Lista de Poemas
sonho
não acredito na definição
a menos que seja abstracta
da altitude dos astros
da longitude dos ventos
tudo disperso pelos olhos
dois hemisférios fitando
as pedras e a terra cheias
de boca, de fome e formigas
a terra e o céu, ambos velados
de forma precisa pelas mãos
atiradas ao alto no rosto
dormência, silêncio, sonho
sonho.
(Pedro Rodrigues de Menezes, “sonho”)
a menos que seja abstracta
da altitude dos astros
da longitude dos ventos
tudo disperso pelos olhos
dois hemisférios fitando
as pedras e a terra cheias
de boca, de fome e formigas
a terra e o céu, ambos velados
de forma precisa pelas mãos
atiradas ao alto no rosto
dormência, silêncio, sonho
sonho.
(Pedro Rodrigues de Menezes, “sonho”)
👁️ 261
gaivota minóica
sobre a lagoa de Balos
encandeada por um astro
julguei
a areia mais brilhante
a água mais translúcida
mas o ponto movia-se
esbracejava se tivesse braços
e portanto esvoaçou porque
as asas
douradas por Midas
a plumagem
avermelhada por Leónidas
os olhos
azulados por Hipnos
as garras
enegrecidas por Hefesto
e o bico
esverdeado por Artemísia
acenderam
na memória confusa
da gaivota minóica
o instinto da orfandade.
(Pedro Rodrigues de Menezes, “gaivota minóica”)
encandeada por um astro
julguei
a areia mais brilhante
a água mais translúcida
mas o ponto movia-se
esbracejava se tivesse braços
e portanto esvoaçou porque
as asas
douradas por Midas
a plumagem
avermelhada por Leónidas
os olhos
azulados por Hipnos
as garras
enegrecidas por Hefesto
e o bico
esverdeado por Artemísia
acenderam
na memória confusa
da gaivota minóica
o instinto da orfandade.
(Pedro Rodrigues de Menezes, “gaivota minóica”)
👁️ 268
mar de escuridão
erguem-se
majestosos
os pilares de hércules
no mar de escuridão
e uma eólica negra
e distinta
feita da mesma carne
com o sangue pulsante
observa o vítreo sonho
à distância de um palmo
todos os terrores findando
onde o mundo começa
um preto
enterrando os pés
no medo e hesitação
enche o peito de ar
ou de coragem
e num salto
que ninguém vê
e num grito
que ninguém ouve
não sabemos
o seu destino.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "mar de escuridão")
majestosos
os pilares de hércules
no mar de escuridão
e uma eólica negra
e distinta
feita da mesma carne
com o sangue pulsante
observa o vítreo sonho
à distância de um palmo
todos os terrores findando
onde o mundo começa
um preto
enterrando os pés
no medo e hesitação
enche o peito de ar
ou de coragem
e num salto
que ninguém vê
e num grito
que ninguém ouve
não sabemos
o seu destino.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "mar de escuridão")
👁️ 282
criador de barcos
um dia depois do amanhã
talvez seja segunda-feira
estarei definitivamente só
tornar-me-ei criador de barcos
feitos de um fino e branco papel
que venderei como simetrias
plenas de um aço sonhado
com que rompi a terra infértil.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "criador de barcos")
talvez seja segunda-feira
estarei definitivamente só
tornar-me-ei criador de barcos
feitos de um fino e branco papel
que venderei como simetrias
plenas de um aço sonhado
com que rompi a terra infértil.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "criador de barcos")
👁️ 279
se esta terra fosse surda
se esta terra fosse surda
e os seus pés respirassem
mudos na penetrante calma
do Alentejo
talvez a isóscele sombra
que me encandeia o crânio
iluminasse
num só suspiro
o esplendor vítreo
do sono
e fosse uma cratera
ou criatura
viva e venosa
e litúrgica
fina e mansa
como um ritual
ganhando luz
sobre o solo
e não apertasse esquiva
a garganta da planta
que a raiz engole
e torna infértil a terra na terra.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "se esta terra fosse surda")
👁️ 355
a mão exacta
pouso a mão exausta
na circunscrição do objecto
demorado no meu tempo
chamo-lhe qualquer coisa
circunciso-lhe a consistência
porque não há segredos
no universo exacto
a memória não é exacta
os pés da terra são
terríveis hastes moles
árvore que se dança
é tudo quanto basta.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "a mão exacta")
na circunscrição do objecto
demorado no meu tempo
chamo-lhe qualquer coisa
circunciso-lhe a consistência
porque não há segredos
no universo exacto
a memória não é exacta
os pés da terra são
terríveis hastes moles
árvore que se dança
é tudo quanto basta.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "a mão exacta")
👁️ 338
Comentários (6)
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Carina Alexandra Oliveira
2024-09-10
Parabéns por continuares sempre a escrever e partilhares a tua obra. Quem escreve nunca está verdadeiramente só. Saibamos agradecer quem por nós passou e permanece deixando o seu legado mais profundo. Um beijo
Cândida
2024-04-14
Lindo bjnhos
Cândida
2024-02-10
Está tudo bem grande poeta bjnhos
Cândida
2023-11-01
Olá Pedro és um orgulho muito sucesso nesta tua etapa bjnhos
Rosa Lima
2023-10-22
Orgulho na escrita do meu querido Primo
Pedro Rodrigues de Menezes é um poeta português nascido em São Domingos de Benfica (Lisboa) no dia 24 de Março de 1987.
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