Escritas

Lista de Poemas

Cena


A visão alada
sempre vale a pena
pois o toque da pluma
(um quase nada)
diz do desejo
de possuir a leveza
a natureza da ave

Pele e pena
demoram-se juntas
transpõem os limites
entre o ser e o lá fora.

Nilza Azzi
👁️ 34

Cada estação...


Cada estação é uma tela
surpreendente e natural;
cada qual por si é bela,
faz brotar novo ideal.

Nilza Azzi
👁️ 173

Entremeios


se ao romper a teia fina
dos campos do silêncio
– o limbo eterno das palavras –
pudesse tocar-te a alma
e na névoa do sonho
a brancura fosse azul
os horizontes palpáveis
pela verdade sem limites
de amanheceres claros
com seus começos de dizer
sobre a inútil direção do destino
entregue aos vãos do precipício...

se por um quase
tudo fugisse ao fim previsto
e a sensação de luz
fosse romper escuros 
– nada mais que um fóton –
a voz seria espelho do vazio.

Nilza Azzi
👁️ 30

Rastros de espanto


Manhã fria e enevoada.
O vento é um chicote a fustigar a pele...
Hoje não houve canto de passarinhos ao despertar.
Um silêncio vasto de feriado e inércia
deixa no ar o vazio da tristeza e da saudade!
A natureza silenciou o canto ritual...
Meu olhar alcança um pequeno templo no horizonte,
irregular contra os contornos da colina.
Os primeiros raios do sol varam a névoa invasora,
incidem sobre o metal de algum telhado
e reverberam horizonte além...

Nilza Azzi
👁️ 174

Rastros de espanto


Manhã fria e enevoada.
O vento é um chicote a fustigar a pele...
Hoje não houve canto de passarinhos ao despertar.
Um silêncio vasto de feriado e inércia
deixa no ar o vazio da tristeza e da saudade!
A natureza silenciou o canto ritual...
Meu olhar alcança um pequeno templo no horizonte,
irregular contra os contornos da colina.
Os primeiros raios do sol varam a névoa invasora,
incidem sobre o metal de algum telhado
e reverberam horizonte além...

Nilza Azzi
👁️ 103

Como antes


Vagar pela orla, catando conchinhas,
pensando somente nos sonhos que tenho;
sentir que essa aragem suaviza o meu cenho,
feliz, pois ao lado também tu caminhas.
São sempre bem vindas, as brisas marinhas
que envolvem meu corpo, perfumam o ar.
Fragrância salina convida a sonhar!
Os pássaros voam, cortando em rasantes
a espuma das ondas e assim como antes,
avisto um galope na beira do mar.

Nilza Azzi

👁️ 135

Na solidão...


Na solidão dos seres e das almas,
moram fantasmas tristes, sem desejos,
meros zumbis assustam minha calma −
vê-los bem longe é tudo que eu almejo...

Nilza Azzi
👁️ 129

Histórias de embalar


A cada dia do ano,
ponho meu filho na cama,
conto histórias de embalar,

sempre uma história nova,
na hora de adormecer.

São façanhas que vou urdindo,
enquanto lhe faço afagos.
Sempre acho um novo herói
que lhe alimente os sonhos,
porque o brilhar dos seus olhos,
torna os meus bem mais risonhos.

As pontas dos meus dedos,
passeiam por sua testa.
Lhe falo sobre segredos
guardados numa floresta.

Em mim, um pouco do mar,
também, um pouco do vento,
quem sabe, um pouco de Deus,
vão criando em acalantos,
a canção dos dias meus...

Nilza Azzi



👁️ 34

Minha cozinha


Saio bem cedo pra fazer compras.
Vou ao mercado, quero escolher
tudo bem fresco, passo nas bancas,
não há segredo em reconhecer...

Já na cozinha, fechando a porta,
quero sossego, enquanto começo
a decidir o que mais importa.
Faço a salada e então me interesso

pelo preparo de alguns legumes.
Deixo pro fim, o peixe, o filé:
vou preparando, sigo os costumes,
os camarões, bem rápido até

a cor rosada, um tanto de molho
eu acrescento, e então cebolinha...
Abro um armário, a travessa escolho.
É bem famosa, a minha cozinha!

Nilza Azzi

👁️ 22

Corpo de mulher


                  Em teu corpo, ó mulher,
                      há um segredo guardado.
                      É segredo e quem quiser
                      desvendá-lo sai logrado.
                      Não existe corpo feio,
                      sempre há algo a realçar,
                      o colo, a curva do seio,
                      cabelos, boca e olhar.

                      Aquela que assim se entende
                      sabe bem o que lhe vale,
                      se é o modo como prende
                      o cabelo, ou como fale,
                      sorria, vista, caminhe,
                      deixe os pés em evidência,
                      as mãos sobre o peito aninhe,
                      ou olhe com displicência
                      as unhas, enquanto alisa
                      uma mecha do cabelo
                      e de forma bem precisa
                      realça seu tornozelo.

                      Cada mulher é um mistério
                      único, doce, indiviso.
                      Conhecê-la é assunto sério,
                      mas arriscar-se é preciso.

                      Um mistério desvendado
                      perde a graça e o encanto,
                      então mantenha o cuidado;
                      haja o esforço, mas não tanto...
           
                      Nilza Azzi

                          

 
👁️ 45

Comentários (4)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
petrillipoesia
2020-03-23

Belos sonetos!

sergios
2020-01-23

Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!

filipemalaia
2019-12-31

Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.

Maria Lima
Maria Lima
2019-08-02

Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!