Escritas

Lista de Poemas

Inocência





Percorrendo descalço as areias da praia soltas,
Desvendo tesouros que se escondem a meus pés,
De mil e uma conchinhas trazidas pelo mar,
De tantas cores e feitios diferentes e iguais,
Esforço-me em nada pisar e estragar ao andar,
Imaginei-as todas juntas alternadas num colar,
E fiquei a descobrir a quem o poderia ofertar,
Continuei sempre em frente sem nunca parar,
As conchas com o cândido discriminar corrompidas,
No desabrochar da inocência perdida ao vazar das marés,
Alimentaram-me a pobre alma de sofismas inalienáveis,
Anseios paulatinos de idolatradas hegemonias fabuladas,
O resto são lamentos por não julgar ninguém prendado,
E o tempo ter irremediavelmente por mim passado,
Sonhei naquele magnífico colar me ter enforcado,
Fiel assessor do acaso em lembranças de condenado.


Lisboa, 21-10-2013

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Miséria de Filosofia





As centenas de dias passados e revisitados em vãs filosofias, num estado ébrio de triste exclusão, com pensamentos de cariz um pouco extravagante no cogitar e cheios de subjectividades quanto bastem, dias passados agora tão saudosamente relembrados, isentos de quaisquer constrições éticas e morais, enfim 100% livres e descomprometidos nas suas singularidades únicas.

Até nos momentos de silêncio, e sempre foram mais que muitos, eram carregados duma pura e cristalina introspecção avassaladora, tal como o visionamento mental duma cosmológica teoria do todo, ancestralmente guardada no âmago dos elementos fundamentais que nos constituem e que são eternos e possuem o grande segredo primordial induzido.

O Homem tem que reflectir sobre si próprio, é certo, senão tornamo-nos em indigentes mentais insanos, perspectiva que tanto receio e medo nos provocam e se calhar até nem por isso... Cair na loucura despudorada afogada em melancolia pode muito bem ser o meu destino e a minha salvação.


Lisboa, 30-10-2013

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Isto é o Fim





Visto tudo é o fim,
Sem adeus algum,
Sem choros nem lágrimas,
Só o regozijar da alvorada,
Na despedida suspirada.

Levo-te só a ti apenas,
Na minha lembrança,
Dos sonhos que povoei,
Com a tua doçura,
Em bonança.

Ilusão descomprometida,
Que me compôs o coração,
Em noites turbulentas,
De ausência de paixão,
Sem guarida.


Lisboa, 2-11-2013

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Tenho Frio





Fiquei ao acaso entregue,
Ao destino abandonado,
Tenho tanto frio meu amor,
Embala-me no teu afago.

Condoído no desgosto,
Do nosso desencontro,
Tão desafortunado,
Num mito enregelado.

Sinto o frio do desamparo,
E só das tuas saudades,
Do sorriso com que ontem,
Me enfeitiçaste de harmonia.

Eu para aqui largado,
Só à tua espera,
Sonho acordado,
Na tua quimera.


Lisboa, 2-11-2013

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Partida Para o Além





Partirei num certo dia igual,
Invocando a magia da vida,
Esquecerei a percepção dual,
E a solução final desavinda.

Partirei com o sonho mitigado,
Percursor do meu discernimento,
Fui vitima do anseio malfadado,
Louvado o meu desprendimento.

Partirei só, extinto e morto,
Sem remorsos à partida,
Desaparecido sem porto,
Liberto das agruras da vida.

Partirei vazio de alma,
Só ficará o meu fantoche,
A minha dor não me salva,
Mergulhado no deboche.


Lisboa, 30-10-2013

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Inerte





Estou inerte à porta do discernimento,
Inactivo na insaciável razão de viver,
Apático no esquadrinhar inválido,
Indolente na minha mente induzida,
Imóvel saciado de improvidências,
Inanimado sucumbido à ignorância,
Parado no fim do abismo selado,
Sucumbo à dor indolor do enfado,
Desisto de bem ser amaldiçoado.

Vou com a chuva levada pelo vento,
Vou sem qualquer esperança relevada,
Vou só sem nenhuma companhia traçada,
Vou pisando o longo caminho que me embala,
Vou escondido do luar prateado espartejado,
Vou a lugar nenhum jamais perpetuado,
Vou com a chama da inverdade iletrada,
Vou para o nenhures insolvente,
Vou com a dor amarrada.


Lisboa, 2-11-2013

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Vilipendiado





Roubaram-me a esperança no amor,
Desacreditei em fadas,
Roubaram-me a luz,
Divago na incerteza,
Roubaram-me o futuro,
Promissor desencantamento,
Roubaram-me o presente,
Tudo anseio latente,
Roubaram-me as memórias,
Tudo é passado,
Roubaram-me os sonhos,
Vivo em pesadelo,
Roubaram-me as estrelas,
Fiquei sem vista além-mar,
Roubaram-te de mim,
Fiquei desamparado,
Roubaram-me o sentido da vida,
Perfilhei a morte.


Lisboa, 21-10-2013

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Olhar Quem Passa





Lançado às feras domesticadas,
Senti-me cheio de nada conjugar,
Ninhadas ardilosas emboscadas,
Subjugaram-me ao mesmo lugar.

São perfeitos na imperfeição,
Exalando mitologias extravagantes,
Nunca chegam a ter noção,
Dos inexequíveis sonhos delirantes.

Delicias obliteradas precocemente,
Deambulantes sem entrosamento,
Percorrem como sempre tristemente,
Os caminhos traçados em momentos.

Cansei-me de olhar quem passava,
Não reconheci sequer imperfeição,
Enfadei-me conforme tudo estava,
Não encontrarei jamais a solução.


Lisboa, 20-10-2013

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Invadido





Fui invadido por seres funestos,
Acamparam na orla da indigência,
Em que esmoreci quase prestes,
A perder a terna doce inocência.

A infâmia que me fizeram percorrer,
Catarse do meu descontentamento,
Vocifero em tempestades a correr,
Por delírios esventrados em pranto.

Pérfidas criaturas mesquinhas chegam,
Acorrentaram-me os sonhos retidos,
O meu coração gelado agora velam,
As ausências domaram embevecidos.

Infectado de morte conspurcado,
Largaram-me às feras ávidas,
Às aves necrófagas agoirentas,
Na tumba à porta cai aninhado.


Lisboa, 12-10-2013

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Ecos Ao Longe




A tosca e estridente voz que ecoa sem parar,
Na minha mente desventurada a latejar,
Erróneos ideais que fiz descambar por fim,
Das entranhas insalubres do âmago de mim.

Os fantasmas em que eu sobrevivi,
Em percalços de quimeras infantis,
Não resistirei ao tempo que antevi,
De searas ondeantes ao vento pueris.

O luar que me inundou de belas alegorias,
Na ultrajante soturnidade em que vivia,
Banhou-me de evanescentes sabedorias,
Que desfeiteei no engodo da lascívia.

Ecos ao longe que ouço sem nunca parar,
Enfatizam as sementes iníquas perseguidoras,
Que não me largam o meu triste e ledo descerrar,
Embebido em desconsoladas mágoas demolidoras.


Lisboa, 30-9-2013

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Comentários (1)

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2014-09-02

Sabe porque perguntei? Porque achei o preço muito bom. Não sobrecarrega o leitor. Sinceramente acho que o smeus livros estao um pouco caros. Como faz para fazer esse preço? Os preços dos meus não foram decididos por mim. Foi pela editor. Desculpe perguntar.