Escritas

Lista de Poemas

APENAS UM ESTRANHO NESTE NINHO

Ausentes nas novas auroras,
na chuva que cai ou no vento que entoa
a penumbra: bocas, mãos,
corpos e inválidas asas
em desvelos:

ama-me assim
(se é que me amas) em silente
e sagrado segredo, em mares altos
ou em baldios terreiros.

Mas sem a palavra volátil,
porque meus portos estão todos alagados,
e meus guarda-chuvas estão
todos quebrados:

sente apenas (e escolhe),
que posso ser teu, renascido e intacto,
ou apenas (e novamente) um futuro
pássaro angustiadamente
prostrado.
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O RIO EM QUE NAVEGAMOS

O amor,
o impulso e o desejo,
os orgasmos espetaculares

levam-nos a mares,
a céus e a leitos onde desfrutamos
de sonhos, de esperanças, de prazer,
de tropeços e de quedas.

As consequências
de um mal controle de algumas
humanas senciências;

o descontrole,
as chuvas de fogo,
a morte por envenenamento mental
e verbalmente hemorrágico:

e tudo se sucumbe
ao fundo do abismo onde jogamos
os restos e os destroços e à escura solidão
que nos assenta no coração
e na alma!
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AMAR: ATO EXTREMAMENTE MALDOSO QUE MERECE CUIDADO

Acho deveras
estranho quando uma senhora
diz te amar
e por ti
fazer qualquer coisa
e te acompanhar por toda
a vida,
se ela mesma
não pode amar o companheiro
do jeito que ele também
quer ser amado
por ela!
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O PESO DO MUNDO

O amor sapiens
que dizem por aí parece já nascer
com dia marcado para
ter fim;

a sabedoria,
a paz, a honra e a sublimidade
humanas que dizem ter
por aí

parecem
ter as horas de seus enterros
já quando nascem,
marcadas,

os desejos
canibais da carne parecem
se contentar já após as amplas
gozadas,

toda luz captada
ou refletida pelas retinas abnômalas por aí
parecem, sob naturais sombras,
forjadas;

mas a dor que sentimos,
e eu nunca entendi por que é assim,
por passar por este
mundo,

parece
angustiantemente sem data de validade
como se nunca pudesse
se extinguir!
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COMO EU JÁ DISSE: METADE DA COISA É MARAVILHOSA. A OUTRA METADE É PESADELO!

... não me cansa
amar,

o que tem
me deixado exaurido é não
aprender a amar,

o que me cansa
e me faz temer no caminho

são os constantes
desentendimentos, crises de ciúme

e adeuses
das beldades em quem confio,

quando
juram que sublime e lealmente
me amam,

enquanto
se esparramam e gozam em outros
céus e em outras
camas!
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POR MINHA ESPOSA E POR MEUS FILHOS. FOR A ISSO EU JÁ NÃO ESTARIA AQUI

Seu eu desistisse
como Ana fez, tão cansada que estava
de viver

no meio das coisas
junto com os demais
humanos,

certamente
também já teria ultrapassado
a frágil fronteira final (do que para mim
é uma abnormidade) da vida!
vida!
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POR ENTRE FLORES E ESPINHOS

Por entre flores e espinhos
ao caminho, ou melhor,
por entre ilusões e quedas
em desalinho,

damos a nossos passos
os tons lumes e frugais das estradas;
enquanto, insanamente, tentamos guardar
luas sob sombras de árvores

e trocar sóis de invernos enregelados
pelos de quentes verões,
sempre escondendo nossos espelhos,
porque é assim que realmente
somos.
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INFINITUM

Em universos infinitos
que inventamos para amarmos
a deuses, lendas e mitos,

costumamos ser
muito mais frios e cruéis do que
nossos semelhante pares

que escondem
as asas dos sonhos, para se foderem
aos falesiosos e obscuros
chãos.
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JUNTOS AO PIOR DOS INVERNOS

Porque te amar
foi tão estranhamento louco
e mágico
que, quando acordei
do sonho, foi que percebi
que eu já tinha cavado
meu abismo!
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DA ÚLTIMA VEZ

Quando cheguei da última vez,
nem me houvera tempo de chover
sob as sombras de suas árvores
ou sobre suas embaçadas
lajes.

Vi, de imeditato,
sandálias atiradas aos chãos,
roupas espalhadas sobre a escada
e dois copos de vinho sobre a mesa,
enquanto "Whiter shade of pale"
tocava ao cd player.

Era, de fato, o pior castigo
à minha ousadia de sonhar impossíveis
e à minha soberbia com o manuseio
de luzes néon e de palavras
voláteis:

ao quarto, amavam-se
aquela que supunha ser minha
(só e eternamente minha) e outro pássaro,
velho e amorfo, por ela
ressuscitado.

Mesmo em angústia e dor,
se eu lhes dissesse que quase
me morri por causa disso,
mentiria;

eu poderia, na verdade,
era tê-los de minha mente dizimado
e a um severo apagamento lhes
ter destinado,

mas perderia, sem dúvida,
um grande e valioso aprendizado
e a triste mas poética visagem
do árido deserto,

fruto de como nos amáramo
(eu e ela), como duas rígidas e desgraçadas pedras,
de anjos e querubins
disfarçadas.
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!