Lista de Poemas
O Começo da Vida
O Começo da Vida
Por confluência pelas cavernas inundadas
da doença vil de esporos às vias sulfurosas,
distintos ideais dessa sã incrustação
reconheciam-se pela periodicidade
em espasmos químicos se retroalimentando,
sobrevivendo à maré zen da eternidade.
Forma colônias de gosmas de forma íntegra
pilastras filtradoras do mel e do sal louco,
uma pedra ardendo por companhia íntima
reagiu infinita nódoa com a baba
corrosiva do tempo, protegidos do espaço
no cantos mais profundos do vale
a formar e diluir as selvagens das cavernas
solar e água escaldantes curtindo pó do ar:
do lago reagiu o químico do sereno,
da chuva cresceu os corpos na integridade,
da água entranhada uma aura serosa,
da nascente um elemento velho a trazer paz,
da cachoeira do céu o fermento da força,
do oceano baixando elevando a fé.
Lá na crosta cratera virou poço sem fundo
onde ninfas vegetais surfaram no magma duro
pensando na festa animal que será a terra.
Fonte da Ternura
Amor escorre como maná dos céus
pela terra da fissura e da certeza
explode a bolha do infindo
o mais curto entre a boca e a biqueira,
após a destruição a inspiração
liberta o sentimento do peito
e planta a semente da paz
no monte de água límpida,
banha a alma na alegria
da gente, o mais puro néctar
decantado do lodo das gerações.
Aos poucos chega para todos,
o que há é uma amostra
do que virá transbordar,
o tesouro cada ora com um
viaja como árvore sintonizada,
essência de lance maioral
supõe transparente a paixão
muitos apostarem no sonho
que o belo, a verdade e a vida
dos altos do paraíso feitura
vem ser uma coisa só.
Esquizocrônica - Com e sem bacanal
Esquizocrônica - Com e sem bacanal
2 casais de gêmeos siameses contraem matrimônio entre si, os irmãos machos lado a lado tem cada qual seu pênis, mas compartilham as gônadas. As irmãs tem seus órgãos sexuais e troncos individualizados unidos costas a costas compartilhando o útero.
Com uma vida sexual bastante ativa aos esposos, as irmãs engravidaram em verdade de um único homem siamês. A prole de irmãos de carne apresentará, ao vir a luz, possíveis semelhanças de perispírito.
Rastro Esponjoso
Rastro Esponjoso
Osso e ovo podre friccionais
das sobras de dentro a empelotar,
o suor unta de cor a elasticidade
e vira sombra de escuro cósmico.
Como o mar a pupila dilata,
um despetalar desaforado emana
pescoço, encolhe as bases móveis,
não tem como esconder a entranha,
o arco de fogo anuncia o gozo.
Circula no tecido um azeite transformador
de consistência, fermenta a sopa do limo
a papa amarga e o seboso orifício
feminino entorna quando a boca
inunda da cartilagem fonte dos prazeres.
Não se sabe o estado direito,
apenas a coluna atravessada dá quóruns
a paisagem de expansão dos caldos santificados,
na loucura reside seu maior tesouro
fumaça condensada na forma brasa
banhos psicoativos e ferro fundido.
Esquizocrônica - Estereótipo na selva jungle de pedra
Ah o sofrimento, o sentimento, quem se perde nas sensações de não encontrar na vida nenhuma resposta, nenhuma direção. Passar todo essa temporada como se estivesse dormindo o mais profundo dos sonos. esperando o acordar que nunca ia chegarde novo. Ou de olhar estalado jazer de quasi-pensamento eterno na onda jungle -, hippies de concreto dessa vez despertando o mais ligeiro já que aquele torpor todo do estereotipado cristalizou fábrica de ervas nascendo em mentira para curar a falta da melhor das drogas que em verdade um viciado qualquer só ouviu falar mas já fantasiava, chegando à abstinência incontrolável. Nem ainda o mal-estar, mas a fissura mesmo daquele gosto andino danado que, na falta só curaria claro com chá do Santo Daime ou erva de Santa Maria -, ainda do velho hippie.Esquizocrônica - Estereótipo na selva jungle de pedra
O Caminho da Poesia
O Caminho da Poesia
- Não sei, - pronto -, falei! Tipo assim,
pode acreditá, o barato é bom sim...
Escreve nü o que deu na cabeça,
depois pensa se ficou a beça.
Ninguém merece, pela madrugada,
iludir-se por causa de um risco!
No final faz mais sentido um cisco?
Deixa para lá, cola na calada:
se pá despetalá é nós sem filtro -,
morô agito transado broto bacana;
borra-botas na tinta bola filme de rolo
cor do pecado chuchu beleza, botequim -
com sorriso e lá vai fumaça no festim.
Trato Milenar
Trato Milenar
- à Walt Whitman
Ao redor da fogueira dos tempos
boiando às pedras no caminho
estala a brita do carvoeiro
fincando no infinito harmonia.
O vento que precede a poesia
é ânsia de tara por conseguinte
aos movimentos perfeitos do cosmos,
de uma realidade já edificada.
Sereno não apressa o verso,
ao contrário lustra a face
o corpo de ensejo delirante,
o original em todos eles.
Incorpora a marca do presente
o monumento, transforma no sol
que vem iluminar as rodas
a arder nos horizontes de cachimbo.
A planta sobe o estrato divino
tunelado fluído e concentrado
dá o teor quando desce a seringa
ribeirinha às margens suas.
O universo conspira relampejando,
almas parecidas encontram-se
e o que era bom ficou melhor
no corpo de frutificação da glória.
Do núcleo o ente vegetal
circula o pigmento psicotrópico,
o mesmo de outrora revolvido.
O que não era peso quis inexistir
o que é saudade pelo nada
o que seria amor será viver.
Pelo que se sabe chapar é
pelo que se sabe deixar-se amar
pelo calor da balada enveredar.
Não tem como hipocrisia em casa
não tem como falsidade na calada
não tem como mentira se sustentar.
Se lambuzar os cantos da boca
se lambuzar qualquer canto
se lambuzar de se fartar no canto.
Mais uma chance de alimentar a chama
mais fácil a água sublime
mais doce a luz da lua.
Lua Senil
Lua Senil
Pedra solta de esclerose
traz o horizonte mais próximo
de si como loucos nus
no fado de encontros eternos.
Como postes de controle
a luz debaixo faz
sombra, encima emaranhado.
Galeria Retrô
Ao longe se sente a voz da arte,
o caminho são todo vozes levantadas
feito brasas em contorno de obra.
Tragos e o grande final são
acompanhados de um leve crepitar,
as peles ganham vibração e tocam,
aos sentidos se somam novamente,
cor e cheiro são seu éter.
Seu sangue irriga e traz
a ideia da profundeza da terra.
Antes de sair da unidade
o desapego é a menor energia,
o horizonte uma seleta de auroras
cercada de espelhos convexos,
o reflexo a substância do ser.
O eco são adornos de rocha
locupletando eus-líricos hermafroditas
para honrar os tons superiores,
um dia que fosse por origem.
Fica fácil seguir os tempos
das colunas vis da engrenagem viciando
a partir das lascas que restam.
07/09
Antro de Insolação
Antro de Insolação
Dos primórdios entre um explodir e outro
as mucosas vêm fazendo sua parte
no agasalhar e distribuir fumaças.
Faz das rosas leitosas violeta escura
liberta dentro da escuridão fria,
vem do sol enquanto vida na floresta
vai como se não morresse
a fonte de esplendor a suprir o cosmos.
A resposta é incessante arbitrária
conservadora de movimentos ilusórios,
por isso miremo-nos nos voadores
que vêm à terra para polinizar
mas sobretudo por prazer primitivo
amar é abrir espaços protegido.
Amar é desapegar e é seu apego
sofrer é aceitar sem sua dureza
persistir é agradar embora sua fraqueza
encarnar é ser por sua grandeza
apaixonar é libertar o ego casto
sentir é preservar a arte de amar.
Interiorizou-se toda noção familiar
aconchegando o pó doce da pira
fruto do amadurecimento eterno dos caracteres
transcendentais irradiando algo mais
santo a arder nas paredes de solidão,
sem chão esperando descer do céu
quem sabe um pouco de alento,
se o mal não voltou desse tempo
o sabor há de vencer no final.
Queimados, 2014
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