos. Em tempos que nazista, fascista, racista, misógino etc tornaram-se xingamentos comuns, banalizaram os termos. Têm até grupos autointitulados antifa (antifascista).
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Não li, mas gostei 🔴
Sempre gostei de quem chegasse chutando a porta ou mandasse às favas o rigor do politicamente correto. Portanto, eu nunca fiquei cheio de pruridos quando conheci a figura chamada Olavo de Carvalho.
Controverso, o velho filósofo, diferentemente de quando escrevia ou lecionava, usou uma linguagem rasteira (própria para a internet) para disseminar suas ideias para um grande público. Obteve êxito, atingindo mais discípulos de “A a Z” e tirando o estigma e a vergonha de uma direita calada pela “Espiral do Silêncio”.
No caso dele, um filósofo provocador, vale a máxima: “Falem mal, mas falem de mim”. Deve ter rido e apontado quando almas apodrecidas comemoraram sua morte: Olha aí, não falei! Mesmo seus detratores discutiram como será o panorama brasileiro sem o pensador que vivia nos Estados Unidos. Os pretendidos médicos legistas correram celebrar Covid-19 como causa da morte. Erraram. Segundo o médico do negacionista, as principais causas foram insuficiência cardíaca, respiratória e renal, tendo sofrido uma septicemia.
Para quem odiava-o, parece um exagero chamá-lo de filósofo e pensador. Mas, enquanto a imprensa permanecia calada, ele explicou o que era o Foro de São Paulo e vários conceitos como Espiral do Silêncio, Paralaxe Cognitiva e Estratégia das Tesouras.
Filósofos, que eu conheci, eram professores de filosofia e que, no máximo da influência, escolhiam o sabor da pizza ou a cor do carro. O velho da Virgínia estimulou a nova direita, o que é, ironicamente, a atual contra-cultura.
Quando assistimos Lula e Alckmin se aproximando ou FHC declarando voto ao PT, surpreendentemente duvidamos. Olavo, com razão, achava que demorou. Ele já previra a relação simbiótica como a “Estratégia das Tesouras”.
Olavo de Carvalho, sim, é uma ideia. Seus leitores e alunos do curso de filosofia, COF, continuarão disseminando suas ideias, porque são mais que seguidores, são discípulos. Quem apressadamente fugiu, quando se espantou com a forma, não conheceu o conteúdo do polemista.
Controverso, o velho filósofo, diferentemente de quando escrevia ou lecionava, usou uma linguagem rasteira (própria para a internet) para disseminar suas ideias para um grande público. Obteve êxito, atingindo mais discípulos de “A a Z” e tirando o estigma e a vergonha de uma direita calada pela “Espiral do Silêncio”.
No caso dele, um filósofo provocador, vale a máxima: “Falem mal, mas falem de mim”. Deve ter rido e apontado quando almas apodrecidas comemoraram sua morte: Olha aí, não falei! Mesmo seus detratores discutiram como será o panorama brasileiro sem o pensador que vivia nos Estados Unidos. Os pretendidos médicos legistas correram celebrar Covid-19 como causa da morte. Erraram. Segundo o médico do negacionista, as principais causas foram insuficiência cardíaca, respiratória e renal, tendo sofrido uma septicemia.
Para quem odiava-o, parece um exagero chamá-lo de filósofo e pensador. Mas, enquanto a imprensa permanecia calada, ele explicou o que era o Foro de São Paulo e vários conceitos como Espiral do Silêncio, Paralaxe Cognitiva e Estratégia das Tesouras.
Filósofos, que eu conheci, eram professores de filosofia e que, no máximo da influência, escolhiam o sabor da pizza ou a cor do carro. O velho da Virgínia estimulou a nova direita, o que é, ironicamente, a atual contra-cultura.
Quando assistimos Lula e Alckmin se aproximando ou FHC declarando voto ao PT, surpreendentemente duvidamos. Olavo, com razão, achava que demorou. Ele já previra a relação simbiótica como a “Estratégia das Tesouras”.
Olavo de Carvalho, sim, é uma ideia. Seus leitores e alunos do curso de filosofia, COF, continuarão disseminando suas ideias, porque são mais que seguidores, são discípulos. Quem apressadamente fugiu, quando se espantou com a forma, não conheceu o conteúdo do polemista.
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Pedro, apenas mais um youtuber?⚫️
Abri um vídeo de Pedro Rodrigues Filho no YouTube, onde ele tem um canal. Prestei muita atenção no que ele dizia. Eram basicamente conselhos de um senhorzinho, do alto de sua sabedoria de vida, que acumulou nos 65 anos de sobrevivência. Ele tem a voz fraquejada, meio chorosa, própria de quem levou muitas caneladas da vida, por isso, conhece seus atalhos.
Quem é Pedro Rodrigues Filho? Trata-se de Pedrinho Matador, lendário ‘serial killer’, egresso do sistema prisional, onde ficou privado do convívio social por 42 anos, somadas as idas e vindas, por mais de cem assassinatos (auto-imputados ). Embora tenha sido condenado em 128 anos, no Brasil, a reclusão é de, no máximo, 30 anos. Pedro fez por merecer isso, ficando preso mais tempo, fazendo um “turismo carcerário”, tendo passado, também (lógico), pelo manicômio judiciário. Segundo ele, na cadeia, antigamente “o bagúio era lôco”. Ele é, no Brasil, quem mais matou e ficou preso.
Pedrinho falhou em sua primeira tentativa de assassinato. Aos 13 anos, após um desentendimento, empurrou um primo mais velho num moedor de cana! Resumindo muito, começou a matar aos 14 anos e pegou gosto pela coisa, cometendo, também outros tipos de crimes e homicídios dentro de cadeias. O maior destaque, foi quando mastigou parte do coração de seu próprio pai, depois de matá-lo por vingança pela morte de sua mãe. Segundo ele, só matou quem mereceu.
Em seu canal, no YouTube, o velho Pedro dá conselhos para a molecada não entrar pro mundo do crime. Ele, no mínimo, conhece bem esse mundo. Ele chega a dizer, “o crime não é mais como antigamente”, como se antes houvesse ética. Até ele acha que essa gurizada está “abusada”. Pedrinho Ex-Matador (como está sendo chamado), ficou recluso de 1973 a 2007 e 2011 a 2018. Quando foi trancado, o mundo era analógico, não havia internet; quando saiu, encontrou um admirável mundo novo, digital.
Agora, em 2019, ele está tendo que suportar os ‘haters’ (aqueles que odeiam tudo e todos, na internet) e os ‘hackers’ (os criminosos que invadem outros computadores conectados à rede). Recentemente, ele teve muitos inscritos “roubados” de seu canal no YouTube. Ele está bem integrado aos novos tempos, pois ficou muito indignado com o furto virtual.
Além do canal no YouTube, onde conta suas peripécias e espalha conselhos à humanidade, Pedro lançou um livro, logo terá um documentário, um tal de MC Duplex gravou o rap “Pedrinho Ex-Matador” e deve haver outros badulaques. Pedrinho é cult, Pedrinho é pop.
O ilustre Ex-Matador reclamou do furto de milhares de inscritos do seu canal. Ele disse; “Você, que fez essa maldade, não tem coração?” Esse interesse por coração gera conotação dúbia. Quem furtou os seguidores do Pedrinho, devolva. Você não sabe com quem está mexendo. O perigo é se ele resolver te seguir.
Quem é Pedro Rodrigues Filho? Trata-se de Pedrinho Matador, lendário ‘serial killer’, egresso do sistema prisional, onde ficou privado do convívio social por 42 anos, somadas as idas e vindas, por mais de cem assassinatos (auto-imputados ). Embora tenha sido condenado em 128 anos, no Brasil, a reclusão é de, no máximo, 30 anos. Pedro fez por merecer isso, ficando preso mais tempo, fazendo um “turismo carcerário”, tendo passado, também (lógico), pelo manicômio judiciário. Segundo ele, na cadeia, antigamente “o bagúio era lôco”. Ele é, no Brasil, quem mais matou e ficou preso.
Pedrinho falhou em sua primeira tentativa de assassinato. Aos 13 anos, após um desentendimento, empurrou um primo mais velho num moedor de cana! Resumindo muito, começou a matar aos 14 anos e pegou gosto pela coisa, cometendo, também outros tipos de crimes e homicídios dentro de cadeias. O maior destaque, foi quando mastigou parte do coração de seu próprio pai, depois de matá-lo por vingança pela morte de sua mãe. Segundo ele, só matou quem mereceu.
Em seu canal, no YouTube, o velho Pedro dá conselhos para a molecada não entrar pro mundo do crime. Ele, no mínimo, conhece bem esse mundo. Ele chega a dizer, “o crime não é mais como antigamente”, como se antes houvesse ética. Até ele acha que essa gurizada está “abusada”. Pedrinho Ex-Matador (como está sendo chamado), ficou recluso de 1973 a 2007 e 2011 a 2018. Quando foi trancado, o mundo era analógico, não havia internet; quando saiu, encontrou um admirável mundo novo, digital.
Agora, em 2019, ele está tendo que suportar os ‘haters’ (aqueles que odeiam tudo e todos, na internet) e os ‘hackers’ (os criminosos que invadem outros computadores conectados à rede). Recentemente, ele teve muitos inscritos “roubados” de seu canal no YouTube. Ele está bem integrado aos novos tempos, pois ficou muito indignado com o furto virtual.
Além do canal no YouTube, onde conta suas peripécias e espalha conselhos à humanidade, Pedro lançou um livro, logo terá um documentário, um tal de MC Duplex gravou o rap “Pedrinho Ex-Matador” e deve haver outros badulaques. Pedrinho é cult, Pedrinho é pop.
O ilustre Ex-Matador reclamou do furto de milhares de inscritos do seu canal. Ele disse; “Você, que fez essa maldade, não tem coração?” Esse interesse por coração gera conotação dúbia. Quem furtou os seguidores do Pedrinho, devolva. Você não sabe com quem está mexendo. O perigo é se ele resolver te seguir.
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A primeira ida ao estádio 🔵
O ano era 1983, semi-final do campeonato paulista, Corinthians e Palmeiras. Meu pai combinou de ir ao estádio com amigos e encarou levar seus dois filhos. Levar eu e meu irmão para qualquer “domingo no parque”, independente de nossa idade, era como separar uma briga de cães. Mesmo assim, fomos nessa, afinal, “o futebol é a coisa mais importante, dentre as coisas menos importantes” (máxima atribuída a Nelson Rodrigues, Arrigo Sacchi ou Milton Neves).
Ficou gravada na minha memória a imagem da chegada ao Estádio do Morumbi. Aos oito anos, era a primeira vez que eu ia ao campo e a visão do gramado daria, todas as vezes, a impressão de ser a primeira. Outra conclusão que tirei, nas muitas vezes que fui a estádios, é que o Estádio Cícero Pompeu de Toledo é igual qualquer obra de Oscar Niemeyer, bonito de se ver, ruim de estar.
Já na chegada, mostrando que não estava nem aí praquele lugar, meu irmão achou um relógio, que algum torcedor distraído perdeu na chegada. Se esse cara era palmeirense, não perderia só o relógio.
Assistimos ao jogo da geral (atrás do gol). Para mim, tava ótimo, enxergava bem. Para qualquer criança, como um super-herói, o goleiro se destaca. Ele usa roupa diferente, é mais arrojado, no pênalti Deus diz: agora é contigo, mermão! O goleiro era Emerson Leão, com camiseta manga longa listrada em preto e branco. No auge da Democracia Corintiana, o Leão era a dissidência no Timão. Ele, politicamente, estava em oposição a gente do naipe de Sócrates, Casagrande, Wladimir etc. Na hora de votar questões internas, era como se Jair Bolsonaro votasse nas primárias do PT. Em campo, eram correligionários, buscavam a vitória. Detalhe, estávamos vivendo os estertores do governo militar, pré manifestações Diretas Já.
O jogo foi vencido pelo Alvinegro do Parque São Jorge. O Corinthians foi bi-campeão paulista naquele ano, ganhando o jogo final do São Paulo. Anos depois, eu faria um périplo pelos estádios da capital. Os anos noventa foram terríveis, a violência imperou, mas eu fiquei fora disso.
Depois daquele jogo, em 1983, eu tive certeza que torcia para o time certo, isso vinha de nascença. Eu achei aquele jogo excelente; meu irmão achou... um relógio.
Ficou gravada na minha memória a imagem da chegada ao Estádio do Morumbi. Aos oito anos, era a primeira vez que eu ia ao campo e a visão do gramado daria, todas as vezes, a impressão de ser a primeira. Outra conclusão que tirei, nas muitas vezes que fui a estádios, é que o Estádio Cícero Pompeu de Toledo é igual qualquer obra de Oscar Niemeyer, bonito de se ver, ruim de estar.
Já na chegada, mostrando que não estava nem aí praquele lugar, meu irmão achou um relógio, que algum torcedor distraído perdeu na chegada. Se esse cara era palmeirense, não perderia só o relógio.
Assistimos ao jogo da geral (atrás do gol). Para mim, tava ótimo, enxergava bem. Para qualquer criança, como um super-herói, o goleiro se destaca. Ele usa roupa diferente, é mais arrojado, no pênalti Deus diz: agora é contigo, mermão! O goleiro era Emerson Leão, com camiseta manga longa listrada em preto e branco. No auge da Democracia Corintiana, o Leão era a dissidência no Timão. Ele, politicamente, estava em oposição a gente do naipe de Sócrates, Casagrande, Wladimir etc. Na hora de votar questões internas, era como se Jair Bolsonaro votasse nas primárias do PT. Em campo, eram correligionários, buscavam a vitória. Detalhe, estávamos vivendo os estertores do governo militar, pré manifestações Diretas Já.
O jogo foi vencido pelo Alvinegro do Parque São Jorge. O Corinthians foi bi-campeão paulista naquele ano, ganhando o jogo final do São Paulo. Anos depois, eu faria um périplo pelos estádios da capital. Os anos noventa foram terríveis, a violência imperou, mas eu fiquei fora disso.
Depois daquele jogo, em 1983, eu tive certeza que torcia para o time certo, isso vinha de nascença. Eu achei aquele jogo excelente; meu irmão achou... um relógio.
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O Negacionista ♦️
Negacionista, este termo ganhou o ‘status’ que já pertenceu a nazista, fascista, misógino, racista e qualquer palavras relacionadas a alguma minoria seguidas do sufixo “fobia”. Logo é tachado de negacionista quem fala o que não querem, tal qual as variações do comportamento subversivo. Carimbar em alguém quaisquer destes termos reducionistas encerra qualquer debate. Afinal, como discutir com um ser que, de início, é comparado a Hitler?
Qual é a semelhança entre Novak Djokovic e Galileu Galilei? Ambos são ilustres negacionistas, cada um no seu tempo, arriscando bens de valores incomparáveis, e por motivos diferentes.
O tenista se negou a vacinar-se e, automaticamente, apresentar o enganoso “passaporte sanitário”. Pela lógica, se o líquido, que é fácil e obrigatoriamente comercializado como panaceia, fosse eficaz, deveria representar segurança aos vacinados. O “novo normal” começou muito mal, já que separa cidadãos por classes (castas), segregando-os a acessos. Além de tudo, a eficácia do imunizante é duvidosa. Pois bem, Djokovic — maldosamente, mas inteligentemente apelidado de “Djocovid”, após muitos transtornos, não pôde participar do Aberto da Austrália. Ironicamente, o Aberto ficou fechado. A negativa pode se repetir em Roland Garros.
As más línguas trataram de criar a Síndrome de Melbourne — na qual os cidadãos aceitam facilmente proibições e obrigações governamentais —, comparando-a à Síndrome de Estocolmo — na qual a vítima afeiçoa-se por seu algoz.
Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei, ousou contrariar as “verdades” científicas do século XVII. Defendendo a teoria heliocêntrica, foi o negacionista ao refutar a Igreja que acreditava que a Terra era o centro do universo.
Por ser um negacionista, o tenista apenas perdeu o torneio; em tempos mais obscuros, igualmente negacionista, o astrônomo perderia a vida. Galileu Galilei, ao abandonar sua ameaçadora “teoria da conspiração” teve o pescoço poupado pelo terrível tribunal da Inquisição.
O livro 1984, de George Orwell, está impressionantemente parecido com a atualidade.
Qual é a semelhança entre Novak Djokovic e Galileu Galilei? Ambos são ilustres negacionistas, cada um no seu tempo, arriscando bens de valores incomparáveis, e por motivos diferentes.
O tenista se negou a vacinar-se e, automaticamente, apresentar o enganoso “passaporte sanitário”. Pela lógica, se o líquido, que é fácil e obrigatoriamente comercializado como panaceia, fosse eficaz, deveria representar segurança aos vacinados. O “novo normal” começou muito mal, já que separa cidadãos por classes (castas), segregando-os a acessos. Além de tudo, a eficácia do imunizante é duvidosa. Pois bem, Djokovic — maldosamente, mas inteligentemente apelidado de “Djocovid”, após muitos transtornos, não pôde participar do Aberto da Austrália. Ironicamente, o Aberto ficou fechado. A negativa pode se repetir em Roland Garros.
As más línguas trataram de criar a Síndrome de Melbourne — na qual os cidadãos aceitam facilmente proibições e obrigações governamentais —, comparando-a à Síndrome de Estocolmo — na qual a vítima afeiçoa-se por seu algoz.
Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei, ousou contrariar as “verdades” científicas do século XVII. Defendendo a teoria heliocêntrica, foi o negacionista ao refutar a Igreja que acreditava que a Terra era o centro do universo.
Por ser um negacionista, o tenista apenas perdeu o torneio; em tempos mais obscuros, igualmente negacionista, o astrônomo perderia a vida. Galileu Galilei, ao abandonar sua ameaçadora “teoria da conspiração” teve o pescoço poupado pelo terrível tribunal da Inquisição.
O livro 1984, de George Orwell, está impressionantemente parecido com a atualidade.
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