Lista de Poemas

Negação

A cada passo que dou na terra
Ouço seus suspiros na guerra
Ao tentar me esconder na caverna,
Chegas com milhares de sóis e lanternas.

Por que tem que ser assim?
Vem sempre atrás de mim.
Nego tua existência e toda materialidade,
Inevitavelmente me faz ver mais da tua fidelidade.

Que fidelidade é essa que me atormenta?
Que arrasta o corpo morto pelo verde pasto,
Parecendo sutil, mas ainda violenta.

Que posso diante de ti argumentar
Se todos meus tremores tornam meu corpo nefasto
E não posso ainda sentir como é te amar?
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Vazio II

No assento etéreo onde está,
Sei que meu clamor pode escutar,
Que, por infelicidade, é estridente e causa surdez,
E seca o pranto da minha alma toda vez.

Por alguma ventura da vida,
Não sei mais se essa me parece corrida,
Os dias passam como aves no céu,
E o vazio se adentra, como o dedo no anel.

Ao olhar o céu, posso ser engolida
Pela tua imensidão, fico estarrecida
Pressinto, e espero, que lamentariam pela minha ida.

Porém, em palavras, posso finalmente expressar
De volta, o doce sentimento que é te amar,
Estarei em seu meio, de volta ao Lar.
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Por você, lesma

Ian, doce Ian
Fico estarrecida com tua beleza,
Penso em ti, e me torno uma lesma,
Leve-me, Lieutenant.

Ian, doce Ian,
Há poucas rimas para encontrar
Com esse teu nome singular,
Resta-me buscar na pátria alemã.

Em palavras tentarei dizer
O amargo futuro
Em que não poderei te ver.

De vista perderei teus olhos puros
E terei que lembrar, diariamente,
De ti, amargamente.
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Cornucópia

Com um rosto como o teu,
Nem olhar para o céu precisaria
Pois em ti veria
A tenra vontade de meu eu.

Lindos contornos,
Sem muitos adornos,
Apenas a moral diadema,
Que te enfeita a cabeça.

Cabelos macios,
Que remetem a milhares de ovelhas,
Com mais que dourados fios.

E estes lindos olhos
Que mal pude contemplar,
Se visse, já estaria no lagar.
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Eu e o lagar

Não sei que pedir,
Nem imaginar,
Nesse presente amargo,
Espremida nesse lagar.

Quando eu penso em sonhar,
Logo vem a fenda,
Me mostrar a lenda,
E me colocar em meu lugar.

Ainda assim, espero o dia
Em que poderei cantar
A doce sinfonia.

Sem instrumentos, nem lugar,
Nem regras para estragar.
Só eu e o lagar.
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Beulá ao Luar

Cenas noturnas que me invadem a mente,
Que tiram até o jeito de Selene,
Que parou suas perfeitas sonatas ao luar,
E acordou Beethoven, ao nos ver passar.

Mordeu os lábios e se debruçou
Em nuvens aniladas, vários tons,
Ao contemplar os gracejos que me cantava,
Ao sentir a pureza da tua imaculada alma.

Porém, a deusa se embraveceu,
Pois, a noite que dantes era toda umbrosa,
Do teu vigor tomou, depois de muito cortejo teu.

Sem tua conceição, trouxe-me flóreas brisas,
Suave e fino vento,
Que nunca se desfia.
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Ósculo do Santo Espírito

O beijo que desperta
Beijo que transforma
Que me carrega
E que me traz a forma.

Toque que acalma
Que derrete a alma,
Segredo que se esconde
No coração de cada brutamonte.

Maciez que desatina,
Destrói, com sopro suave,
Toda areia movediça.

Sim, acalma toda tempestade,
Protege da tirania,
E cobre o coração de Maria.
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O SIGNIFICADO DA CONTEMPLAÇÃO

Em meio a sinos e serpentinas,
Orarei sempre, na matina
A Deus e os santos que tanto confio
Que eu nunca me esqueça do flóreo arrepio.

Do cheiro que me impregnou a alma,
Do calor que agitava minha praia,
Da suave brisa de sua presença,
E do corpo, que me parecia a antiga Florença.

Recheada de artistas e de vigor criativo,
Me recordo de ti por muitos motivos.
Por mais que seja única a emoção que a alma sinta,
Como quadro em processo, teu cheiro emana várias tintas.

Obra de arte, consagrada a ser amada
Com teu simples andar, me deixa encantada,
Me torno finalmente enamorada da contemplação!
Depois de te ver, me encontro são.
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