Lista de Poemas

A MORTE – ÚNICO REFÚGIO

A morte
é a nossa única chance
de redenção,

para que,
ao nos tornarmos nada,
restaurar a virgindade do nada
universal que estupramos

com nossas
eficazes e reluzentes retinas
abnômalas.
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FAÇA-SE A LUZ, E COM ELA O SAPIENS FEZ MERDA!

Inconsciente
e anormal é a visão do ser
sobre as coisas, e suas relações
com as luzes e com
as sombras:
atribuem toda
violação que faz a luz às sombras
com sua retinas os nomes
das coisas,
dos sentimentos
e até das insânias.
Mas eu digo
que do caos eterno de sempre
só sabem as sombras e que a luz nada sabe
além do que dizem nela ver
seus amantes loucos,
hipnotizados
com os reflexos reinaugurados
nas fluorescências refletidas em suas insanas
mentes humanas
que, so clarearem
as sombras, faz com que essas
e com que tudo que esteja sob suas negras asas,
perca para a sapiens senciência
a natural condição!
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A NÁUSEA

Primeiro o olhar,
depois a dissimulação e o engano,

seguido de paixão
e de um amor dito eterno
e leal,

e o impulso
começa imediatamente
a entrar em ação: caverdas meladas
e árvores em ereção;

depois do êxtase,
vem o ostracismo, a sensação
de vazio, o ciúme, a posssividade,
a desconfiança

e um monte
de lixo advindo do palco anterior
onde se deitaram e se foderam sem estarem
preparados:

anestesia da razão,
vesanias,
medo,

as aguas se turbam,
chegam os vômitos verbais,
o efeito-náusea chegou!
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CULPAS E PECADOS EM UM AMOR LOUCO

Perto de mim
exaltas
___ paz e calmaria,

perto de ti
chovo
___ e não estio;

perto de mim
te sublimas
___ e te santificas

perto de ti
te lanço às noites
___ sombrias.
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A MORTE – ÚNICO REFÚGIO II

Tudo tem
o molde, a cor e a estrutura
formados pelo sapiens.

exceto,
digo eu, aquilo que não
cabe em tua aprisionada visão
do tudo,

aquilo
que representas o apagamento
onde nenhuma imgagem, pensamento
ou palavra humana pode
se moldar!
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ESTAMOS CONDENADOS A NÃO CONTEMPLAR A VERDADE

Pobres sapiens
nunca souberam o que é o eterno
frio noturno,

nem que
as coisas nunca são conforme
pensam, imageinam ou bordam
com suas palavras
e retinas,

nem que a concepção
de passado, de presente e de futuro
que têm para nortearem suas vidas
nunca passou sequer
de uma ilusão,

que seus deuses
são falsos, pois como todas as demais
coisas, não foi feito por outro motivo
de lhes servir às vontades
e à ânsia de serem
eternos;

sim, pobres coitados,
estão condenados a acreditar
em tudo aquilo que pensam reinaugurar,
até que chegue, como medo
do fim,

o momento
de voltarem a ser, não humanos,
mas tudo aquilo que realmente
nunca foram!
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HÁ SOBRAS AO DESCANSO

As luzes
que andam acendento por aí
com seus pensamentos, com suas imanêrncia
e com suas cores únicas
têm um disfarçado
fedor vazio, que conquista
e depois asfixia pessoas frustradas
com suas colheitas
incautas.
Mas eu,
niilo, sou como a noite, quando
chega com suas sombras frias para
embalar a solidão que lhes
fica,
e, ainda assim,
sem nenhuma causa, sem nenhuma razão
têm extreme medo
de mim!
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NÃO DEVERIA SER EU

Não deveria
ser eu o teu amante predileto,
eu estou cheio
de destroços, de cinzas
e de abismos escuros
e alagados;
não deveria
ser eu a ocupar este teu coração
bondoso, eu sou feito de sombras, de conflitos
e de chuvas de fogo;
não deveria
ser eu a te amar no leito
e a te sussurrar juras de amor
ao ouvido,
minhas sinfonias
vem do acaso e soam como
um cruciante vazio sem sentido
e rumo;
não deveria
ser eu a te amar e ser por ti amado,
mas sim um anjo que consegue seguir-se
na abstrata inconsciência
da luz!
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O FIM

Eis-nos aqui,
depois que o manto escuro
da morte nos cobriu quase que
completamente;

ainda assim aqui estamos
a tentarmos - angustiados e sufocados -
a tentarmos desembaraçar esses finos
fios à nuvem;

e isso deveria
responder a todas as suas dúvidas,
originadas de inseguranças, ciúmes
e possessividades:

as passadas, as presentes
e até as futuras que surgirem em uma possível
morte eterna deste resistente
amor de chuvas.
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APERSAR DE TUDO, JUNTOS!

Íamos, entre trancos
e solavancos, a andar pelo caminho,
e eram nossas as noites, os dias
e deles todos os tresvarios;

tínhamos, sim,
afinados discursos de eterno amor,
feito a dissimuladas
fantasias;

e assim íamos
nos descobrindo, cada vez mais,
as frágeis bases de nossas
elevadas alvenarias;

até que nos veio
a angustiante e definitiva morte
em uma grande
noite fria,

dando inexorável
fim ao espetáculo de tantas atuações
com as quais tentamos esconder
nossas sombras e vazios.
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!