Lista de Poemas
Soturna Noite
A longa noite mal iluminada,
Onde cerrei os olhos cansados,
Já ia longa a madrugada,
E eles ainda molhados.
A noite que me viu nascer,
Onde retorno todos os dias,
Faz-me lembrar as núpcias,
Quando nela vier a morrer.
A noite onde perscruto a paz,
No silêncio que me induz idolatrado,
Acaricia-me prostrado e fugaz,
O sono chega finalmente apressado.
A última noite esbatida eterna,
A grande ausência de sombra,
A longa solidão em mim tão terna,
Envolto em perene penumbra.
Lisboa, 26-9-2013
👁️ 612
Serei Eu
Sou infeliz inacabado,
Deserdado de amor,
Alma inculta desavinda,
No meu coração desocupado,
Entregue apenas à austera dor,
Serei Eu ainda?
Lisboa, 26-9-2013
👁️ 493
Fim Da Linha
O fim da linha alcançado,
O rosto da condição humana desvendado,
A viagem ulterior desmarcada,
O livro maldito incendiado,
A verdade desencontrada,
A vontade ludibriada.
O engano que é viver,
Ficou descoberto,
A trama a tecer,
Ficará em aberto,
Só no morrer,
Serei completo.
A voz tresmalhada despontou,
Por entre palavras soltas,
O meu coração falou,
Coisas loucas,
A criança em mim chorou,
Como poucas.
Lisboa, 27-9-2013
👁️ 545
Ao Que Vim
Vim com as aves migradoras,
Voando com a Primavera,
Sequioso de ternuras,
Pousei firme terra.
Vim com a chuva debutante,
Dum amanhecer incerto,
Caio em gotas titubeante,
Logo por aqui ao perto.
Vim com um embalar de mãe,
Dando ao rebento guarida,
E a jamais ninguém,
Se limpou essa ferida.
Vim com as estrelas do céu,
Cadentes numa noite de verão,
Longínqua miragem permaneceu,
Iluminando-me todo ao serão.
Vim desfeito em perfídia,
Pelo meu obtuso pesar,
Anseio pelo fim do dia,
Recolhendo-me ao deitar.
Vim com as sete pragas,
Sem sequer pestanejar,
Profanei as cinco chagas,
Quebrei ao cair do altar.
Vim no choro ateado,
Pelas tristezas pesadas,
De mágoas inundado,
E promessas adiadas.
Vim da terra exumado,
Cantar-vos a vossa sina,
De terno desalmado,
Mas nada se vaticina.
Vim com a noite brusca,
Que se instalou em mim,
Longe de tudo ofusca,
Clamando pelo fim.
Vim uma vez contigo,
Deixaste-me feliz,
Deste-me um beijo,
Que ainda não desfiz.
Vim com as ondas do mar,
Vagarosas no seu jeito,
No seu leve deleitar,
Esmero de tão perfeito.
Vim com o vento norte,
Suspirado de boas-novas,
Desfraldei velas de porte,
De míticas caravelas alvas.
Vim raio de sol acolhedor,
Trazendo vida a granel,
O quadro tão enternecedor,
Criado sob o seu pincel.
Vim com as mãos vacilantes,
Para sempre te aconchegar,
Nos longos serões dançantes,
Em que o amor viu despertar.
Vim com a saudade tua,
Julguei sucumbir, definhar
, O sonho jurado sob a lua,
Para serenos juntos recriar.
Vim com as doze badaladas,
Encerrar mais um dia de dor,
Deitar-me debaixo das arcadas,
No meu desgosto apaziguador.
Lisboa, 9-10-2013
👁️ 513
Fatalidades
Fatalidade em que se tornou o meu destino,
Desavindo na plenitude da alma austera,
Vã procura de amor e carinho no divino,
Esquecidos na fundura duma cratera.
Fatalidade das águas do rio a correrem,
Pacientes a correr na sua previsibilidade,
Tão belas as águas cristalinas não saberem,
A desesperança da minha inútil saudade.
Fatalidade da beleza que emanas sem querer,
Aprofundadamente subtil de tons alternados,
Enfeitiçaste as nuvens do céu sem antever,
E elas abençoaram os desertos afortunados.
Fatalidade do longo caminho a percorrer,
Aos tropeções inebriado na cúpula do sentir,
Solitário na amargura do meu derradeiro ser,
Prescrito ao sabor da inocência ao me extinguir.
Lisboa, 30-9-2013
👁️ 502
Irrelevância Contida
Irrelevante em absoluto eu sou,
Chacinado pela inconstância,
O enfado que o meu andar pisou,
Foi infeliz mera circunstância.
Quando nos deparamos com o vazio,
Da essência desmaterializada ao ínfimo,
E nos deparamos com o afundar do navio,
Na falência incrédula do ideal homónimo.
A vetusta pequenez do nosso orgulho,
Que nos alimenta com nada o nosso ego,
Resta-nos no indesejado último mergulho,
Que nos venham pregar o derradeiro prego.
Sou tão pequenino pois sou,
Irei para donde vim é certo,
O tempo à minha passagem soçobrou,
Acabando assim finalmente o incerto.
Lisboa, 27-9-2013
👁️ 496
Estou
Estou somente estando,
Por aqui andando,
Sem qualquer espanto,
Até quando.
Estou tão distante,
Tão puro divagante,
Viagem estonteante,
Eu que viajei adiante.
Estou sem estar,
Perdido ao andar,
Por caminhos vagos,
De corações dilacerados.
Estou à espera de ninguém,
De olhar vazio petrificado,
Passam perto tão distantes,
E eu aqui desfocado do bem.
Lisboa, 9-10-2013
👁️ 464
Angustiosamente Só
A angustia em que parecerei,
Desconsola-me a alma inerte,
Tão acompanhado de nada fiquei,
Talvez dos lamentos me liberte.
Quando os sentidos definharem,
Ficarei apenas por aqui deitado,
Deixarei as horas a passarem,
E morrer assim tão deleitado.
As preces todas que eu esquecerei,
Inglórias promessas vãs e longínquas,
De avessas hordas que vingarei,
Nas últimas despedidas improfícuas.
Saberei eu um dia,
Voar e voar ao alto,
Para longe da monotonia,
Na fobia do último salto.
Lisboa, 30-9-2013
👁️ 447
E Nada Sobrou
Dissequei a alma aos bocados,
E nada sobrou,
Procurei desesperançado,
E nada ficou,
Sonhei com flores frondosas,
E todas murcharam,
Naveguei por mares agitados,
E eles serenaram,
Fugi da vida inteira,
E ela partiu,
Viajei ao meu interior,
E reflecti,
Melancolicamente embevecido indaguei,
E nada encontrei,
Desejei ousar o mundo,
E eu aqui encarcerado,
As nuvens sorriram-me alegres,
E eram apenas miragem,
As estrelas ao alto piscavam,
E eu em espanto serenei.
Lisboa, 27-9-2013
👁️ 563
O Troar Do Último Fôlego
O desmoronar da insípida vida já chegou,
No meio intersticial insalubre onde vingou,
Troaram os canhões da verdade bem alto,
Ecoaram derradeiros ao desmontar o palco.
Ópio em que se tornou o simples respirar,
Na taciturna noite em que me deixei resvalar,
Embutido no tédio da oca imensidão vazia,
De que eu julguei ter emergido um certo dia.
O unanimismo das incongruências ilógicas,
Presenteiam-me a pobre mente desfalcada,
Num último adeus prostrado sem mágicas,
Onde padeço a mítica alma consumada.
Os sentidos desvanecem feridos de morte,
A memória escapa-se evaporada num suspiro,
Tudo deixou de fazer sentido e sem norte,
O alívio que emano nas trevas que inspiro.
Lisboa, 12-10-2013
👁️ 423
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“ Amor Eterno - Antologia Poética”
Registado em www.safecreative.org sob o nº 1405190889487
“ Poesia Eterna Parte II”
O Homem tem que reflectir sobre si próprio, é certo, senão tornamo-nos em indigentes mentais insanos, perspectiva que tanto receio e medo nos provocam e se calhar até nem por isso... Cair na loucura despudorada afogada em melancolia pode muito bem ser o meu destino e a minha salvação.
“ Amor Eterno - Antologia Poética”
Dedico este livro por inteiro à minha querida poetisa Larissa Rocha, minha imensa e inacabável fonte de inspiração, Obrigado mil vezes pois ele é mais Teu que Meu…
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