Escritas

Lista de Poemas

DOLOROSA NOSTALGIA

Noite.
Lembranças de nossas prosas
e danças,

de minha boca
em tua boca sob o brilho
da lua cheia,

da curvatura
de seu dorso perantes a impetuosidade
de meu corpo em busca de satisfação
de nossos sonhos e festejos,

de teus róseos peitos,
de tua textura, de teu cheiro
e do gosto de tua flor acesa, com nosso
emercente desejo:

Saudade
De ti ainda aqui
comigo, antes de eternamente teres partido,
linda, pura e apetitosamente
nua!
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O COSMO NÃO RELUTA O ORIGEM ABNÔMALA

Se a luz,
o sonho, o mar, o amar
nos adoça a boca, o corpo, as senciências
e a alma,

por igual origem
e abnomalia as sombras, as quedas,
os sales , as dores e as angústias,

nos são imprescindíveis
para que não nos mantenhamos somente
num lindo e inercial caminho
de mármore!
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS III!

Certa vez eu pensava, diante de uma mata espessa e virgem, à qual viria adentrar, com acalentadas e vãs esperanças, nas angústias que há nas múltiplas fomes, insaciáveis, a nos conduzirem em mortes opacas que há em vidas profusas.

Mesmo quando se adquire uma certa percepção de (in)conscientes gêneses perfidicadas por caminhos incertos, não é suficiente para se evitar pedras de tropeço, ou para se acabrunhar sonhos e desejos inexequíveis.

As certezas das torrentes, e as volutividades do pensamento; os voos das águias, e os grilhões de seus limites; os corações puros, e as mentes dissonantes; as salubridades dos analistas, e os desesperos dos doentes.
Os deuses idolatrados, e os contrafeitos servos; os vicejos dos oradores, e as procissões dos pecadores; as equidades dos juízes, e as condenações dos réus; as quimeras prometidas, e os invernos porvires.

As alegrias dos sorrisos, e as solidões imanentes; as verdades pronunciadas, e as mentiras omissas; as cacofonias compostas, e as harmonias atômicas; os amores sempiternizados, e os dissabores das traições.

As autopreservações inconscientes, e as quedas de egos inflamados; as coragens das estamparias, e as covardias abstrusas; as saudações às manhãs, e as imprecações às noites que chegam; os cernes que nos habitam, e as negações palavreadas.

As celebradas existências, e as efemeridades dos parâmetros em convergências nos mesmos elocutores de imensidades implantadas.

E ao fim, após o apagar das luzes que clareiam as múltiplas formas de atuação em tantos palcos por onde andamos com nossas personificações, a nulidade absoluta de tudo num apagamento sem fluorescências.
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A HERANÇA DE ANA

No escuro espaço

de meu quarto, coleciono pedras,

quedas e destroços



de meus desastrosos

voos;



mas o pior de tudo

é ter de conviver e de amar e beijar,

saudoso, triste e angustiadamente todos

os teus fantasmas que morreram

contigo!
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ESPLENDOR QUE NÃO VALE NADA!

Amigam-se pala internet,
elogiam-se pela internet,
bajulam-se pela internet,

falam de Deus em próprio proveito na internet,
pernoitam noites a fio paquerando
ou puxando sardinha com músicas e ti ti tis
na internet,

amam-se (pasme), mesmo sendo casadas
e casados na internet,
o imaginário toma o real e as genitálias
passam a feder à internet, ocasionando perda
de controle social,

fodem, fodem, fodem
e traem como anjos, sempre com bons modos
e falando bem um do outro e do santo
nome na internet;

depois, tiram um tempo
para fustigarem e acusarem o cão niilista
de, em seus poemas, escrever o que venha a ser
a merda do sapiens.

É, sim, o fedor esplende,
embora pareça que usem perfume francês
e demonstrem vastos conhecimentos filosóficos,
científicos, espirituais e sobre
bons modos.

Nickam-se e se fodem
no enevoado cibernético clareado por suas
vozes voláteis de neons e por suas juras e punhetasa
e ciricas, em traição a cônjuges,
escondidas.

Perdem casamentos por isso,
mas culpam o corno; mas insistem em atacar o cão
que há décasas sente seus disfarçados
fedores

e lhes descreve
o imundo, sujo, obscuro e fétido
que guardam escondidos em suas
algibeiras!
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A NOITE TE AMAVA

Quando morreste,
quebrase o pulso da noite,

e ela se tornou
tão ilúcida e escura com tua
ausência,

que nunca mais
ligou para meus sonhos, para minhas fantasias,
para meus prantos ou para meus amores
ou para minhas dores!
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APOCALIPSE VIVO

... o tempo corre
rápido demais e o trem
chega sempre
atrasado,

tento tomar
um banho sob a lua distraída
e sou flagrado,

tento andar
às ruas e avenidas e as margens
me tragam;

tento então,
ao dormir, descansar e sonhar
e me vêm demônios
desgraçados,

por fim,
tento ligar um ar
condicionado em busca
de alívio e me queimo
por todo lado.
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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS V!

Quando, ao almejarmos ser como águias flutuantes, descobrimos que as altivas asas carregam consigo, em voos dissimulados, decadências inexoráveis e ilusões traídas por nossas ufanias egocêntricas.

Quando convulsões silenciosas, que nos dilaceram o âmago eivado em angústias sôfregas, não se podem mais amenizar na veemência de nossos sórdidos olhares postos às adjacências.

Quando todas as utopias concebidas em efluências encantadas, outrora lançadas aos ares de efêmeras e protuberantes searas, e todas as difamações inflamadas concebidas com palavras cegas em perjuros ébrios brotados de nossas trivialidades indizíveis, convergem-se e se reúnem autoconspirando em nossos fulcros obscuros.

Quando todas as crenças propagadas por doutrinas apostoladas e as próprias convicções pragmáticas em alguma redenção salvívica, espalhadas em labirintos desconhecidos de nossos cernes adúlteros, sucumbem com preces não ouvidas por deuses que concebemos.

Quando todos os abrigos já inaugurados para algum alívio qualquer se desvanecem em nossa natural e irremediável imperfeição humana, de onde profanamos essências e disseminamos esplendores espúrios.

Quando, enfim, de nossos caminhares estrépidos, tudo se revela e se descobre que não há mais sonhos a acalentarem nossas descrenças, nem há mais lágrimas a serenizarem nossas metástases túrbidas, morremos sós no deserto silente.
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IMPETUOSA LOUCURA!

Ela já
não era a mesma,

a ilusão de tua carne
estava cansada,

seus sonhos
mais sublimes e suas esperançãs
mais seguras estavam
quebrados,

sua lingua já não
mais liberava fogo em forma de desejo
e de chuva.

Fora, pelo niilista,
totalmente dizimada:

não tive a mesma sorte,
os albergues e os cais de alguma razão
perdida qualquer continuam-me
fechados!

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O INFERNO É O ESPELHO DOS OUTROS, MAS NOSSO MAIOR INIMIGO SOMOS NÓS MESMOS V!

A me sombrear em imensidades atormentadas
entre egos que regozijam suas emanações cálidas, me fausto em um deus de enxurradas turvas, a tecer minhas gêneses ominosas em efígies vazias.

Cinjo o céu com colorações ciprestes, e invado a terra com melodias rupestres.

Contenho os rios em minhas margens, e adorno as flores de jardins suspensos aos ares.

Voo como pássaros cibernéticos, e rastejo como serpentes viperinas.

Translucideio os cernes dos ilustres, e verbeio açoites em folhas brancas.
Enredo palavras cândidas em versos incompletos, e engesso o espelho que reflete minha face esquálida.

Exibo a formosa lenda entre as vielas oníricas, e me deito com as virgens de todos os reinos.

Pairo nas tempestades e nas brisas, e esparjo incensos às relvas rasteiras.

Abranjo os cimos dos montes mais altos, e perscruto os segredos do universo e das possibilidades.

Movimento as inércias mais distantes, e bebo dos mares mais esplendorosos.

Acalento esperanças fluorescentes, e esconjuro o porvir umbrático.

E, ao fim, desvaneço-me de meu poder, degenero-me entre meus destroços, e me apago no amanhã em que habita o silêncio sempiterno.

Sem pensamentos artificiais e sem egos ávidos em vidas que nunca houve.
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!