Lista de Poemas
A Tua Música
A tua música faz-se ecoar na minha cabeça volátil de ternuras latentes. A tua música materializa a minha visão feérica do afecto e afeições femininas maternais, como um real sentimento recalcado inalcançado pelo velho personagem que habita a minha existência.
As tuas fotografias plantadas pelo espaço vazio da minha casa imaginária estão mortas, o entendimento unívoco do observador é que as faz viver no seu mundo paralelo traduzidas na interpretação do recital inorgânico que julgo entoares.
Como qualquer melodia onde me revejo na figura e me sinta retratado, é um prolongamento, uma extensão da minha vida amorfa para além do meu quotidiano, um complemento em sonho virtual a juntar à minha parca existência, uma mais-valia irrecusável.
Habito uma criança alienada do mundo que a rodeia, prostrada no seu leito de dor higienizado, perdida num lamento vazio aliterado e interminável já sem reconhecer a essência percutora causadora da sua melancolia inata.
Lx, 20-4-2013
Sem Sentido
Sem sentido o Mar se nele não me banhar,
Sem sentido o vento se o inverno nunca chegar,
Sem sentido a chuva se a criança não chapinhar,
Sem sentido o amor se não souber amar,
Sem sentido a música se não ouvir o teu chamar,
Sem sentido o teu sorriso se nunca for achado,
Sem sentido a tua carícia no meu corpo arrestado,
Sem sentido o teu odor se já não houver mel frutado,
Sem sentido o teu consolo sem ficar ao teu cuidado,
Sem sentido o teu calor sem um abraço apertado,
Sem sentido o miradouro sem vista desafogada,
Sem sentido a beleza se não for recordada,
Sem sentido a paisagem se não for queimada,
Sem sentido a vida se não for chorada,
Sem sentido a morte se não chegar pela calada.
Lx, 20-5-2013
Fiquei à Espera
Fiquei à tua espera desde aquele tempo incerto,
Negaste-me a minha indulgente felicidade,
Que há muito em vão tentava almejar,
Não passavas afinal dum mero espectro,
Que julguei ouvir cantarolar um dia por perto,
Doces sussurros em juras de amor eterno,
Sonhos afáveis cheios de condescendência,
Desaguavam em beleza benevolente e piedosa,
Acarinhavam-me a longa e ríspida caminhada,
Tão áspera e rude que me estava destinada,
Fiquei impiedosamente ao destino largado,
Insano vergado pelo meu malfadado fado.
Lx, 1-3-2013
O Último Adeus
Sonhei com o meu último adeus,
Esqueçam as flores,
Esqueçam as indumentárias,
Esqueçam os lamentos,
Esqueçam os choros,
Esqueçam as lágrimas,
Esqueçam as lembranças,
Pois só restou o Mar,
O meu cendrário,
Onde repousar,
Diluído nas águas turvas,
Esquecido na eterna,
Acalmia do fundo abissal,
Sereno e leal.
Lx, 20-5-2013
Natal Desencantado I
O Natal reincidente, vindo inebriante e jocoso da mítica terra dos sonhos, voltou implacável uma vez mais imbuído numa hipocrisia indescritível.
A caridadezinha natalícia, os centros comerciais em rodopio, os benignos filmes de natal, os circos sem feras, as mensagens de natal oficiais vazias de tão banais, a publicidade sem fim, os rituais religiosos inconsequentes, todos enchem de coisa nenhuma as mentes submissas.
A manipulação das massas é tão descarada, que quase deixa de ser óbvia, quando passa a servir a iniquidade do povo e o seu servilismo abjecto.
Um cansaço atroz começa a vingar em todo o lado: as mesmas músicas redundantes, a clonagem dos mesmos filmes, a sociabilidade das pessoas estereotipada à exaustão, as novelas das nossas vidas sempre iguais.
A previsibilidade da sua psicologia símia grotesca, pela humanidade adoptada há muito, esmaga de todo o bom senso que deveria ser inapto e essencial à evolução da espécie.
Sempre a mesma antropologia esgotada, uns a ansiarem o domínio da tribo, não olhando a meios para almejarem os seus objectivos, patéticos, manipulados até ao achincalhamento total, escravizados pela sua obsessão materialista.
E outros atingindo o topo da cadeia da bajulação, passam doravante a ser eles próprios os objectos da adoração, cientes agora da sua bestialidade arrogante, assumida deliberadamente, pavoneiam-se entre os seus pares.
Eles castigam, controlam, ordenam, impõem os seus próprios conceitos de vida, como verdades absolutas, na sua coutada de imbecilidades.
Nego-vos a todos vós ignotos, a luz divinal cintilante que em vós julgastes ter incidido um dia, e que doravante se perderá na escuridão da minha alma obscura e viciada de razão.
Venham antes a mim todos, sequiosos de respostas sem soluções, eu embalar-vos-ei nos meus braços frios desdenhosos, e cantarei canções de pesar, a contar as vossas vidas, em histórias de lamentar e entoando baixinho melodias de exorcizar.
A moral dos tolos estabeleceu a sua morada em mim, Eu, talvez o maior reaccionário dos cânones idealistas humanitários.
Até quando a negação da essência da condição humana como tal, os seus defeitos e ignomínias que eu perscruto no meu entendimento, e que enchem de pesadelos perpétuos os meus perenes sonhos de criança.
Homens e mulheres agrilhoados instintivamente às suas acções animalescas, recauchutadas de milhões de anos de evolução hominídea, cativos na genética programatizada há muito, muito tempo.
Tenhamos todos em uníssono, piedade de nós.
Lx, 24-12-2012
Comoções
Comovo-me com música inspirada,
No meu mais intimo recanto,
Adoça-me a alma exaltada,
Perdida em profundo espanto.
Comovo-me com rostos sorridentes,
Abençoados de áureos espíritos,
De bondade inapta eloquentes,
Exorcizando males prescritos.
Comovo-me com as gotas da chuva,
A chapinharem na poça do beiral,
Assentam como uma luva,
A cuidar-me do roseiral.
Comovo-me com o fantástico,
Das histórias vãs do cinema,
Senti-las no meu âmago acromático,
Desfazendo o meu maior dilema.
Comovo-me com a realidade,
Por ser apenas minha,
Para toda a posteridade,
Como me convinha.
Comovo-me hoje com o anteontem,
Estéril e senil inconsequente,
Prostrados todos pressentem,
O vil futuro incongruente.
Comovo-me com o sentido da vida,
Por não conseguir achar nenhum,
Sem qualquer relevância tida,
Sem almejar sentimento algum.
Comovo-me com a partida alheia,
E os beijos de despedida,
Esquecido luto preso na teia,
Da minha alma apátrida.
Comovo-me quando durmo,
Fingindo estar morto,
Quieto e aprumado,
Sem porto.
Lx, 25-2-2013
Vives em Mim
Vives em Mim
Acordei de soslaio em teu belo sorriso,
Da tua apaziguada alva alma indefinida,
Anseio deleitar-me assaz no teu ventre liso,
Sonhar bem alto acordado a tua vinda.
Não esquecerei o dia em que te senti,
Pela primeira vez eu vil renunciava,
Ao triste longo fado em que sempre vivi,
Pois encontrara a mulher que desejava.
Só me deste carinhos e amor gentil,
Sem culpas, renúncias nem omissão,
Cúmplices os dois na paixão febril,
Vieste até mim e deste-me a mão.
Gloriosa flor do meu jardim,
Que nasceste enfeitiçada,
Floresceste fiel em mim,
Jamais serás atraiçoada.
Vives em mim apaixonada,
E eu em ti amo encarcerado,
Ao teu beijo pendo a minha alma,
No calor do teu abraço apertado.
Na vanguarda do amor
Na vanguarda do amor teu,
Imergi do silêncio cativo,
Onde mareei como ateu,
Indistinto ser não vivo.
Insustentável leveza do não ser,
Incrédulo em dores esbatido,
Não sonhei jamais sequer,
O teu amor é meu sentido.
O teu sorriso comigo levo,
Cravado no meu coração,
Nunca destoa qual servo,
Na verdade da sua paixão.
Lindo arco iris reluzente,
Que transborda do teu olhar,
Meu âmago condizente,
Subsiste por nele sonhar.
Saudade
A saudade que bateu ao acordar,
Me deixou louco de mil desejos,
Como eu queria tanto te abraçar,
E perder-me nos teus doces beijos
Pertencer em paixão
Eu sou teu e tu és minha.
Eu sou teu amigo,
Tu és a minha flor.
Eu sou teu amparo,
Tu és em mim amor.
Eu sou paixão,
Tu és sedução.
Eu sou iluminado,
Tu és a luz áurea.
Eu sou desejo,
Tu és linda.
Eu sou teu e tu és minha.
Comentários (1)
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“ Poesia Eterna Parte II”
O Homem tem que reflectir sobre si próprio, é certo, senão tornamo-nos em indigentes mentais insanos, perspectiva que tanto receio e medo nos provocam e se calhar até nem por isso... Cair na loucura despudorada afogada em melancolia pode muito bem ser o meu destino e a minha salvação.
“ Amor Eterno - Antologia Poética”
Dedico este livro por inteiro à minha querida poetisa Larissa Rocha, minha imensa e inacabável fonte de inspiração, Obrigado mil vezes pois ele é mais Teu que Meu…
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