Lista de Poemas
INCÓGNITA SAPIENS

Sabendo que
as coisas não se conhecem
como as nomeamos
ou imaginamos,
e que a ilusão
existencial é imanente ao singular
surgimento de nossa
espécime;
ainda assim
- e eis meu deserto - constituo,
com minhas abnormais e imanentes senciências,
inaugurações de toda ordem
e a todo momento.
Neste ponto,
penso ter-me criado conceitos
- também tão espuriamente abstratos -
que mudaram-me e me moldaram
ao niilismo:
"O surgimento da abnormidade",
"a grande barreira" e o "inexorável apagamento",
em presenças concomitantes,
mas alheias entre si;
e tentar esclarecer
melhor sobre tudo isso de mim,
demandar-nos-ia extensíssimo tempo
de prosas filosóficas
e metafísicas,
em simplesmente mais
e mais excêntricas e subjetivas criações,
sempre à margem do erro do qual surgimos
e ao qual nos andamos.
Não obstante
- e em tempo -, tornei-me tão árido
em minhas angústias e em meus escorrimentos juncos,
que acabei por fabricar-me também
um forte refúgio,
qual seja o de crer
que qualquer sublimidade mais sincera entre os seres,
ou qualquer pureza mais afiada
entre seus limites,
só podem ser realmente
conquistadas, com uma ausência constante
de seus egos, em silente admiração
à distância.
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QUE NOS HÁ NO AMANHÃ?

O que nos resta
de nossas ilusões torpes
e de nossas esperanças inválidas
para o manhã,
senão o apagamento
imediato aos estômagos dos vermes
e das larvas,
algumas reminiscências
próximas, às mentes dos pássaros
ainda vivos,
e, com um pouco
mais de tempo, absolutamente
mais nada?
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O VERDADEIRO DEUS NÃO E ESTE SERVO DE QUE FALAM E QUE CRIARAM PARA NOS SERVIR!
... nao há,
na configuração universal isso
de sonho, de amor, de desejo, de dor
ou de culpa,
isso tudo,
como o todo mais são coisas naturais
deformadas pelo estômago e pela mente
do neandertal;
o que existe
é um tempo-espaço com direção,
para nós, única,
onde supostamente
andamos como sendo à imagem
e semelhança de um Deus que não passa,
como todas as demais coisas que agora
há, de uma criação que fizemos
para nos servir!
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É PRECISO SABER VOAR

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BELA, OBSCURA E MUITO AMADA

Em certas noites,
ela chegava tentando esboçar
um sorriso amarelo
como quem tenta levantar
mil toneladas,
acomodava-se em silêncio
e, de repente, começava a manusear
o verbo volátil como um hábil malabarista
de adagas afiadas;
e eu, espremido
entre a tentativa de manutenção da calma
e a entenebrecida vontade de reagir
com o ego em chamas.
Sim, em certas noites
- prolíficas em chuvas e sombras -
não parecia ser ela
que estava ali na minha frente,
com o siso do ego
inflamado.
Nestas noites,
dava para perceber
a dolorosa confusão que lhe havia
entre paradoxais labirintos
da mente,
como que perdida
entre sinuosas trilhas de lava-pés
tendo que decidir, sufocada e angustiadamente,
que caminho tomar com relação
a nós dois,
que nos pendulávamos
incautos entre o voo e a queda,
o amor e a cólera, a loucura e a sanidade,
a vida e a morte, enfim.
Sim, dava até para sentir
os gritos de dor
como que a pedir socorro,
ao grande sonho de nuvens brancas
que se iam tingindo de sombras
nossas.
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A DUPLA FACE DO SER

Eu, por exemplo,
sempre escondi meus escuros
de minha própria
prole,
abrindo-me em princípios morais,
em idealizações éticas e em extraordinárias
forças, para lograr êxito
em seus amparos;
o que não significa
que eu não me escorra em latridos lumes
e em esplendes atuações
dissimuladas,
por entre as andorinhas
de colares branco, as borboletas puristas
e as demais bicharadas que andam
por todos os lados.
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QUEDA D’ÁGUA

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ENTRE OS SONHOS E OS TOMBOS

Sapiens
vagueiam perdidos
em suas sombras
lúdicas,
a sonharem
céus cingidos de nuvens
e de flores,
a atarem
ermoscom luzes
e cores,
a navegarem
mares com enredos
de sublimes
amores,
a ladearem
rotas de espelhos
refletores,
a orarem
para livrar as almas
de dores
e a se arderem
em chamasde carnes, de palavras
e de suores.
Why does not she come
and take possession of me with
her petals, her breasts
and her flower?
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E VICE-VERSA

Já tive de tudo
nesta vida, já fui lambido
por línguas de mares,
já foi queimado
por heliantos solares,
já fui sondado
por purezas areolares,
já me ofertarem
amores unipolares,
já me dilapidaram
a carne, o veio e a alma
com severas dores,
mas, às vezes,
pergunto-me em minha insânia
abnormal:
"Se a existência
se faz de ouros, sonhos e punhais,
para que manter a farsa
da dissimulação
sapiens?"
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NINGUÉM É BLINDADO

e o pior medo que existe
é o medo de máscaras por nunca se saber
o que realmente há por trás
___ delas;
sim, o medo
pode dominar tudo: o voo, o sonho,
o desejo, peitos, pernas, genitálias e até
o que há na mais profunda
___ escuridão do inferno.
Mas o pior medo
não vem de miragens, nem de fantasmas,
o pior medo é real e se faz por sapiens
___ que usam lumes máscaras!
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Comentários (7)
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fernanda_xerez
2018-08-17
SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
fernanda_xerez
2018-02-26
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
2018-01-09
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
fernanda_xerez
2017-12-23
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
fernanda_xerez
2017-12-23
Lindo e provocante!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*