Lista de Poemas

NÃO VOU CONTRA TEU VENTO



... esquece,
eu não tentarei te desvendar,
não!
Tu tens de estares
assim, enganada por ti mesma,
sem que eu, à curva da fantasia e da insânia,
te alimente,
porque te
alimentar seria o mesmo que
movimentar um moinho por onde se sopram
anjos, demônios e excitadíssimos e putos
pirilampos!
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NO MOMENTO DE COMUNHÃO


... chama-me,
dança comigo, beija um homem
que se sabe feito
de nada.

Como lidas
com a certeza da carne
e com a incerteza do pensamento
assim?

Então,
fecha os olhos e te sirvas de mim,
embriagas-te de mim, sonha, transa
e goza comigo como se fosse
tudo se mfim,

podes agitar
e pendular em meu eriçado pendão
sem receios de que sejas tomada como um anjo
em provocação.

Vem,
só não te esqueças de que,
apesar de quente, muito quente e excitado,
o cão é melhor servido a ti,

para que
evites ressacas, dores de parto
e agudas diarreias,
morto!


When we share the garden and the bed, my lady,
I can be your angel, your hero or your villain,
to your choice.
Not later!
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NOITE ADENTRO


... eu não vou procurar
absolutamente mais nada em ti,
depois que não consegui achar nem mesmo
a mim,

eu estou angustiado,
eu estou triste,
eu me sinto perdido;

mas eu juro
que, mesmo que tudo se perca
e se disperse de mim,

eu não procurarei
absolutamente mais nada
em ti!

If there is a world that eats us
and a sea that melts us,
there must be a sky to fly, baby!

Thor menkent
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NATURAL E INEVITÁVEL CAOS



... sempre ditou
e continua ditando o ritmo do mundo
e o ritmo de tudo, o caos;
fora de nossas retinar
refletoras de luzes alteradas, dançam
as portículas elementares
e quânticas
em imprevisível
caldo onde tudo, imaginado ou não,
seja eternamente possível ou eternamente
impossível;
exceto pelo surgimento
da abnormidade sapiens que nele (ao caos)
pensou por ordem, com seus corpos
quentes, com suas mentes
dementes,
com suas ilusões,
com suas fantasias, com seus desejos,
com seus amores e com suas
dores!
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ANTES DE MEU ETERNO ANOITECER

À meia-luz,
lapido as frases,
bebendo vinho tinto
e ouvindo algum clássico
em tua companhia

- e até arrisco contigo
alguns passes de dança na lenta
melodia que
toca -,

para, depois,
silenciá-las com as mãos
a te correrem o corpo e com a língua
a se infiltrar em tua
boca.

Deixo o tempo
em suspensão e em extática tensão
com o desejo quase asfixiante
de nossos corpos,

arrebentando
todas as correntes de caminhos inglórios
que trilhamos, por ventura ainda existentes,
em uma sublime e total
entrega.

Ao leito,
declino teu corpo
ao qual cubro com meu ser
e, como um dia que resiste à entrada
da noite,

busco o momento
perfeito antes que ele se passe,
para congelá-lo na
eternidade

- por que
não te sabes ainda de nosso iminente
e triste fim -.

Com o olhar fixo
em teu pálido semblante,
e já com minha haste rija em sua vulva
aveludada,

percorro-lhe
cada vértebra, até que minhas mãos
toquem tuas
nádegas;

enquanto,
longinquamente,
choram os pássaros e as flores
com o cheiro odorífero
de nosso último
ato d'amor.

Ao fim,
após os orgasmos de nossos corpos,
por um momento, contemplas,
enfim,

minha alma
também em gozo e em cruciante dor,
antes que a fatídica noite nos devore
e nos silencie em sempiterna
morte!
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O AMOR SE PROVA, NAO APENAS SE FALA


... o amor,
esse que se prega com
o volátil verbo,

é dissimulado,
é subterfúgio para se angariar
poderes e desejos

e, por isso,
causa consequentes discussões,
inseguranças, ciúmes, medos
e quedas aos terreiros;

o amor verdadeiro,
sequer precise ser ditto,
ele é provado, quando que nos ama
anda conosco, de todo meio,
nesta terra,

de pesadas
e inevitáveis guerras!
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FRANCAMENTE



Que me seja poupada
a áspera velhice,
que me seja apagado
entre as coisas
antes de tal castigo
divino;
a não mais poder sonhar
amar um anjo virgem

ou comer um exuberante
corpo à cama.


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HORIZONTALIDADE



Sou uma testemunha
- ainda viva -
do horizontalismo da estrada,
da dura pedra alongada
e da concavidade laiva do cerne
da humanidade;
incautamente mascarados
a transitivos sonhos erectados,
a harmônicos céus povoados
e a eternos paraísos
concretados.
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SEVERA AUSÊNCIA



Tua ausência
seria como o asseveramento
deste deserto em mim,
e de minha laiva
visão quanto ao mundo
com seus fluorescentes vermes
sencientes;
e, apesar de eu
não me dar bem com perdas
- talvez não me permitir
muitas coisas mais -
nestes estranhos
caminhos e desalinhos de por aí,
um dia alguém haverá
de dizer:
"pobre niilita
esse que não pode mais sequer
descrer na fugaz farsa
do amor ";
sob o desdenho
da mesma nuvem que amou.
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A DANÇA DO AMOR E DA MORTE!


... o cão
deve ter sido louco demais
para amar,

como mil sóis,
imaginando
que poderia vencer mil anjos
e mil heróiss;

e, por consequência,
hoje é feito de pedras, de sombras
e de máscaras

nunca
suficientemente eficazes
para novamente

a seu próprio
semblante ou a seus próprios
infernos clarear!
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!