Lista de Poemas
pequena prosa poética... quase mágico seu rosto
quase mágico seu rosto, o olhar estendido labirinto de memórias, olhos que soletram o sol são a linguagem dum silêncio arrebatado, onde as sílabas são substituídas por música que vem do coração, jamais se é o que se foi, jamais se respiram as fragrâncias de Setembro, agora que o inverno se inicia e a vida nos fala em sua mudez, uma rajada canta no arvoredo da memória, que ainda palpita, voa e sonha....
natalianuno
natalianuno
👁️ 1 069
outono tardio...
já se perdem minhas folhas neste outono tardio assoladas pelo vento da saudade... hoje ouvi as harpas do canavial,e recuperei o sorriso, subitamente vieram-me as lembranças às águas da memória, e de lembrança em lembrança voei caindo no silêncio...sento-me no chão, sou agora um vaso quase vazio onde repousam flores sem vida... e a borboleta que voeja na desordem da minha folhagem caída...pergunta-me: que fizeste da vida? fico-me silenciosa, e olho a minha triste caligrafia, as palavras caem da boca como frutos maduros, e as sílabas já não querem mais voar...
natalia nuno
natalia nuno
👁️ 835
tanta coisa...coisa pouca...trovas soltas
ai de mim, tão pouco sei!
olhos abertos ou fechados
tão pouco, conta me dei
meus versos aí espalhados
ai de mim, falta de senso
tanta coisa, coisa pouca...
queixas d' alma, ai imenso
da viagem q'me põe louca
assim me vou consumindo
não culpo a vida e ninguém
só este desejo advindo
faço versos... aqui e além
sem engenho assim dirão,
são ramos verdes sem flor
com loucura escritos à mão
hora a hora engenho e amor.
ai de mim com ou sem rima
vou escrevendo com tal força
não será uma obra prima...
mas m' querer não há q'torça
q' importa quem não admira
quem nada viu por aqui...
quem no meu peito desfira
quem ri por último melhor ri.
natália nuno
olhos abertos ou fechados
tão pouco, conta me dei
meus versos aí espalhados
ai de mim, falta de senso
tanta coisa, coisa pouca...
queixas d' alma, ai imenso
da viagem q'me põe louca
assim me vou consumindo
não culpo a vida e ninguém
só este desejo advindo
faço versos... aqui e além
sem engenho assim dirão,
são ramos verdes sem flor
com loucura escritos à mão
hora a hora engenho e amor.
ai de mim com ou sem rima
vou escrevendo com tal força
não será uma obra prima...
mas m' querer não há q'torça
q' importa quem não admira
quem nada viu por aqui...
quem no meu peito desfira
quem ri por último melhor ri.
natália nuno
👁️ 1 017
sopros...trovas soltas
correm meus dedos trazendo
uma vontade enlouquecida
correm as saudades batendo
com saudades da própria vida
no rio reflexo dos salgueiros
cabelos agitados ao vento
das hortas me vem os cheiros
do fundo da alma o lamento
pássaros de peito inchado
e brancas flores abrindo
ao longe o som do arado
já as estrelas vão caindo
faço coro com a ventania
com as rãs e sua voz rouca
prende-me o choro da cotovia
e das cigarras a cantoria louca
não sei se deixe morrer...
o que hoje me atormenta
meus versos hão-de querer
livrar-me do q' m'apoquenta
natália nuno
👁️ 1 055
os crisântemos vão morrendo...
procuro apoio, o sono já me dobra
e o sonho já me convida
dou por mim jovem, sentada à lareira
e minha avó mexendo o café
na cafeteira.... o outono vai adentrando
como a querer chamar o frio,
e ela mulher do seu tempo
no rosto mantém o desgosto e
no olhar o vazio
assaltam-me as saudades destes momentos
dias cinzentos, com a chuva a bater no telhado
e eu com um ar descuidado, libelinha sempre
a crescer, na esperança de voar
tudo em meu redor se aquieta
apenas dos galhos secos o crepitar
lá fora os crisântemos vão morrendo
enquanto eu vou dizendo, o padre nosso a
avé maria, e minha avó agora o terço dedilha
acabada a reza, um ténue suspiro de alento
escutamos a noite e uma solidão sem par
no céu nem uma estrela, o povo recolhido
e eu desenho no bafo do vidro
sonhos de encantar
estou bem acordada ainda
e minha avó sempre com esta tristeza que não finda
degrada-se a lembrança do tempo que foi feliz
e como pomba sem ninho, a felicidade
ficou pelo caminho.
na parede quase nua, apenas um retrato
do homem jamais esquecido
em seu coração de sombra já vestido
à luz da candeia ali ficámos depois da ceia
mais um serão se passou e eu durmo na minha lembrança
adentro-me em mim mesma, vou onde posso sentir-me
escondo-me atrás das horas, deito a cabeça no regaço da avó
e nunca me sinto só...................no sonho deixo-me afundar
e apalpo palavras para a saudade embalar...
natalia nuno
e o sonho já me convida
dou por mim jovem, sentada à lareira
e minha avó mexendo o café
na cafeteira.... o outono vai adentrando
como a querer chamar o frio,
e ela mulher do seu tempo
no rosto mantém o desgosto e
no olhar o vazio
assaltam-me as saudades destes momentos
dias cinzentos, com a chuva a bater no telhado
e eu com um ar descuidado, libelinha sempre
a crescer, na esperança de voar
tudo em meu redor se aquieta
apenas dos galhos secos o crepitar
lá fora os crisântemos vão morrendo
enquanto eu vou dizendo, o padre nosso a
avé maria, e minha avó agora o terço dedilha
acabada a reza, um ténue suspiro de alento
escutamos a noite e uma solidão sem par
no céu nem uma estrela, o povo recolhido
e eu desenho no bafo do vidro
sonhos de encantar
estou bem acordada ainda
e minha avó sempre com esta tristeza que não finda
degrada-se a lembrança do tempo que foi feliz
e como pomba sem ninho, a felicidade
ficou pelo caminho.
na parede quase nua, apenas um retrato
do homem jamais esquecido
em seu coração de sombra já vestido
à luz da candeia ali ficámos depois da ceia
mais um serão se passou e eu durmo na minha lembrança
adentro-me em mim mesma, vou onde posso sentir-me
escondo-me atrás das horas, deito a cabeça no regaço da avó
e nunca me sinto só...................no sonho deixo-me afundar
e apalpo palavras para a saudade embalar...
natalia nuno
👁️ 831
bálsamo do tempo...
a saudade traz o bálsamo do tempo
antigo, mergulho nela sem rumo
às vezes recua delicadamente
e a vida esvai-se em fumo.
em cada poeira varrida do nosso olhar
agitam-se as flores a cada momento,
sem nenhuma murchar,
esperança mágica, que nos afaga
o pensamento.
vazia de palavras, meu corpo já se rende
vergada ao fim do dia,
a luz fluindo na memória ascende
o sol é meu confidente
tudo é a meu favor
a beleza da tarde envolvente
e o vento ainda volteia no ar,
a memória de acordes a transbordar
e mais um dia a deixar saudade
e o sonho que eu amava?
será só ingenuidade?!
nada tão doce como o primeiro ardor,
estremeço, só de pensar
- nesse tempo d'amor.
natalia nuno
antigo, mergulho nela sem rumo
às vezes recua delicadamente
e a vida esvai-se em fumo.
em cada poeira varrida do nosso olhar
agitam-se as flores a cada momento,
sem nenhuma murchar,
esperança mágica, que nos afaga
o pensamento.
vazia de palavras, meu corpo já se rende
vergada ao fim do dia,
a luz fluindo na memória ascende
o sol é meu confidente
tudo é a meu favor
a beleza da tarde envolvente
e o vento ainda volteia no ar,
a memória de acordes a transbordar
e mais um dia a deixar saudade
e o sonho que eu amava?
será só ingenuidade?!
nada tão doce como o primeiro ardor,
estremeço, só de pensar
- nesse tempo d'amor.
natalia nuno
👁️ 16
para sempre me amarás...
encosto-me aos dias, perdida
de mim, as horas passam devagar
faço romagem ao passado
relembro recantos de onde vim
e de tanto caminhar,
aperta-se um nó no peito
fica a alma um deserto magoado
já tardadas, mas esperadas surgem as inquietações
esqueço os sonhos e as ilusões
fico em silêncio, já não sou ave livre
sou sim a que vive
presa neste corpo para sempre
os passos já se me quebram
cumpriram tantos caminhos!
e em todos descobri
que não há rosas sem espinhos.
apaga-se a vida devagar
mas sobrevive o meu amor por ti.
que te posso eu oferecer a troco dum olhar?
ofereço-te o céu imenso, ou os raios do sol
sobre o mar
resta-me a a satisfação audaz
que para sempre me amarás.
natalia nuno
de mim, as horas passam devagar
faço romagem ao passado
relembro recantos de onde vim
e de tanto caminhar,
aperta-se um nó no peito
fica a alma um deserto magoado
já tardadas, mas esperadas surgem as inquietações
esqueço os sonhos e as ilusões
fico em silêncio, já não sou ave livre
sou sim a que vive
presa neste corpo para sempre
os passos já se me quebram
cumpriram tantos caminhos!
e em todos descobri
que não há rosas sem espinhos.
apaga-se a vida devagar
mas sobrevive o meu amor por ti.
que te posso eu oferecer a troco dum olhar?
ofereço-te o céu imenso, ou os raios do sol
sobre o mar
resta-me a a satisfação audaz
que para sempre me amarás.
natalia nuno
👁️ 677
o tempo me toma...
embalo sonhos junto ao peito, e por entre eles desdobra-se a vida.. prepara-se o voo, serei gaivota à espera da maré... na praia deserta marcas de saudade...
natalia nuno
natalia nuno
👁️ 604
enquanto nos amamos...
tão pouco me resta
olho o sopro do vento
que a árvore abraça,
e o meu pensamento
prende-se ao momento
que o teu braço m' enlaça
enquanto nos amamos
acrescentamos à realidade
um pouco de saudade,
partilhamos prazer
nosso amor é puro vinho
que bebemos com lentidão
saboreamos, para não esquecer
que a felicidade
está na nossa mão.
natalia nuno
olho o sopro do vento
que a árvore abraça,
e o meu pensamento
prende-se ao momento
que o teu braço m' enlaça
enquanto nos amamos
acrescentamos à realidade
um pouco de saudade,
partilhamos prazer
nosso amor é puro vinho
que bebemos com lentidão
saboreamos, para não esquecer
que a felicidade
está na nossa mão.
natalia nuno
👁️ 636
A infância feliz...
A infância feliz, se pudesse voltar e beber um pouco dessa doce eternidade, deixar verdejar o meu instinto de liberdade... ainda escuto a nossa alegria no subir e descer das árvores nessa infância harmoniosa...como entender agora a felicidade? Como inventar sonhos?Os dias apagam-se em si mesmo, nada se procura e pouco se espera, apenas o sonho insiste, éramos asas de vento num céu sem nuvens, meninos que traziam consigo o aroma da vida, unidos num nó que parecia inseparável, de risos repentinos e o coração cheio de lealdade...grato, foi envelhecer trazendo da infância saudade, de brincar livremente nesses dias lendários no meio da natureza com o aroma dos frutos e flores por perto, dos pássaros e trinados, das borboletas de mil cores e rostos tisnados pelo sol irradiando inocência...
natalia nuno
natalia nuno
👁️ 506
Comentários (11)
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natalia nuno
2021-11-06
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
rosafogo
2018-12-15
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
charlesburck
2018-12-14
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
atal66
2018-10-22
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
quaglino
2018-10-17
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Natural de Lapas/Torres Novas
A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas .
Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil.
Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda»
Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César,
O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e
« Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira.
Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora.
Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC
Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!