Lista de Poemas
O Pé
O Pé
Faz o pé a mão
o regue cotidiano,
Salvação do Céu da Vida,
afagos com carinho
tão mais belo
quanto herbáceo,
planta que liga
a alma da Terra.
E a Terra te são
por descanso,
a via do refrigério é o pé,
ao ser o primeiro
querido por si
descalço nos verões e invernos
vencendo o primeiro calo,
iluminando a sombra
do frescor que és
e sabe que vai dar pé.
Cuida bem de seu pé,
ilumina nossos corações
que sobra até aos amarelecidos.
O diferente só pira
as feições que não esverdeiam,
à toa ou tanto mais
a um sorriso ou pulo
dá pé pêlos e carne
pra depois dar contornos,
surreal das encravadas.
A dureza da rocha
não chega aos pés
outra coisa senão o próprio.
Resume com a cor dos olhos
a ópera de concerto mental
alinhavando a festa no quintal
esse seu tão desse...
Todo mundo acorda,
mas só o Pé vive dormindo.
Só acorda no samba,
no futebol
ou nas cadeiras rock'n roll.
O fundo da caverninha de capiroto
O fundo da caverninha de capiroto
Tudo é o presente
nada é o passado
voa é o futuro
fica é o bate
frente é o lado
trás é o balde
vista é o cachimbo
e o pouco é o material
Terra dos 8000, 2014
Garganta do Diabo
Garganta do Diabo
Era tão santo,
aquele lugar em nada
poderia imacula-lo,
sua pele sedosa
enchia de cheiro
a umidade das reentrâncias.
Mancebosidade no ar,
gargalhadas de eco
noves fora
adentro a noite
mas escurece às 10
que é quando
mais brilha.
Um a um são
seu fetiche
durante a roda
tragadas passadas
boca à boca
solando jazz,
amolece o carbonato
calor com pepitas
libertárias estalando
suscitadas da fumaça.
Nunca repete
o que é igual,
bufa ao revés
da ordem divina,
a cinza espirra
e a pelota no fim
estará no seu nariz.
Mesmo uniforme,
mas não joga
a mesma partida.
Vira hardcore
meio de bop
pseudo-harmonioso,
torna contemporâneo.
Ignóbil a besta
desceu às garras
seus pupilos
mansos pelo ardor
de quem um dia
lhes prometeu vida.
Cálcio positividade
o sorriso do capeta
reaquece a chapa
quente sem recalque
o olhar no olhar
deixa a aceitação
tomar o caminho
da sua amizade.
Voa na festa, menino,
cresceu nas fontes
mesmas da periquitada.
Erva de mangueira
promove o toque
da beleza da portela,
inteiro alto e sério
na presença das donzelas.
Sempre rindo
sem ressalvas
foi firme forte
sem desregrar
os tons eternais,
preocupou sempre a Mãe,
foi fino
verdadeiro pertinente
com todo mundo
na vila no interior
de partido inteiro
da rapaziada e a moçada,
dera a Deus liberta,
até aos detentos americanos
em reunião com entes
toda consideração.
Trepadeira Luminosa
Trepadeira Luminosa
Um olhar de soslaio de vento
escorre por sobre as mãos.
Amanhã escreve
porque se embora fosse
nas cavalgaduras vorazes
o agora sempre vingaria.
O tique não passa
dos pés e juntas raízes.
Debaixo das vizinhanças
a saia levanta meia,
nua flor ensaboada.
O sorriso nos núcleos
da esfera nasal retinha
sobe de bate-pronto.
Os ouvidos atentos lembram
das boas conversas de trepa-
trepa dos tempos dourados.
A corrida dos membros de cor
avermelha pó de pensamento
clone universal vital.
A folha cai de sobre-aviso
e é letra que vai mudar.
Sol vai explodir bum-bum.
Galáxia vai pirar pum.
A lua vai crescer
com a nervura meteoro
buracos branco-e-preto
encima embaixo povo povoa.
A fogueira ilumina o céu,
a estrela esquenta pelos
orifícios partículas de peles
a boa-nova, é o abraço
dos galhos cheios do cálice
sumo atraente do beijo da criança.
Arvolê, 22/08/2014
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