Lista de Poemas
A CABANA
Construíste uma cabana
com cheiro de lavanda para sonhares, fantasiares
e te esconderes em seu canto
mais escuro;
para lá é que, às noites escuras,
levas os pássaros puristas para os seduzires
com suas mentiras mais ousadas
e com tuas concupiscências
mais perfumadas;
e, quando estás lá,
tens certeza quase absoluta de que estás segura
com esses teus tesouros segredos
bem guardados;
a não ser quando
apresentar o lugar a seu amado mais sincero,
o qual virá a se tornar para ti
como um estranho,
ao sentir, no ar
carregado de umidades e pós passados,
os estranhos e azedos cheiros
de falsos ouros.
👁️ 195
ALVORECERES
A cada dia, aos alvoreceres,
tudo (re) começa:
os leites jorram
dos inocentes úberes
e seguem correndo por leitos
de longos rios;
que vão agregando, às suas margens,
sombras, cinzas e destroços.
Sim, a cada dia, em alguma
outra extremidade do caminho,
tudo acaba,
porque é demasiado tarde.
tudo (re) começa:
os leites jorram
dos inocentes úberes
e seguem correndo por leitos
de longos rios;
que vão agregando, às suas margens,
sombras, cinzas e destroços.
Sim, a cada dia, em alguma
outra extremidade do caminho,
tudo acaba,
porque é demasiado tarde.
👁️ 165
VOOS, AVENTURAS E QUEDAS!
Todos querem viver,
de um modo ou de outro,
como se estivessem num eterno palco
de alegrias e dores;
sim, apesar do medo
da morte e da vida, todos querem
estar aos espetáculos de luzes,
êxtases e sombras,
seja nas concupiscências
à cama, nos embaraços à lama,
nos regozijos à fama ou no amor
aquarelado por quem ama.
E estão certos,
na verdade, porque nada se deve
perder os que estão
vivos,
sobretudo quando
podem encher os bolsos de abstratos
e absurdos tesouros, até que tudo
se vai tornando opaco;
e o sol, e o céu, e as flores,
e as mulheres que um dia disseste amar,
e as que um dia fodeste, e os amigos
e os filhos, e tudo o mais
vai-se apagando
e, contigo, transformando-se
em algo só branco
- ou só preto -,
sem que tenhas
mais nenhuma condição
sequer de ensaiar.
de um modo ou de outro,
como se estivessem num eterno palco
de alegrias e dores;
sim, apesar do medo
da morte e da vida, todos querem
estar aos espetáculos de luzes,
êxtases e sombras,
seja nas concupiscências
à cama, nos embaraços à lama,
nos regozijos à fama ou no amor
aquarelado por quem ama.
E estão certos,
na verdade, porque nada se deve
perder os que estão
vivos,
sobretudo quando
podem encher os bolsos de abstratos
e absurdos tesouros, até que tudo
se vai tornando opaco;
e o sol, e o céu, e as flores,
e as mulheres que um dia disseste amar,
e as que um dia fodeste, e os amigos
e os filhos, e tudo o mais
vai-se apagando
e, contigo, transformando-se
em algo só branco
- ou só preto -,
sem que tenhas
mais nenhuma condição
sequer de ensaiar.
👁️ 127
INEVITÁVEL
Nada há que se fazer
para evitar que eu me escorra por aqui
com o que se me há, ou não,
por dentro
- e esse deserto já
se me tornou necessário
para viver -:
por isso é que às vezes,
inevitavelmente, escrevo céus azuis
por onde nunca voei,
praias sereiadas
que jamais
frequentei e sonhos virgens que
nem sonhei;
mas, se reparareis bem,
vereis que, na maioria das vezes,
o que mais faço neste escuro
canto de letras,
é me expor,
sem medos ou receios,
e deixar audíveis os ecos esconsos
de minha espúria
condição!
para evitar que eu me escorra por aqui
com o que se me há, ou não,
por dentro
- e esse deserto já
se me tornou necessário
para viver -:
por isso é que às vezes,
inevitavelmente, escrevo céus azuis
por onde nunca voei,
praias sereiadas
que jamais
frequentei e sonhos virgens que
nem sonhei;
mas, se reparareis bem,
vereis que, na maioria das vezes,
o que mais faço neste escuro
canto de letras,
é me expor,
sem medos ou receios,
e deixar audíveis os ecos esconsos
de minha espúria
condição!
👁️ 86
NÃO HÁ CHAPEUZINHOS VERMELHOS
O monsto
não está no próximo
e muito menos em quem amamos
e contra quem nos rebelamos
em horas de descontrole
extremo:
o problema está em nós,
e nós somos a desgraça do problema
da sapiens existência!
não está no próximo
e muito menos em quem amamos
e contra quem nos rebelamos
em horas de descontrole
extremo:
o problema está em nós,
e nós somos a desgraça do problema
da sapiens existência!
👁️ 133
COISAS QUE APRENDI
Coisas
que aprendi
com ela e com meus desérticos
poemas,
ao descobrir
dos homens o mior segredo:
o nada
é o resultado constante, em vida
e depois dela,
mesmo que resplandeçamos
o dia inteiro!
que aprendi
com ela e com meus desérticos
poemas,
ao descobrir
dos homens o mior segredo:
o nada
é o resultado constante, em vida
e depois dela,
mesmo que resplandeçamos
o dia inteiro!
👁️ 130
EU JOGDO NO MUNDO
Não quero crer
que eu seja somente isso que, a tanto tempo,
ando me escorrendo
por aí;
talvez haja,
em alguma página perdida
e espremida entremeio a um
de meus livros,
algum poema
que, por breve, possa resgatar-me
silente para outro
mundo",
penso, enquanto
rumo de volta para casa em meio
à fina, constante e fria chuva
da madrugada.
Ao chegar,
entretanto, percebo que perdi
completamente a noção
do atalho;
e desisto, enfim,
em função das espessas sombras,
dos destroços e dos vazios
que teria de percorrer
para, supostamente,
encontrá-lo.
que eu seja somente isso que, a tanto tempo,
ando me escorrendo
por aí;
talvez haja,
em alguma página perdida
e espremida entremeio a um
de meus livros,
algum poema
que, por breve, possa resgatar-me
silente para outro
mundo",
penso, enquanto
rumo de volta para casa em meio
à fina, constante e fria chuva
da madrugada.
Ao chegar,
entretanto, percebo que perdi
completamente a noção
do atalho;
e desisto, enfim,
em função das espessas sombras,
dos destroços e dos vazios
que teria de percorrer
para, supostamente,
encontrá-lo.
👁️ 143
A SOLIDÃO DO ÚLTIMO INVERNO!
Fui eu quem mais te amou,
fui eu quem mais resistiu
a tuas fantasias e insânias
vermelhas,
fui eu que tolerei tuas máscaras
e teus libidinosos devaneios,
fui eu que me queimei no inferno
que me trouxeste disfarçado
de paraíso;
e, depois que te foste,
sou eu que ainda te amo e te velo
no apagado e escuro leito
em que agora te deitas!
fui eu quem mais resistiu
a tuas fantasias e insânias
vermelhas,
fui eu que tolerei tuas máscaras
e teus libidinosos devaneios,
fui eu que me queimei no inferno
que me trouxeste disfarçado
de paraíso;
e, depois que te foste,
sou eu que ainda te amo e te velo
no apagado e escuro leito
em que agora te deitas!
👁️ 121
OS PORTÕES
Vendo mariposas,
borboletas e anjos a caírem
ao chão,
vendo os rios
e mares se poluírem e os leitos
ficarem secos como se não mais houvesse
ninguém para lhes transitar
em qualquer posição,
fico a pensar
de que vale voar, amar ou trepar
se tudo parece não passar
de ilusão
e se a própria
vida parece sempre nos conduzir,
a cada dia que passa, a uma inexorável
verdade sem nenhum sentimento
ou razão!
👁️ 129
PONTO DE CHEGADA
A flecha lançada
percorre suavemente seu voo,
como o amo,
por quando dure;
e, assim como o amor
acaba em alguma fria madrugada
e se vão separados
os casais,
a flecha
tem sua devastação ao fatal
ponto de chegada!
👁️ 137
Comentários (7)
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fernanda_xerez
2018-08-17
SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
fernanda_xerez
2018-02-26
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
2018-01-09
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
fernanda_xerez
2017-12-23
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
fernanda_xerez
2017-12-23
Lindo e provocante!
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Español
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*