Lista de Poemas

Rosa do Deserto

Quando no comum não há mudança,
Busco ao redor para buscar esperança
Foi quando uma rosa vi em meio a monção,
E me remeteu uma antiga canção.

Era sobre um homem que buscava o amor,
E que por longos anos lutou,
Foi quando um velho com uma flor apareceu,
E finalmente, o amor ele entendeu.

A rosa por aí andava,
Com véu grená, desengonçada, 
Com longas roupas róseas, escondia
Segredos que por anos mantinha.

Cada olhar seu era um amanhecer,
Que de água serviu ao meu ser.
Nesse longo deserto que irei passar,
Dessa linda rosa irei sempre lembrar.
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Olhe bem, anta!

Como podes dizer
"Que belo par de olhos minha senhora tem!"
Quando que a primeira que passa no alvorecer
Te leva a fantasias do além?

Por enquanto, andas belo, rechonchudo,
Corado, cheio de vida,
Mas mal te espera o infortúnio,
No qual só sobrará tua fiel margarida.

Te deleitas em seus abraços e carícias,
Mas no meio da madrugada, os esquece,
Buscando suas próprias malícias.

Imaculada e doce é a que te ama,
Ainda que o carinho dela seja jogado na lama,
Bem aventurados são aqueles que arrumam a própria cama!
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Alma supostamente violada

Sendo arrastado, segue o meu coração,

Levado por corvos, nesse imenso lixão,

Apodrecido e leproso, foi abandonado,

Fora aborrecido, deixado para o 3° Estado.

 

Deus, não deixa minha mãe morrer,

Nu saí do ventre dela, como tornarei?

Embaraçado o sentimento que me afasta do crer,

Ainda que eu não te conheça, continua a me ver.

 

Uzias morreu para a nação de Israel,

Grande rei, mas sua herança estava no céu.

Deus meu, não sou Isaías para seguir legado,

Tenha misericórdia de mim de acordo com o seu mandado.

 

Foram martelados os pregos da indiferença,

Longe de mim! Condenados com eterna sentença.

Meu coração, ao seu pertence,

Não me deixe tão só, tão carente.
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Pélago iroso

Quão agradável seria poder
Quebrar o relógio,
Sem pausa para velório,
Para viver o instante, sem o deter.


Não és o rei deste tempo,
Nem senhor destas margens
Por isso me olhas como selvagem,
Mesmas origens, não te detenho.


Conto vidas até a volta da tempestade,
Pois é no quebrantamento das ondas,
Que posso sentir tua presença nas margens.

 
Agora, me coloco em plena ronda,
Porém, a vida atenta tem suas vantagens,
Ninguém sabe do mar e suas vontades.
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Maldito trabalhador

Quando cai no chão a semente,
Já pensa o semeador, prontamente,
"A primavera muito promete",
Ao pisar o pé em casa, só falta matar o pivete.

Se o Senhor não edificar a casa
Em vão trabalham os que edificam,
Mas o agricultor muito abre as asas,
E ao trabalhar, esquece os que ficam.

Pois bem, tu que és bem semeada,
Da mais pura e virgem cevada,
Pare de reclamar da estação
E te lembras bem da imaculada paixão.

Apalpa com os olhos frutas vizinhas,
Com ruindade, acompanha outras vinhas,
Maldita! Olha para o presente em teus arados,
Já te aguardam os frutos, doces e amados.
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Sem chave

Se me visse agora
Com certeza iria gargalhar,
Porque dantes liberei a pólvora,
E agora me coloco a pensar.

Já posso escutar altos risos
Apenas em revisar antigos suspiros.
Te vendo nos olhos de um lutador...
Tua risada me traria grande dor.

A realidade foi posta a mesa,
Cá estou a esperar os convidados,
Espero que você chegue para a sobremesa.

Desisto de me impor preocupações,
Ainda que eu tente abrir o cadeado,
Fico a pensar em nossos (?) corações.
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Companhia inócua

Se por ventura teme a morte,
Que pena de você tenho,
De nada valerá todos seus anos no engenho,
Quando tua alma passar pelo extremo norte.

Sem tua permissão,
Numa cama de terra te deitarão.
Larvas e fungos irão corromper
O corpo que você tanto batalhou para ter.

Há um mundo que não espera,
Ele não se esconde debaixo da terra,
Mas é oculto aos que decidem viver
Sem perspectiva de um dia morrer.

Se me resta um último pedido a ti,
É que entenda a caroável visita.
Que de porta em porta, sempre diz:
Memento Mori.
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Gesundheit

Já é noite
E me permeia um leve aperto no peito,
Parece que a dor encontrou sua casa de veraneio
Trazendo suas armas, preparando o açoite.

Que posso eu fazer?
Se essa dor acaba por me trazer prazer
E transforma toda essa dura muralha
Em grandes paredes de palha.

Gosto de em ti pensar,
Mas a primeira vigília nem pensa em acabar,
E já me apresso para poder deitar.

A culpa é minha,
A pressa esmagou a joaninha,
Que nem conseguiu terminar a poesinha.
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Decisão?

Para onde ir?
Me abrigar num ninho de ignorância
Ou buscar em chaves sua confiança?
O que acudir? O que abolir?

Não me venha com vãs filosofias,
Ou com palavras que levem ao céu,
Sei como termina cada rima,
Só preciso que me entregue o réu.

Dá me uma casa, um lar,
Aonde posso contigo me encontrar,
Em que a dor não vai mais importar.

Por um tempo, irei me afastar,
Ver o que decide ficar,
E o que decide levar.
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Infantilidade

Me nego, me nego a acreditar
Naquele que vejo ainda caminhar. 
Insisto, persisto em não ver
Ainda que a imensidão azul emane você.

Não quero falar, nem respirar
Tendo ciência de que você está por aí
Me esperando para tudo acertar,
E me lembrar de tudo que te traí.

O amanhã é uma tragédia,
Nem mesmo a merda de uma comédia,
Exala sujeira e muita asneira.

Como posso eu profetizar?
Nem me venha com tuas profecias "verdadeiras"
Se nem do meu lugar posso me levantar.
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