Lista de Poemas
ETERNAS AUSÊNCIAS!
E agora,
com ambos ausentes,
tu e eu:
que horizontes
merecerão teu olhar
angelical;
e que falésias
abrigarão, do cão,
as sombras
e o pau?
com ambos ausentes,
tu e eu:
que horizontes
merecerão teu olhar
angelical;
e que falésias
abrigarão, do cão,
as sombras
e o pau?
👁️ 86
DESEJOS
Beijos ardentes,
mãos ávidas a percorrerem o corpo,
bocas a suspirarem desejos,
pernas delineadamente sensuais
a me prenderem à vulva
a rígida haste
- as entregas, os malabarismos,
os suores, os afagos, os orgasmos:
sem nenhuma contenção,
sem nenhuma tentativa
de compreensão -;
mas há uma condição
que preciso impor tão somente
para nossa sobrevivência
de asas:
em meio a essa imperiosa
tempestade de libidinosos sentidos,
deixa o verbo amar
no intransitivo.
mãos ávidas a percorrerem o corpo,
bocas a suspirarem desejos,
pernas delineadamente sensuais
a me prenderem à vulva
a rígida haste
- as entregas, os malabarismos,
os suores, os afagos, os orgasmos:
sem nenhuma contenção,
sem nenhuma tentativa
de compreensão -;
mas há uma condição
que preciso impor tão somente
para nossa sobrevivência
de asas:
em meio a essa imperiosa
tempestade de libidinosos sentidos,
deixa o verbo amar
no intransitivo.
👁️ 147
NUM LONGÍNQUO CREPÚSCULO!
Num longínquo crepúsculo,
ele se sentou nunca cadeira de mogno
e começou a enrolar, lentamente,
seu cigarro de palha:
as mãos calejadas
pareciam ter se transformado
em rijos e estranhos cascos,
com seus tentáculos cansados;
à pele envelhecida,
corriam tantas falésias
que lhe encobriam estórias
e nativas sardas.
Ele gostava ver o pôr-do-sol
dando baforadas
como que a assistir às últimas
luzes do espetáculo,
como que a me ensinar
como são frágeis
as cortinas de fumaça.
ele se sentou nunca cadeira de mogno
e começou a enrolar, lentamente,
seu cigarro de palha:
as mãos calejadas
pareciam ter se transformado
em rijos e estranhos cascos,
com seus tentáculos cansados;
à pele envelhecida,
corriam tantas falésias
que lhe encobriam estórias
e nativas sardas.
Ele gostava ver o pôr-do-sol
dando baforadas
como que a assistir às últimas
luzes do espetáculo,
como que a me ensinar
como são frágeis
as cortinas de fumaça.
👁️ 173
ESTRANHA ANARQUIA!
Em que estranha anarquia
e em que abstratíssima sensação
me acordei nesta opiácea
e inusitada manhã:
sob o desdenhar das nuvens,
fora como se as coisas
estivessem se apagando
em branco,
sem que eu pudesse
compreender se eram reflexos avessos
de meu espúrio eu psíquico,
ou de minha alma
vazia.
e em que abstratíssima sensação
me acordei nesta opiácea
e inusitada manhã:
sob o desdenhar das nuvens,
fora como se as coisas
estivessem se apagando
em branco,
sem que eu pudesse
compreender se eram reflexos avessos
de meu espúrio eu psíquico,
ou de minha alma
vazia.
👁️ 68
EU SEMPRE TE REPARAVA
Ainda me lembro
de quando estavas ali,
despercebida
- entre flores e cravos -;
ao longe,
teus lábios faziam
graciosas curvas sem que dissesses
uma palavra,
tuas pétalas
bailavam ao vento,
fazendo-me sonhar a nuvem
protegida.
Estranhamente
já se me tornavas vital,
mesmo antes que te percorresse
as sensuais margens,
e me naufragasse na puerícia
de tua alma.
de quando estavas ali,
despercebida
- entre flores e cravos -;
ao longe,
teus lábios faziam
graciosas curvas sem que dissesses
uma palavra,
tuas pétalas
bailavam ao vento,
fazendo-me sonhar a nuvem
protegida.
Estranhamente
já se me tornavas vital,
mesmo antes que te percorresse
as sensuais margens,
e me naufragasse na puerícia
de tua alma.
👁️ 126
MAQUEADA E GOSTOSA!
... nada de especial,
à primeira vista, bela como outras
belas flores,
sensual
como outros anjos e gostosa
como o proibido fruto,
o mundo,
o sonho e a cama congelados
em um momento:
mais uma vez,
é preciso cuidado para não olhar
demasiado para o céu
e se deixar cair
no abismo!
à primeira vista, bela como outras
belas flores,
sensual
como outros anjos e gostosa
como o proibido fruto,
o mundo,
o sonho e a cama congelados
em um momento:
mais uma vez,
é preciso cuidado para não olhar
demasiado para o céu
e se deixar cair
no abismo!
👁️ 107
ALÉM DA MARGEM!
Abandonado
em um oceano seco,
entre à morte
ainda com aquele sinistro
sofrimento por amor,
jogado nas escuridões
nas mais frias noites:
quando tentei
me desviar da Flor de inverno,
caí nas agudas
garras da branca nuvem,
já estava
todo quebrado perante
o ultimo e solitário
horizonte!
👁️ 102
A SENSIÊNCIA HUMANA!
Que seria a maior virtude
- ou riqueza -
há no ser humano,
senão a razão, que o difere
das demais coisas
e animais,
que lhe permite,
entre tudo que imagina, sente ou vê,
fazer escolhas que melhor
lhe aprazem?
Não obstante,
que também maior chaga
há no universo
que a aquisição acidental
dessa racional
senciência,
que lhe permite
colocar-se ao centro de tudo,
rasgando possibilidades,
inaugurando novas casualidades
e provocando extermínios
plurais?
- ou riqueza -
há no ser humano,
senão a razão, que o difere
das demais coisas
e animais,
que lhe permite,
entre tudo que imagina, sente ou vê,
fazer escolhas que melhor
lhe aprazem?
Não obstante,
que também maior chaga
há no universo
que a aquisição acidental
dessa racional
senciência,
que lhe permite
colocar-se ao centro de tudo,
rasgando possibilidades,
inaugurando novas casualidades
e provocando extermínios
plurais?
👁️ 218
INSUFICIENTES IMANÊNCIAS!
Escrever poesia
é como amar e meter,
não é nada inocente:
no entre imagens
dos sonhos, dos amores
e dos prazeres,
as verdadeiras
nuvens e as verdadeiras sombras
não mudam de forma
ou de cor:
nós é que
as margeamos na existencial
ponte!
é como amar e meter,
não é nada inocente:
no entre imagens
dos sonhos, dos amores
e dos prazeres,
as verdadeiras
nuvens e as verdadeiras sombras
não mudam de forma
ou de cor:
nós é que
as margeamos na existencial
ponte!
👁️ 83
CONTRASTE!
É visível
que não gostam
- esses mascarados puristas
de plantão -
de quando
me aproximo demasiadamente
de suas apresentações
maestrinas:
tremeluzem,
alguns menestréis franzem
as sobrancelhas
em ira;
algumas mariposas
jogam os cabelos para trás,
fingindo desdém.
Às vezes, curvam-se
o raso chão,
atirando-me pedras verbalizadas
contra as sombras
- em vão -,
e revelando que,
por detrás dos disfarces,
há exatamente que estou ali
para evidenciar:
a verdadeira
- ou dela a falta -
face.
que não gostam
- esses mascarados puristas
de plantão -
de quando
me aproximo demasiadamente
de suas apresentações
maestrinas:
tremeluzem,
alguns menestréis franzem
as sobrancelhas
em ira;
algumas mariposas
jogam os cabelos para trás,
fingindo desdém.
Às vezes, curvam-se
o raso chão,
atirando-me pedras verbalizadas
contra as sombras
- em vão -,
e revelando que,
por detrás dos disfarces,
há exatamente que estou ali
para evidenciar:
a verdadeira
- ou dela a falta -
face.
👁️ 99
Comentários (7)
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fernanda_xerez
2018-08-17
SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
fernanda_xerez
2018-02-26
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
2018-01-09
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
fernanda_xerez
2017-12-23
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
fernanda_xerez
2017-12-23
Lindo e provocante!
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Español
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*