Escritas

Lista de Poemas

DA VARANDA DE MINHA CASA

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O VÍCIO DA VAIDADE!

Ela era uma
excelente fingidora, faladora
e sonhadora,

até morrer afogada
na própria luz que com o verbo
fabricava,

com seu
dissimulado jeitinho de anjo
sedutor!


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FLUXOS INFECTADOS

Quando se nos abre
um outro tipo de estrada:
a seca pode ficar incomunicável;

não se convém ficar
desejando rituais em voos,
nem ilusões molhadas
aos leitos:

"Desejar
arrrrr,
arrr" - Eu ali sentado.

"Toc, toc, toc - abre logo,
que estou apertado !"

"Já vai, já vai, já vai!"

É... Parece que já havia outra flor
querendo se abrir,
enquanto às laivas metafísicas
do ser eu defecava.
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AUTOSSENCIÊNCIA

Pássaros renascentistas
que louvam as próprias asas laças,
de que vos distinguis mesmo
dos cães e dos vermes,

além do fato
de que estes [sublimemente]
não vindicam a condição de filhos,
à imagem e semelhança
de um inconspurco
Deus,

enquanto voam assoberbados
por entre jardins floridos, céus angulados
e mares azulados, cravados às próprias
miragens e insanidades?
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EU QUERIA PODER PRORROGAR O INFINITO DA HORA!

Eu queria poder suspender a hora,
descolorir os horizontes, desfazer as imagens
já carpidas no incendeio exangue
de um novo crepúsculo;

eu queria não ser mais nau,
embora pudesse me perder sobre a pálida
luz da lua para, quem sabe,
tentar achar tua alma
[nua] em fuga.

Sim, eu queria ter um par
de asas válidas, para flanar em ritmos
e danças, em uma puríssima
comunhão celeste,

que nos levasse a uma eternidade
que não mais hiberne, e sem que as nuvens
se evaporassem novamente às vazias
escuridões da verve!
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VOCÁLICOS

... tomais
cuidado com os verbos
voláteis, acidentais,
insensatos;

expostos
em ilusões perenes
ou em extrusões
terrenas,

porque vos digo
que, na verdade, toda boca
de onde se originam
é suicida.
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O ÚLTIMO TREM DE ANA

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AS PORTAS DO MUNDO!

O objetivo desse
mal traçado poema é unicamente
para lembrar-te que, embora nunca conseguiste
me amar com as portas do mundo
abertas

- como se fosse
possível mantê-las fechadas,
ou nos havermos como hóspedes invisíveis
aos caminhos e desalinhos
das estradas -,

e sem chaves ou trancas
existentes para se evitarem o trânsito dos tentilhões,
das andorinhas e da metaforia que se possa
dizer dos soberbos sapiens;

após nossa morte
por afogamento sob incontidas chuvas
de fogo e ódio, sempre te devas - vez em quando -
contemplar nos céus

a eterna prova
do que tivemos juntos, embora jamais
me tenhas acreditado: um grande e inesquecível
amor às nuvens.
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FULGAS INTERNAS

Para mim,
os mais sísmicos abalares
entre as tênues estruturas das luzes
e as firmes extremidades
das sombras,

as mais crepitantes chuvas
entre as exíguas ilusões e os tonitruosos
ululos que saem pelas mandíbulas
transitórias dos homens

[em febres de desejos,
em trâmites de quimeras, em bordas de úlceras,
em caminhos perdidos,
enfim]

não impedem
que eles [os sapiens] se convirjam em asas,
corpos e camas, como que a tentarem
criar alguma esperança

em algo qualquer
que não mais lhes incorra em dores
e angústias, nem nos inexoráveis
silêncios das pedras.
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SEM ELA

Silenciem-se
os anjos do céu e os porcos
do inferno,

parem os sádicos
ventos e tempestades que querer
correr em nossos corpos;

agora, neste último
instante, sem ela, sobrevivo apenas
ao preâmbulo das cinzas,

porque minha alma,
sombria e destruída, já me consome
antes mesmo da morte!
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!